Diário de Rafaela 2 — Capítulo 25 — Como foi?
Rafaela terminou de se arrumar e desceu, sua festinha de aniversário estava começando, ficou preocupada com Amanda, mas ela apareceu horas depois, arrumada e sorridente como se nada tivesse acontecido, ambas de peruca chamando a atenção de todos, belas como eram.
Foi muito divertido, Rafaela era normalmente mais espontânea, mas andava mais quieta e introspectiva, preocupada e os amigos perceberam isso. A Festa se arrastou até a madrugada sem grande alarde ou confusão
Determinado momento Rafaela ficou contente por Amanda e Natali estarem conversando e aparentemente se dando bem, notou que Guilherme, mesmo sem ela dar liberdade, encostava nela, para passar, para falar e tudo mais.
Ela sempre gentil e atenciosa, em um momento ficou sozinha com Guilherme, ela estava sorridente e ele puxou assunto.
— E ae, como você está? — Ele falou amigável se inclinando na direção dela
Rafaela continuou sorrindo e inclinou o corpo na direção dele também, forma amigável, animando Guilherme
— Por que você está falando comigo? — Perguntou de forma quase fofa
— Por que estamos só nós dois aqui — Ele colocou a mão na perna dela
Rafaela sorriu, pegou delicadamente uma faca que estava na mesa e colocou-a na bochecha dele.
— Se você não tirar a mão da minha perna eu arranco seu olho— As palavras eram pesadas, mas ela estava sorridente
Guilherme tirou a mão assustado
— Calma, não quis ofender — Guilherme se desculpou e Rafaela colocou a faca de volta na mesa.
— Só se dirija a mim quando eu mandar, não fale comigo, não olhe para mim, não pense em mim ou se refira à mim, eu não existo para você, entendeu? — Ela falou ainda sorridente
Ele se levantou e saiu de perto sem responder, Rafaela continuou a ouvir a música com a cabeça virada em direção da caixa de som e a curtir a festa, bebeu e se divertiu com os amigos pelo restante da noite quando Amanda e Natali chegaram.
Para se divertir fizeram uma brincadeira de shots de bebida, Amanda não bebia à muito tempo por causa da medicação, mas disse que dessa vez iria beber em homenagem à Rafaela e à Natali.
Beberam até perder os sentidos.
— Acorda ae! — Rafaela sentiu algo a empurrando, havia bebido demais e sua cabeça doía, alguém a chamava, ouvia cada palavra como um sino fazendo o quarto tremer.
— Hmmm — Rafaela murmurou, foi só o que conseguia falar, pegou o cobertor e cobriu a cabeça.
— Irmãzinha, acorda! — Sentiu um empurrão na altura da cintura e abriu os olhos tentando se lembrar do que havia acontecido
Natali estava deitada no chão do seu quarto empurrando-a com o pé para que acordasse
— Que foi Nati? — Rafa perguntou sonolenta olhando por um buraco no cobertor
— To com fome, vamos levantar! — Natali falou
— Ah não — Rafaela cobriu a cabeça — Me deixa, desce lá, come algo
Natali se ajoelhou e deslizou para debaixo do cobertor na cama junto com Rafaela.
— Vai, vamos comer, to morrendo de fome e você não acorda! — Abraçou Rafaela debaixo da coberta sentindo o calor confortável.
Rafaela não respondeu, apenas murmurou e sentiu o abraço apertado, ambas acabaram adormecendo com o calor dos corpos unidos, acordaram uma hora depois abraçadas
Natali levantou e tirou o cobertor, em seguida arrancou o shortinho de Rafaela
— Acorda bicho preguiça! — Natali falou puxando com violência
— Não Nati! — Rafaela reclamou e Natali arrancou-lhe a calcinha de Rafaela — Para! — Rafaela pediu e tentou se proteger com as mãos
— Levanta, chega, ta tarde demais! — Natali falou abrindo a cortina e fazendo o sol entrar e atingir a pele de Rafaela imediatamente, em seguida foi ao banheiro e Rafaela ouviu o chuveiro e o grito de Natali — Vem tomar banho!
Com muita relutância Rafaela levantou e foi até o banheiro, quando chegou no box Natali tomava banho nua
— Vou esperar você banhar — Rafaela falou sentada no vaso de olhos fechados com a cabeça doendo.
— Não, pode vir aqui, toma banho comigo! — Natali ordenou — Acorda!
— Ah Nati — Rafaela reclamou
— Tá com vergonha de mim? — Natali colocou a cabeça para fora do box e puxou uma relutante Rafaela para dentro do chuveiro
— Nãooo — Rafaela entrou e ainda estava com o top que havia dormido, a roupa molhou e ambas riram — Ah meu! — Rafaela reclamou tirando de forma desajeitada deixando os seios à mostra.
Natali não esperou, pegou a esponja e começou a ensaboar a amiga
— Agora que estamos mais velhas temos que cuidar melhor das nossas peles, você ta com a pele ressecada — Falou ao esfregar o pescoço de Rafaela — Precisa se cuidar mais, precisa ser linda
— É eu sei — Rafaela falou pensativa — Eu to feia
— Feia não né, por que você é a minha cara e eu sou linda — Natali falou séria arrancando um sorriso de Rafaela
Ambas limpavam uma a outra, aquilo não era tão comum, havia acontecido duas vezes antes, mas meio que virou uma tradição entre elas, um banho mútuo, era gostoso e excitante
Natali pegou o sabão líquido e passou no clitóris de Rafaela, mas Rafa se esquivou
— Não, aí não! — Segurou a mão de Natali
— Tá sensível? Desceu pra você? — Natali perguntou preocupada
— Não, é que eu — Rafaela falou por alguns segundos e não respondeu— Sei lá
— Tá me evitando é? — Natali perguntou franzindo a testa
— Não você, mas to meio, sei lá, sem tesão mesmo — Rafaela continuou
Natali revirou os olhos e tirou a mão de Rafaela que a segurava continuando a lavar a buceta da amiga, esfregou e limpou de forma mecânica
— Tem nada de sexual aqui, você que tá se excitando por que eu sou gostosa — Natali falou sorridente virando-se de costas e esfregando a bunda em Rafaela enquanto rebolava com as mãos no joelho dançando.
Rafaela riu de novo
Terminaram o banho e se secaram, foram ao quarto, ambas nuas, Rafaela parou em frente ao espelho que mostrava seu corpo inteiro, virou-se de lado e viu seu corpo, seus seios grandes estava levemente caídos, sua pele estava clara, sem marcas de biquini como costumava ter, sua bunda parecia menor e sua barriga estava convexa, parecendo que estava passando fome.
Natali a abraçou por trás e ela viu a amiga também nua no espelho
— Tudo bem? — Natali perguntou dando um beijo na nuca de Rafaela
— Não sei — Rafaela respondeu sentindo o calor do corpo de Natali
— O que você tá pensando? — os braços de Natali agarraram Rafaela de forma carinhosa
— Eu to muito magra, acho — Rafaela falou olhando no espelho
Natali passou a mão na barriga dela e segurou a cintura, pegando no osso na bacia
— Tá um pouquinho sim — As mãos deslizaram para cima e agarraram os seios de Rafaela de forma sutil, os polegares tocaram os bicos que se intumescem imediatamente
Natali puxou Rafaela para fazê-la ficar de frente ao espelho,ficaram lado a lado
— Vamos comparar — Natali continuou — Suas coxas não estão se tocando, percebe? — Natali continuou
Rafaela observou, as coxas de Natali eram grossas e uma parecia querer engolir a outra, as de Rafaela formavam um vão que mostrava a cama ao fundo, a cintura de Rafaela estava muito mais fina que o normal dando uma característica de violão
— Seu corpo está lindo, você está bem magrinha — Natali passou a mão nas costelas de Rafaela — Suas costelas estão aparecendo, você tá no limite de ser gostosa e magrela, tá bonita por que tem esse tetão aí — Natali apertou o bico do peito de Rafaela
Ela bateu na mão da amiga, se encolhendo e reclamou
— Ooohh!!! — saiu da frente do espelho procurando roupas nas gavetas
— Careca, tem roupa minha lavada? — Natali falou fuçando nas gavetas de Rafaela com ela
Rafaela revirou os olhos
— Não sou mais careca, está crescendo — Enfiou a mão na gaveta e pegou um saquinho com calcinhas e sutiãs que Natali havia deixado lá — Aqui, eu lavei.
Natali deu um beijo no rosto de Rafaela
— Valeu mana!
Rafaela escolheu uma calcinha comportada, vestiu uma legging preta e uma camiseta com um top por baixo
Natali fuçou no armário de Rafaela e pegou um vestido verde musgo
— Nossa Rafa, esse é lindo demais! — Natali falou animada — Vou ficar com ele tá?
— Pode ficar, sua ladra, mas é emprestado, você não devolveu minha saia — Rafaela falou séria
Natali a abraçou e deu um beijo nos lábios dela
— Nossa saia camarada! — E sorriu.
Desceram para tomar café e não havia ninguém em casa, mas estava uma bagunça, resolveram comer e acertaram que iriam limpar tudo depois de comerem, tomaram café sem pressa.
Ambas voltaram ao quarto e trocaram de roupa, colocaram shortinho e camiseta o “Uniforme de Amélia” conforme Natali havia falado.
Colocaram músicas alternadas, Rafaela colocava Rock’n Roll e Natali mais Pop e Musicas nacionais que Rafaela desconhecia, mas se davam bem assim, limparam a casa toda e em poucas horas tudo estava um brinco.
Sentaram-se no sofá exaustas
— Rafa — Natali perguntou enquanto sua barriga roncava enquanto ela se esticava para pegar uma banana na fruteira no limite do sofá e a cozinha.
— Fala — Rafaela colocou os pés na mesinha de centro
— Como tá o sexo? — Natali foi direta
— Como assim? — Rafaela franziu o cenho
— Tá fazendo? Ta dando a buceta? — Natali perguntou já com a boca cheia da banana que havia mordido
— Que horror — Rafaela fez uma careta — Que pergunta é essa?
— Ah meu, para de frescura, você tá isolada, magrela, chatona, fechada, um saco — Natali engoliu a banana e deu outra mordida — Sou sua irmã, fala comigo porra! — mostrou a banana — Ta delicioso, quer?
Rafaela olhou para ela e pegou a banana, tinha só um pedaço, comeu e ficou pensativa.
Natali cutucou o seio de Rafaela com o pé
— Vamo tetuda, fala! — Natali era agressiva e engraçada, Rafaela gostava disso, mas algo dentro dela parecia diferente
— Não tenho feito — Rafaela falou mastigando a banana devagar e pegando uma Banana inteira que Natali havia dado a ela — Desde aquela semana — Pensou mais um pouco — Seu pai foi o último
— E o que pensa disso?
— Não sei o que pensar, não tenho vontade
— O que ele fez com você? — Natali perguntou pegando a mão de Rafaela
— Ah Nati — Rafaela puxou a mão — Deixa isso pra lá
— Deixo não mano — Natali pegou a mão de Rafaela de volta — Você não quer ir pro psicólogo, tá introspectiva e claramente num quadro depressivo, eu como médica não posso deixar isso passar em branco, eu te amo, sabia?
Rafaela olhou para ela, ouvindo o que ela dizia, não esperava o “Eu te amo”, olhou em volta desconcertada, não queria expor seus sentimentos
— Ele te estuprou, Rafa? — Natali falou — Foi isso?
— Não, a gente fez algo, mas não teve penetração, eu fiz, eu fiz algo — Rafaela gaguejou e seus olhos se encheram de lágrimas — Eu fiz o que precisava fazer
— Não chora, vai, pode falar comigo, confia em mim — Natali abraçou a amiga
— Ele me sequestrou Nati, tirou minha roupa, me deixou exposta, vulnerável, eu queria matar ele, eu queria ter uma arma, uma faca — Rafaela falou chorando — Eu preciso aprender uma arte marcial, andar armada, eu sou muito frágil, tenho que aprender a me defender.
Natali ouviu as lamurias de Rafaela abraçadas no sofá, sem aviso a porta se abriu, os pais de Rafaela entraram, viram as meninas abraçadas, Natali fez um sinal com a mão para eles saírem e eles apenas disseram “Boa tarde” e saíram da sala.
A conversa não durou muito mais, Rafaela se recompôs e elas foram preparar o almoço mudando de assunto
— Hoje nós vamos pra balada — Natali falou
— Não, vamos chamar a Manda, vamos ver uns filmes — Rafaela falou enquanto trabalhavam na cozinha
— Vamos chamar a chatona, mas vamos pra balada com ela também. — Natali falou decidida, quanto Rafaela foi retrucar ela fez um sinal de silêncio — Eu sou mais velha, eu que mando aqui!
Rafaela respirou fundo e revirou os olhos.
— E o objetivo vai ser transar! — Natali falou animada
— Ah Nati! — Rafaela disse de forma negativa
— E a chatona? Ela transa também ou é virgem? — Natali falou rindo — Parece bem cabaçona!
— Transa com meu namorado! — Rafaela falou e se corrigiu rápido — Meu ex namorado
— Hmm — Natali murmurou cortando as cebolas — Esqueletinhos no armário hein — Debochou — Precisa se abrir amore — Deu um tapa na bunda de Rafaela — Agora faz meu almoço aí safada!
Ambas riram e continuaram a trabalhar na comida.
Fizeram o almoço e comeram, descansaram a tarde e o pai de Rafaela pediu-lhes um favor
— Meninas, vocês podem fazer um favor? Levar meu carro pro mecânico? Está marcado já.
— Levo sim pai, o que ele tem? — Rafaela perguntou curiosa
— Rotina, vai trocar o óleo, alinhamento, balanceamento e uma olhada geral — Marcel respondeu coçando a orelha sem deixar de observar o decote exposto de Natali
— Espero lá, sai na hora? — Rafaela perguntou prestando atenção na TV
— Não, deixa e pega amanhã cedo, ele ta com muita coisa, vai fazer a noite
Combinaram, Natali olhou para ele e o viu examinar seu decote, olharam-se nos olhos e ela sorriu, ele desviou o olhar encabulado e saiu
— Rafa, seu pai ta olhando pros meus peitos — Natali falou rindo
— O que? — Rafaela perguntou olhando em volta — Onde?
— Agora não, ele quase caiu aqui dentro — Natali falou apontando o decote
— Também né! — Rafaela falou enquanto lixava as unhas
Pegaram o carro e foram ao mecânico, ouvindo musica, assim que chegaram, saíram do carro as duas e os mecânicos todos pararam para olhar, como se fosse um evento
— Suricates — Natali falou dando uma cotovelada em Rafaela usando sua peruca lustrosa
— Pois não — Um homem de barba branca com a roupa encardida se aproximou
— Oi, sou a Rafaela, filha do Marcel, ele pediu pra eu trazer aqui pra vocês
— Ah sim — O homem falou — Meu nome é Ercílio
Ele entrou na recepção e pegou uns papéis, deu para ela
— Pode deixar aí — Estendeu a mão pedindo a chave, Rafaela entregou
— Vamos voltar como? — Natali perguntou pra Rafaela — De Ônibus?
Rafaela olhou para a amiga, e ergueu uma sobrancelha
— Acho que sim — falou lentamente, não tinha pensado nisso
— Deixa pai — Um homem alto de Jeans e camiseta branca suja de grava se aproximou — Eu levo elas, aproveito pra ouvir o barulho que o Sr Marcel falou
O Homem olhou para ele com cara de desconfiado, deu a chave
— Meninas, tudo bem ele levar vocês de volta? — Ercilio perguntou
— Tudo — elas responderam ao mesmo tempo
Era um homem bonito, cabelo curto, sorriso branco e cativante, não era muito forte, tinha um porte atlético e parecia bem cativante, olhos castanhos e pele branca queimada do sol
— Eu sou o Paulo — Ele falou dando a mão para Natali
— Eu sou a Natali, essa é minha irmã Rafaela — Apontou para Rafaela
Ele cumprimentou-a também, Rafaela ficou corada ao cumprimentá-lo e se resumiu a sorrir.
Paulo era bem comunicativo, Rafaela foi dirigindo, ele foi atrás e engatou rápido num papo com Natali que estava no banco do passageiro, Rafaela apenas ouvia, parecia ser inteligente, estudava engenharia elétrica
Chegaram em casa e se despediram, quando desceram Natali apertou o braço de Rafaela
— Meu, que delicia né? — Natali falou animada
— Bonito — Rafaela concordou
— Ai Rafa, para de ser um robô, vamos fazer um ménage com ele, acorda meu! — Natali falou irritada indo na frente
Rafaela correu atrás dela
— Tá, ele é bonitão, gostei também — Corrigiu-se
— Avisou a chatona? — Natali perguntou
— Avisei — Rafaela respondeu
Arrumaram-se e mais a noite Amanda se juntou a elas, estavam prontas para saírem, todas as três arrumadas, maquiadas
— Certo, Amanda — Natali falou decidida — Vamos sair, e acho melhor a gente parar essa treta já
— Que treta? — Amanda falou se fazendo de desentendida
— Você não vai com a minha cara, e eu nem sem por que — Natali falou
Rafaela observava
— Não tenho nada contra você, se essa é a sua dúvida — Amanda falou dando de ombros
— Ah mina, sério que vai ser assim? — Natali falou cruzando os braços — Qual é a sua hein? Acha que eu sou trouxa? Você me olha com desprezo, revira os olhos pra mim o tempo todo.
Amanda revirou os olhos
— Aí, fazendo cara de puta de novo! — Natali reclamou
— Puta é você! — Amanda apontou para Natali fazendo o clima ficar tenso
— Ah, podem parar! — Rafaela falou num tom alto, estava sentada na cadeira da escrivaninha ouvindo as amigas, levantou-se e foi até a porta, não tinha tranca, havia sido retirada pelo pai de Rafaela após ela gritar em pesadelos durante a noite, ela fechou e apoiou o próprio corpo cruzando o braços — A gente não sai daqui até resolver isso, to cansada já, vocês duas são minhas amigas e uma não falar com a outra é um inferno pessoal pra mim.
As duas se entreolharam raivosas
— Manda — Rafaela falou num tom autoritário — Por que você não gosta da Nati
— Não tenho nada contra ela — Amanda falou num tom magoado
— Sem frescura Manda, manda a real pra gente — Rafaela falou ainda mais autoritária
— Ela fica se oferecendo pro Gui — Amanda falou num tom acusatório
— Eu? — Natali colocou as mãos no próprio peito — Jamais, não gosto de marombeiro, ele que fica dando em cima de mim
— Ele dá em cima de você? Se enxerga né garota! — Amanda falou rindo de escárnio
— Manda — Rafaela chamou a atenção da amiga — Por que acha que o Gui não tem interesse na Nati?
— Por que não, ele me disse que ela cantou ele — Amanda falou em tom sério
— Ah meu, sério isso? — Natali falou indignada — Deixa eu ir embora Rafa, isso não vai dar em nada
— Calma — Rafaela segurou Nati colocando a mão no ombro dela — Fala pra ela o que você me disse da festa de ontem
— Deixa, ela não vai acreditar — Natali falou emburrada
Ficou um silêncio por alguns segundos e Amanda disse preocupada
— Fala, o que foi? — A voz era preocupada
Natali olhou para Rafaela e recebeu uma positiva com a cabeça, respirou fundo e disse
— Aquela hora que a gente foi saiu junta, eu queria te contar, mas quando saiu da frente da Rafa você virou um bicho e me ignorou — Natali falou observando Amanda atenta — Ele disse pra mim que tinha curiosidade de saber se eu beijava tão bem quanto a Rafaela
O nariz de Amanda se abriu, estava tensa, pensou um pouco
— Você quer acabar com meu namoro né? — Amanda perguntou magoada
Natali balançou a cabeça negativamente
— Vamo embora Rafa, deixa quieto isso — Natali falou indignada
— O que você tem contra mim, por que quer mexer no meu namoro? — Amanda perguntou
Natali tomou ar, se irritou
— Você sabe mesmo quando alguém quer roubar namorado né talarica? — Natali falou cruzando os braços e se inclinando em direção à Amanda — Aliás, Rafa, não faço ideia por que você fala com essa garota ainda, ela roubou o cara de você.
Amanda olhou para Rafaela em pânico
— Não, eu não fiz isso Rafa, não é isso, não roubei ele de você — Amanda se defendeu preocupada — Não foi isso que aconteceu!
Rafaela calmamente ergueu uma das sobrancelhas
— O que aconteceu então Amanda? — O quarto ficou silencioso por alguns segundos e Rafaela continuou — Por que até onde eu sei você roubou ele de mim mesmo, ou não foi?
Amanda estava em choque
— Então é isso, as duas contra mim, me trouxeram aqui pra isso? Sério? — Amanda estava trêmula pegou sua bolsa — Deixa eu sair
Rafaela a segurou
— Não, calma! — Rafaela falou colocando a mão no ombro de Amanda
— Deixa eu ir Rafa! — Amanda estava nervosa
— Manda, eu te amo, mas se você deixar isso passar a gente não vai mais se falar, nós já jogamos isso muito pra frente, eu não planejei isso, mas já que entramos nesse assunto vamos resolver logo para o bem ou para o mal, por favor.
Amanda pensou, olhou para Natali de braços cruzados de forma agressiva, depois de volta pra Rafaela e respirou fundo, pensou, olhou para o chão, soltou o ar.
Rafaela e Natali aguardavam uma resposta, Amanda parecia ponderar bem as palavras, abriu a boca e disparou
— Tá bom, eu sou uma vagabunda filha da puta traidora que roubei seu namorado, é isso que você queria ouvir Rafaela? — Amanda falou com os olhos cheios de água
Rafaela torceu o lábio e uma lágrima caiu
— Por que? — A pergunta era carregada de mágoa
— Por que eu o amava demais! — Amanda disse sem pensar
— E eu não? — Rafaela perguntou visivelmente em sofrimento
— Você é diferente Rafa, tinha tudo, todo mundo aos seus pés, você, você é foda… — Amanda falou com as lágrimas caindo — Eu só queria ele
— Você não tinha igual eu Manda? — Rafaela retrucou — Éramos as mais lindas e as mais populares do colégio, tínhamos os mesmos garotos, todos aos nossos pés, você pegava quem você quisesse também, você que não deu certo com ele, eu peguei o seu resto, lembra disso?
— Mas eu amava ele, você não tinha o direito de ficar com ele! — Amanda gritou em lágrimas com Rafaela assustando Natali e a fazendo ficar mais apreensiva
— Vocês não deram certo, e você disse que estava tudo bem! — Rafaela se explicou
— Mas não estava tudo bem — Amanda falou em voz alta — Quando vocês começaram a namorar foi péssimo para mim, chorei por dias, todas as vezes que via vocês juntos eu chorava e morria um pouco por dentro — colocou a mão no estômago — Essa doença, esse câncer que tá me matando, minha cabeça não consegue deixar de pensar que começou por causa dessa mágoa.
— Impossível — Natali falou — Clinicamente impossível uma mágoa dar um câncer
Amanda apontou pra ela
— Cala a boca paraguaia! — O tom de Amanda era ameaçador
— Nati, deixa — Rafaela falou apaziguando e se virando pra Amanda de forma tranquila — Me conta como foi, como você pegou ele de mim — Rafaela respirou fundo — Por favor, eu preciso entender isso.
— Eu não planejei isso também, não exatamente, e desculpe falar, mas a culpa foi toda sua sua Rafa. — Amanda falou tentando se tranquilizar, mas mesmo assim de forma agressiva
— Culpa minha? Por que? — Rafaela perguntou magoada
*** ANOS ANTES ***
— Isso, isso, come vai! — Rafaela falava de olhos fechados
Guilherme começou a gemer, o pau entrava e saia macio enquanto o calor do corpo de Rafaela fazia ele quase explodir, enquanto ele a via completamente nua, os seios perfeitos balançando com o solavanco que ele oferecia ao corpo dela.
— Não goza, não goza, não goza! — Ela ordenou sentindo ele tirar o pau e jorrar sêmen quente nas suas costas — Porrraaaa Guiiii — Ela reclamou
Rafaela se apoiou nos cotovelos e soltou o ar dos pulmões frustrada
— Caralho Gui, tá foda isso, só você goza! — Ela reclamou se levantando, pegou o cobertor dele do chão e limpou a porra
— Não! — Ele falou quando ela já usava a peça para limpar — Pô Rafa! — Guilherme reclamou ofegante
Rafaela vestiu rápido a calcinha e a calça jeans
— Se for pra trazer em dois minutos e você gozar só de por a mão eu faço sozinha — Rafaela respondeu carrancuda
Vestiu a camiseta e se preparou pra ir embora agindo com certa brutalidade e impaciência
— Já vai? — Guilherme perguntou carinhoso e ofegante pelo sexo e pelo orgasmo
— Vou tomar banho e ver algo na TV — Rafaela estava visivelmente irritada
— Me dá um beijo de boa noite amor— Guilherme falou carinhoso
— Tchau Guilherme — Rafaela mandou um beijo sem graça de longe e saiu deixando a porta aberta
Quando saiu para a sala viu Amanda sentada com uns papéis na mão.
— Oi Rafa — Amanda falou sorridente
Apesar de fazer cara de quem não estava ouvindo, Amanda estava excitada, pois estava ouvindo os gemidos do sexo barulhento de Rafaela e Guilherme que aproveitavam a ausência dos pais e da irmã dele.
— Ah… Oi — Rafaela respondeu indiferente à amiga — Eu vou embora, já me irritei com o Guilherme, quer falar comigo?
— Ah, não — Amanda escondeu os papéis — Era só pra conversar com vocês, mas se você estiver indo embora eu vou também
— Eu vou dormir — Rafaela respondeu
— Eu sei, vou pra minha casa Rafa, pode deixar — Amanda disse para que Rafaela soubesse onde estaria
Rafaela olhou para o corredor e voltou ao quarto, Guilherme trocava de roupa, nu com a bunda empinada deliciosa à mostra, ela fechou a porta do quarto, voltou para Amanda e disse
— Tá bom, ele não representa mais perigo, por enquanto, tchau — E desceu escadas abaixo irritada
Amanda viu Rafaela irritada e achou melhor adiar o assunto que queria tratar, no dia seguinte a amiga estaria mais receptiva
Chegou na beira da escada e viu Rafaela bater a porta lá embaixo, esperou um pouco, a amiga não voltou, ouviu um barulho no quarto de Guilherme.
Amanda bateu na porta e chamou, não houve resposta
— Gui, tudo bem? — Amanda girou a maçaneta — Vou entrar hein!
Assim que entrou viu algo que mexeu com ela, Guilherme estava deitado completamente pelado, usando fones de ouvidos com o pau duro se masturbando de olhos fechados.
Ela ficou parada observando, se aproximou ofegante olhando para ele, notou que o rosto dele estava molhando, pareciam lágrimas.
Naquela época Amanda já havia visto filmes pornôs junto com Rafaela, havia pegado no penis de alguns garotos, só para saber como era, mas não havia transado nem feito nada mais pesado, era completamente apaixonada por Guilherme.
Ficou observando, o pau dele era branco da cabeça rosada, achou grande, teve o ímpeto de engolir a saliva, como se sentisse desejo daquilo, não era um sentimento comum, o pênis estava molhado e fazia um barulho característico da punheta molhada.
Por alguns minutos ela observou
— Guilherme — Ela chamou ofegante para que ele soubesse que ela estava ali
Ele não deu ouvidos, continuava de olhos fechados se deliciando com a sensação da masturbação
— Gui! — Ela tentou aumentar o tom de voz, mas surpreendentemente falou mais baixo
Olhou para trás, a porta aberta, esperou alguém, alguma coisa, mas nada mudou, olhou para Guilherme e depois para os papéis em suas mãos.
Se abaixou, aproximou-se do movimento frenético que Guilherme fazia, olhou de perto, estava a dois palmos, sentiu o calor, o cheiro do pênis dele, ajoelhada na beira da cama colocou os papéis no chão com cuidado e segurou a mão de Guilherme
Ele abriu os olhos assustado e tirou um fone de ouvido
— Manda? — Ele perguntou assustado
Ela olhou para ele e colocou a mão nos lábios pedindo silêncio
— Sssshhhhh — Chiou afirmando o pedido de silêncio
Em seguida segurou o pênis duro do namorado de Rafaela e o abocanhou pela primeira vez
Jamais tinha feito aquilo, mas sonhava muito com isso, o gosto não era como ela esperava, era salgado um pouco parecido com suor, mas não era ruim, ela sentiu imediatamente a boca salivar e não sabia identificar se era sua saliva ou o pau do Guilherme babando
— Ai Manda! — Guilherme falou acariciando o cabelo da amiga — Não faz isso! — Ele clamou num falso tom autoritário
Ela ignorou, continuou, era gostoso ouvir ele gemer de prazer e se sentiu poderosa dando prazer ao homem que amava, pensou diversas coisas, mas queria se focar naquilo, chupou e masturbou Guilherme por mais vários minutos, teve dúvidas se estava fazendo certo até que as dúvidas acabaram
Guilherme urrou e arqueou o corpo, puxando o cabelo de Amanda e segurando a boca dela no pênis, a língua sem habilidade dela contornava o corpo e a cabeça do pau de Guilherme, Rafaela havia ensinado ela a fazer isso com uma banana envolta em uma camisinha.
O Sêmen saiu quente e salgado, o gosto parecido com o do pau, mas um pouco adocicado, lembrou de Rafaela falando
“Não tente fazer descer pela garganta, segura na boca e engole depois”
E assim ela fez, deixou Guilherme preencher toda a sua boca com sêmen fresco, ficou imóvel absorvendo cada gota que ele lançará até perceber que ele parou de jorrar, tirou o pau da boca sugando com força para que ficasse limpo
Olhou para ele, estava assustada, ele também, assustado, preocupado e ofegante
Ela fechou os olhos com a boca cheia de semem viscoso e quente e engoliu, uma golada não foi o suficiente, precisou tomar ar e engolir novamente para beber todo o gozo do namorado de Rafaela.
Abriu a boca e ainda sentia o gosto do pau de Guilherme, mostrou a lingua para ele como viu uma garota fazendo nos filmes pornô que assistiu com Rafaela.
— Manda! — Guilherme falou ofegante
Ela se levantou e olhou para ele, arrependida, envergonhada, queria se matar, queria não ter feito aquela loucura
— Eu te amo! — Ela falou quando abriu a boca, foi sem pensar — Meu Deus — falou colocando a mão na boca e dando as costas, correndo em disparada
Guilherme se levantou e tentou ir atrás dela, estava nu, mas Amanda desceu as escadas correndo e fechou a porta
Ele voltou ao quarto, viu o papel no chão, pegou e leu. Era o diagnóstico de câncer maligno de Amanda.
*** NO QUARTO ***
— Foi você que começou isso então? — Rafaela perguntou magoada — Deixou o papel lá pra ele sentir pena de você?
— Não, eu queria mostrar pra vocês juntos, meus melhores amigos, ambos que eu amava, que eu confiava e eu o vi magoado, eu amava ele tanto Rafa e você sempre o magoava, isso me fazia mal— Amanda falou colocando a mão no rosto aos prantos
Rafaela olhou para Natali, e Natali fez uma cara de quem não sabia o que fazer
Rafaela se aproximou e pegou Amanda pela mão, colocou-a sentada na cama
— Pega um copo de água pra ela Nati — Rafaela pediu e Natali desceu a escada
Rafaela sentou-se na cadeira e andou com as rodinhas até a frente de Amanda
— Manda, para, para de chorar, pode parar — Tentou tirar as mãos da amiga do rosto — Eu não to brava com você, não fica assim, chega.
— Eu te amo tanto Rafa, me perdoa pelo amor de deus, eu não queria fazer isso, eu me sinto tão mal, tão culpada, tão escrota, nojenta e suja, por favor me perdoa antes de eu morrer! — Amanda falou aos berros
Rafaela a abraçou
— Manda, calma, calma — Sua raiva inicial havia se transformado em compaixão — Que isso?
— Eu achei que nunca ia ter uma história de amor como a sua, que eu ia morrer sem ter ele, que eu… — Amanda falou desesperada — Eu quero morreeer! — Falou aos soluços
— Ei! — Rafaela a empurrou com firmeza— Ei! — Gritou e deu um tapa na cara dela
Amanda olhou assustada com as lágrimas escorrendo do rosto
— Nunca mais fala isso tá bom? — Rafaela falou nervosa — Você não quer morrer porra nenhuma, para com isso!
Amanda olhava assustada
— Entendeu? — Rafaela perguntou brava
Ela fez que sim com a cabeça
Natali chegou com o copo de água e entregou à Rafaela
— Respira fundo e bebe isso — Falou de forma firme
Amanda obedeceu, bebeu e devolveu o copo à Natali parecendo mais calma, Rafaela agarrou ela e apertou forte contra os peitos, ficaram caladas por um tempo.
Rafaela soltou Amanda e encostou a testa na testa dela, ficaram se olhando nos olhos
— Eu também te amo tá, você é minha melhor amiga — Falou baixinho para Natali não ouvir
— Eu ouvi isso — Natali falou do banheiro e voltou
Rafaela a olhou havia tirado o vestido amarelo, estava agora com um micro shortinho que usava por baixo da peça e passava um lenço umedecido no rosto
— O que está fazendo? — Rafaela perguntou ao observar Natali
— Ah meu, Azedou a noite já, vamos encher o rabo de pizza e sorvete e ver algum filme meloso vai — falou num tom magoado — Por que vocês duas tem probleminha na cabecinha — Apontou para as duas amigas
Rafaela e Amanda sorriram e riram da frase de Natali, ela jogou o pacote de lenços em Amanda
— Eu não vou pagar nada, se virem, quero pizza de quatro queijos e o sorvete de creme — Falou e tirou o resto da roupa indo para o chuveiro, Rafaela pegou o telefone e ouviu o chuveiro ligar.


