Diário de Rafaela 2 — Capítulo 24 — Qualidade de vida
Os dias se passaram e Rafaela se acostumava cada vez mais com a ideia de não ouvir as coisas de um lado, achou que jamais se acostumaria, mas seu cabelo estava crescendo, seu ouvido estava esteticamente bem, as pessoas não percebiam, não ser que olhassem por trás
A noite estava pesada, Rafaela tomava remédios para dormir, tinha sempre pesadelos onde levava um tiro no rosto e ficava revivendo a cena diversas vezes, o remédio foi prescrito pelo psiquiatra que recomendou também tratamento psicológico, que vinha sendo seguido à risca
— Acorda Rafaaa — Rafaela ouviu o grito, reconheceu na hora a voz de Amanda e sentiu o impacto em cima dela — Acoooorrrdaaaaaaa
Amanda pulou em cima da amiga para acordá-la
— Ai Manda, não, que horas são? — Rafaela reclamou
— É seu aniversário sua velha, acoooorrrdaaaaaa! — Amanda fazia algazarra
Rafaela abraçou a amiga tateando as costas dela
— O que você está procurando? — Amanda perguntou desconfiada
— Onde desliga, onde tira a pilha, meu Deus! — Apesar de cansada e mau humorada, a postura de Rafaela com Amanda era diferente, tentava sempre filtrar tudo e dar o melhor de si para a amiga que claramente também se esforçava.
— Vamos levantar, vou dar seu presente! — Amanda saiu de cima de Rafaela correu até o armário e pegou uma toalha jogando na cama — Toma, vai tomar banho
Rafaela sentou-se na cama, usava um shortinho e uma blusinha, muito leve e próprios para dormir, ela gostava de sentir-se confortável.
Levantou-se de olhos fechados e Amanda conduziu para o banheiro e esperou a amiga voltar.
Rafaela voltou cerca de quinze minutos depois secando os cabelos curtos e desarrumados, e completamente nua, Amanda ficou olhando, secretamente admirando o corpo perfeito de Rafaela enquanto ela terminava de se secar e escolhia as roupas.
Amanda sempre achou Rafaela muito linda, admirava o corpo moreno e torneado da amiga, ela também era bonita, mas invejava secretamente a cor dourada de Rafaela, os bicos largos dos seios e o contraste de delicadeza e agressividade que a nudez de Rafaela revelava, perdeu-se em pensamentos
— Você vai me dar? — Rafaela perguntou depois de alguns segundos surpreendendo Amanda que sacudiu a cabeça
— Dar o que? — Amanda perguntou sem entender
— A buceta Amanda! — Rafaela falou revirando os olhos
Amanda corou, não entendeu, era branca e ficou evidente que estava com vergonha do que estava pensando.
— Meu presente, Manda, tá dormindo é? — Rafaela perguntou enquanto vestia a calcinha preta comportada
— Ah, tá ai no armário! — Amanda falou se aproximando de Rafaela
— Aqui? — Rafaela abriu o armário e viu uma caixa — Guardou quando aqui? — Perguntou pegando a caixa quadrada rosa e branca
— Semana passada! — Amanda respondeu — Abre, acho que você vai gostar.
— Cara, como eu não vi isso? — Rafaela já vestia a camiseta preta, havia optado por roupas comportadas e tons escuros para esconder seu corpo era um movimento proposital, mas que já estava em modo automático
— Só pra mostrar como você está brisando Rafa, deixei no seu quarto e você não viu
— O que é? — Rafaela balançou a caixa quando já estava completamente vestida
— Abre e vê! — Amanda falou
Rafaela abaixou o corpo e olhou no espelho, passou a mão em seu cabelo curtinho, estava crescendo, era cacheado e haviam diversos cachinhos sem uniformidade com no máximo quatro centímetros de cumprimento
— Deixa eu arrumar aqui primeiro que eu sei que você vai querer tirar foto
— Não! — Amanda insistiu — Abre agora
Rafaela torceu o lábio
— Tá, mas foto só quando eu estiver arrumada
— Prometo! — Amanda falou
Rafaela abriu a caixa, era pesado havia um plástico dentro, não entendeu a princípio, mas assim que tirou percebeu o que era
— Uma peruca? — Rafaela perguntou curiosa tentando compreender
— Sim! — Achei linda sua cara
Rafaela tirou do plástico e olhou, era totalmente diferente do seu cabelo, era escorrido, até os ombros mais ou menos, parecia uma cabeça de Cleópatra, Rafaela olhou para Amanda com um olhar enigmático a princípio, sentou-se em frente à penteadeira e colocou a peruca.
— O que achou? — Perguntou Amanda apreensiva
Rafa olhou o próprio rosto, a peruca cobria a orelha, o ferimento, dava um visual estranho, diferente, mas bonito
— Meu rosto ficou cumprido — Rafaela pegou um pente e penteou a peruca, o cabelo brilhava num negro quase azulado — Amei! — Falou sorridente, levantando-se e abraçando Amanda — Obrigada
— De nada amiga, eu queria uma coisa completamente diferente e chega de ficar usando esses lenços de doente, quem usa lenço de doente sou eu! — Amanda falou abraçada
Rafaela a empurrou
— Sem graça, a gente vai ter que comprar uma pra você também! — Rafaela insistiu
— Ah sim — Amanda correu corredor afora e voltou esbaforida com uma peruca também cobrindo sua cabeça careca, era castanha, lisa e tinha quase o mesmo cumprimento do cabelo novo de Rafaela — Agora a gente pode ir pra balada!
Rafaela sorriu, deu um beijo na amiga e desceram, comeram e saíram. Foram ao hospital, Amanda teria que pegar uns exames que havia feito, das últimas sessões de quimioterapia, pegaram os papeis e Amanda não quis abrir, ela disse que aquele não era um dia bom para isso, e que aquele dia era de diversão.
Juntas foram ao shopping comprar umas roupas, Rafaela moderada e Amanda um pouco mais espalhafatosa, ambas eram garotas bonitas e chamavam a atenção, mesmo Amanda estando abatida, os garotos olhavam para ela.
Almoçaram e foram ao cinema, na saída foram tomar um sorvete
— A piriguete vai vir? — Amanda perguntou enquanto lambia a casquinha de sorvete se mostrando desinteressada
— Manda, tá bom, vamos falar sobre isso — Rafaela bateu na mesa para chamar a atenção da amiga — O que você tem contra ela?
— Ela é vagabunda, Rafa — Amanda falou como se fosse óbvio — Você não vê?
— Por que você fala isso? — Rafaela perguntou direta
— Ah, deixa pra lá — Amanda desconversou
— Não Manda, deixo não, você sempre fala dela com tanto ódio e eu gosto tanto dela, me faz mega mal vocês não se darem bem — Rafaela falou sincera — Me fala, o que houve?
Amanda se calou, tentou responder algo, mas não conseguiu
— Vamos, desembucha! — Rafaela falou severa
— Ela deu em cima do Gui — Amanda falou
— Quando? — Rafaela perguntou — Por que não é disso que eu sei
— O tempo todo! — Amanda falou e em seguida mudou a expressão, notando o que Rafaela havia falado — O que você sabe?
— O seu namorado, toda vez que vê ela dá abraços apertados e fica de conversinha — Rafaela falou direta
— Não, ele falou que ela fica flertando com ele — Amanda disse confusa
— Manda… — Rafaela falou tentando encontrar palavras, coçou o queixo e respirou — Tá bom, vamos tirar o elefante da sala tá, nem acredito que não falamos disso
Amanda mudou a cara, parecia uma garotinha assustada
— Eu não quero brigar — Amanda falou se antecipando
— Ótimo, melhor assim, não vamos brigar, vamos falar do Guilherme então, seu namorado — Rafaela falou sentindo seu coração bater forte
— Ah Rafa, não — Amanda revirou os olhos
— Amanda, não é possível que a gente vai fazer quase um ano de retorno da nossa amizade e a gente sequer fala nisso, eu o ignoro, e ele me ignora na sua frente — Rafaela falou explicativa
— Por que especificamente na minha frente? Por que disse isso? — Amanda perguntou preocupada
— Ele não é honesto com você, Manda! — Rafaela falou — Quando você não está vendo ele vem falar comigo, encosta em mim, isso não é certo, eu não deixo em respeito a você
Amanda estava ofegante
— Vocês, vocês…. — Amanda queria perguntar algo sério, mas Rafa a cortou
— Não, nada, não se preocupe, não teve e não vai ter nada entre a gente, só o que já houve.
Amanda não respondeu
— Não confia em mim né? — Rafaela perguntou
— Confio, eu — Amanda pensou — A Traidora sou eu né, eu que comecei essa merda toda
— Não estou acusando você e eu não quero treta entre a gente — Rafaela falou — Mas essa visão sobre o seu namorado está errada, a Natali não está dando em cima dele, ele, você sabe…
— Sei o que? — Amanda perguntou confusa
— Ele ainda gosta de mim — Rafaela falou
— Sim — Amanda abaixou a cabeça — Eu sei que gosta
— E a Nati é idêntica à mim, e ele fica curioso com isso, e por isso gosta dela — Rafaela completou
— Sim, ela é gostosa igual você — Amanda respondeu emburrada
— Ah Manda, por favor, não fica puta, tô te falando, você tá julgando-a mal, e ela é normal, ela não tá querendo roubar seu namorado.
— Você confia nela mesmo? — Amanda perguntou
— Nunca tive motivo para desconfiar, mas a gente é amiga, não como você e eu, mas confio, por quê?
— Eu vi uma coisa dela, que… eu… — Amanda começou a espaçar as palavras
— O que? — Rafaela perguntou erguendo uma sobrancelha
— Bem, quando a gente tava procurando você, eu fui na sua casa
*** DIAS DO SEQUESTRO ***
— Ela não é mais sua amiga, não faz sentido você ficar aqui Amanda! — Guilherme falou segurando Amanda pelo braço, vai dormir que você ganha mais, se ela aparecer e te ver aqui sabe que vai ficar brava
— Ela é minha amiga sim, minha melhor amiga, a gente só tá afastada, quando ela voltar vamos conversar e acertar tudo isso, essa, essa merda que eu fiz — Amanda respondeu com lágrima nos olhos
Nesse momento Natali passou perto deles, segurava um livro e usava um short Jeans bem curto, Guilherme olhou rapidamente e desviou o olhar
— Vai lá, vai atrás dessa paraguaia! — Amanda empurrou Guilherme
— O que? — Guilherme perguntou se fazendo de desentendido — Ela olhou pra mim, achei que ia falar algo
— Ela é estranhamente parecida com a Rafa, você ta interessado! — Amanda cruzou os braços emburrada
— Não amore, eu larguei a Rafa, lembra? eu que larguei, por você, eu te amo, quero só você, não me interessa a Rafa ou um clone dela
— Jura? — Amanda perguntou e Guilherme se aproximou agarrando a namorada e dando um beijo nos lábios, em seguida ajeitou o lenço na cabeça dela.
Amanda andou pela casa, havia várias pessoas, todas procurando alguma pista de Rafaela, ela mesma havia vasculhado redes sociais, ligado para amigas e amigos, indo ao colégio, faculdade e tentado refazer todos os passos de Rafaela.
Resolveu então ir até o quarto da amiga, fazia muito tempo que não ia até lá, queria matar a saudade, quem sabe olhar o diário dela, ler, lembrar, experimentar umas roupas como sempre fazia.
Subiu as escadas devagar, a porta estava entreaberta, assim que se aproximou ouviu passos e hesitou, conteve seu movimento, no breu conseguiu ver duas pessoas, identificou Natali pelo cabelo esvoaçante, e demorou um pouco para identificar o homem.
Ela estava sentada no colo dele, ambos na beira da cama de Rafaela, aos beijos e amassos
Então Amanda ouviu o homem dizer:
“Eu te amo Rafa, você é o amor da minha vida”
A voz era inconfundível, era Matheus, o padrinho de Rafaela, ele estava tratando Natali como se fosse Rafaela, algum tipo de jogo doentio e bizarro
Ouviu risadas e beijos e viu quando Natali se levantou rápido e veio em direção à ela, Amanda paralisou, não sabia o que fazer, mas a porta bateu e foi trancada por dentro.
Sem se conter de curiosidade Amanda encostou o ouvido na porta, tentando ouvir algo, não conseguia entender o que era dito exatamente, mas era fácil distinguir os estalos de beijos, sussurros, gemidos e muitas vezes o nome de Rafaela e o apelido “Diu” que ela usava para se referir ao padrinho.
Quando entendeu que haviam terminado Amanda saiu de fininho e desceu as escadas
*** DIAS ATUAIS NO SHOPPING ***
Rafaela ouvia atenta o que a amiga relatava, parecia estar em choque, quando percebeu que o sorvete escorria entre seus dedos, voltou a atenção à sujeira que estava fazendo e lambeu os dedos, em seguida pegou um papel e se limpou, desistiu e jogou o sorvete no lixo
— Desculpe falar isso assim, você ficou chocada né? — Amanda falou sentindo-se culpada
— Eu, eu… — Rafaela pensou antes de falar — Não sei o que pensar disso, sei lá
— Ela tinha te falado sobre isso? — Amanda perguntou curiosa — A Natali
— Não, não me falou nada, a gente não tem conversado tanto sabe, é mais ela tentando me ajudar e mensagens sobre meus problemas, na verdade, ela lembra o pai dela e você sabe
— Sei, o velho que você namorou — Amanda falou num tom seco
— Isso, o velho que eu namorei — Rafaela repetiu no mesmo tom seco — Mas eu vou conversar com ela
Durante alguns segundos ficou um silêncio constrangedor, Rafaela limpando as mãos e Amanda terminando o sorvete, então Amanda quebrou o silêncio
— Você não transa mais? — A pergunta era direta
Rafaela piscou forte e achou não ter entendido a pergunta, não era do feitio de Amanda falar daquele jeito
— Como é que é? — Rafaela perguntou tentando ter certeza da pergunta
— Você não fala mais disso, não namora, não fala nada, nem usa mais roupa legal — Amanda falou apontando para Rafaela — Quebrou foi?
— Não — Rafaela pensou — Sei lá
— Tá travada? O cara mexeu com você e você não quer mais? — Amanda perguntou
— Não sei, Manda — Rafaela não queria pensar nisso — Sei lá, só não tenho vontade
— Que pena — Amanda falou pensativa
— Por que que pena? — Rafaela perguntou curiosa enquanto se levantavam para ir embora
— Deixa, besteira — Amanda falou
— Deixa nada, o que você quer dizer? — Rafaela perguntou curiosa — O que você sabe que eu não sei, é do Matheus?
— Não Rafa, deixa, vamos mudar de assunto — Amanda falou e puxou Rafaela para uma loja cortando o assunto
Andaram à tarde e foram pegar um Taxi para ir pra casa, Amanda sempre falante, parecia não querer deixar Rafaela falar, chegaram na casa e já haviam pessoas
— Eita, achei que vocês não viriam hoje! — Rose, a mãe de Rafaela deu uma bronca leve nas meninas
— Vou me trocar mãe, já vamos vir — Rafaela puxou Amanda pela mão escada acima e foram para o quarto
— Eu tenho que ir pra casa trocar de roupa Rafa — Amanda falou explicativa
Rafaela passou o trinco na porta
— Para de enrolar e fala! — Rafaela falou cruzando os braços e deixando a expressão séria
— Falar o que? — Amanda deu um passo para trás intimidada
— Que conversa foi aquela de sexo, que eu não transo e você sabia algo?
— Deixa pra lá Rafa — Amanda falou temerosa
— Não deixo, você não sai daqui enquanto não falar, não pode ter segredo entre a gente Amanda esse foi o trato! — Rafaela cobrou a amiga
— Eu não tenho, é que, é que — Amanda saiu de perto e sentou-se na cama — Sei lá
Rafaela sentou-se do lado de Amanda
— Fala, o que quer que seja eu aguento, eu sou forte — Rafaela falou pegando na mão da amiga
— Tenho vergonha — Amanda falou envergonhada
— Me fala, por favor — Rafaela insistiu
Amanda respirou fundo
*** SEMANAS ATRÁS ***
— Sua amiga não vai entrar? — Guilherme perguntou à Amanda quando ela entrou na casa dele
— Sem graça, ela não quer te ver, você sabe — Amanda falou enquanto era abraçada — Hmmm que cheiroso
Guilherme a pegou pela cintura e a ergueu, era grande, forte e com mãos fortes grandes e firmes, Amanda sentia-se pequena nas mãos dele
A mãe de Guilherme estava na sala, cumprimentou Amanda, Guilherme á pegou no colo e a levou para o quarto, Amanda sentia um pouco de dor, mas não falava para ninguém quando se sentia mal, queria parecer mais forte do que era.
Guilherme trancou a porta e a jogou na cama, Amanda riu divertida
— Não sou seus pesos de exercícios pra você ficar me levantando assim! — Amanda falou sorridente
— Precisa de pelo menos duas de você, tão levinha que você é! — Guilherme falou deitando-se ao lado dela
— Duas é? Você mal aguenta com uma, com duas não iria aguentar mesmo! — Amanda debochou
Sentiu as mãos grandes do namorado apalpando sua bunda e não se fez de rogada, deslizou a mão por dentro do short dele e segurou o pênis
— Hmm, já ta preparado é? — Ela riu
— Sempre estou preparado — Ele falou começando a beijá-la e tirar a roupa da namorada
Em segundos Guilherme estava pelado com o pau duro depilado e Amanda somente de calcinha cor de rosa que ele tratou de tirar rápido, dando beijos em sua barriga e em seus seios
— Gosta dos meus peitos? — Amanda perguntou enquanto Guilherme mordiscava seus bicos rosados
— Adoro, são muito gostosos — Ele falou enquanto babava
— Mais que os da Rafaela? — Ela perguntou e não teve resposta — Mais que os da piriguete do paraguai?
Guilherme parou de chupar e olhou pra ela
— Por que está falando isso? — Ele estava preocupado, Amanda era bem conservadora no sexo, e aquele tipo de pergunta era bem fora do que ela gostava
— Se eu morrer você vai ficar com a Rafaela ou com a Natali? — Amanda perguntou sentando-se na cama
— Que morrer Amanda, ta louca? — Guilherme perguntou
— Responde, qual das duas você prefere? — Ela insistiu
— Prefiro você! — Ele respondeu
— Não, você acha elas bonitas, eu sei, deve sentir algo pela Rafa ainda — Amanda falou chocando Guilherme
Ele não soube o que responder
— Eu não vou ficar brava, fala, o que você sente por ela? — Amanda apoiou os cotovelos nas coxas segurando o queixo com as duas mãos — Por favor
Guilherme respirou fundo
— Eu estou com você Amanda, isso não basta? — Guilherme perguntou confuso
— Basta, mas eu quero saber se você está comigo por dó e continua amando ela
— Amanda! — Guilherme falou sentindo seu pau murchar — Eu… — Ele não sabia o que responder
— Se eu morrer e você voltar pra ela, eu vou ficar tranquila, por que eu amo ela, ela é uma ótima pessoa, e eu gostaria muito que vocês voltassem a se dar bem, sei lá, que a gente resolvesse isso de algum jeito
— Ela me odeia — Guilherme falou — Baixa probabilidade disso acontecer, visto o que ela fez ano passado, você viu como ela é mau caráter
— Ela não é mau caráter, estava magoada com você e comigo, recebi o recado, vou falar com ela sobre isso
— Esquece essas coisas Amanda, vamos ficar só nós — Guilherme se aproximou — Você disse que tinha me perdoado
— Eu perdoei você, não tem como resistir, ela é maravilhosa — Amanda falou — Se eu fosse homem também iria querer comer ela
Guilherme ignorou e voltou a beijar Amanda
— Perae, tive uma ideia — Amanda falou — Apaga a luz
Guilherme obedeceu, apagou, ficou um breu, ele se aproximou passando a mão no corpo dela
— Fecha os olhos Gui — Amanda falou
Guilherme beijou a barriga dela e obedeceu
— Finge que eu sou a Rafa — Amanda falou num sussurro
— Não Amanda! — Guilherme falou soltando o ar
— Vai, faz isso pra mim, por favor — Amanda insistiu
Guilherme não respondeu e ela continuou
— Finge que minha pele é morena, que meu cabelo é cacheado bem longo, que meus peitos são durinhos com os bicos escuros e mais rústicos, seios pesados, que meu quadril é mais largo e que eu uso roupas curtas e sou bem puta
Em seguia levou a mão ao pau de Guilherme, estava duro
— Tem tesão nela né amor? — Amanda perguntou e ele não respondeu — Então vem, me come
Ela pensou, Rafaela não falaria assim
— Vem, me fode — Ela falou de forma mais crua — Come sua namorada
Amanda se virou e se posicionou de quatro
— A bunda da Rafa é gigante, come a bunda dela vem, eu deixo — Amanda falou e Guilherme não hesitou
Agarrou a cintura de Amanda e sem aviso enfiou o pau, Amanda gemeu, sentia um pouco de dor, mas se sentir no papel da amiga, desejada de forma diferente era muito bom.
Guilherme bombou várias vezes, Amanda gemeu tentando fazer a voz parecer com a de Rafaela e falava durante o sexo “Vai, fode, come, soca” coisas que ouviu Rafaela falar quando transava com Guilherme e ela ouvia por trás da porta.
Então Guilherme gozou e deixou escapar
— Te amo — A fala dele era sincera
Ele não costumava falar isso para Amanda, eram raras as vezes, mas daquela vez ele estava pensando em Rafaela, aquela mensagem era para ela
*** DE VOLTA AO QUARTO ***
Rafaela ouvia tudo atônita, sacudiu a cabeça tentando limpar os pensamentos
— Então, você fez igual ela? — Rafaela perguntou confusa — Por que se passar por mim, não entendo isso
Amanda respirou constrangida
— Eu acho que tem algo em você, diferente, algo que chama a atenção
— O que chama a atenção? Você é mais bonita que eu e a Natali é praticamente igual à mim e particularmente ela ter os olhos de cores diferentes dão um charme a mais — Rafaela falou pensativa — Por que isso então? — Ela parecia confusa
— Não é isso Rafa, não é a aparência — Amanda pensou um pouco — Bem, também é a aparência, mas você tem algo diferente um quê que eu não entendo, é como olha, como age, como fala
— O que eu faço além do normal? — Rafaela perguntou curiosa
— Eu não sei, e eu queria entender, você é sedutora, sempre foi, do jeito que fala, que… — Amanda passou a mão no rosto — Sei lá
— Sedutora? — Rafaela sentou-se na cama pensativa — Eu não fico seduzindo as pessoas
Amanda sentou-se ao seu lado
— Não foi isso que eu quis dizer, não que seja intencional, mas o seu jeito seduz, é algo que a Natali não tem — Amanda reformulou a frase revirando os olhos — Tá bom, ela é linda e sedutora também, mas você faz isso com mais naturalidade.
Rafaela ficou pensando, não sabia o que dizer
— E tem outras coisas — Amanda continuou enquanto olhava para Rafaela
— O que mais? — Rafaela olhou entristecida para a amiga
Amanda avançou e beijou os lábios de Rafaela, Rafa não se afastou.
Rafaela sentiu a língua de Amanda lamber seus lábios e procurar sua língua em sua boca, então delicadamente se afastou
— Manda, espera
Amanda se levantou envergonhada
— Desculpe, eu, eu — Amanda passou a mão no rosto — Me perdoa, eu não queria fazer isso, é que eu, bem, eu… — Amanda não sabia o que falar
— Calma Manda, calma! —- Rafaela se levantou tentando tranquilizá-la — Vamos conversar
Amanda pegou a bolsa e meteu a mão dentro, tirou uns papéis amassados e entregou para Rafaela
— Eu queria falar isso com você, e eu não sei como — Entregou para Rafaela
Rafa pegou os papéis e começou a ler, eram os exames de Amanda informando sobre a evolução da doença, metástase, a doença havia evoluído muito e se alastrado por todo o corpo, o câncer cerebral agora estava brotando em outras partes do corpo e a recomendação era que a quimioterapia fosse completamente interrompida para que Amanda tivesse ao menos qualidade de vida sem um tratamento agressivo
Rafaela sentiu seu corpo esquentar, sentiu um arrepio na coluna, sabia o que aquilo queria dizer, era uma sentença de morte.
— Manda! — Levantou os olhos procurando a amiga
Mas ela não estava mais lá


