Diário de Rafaela 2 — Capítulo 30 — Espertona
As meninas saíram e foram à diversos lugares, Amanda queria ir de táxi, mas Rafaela insistiu que fossem de ônibus
— Você precisa andar mais, se expor mais, conhecer mais — Rafaela falou enquanto estavam no ônibus — Isolamento pra você que tá dodói pode parecer bom, mas você precisa de anticorpos também Manda.
O ônibus estava cheio e cada uma sentou de um lado do banco, a viagem desse ônibus até o centro era longa, cerca de 1 hora, e não apareciam lugares vagos juntas, em alguns momentos o ônibus se enchia e mesmo próximas elas não conseguiam se ver.
Ambas estavam bem vestidas, como se fossem gêmeas vestidas pelas mães, calça jeans, tênis branco, camiseta preta e perucas, dessa vez Rafaela estava com uma de cabelo liso preto e Amanda com uma loira cumprida.
— Vamos Manda, vamos descer nesse! — Rafaela chamou Amanda, ela obedeceu
Percebeu que a cor pálida do rosto de Amanda estava corada, assim que saltaram Rafaela observou
— O que foi, o que você tem? — Perguntou à Amanda
— O Rapaz que sentou do meu lado, veio conversando comigo — Amanda falou passando a mão no rosto, sorrindo como boba
— E o que tem? — Rafaela perguntou
— Ele disse que eu sou linda — Mostrou um papelzinho — Me deu o telefone dele e falou pra eu ligar, pra gente sair — Amanda estava envergonhada
Rafaela sorriu
— E aí, vai ligar?
— Não né, eu tenho compromisso — Amanda respondeu pensativa — Acha que fiz mal em pegar, devia ter negado?
— Não, claro que não, você não tá morta, deixa os caras te xavecarem, você decide se vai fazer algo ou não — Rafaela falou enquanto caminhavam em direção à estação de metrô
— Metrô? — Amanda perguntou
— É, assim é mais fácil — Rafaela falou
— Mas, oh, cabeça, por que a gente não pegou o metrô lá perto de casa? Estaríamos aqui já! — Amanda falou indignada
— Ah, eu queria dar um rolê, me deixa! — Rafaela falou subindo as escadas
Amanda revirou os olhos e apertou o passo se aproximando dela e dando as mãos para irem comprar o bilhete
Depois de quarenta minutos elas chegaram na secretaria para pegar as informações.
— Manda, vê aí com o Gui onde ele vai levar a gente, tô com fome já — Rafaela perguntou ao sair da sala
— Ele mandou mensagem aqui, vai ter inspeção amanhã e só tá ele lá
— E daí? — Rafaela perguntou — Quando fechar a gente sai
— Ele fecha as 21:00 — Amanda falou — E vai ter que limpar tudo pq a inspeção é amanhã cedo
— Que merda! — Rafaela falou pensativa
— Vamos ajudar ele Rafa, é muita coisa pra ele limpar sozinho — Amanda falou receosa, sabia que Rafaela não gostava muito de limpar casa, quanto mais uma academia gigante
— Ai Manda, já comecei me fodendo nesse namoro né? — Falou coçando as costas
Amanda ficou apreensiva olhando pra ela, Rafaela então sorriu e se aproximou dando-lhe um beijo nos lábios
— Você vai ficar comigo né? — Rafaela perguntou
— Claro né! — Amanda afirmou como se fosse óbvio
— Então eu vou, só por que você é linda! — Rafaela falou abraçando Amanda
— Obrigada, te amo tá! — Amanda falou pedindo outro beijo
Rafaela deu um beijo mais atirado, chupou a língua da amiga e ambas sentiram o fogo no corpo subir
— Sapatãããããooooo! — Alguém gritou no carro que passou na rua e em seguida ambas foram atingidas por uma garrafa e água de plástico, que acertou as costas de Amanda
— Filho da puta! — Rafaela gritou vendo o carro ir embora com três cabeças no banco de trás — Machucou?
— Não amor, não machucou, calma — Amanda tentou acalmá-la
— Que desgraçado! — Rafaela falou olhando para um homem de terno no ponto de ônibus — Você viu? O filho da puta jogou na gente!
— Vocês ficam de putaria aí na rua, da isso mesmo — O Homem respondeu ranzinza
— Que putaria o que caralho! — Rafaela foi para cima dele mas Amanda segurou — Amor, não!
Rafaela olhou para Amanda e depois para o homem, tomou ar furiosa
— Vai se fuder, gordo filho da puta! — Rafaela deu as costas e saiu andando com Amanda, prestando atenção se o homem não vinha atrás, mas ele deu de ombros
— Ele não era gordo — Amanda falou
— Eu sei, só me veio isso em mente — Rafaela parou em frente uma cafeteria e passou a mão no rosto de Amanda, olhou em volta tomando cuidado — A gente tem que tomar cuidado né, você percebeu
— Percebi — Amanda respondeu triste — A Nati tinha falado sobre isso, que ela quase apanhou uma vez
— Infelizmente — Rafaela segurou as mãos de Amanda, queria beijá-la, mas não podia, aquela época não era propícia para esse tipo de relacionamento, as pessoas nas ruas não entendiam que ela gostava de homens e mulheres, apenas sentiam ódio por serem duas mulheres a menos para os homens.
Resolveram voltar de metrô, e na última etapa pegaram um táxi, Rafaela tentava se animar, mas estava levemente cabisbaixa, não queria transparecer.
No táxi o celular dela tremeu, ela abriu e Amanda olhou para a tela imeditamente
— “Paulo Mecânico” quem é esse? — Amanda perguntou
— Ah, é um carinha aí que tá me caçando — Rafaela falou
— O que ele quer? — Amanda perguntou inocente
— O que você acha que ele quer Manda? — Rafaela perguntou
— Esse foi o rapaz que você ficou? — Amanda perguntou receosa
— Sim, fiquei — Rafaela sorriu— Esse mesmo — O tom era debochado.
— Rafa — Amanda falou entristecida
Rafaela percebeu o tom
— O que foi amor? — Perguntou preocupada
— Eu estive pensando, quando você me falou desse cara da mecânica
— Pensando no que?
— Eu tenho um pouco de ciúmes, tô errada? — Amanda falou pensativa examinando os próprios dedos
Rafaela pensou um pouco
— Hmm, não sei, acho que é bom né, a gente tá junta, meio que temos que ter uma da outra
— Você tem ciúmes de mim, Rafa? — Amanda perguntou curiosa
— Sinceramente ainda não sei, nem parei muito pra pensar nisso — Pensou um pouco — Não sei se tenho ciúmes de você com o Gui ou com a Nati, isso pode ser confuso
— Você não teve ciumes do cara que me deu o telefone no ônibus — Amanda disse
— É para eu ter? Achei que era só uma coisinha, tem mais algo aí? — Rafaela perguntou preocupada
— Não, foi só isso mesmo — Amanda respondeu sensata
Rafaela olhou para ela frustrada
— Eu não sei Manda, de verdade — Rafaela disse desviando o olhar
— É, eu também não sei — Amanda falou pensativa
— Vamos fazer assim — Rafaela falou animada
— Como? — Amanda perguntou curiosa
— Vamos falar o que sentimos, se sentir ciumes a gente fala, se não estiver confortável, a gente fala, vamos falar tudo, e vamos combinar com o Gui isso também, jogo totalmente aberto sempre
— Acho que assim pode funcionar
— Mas tem umas coisas que eu tava pensando — Rafaela cortou a reflexão de Amanda — O Gui é bonito, legal e tal, mas tem umas coisas que eu queria que você conhecesse
— Que coisas? — Amanda falou
— Vinte e três reais — O motorista parou na frente da academia
Rafaela pegou o dinheiro e deu
— Pode ficar com o troco! — Falou animada e agradeceram
Saíram na rua e se preparam para entrar na academia, Amanda agarrou o braço de Rafaela
— Que coisas? — A pergunta era séria, ela havia ficado curiosa
Rafaela olhou para ela, havia se arrependido de falar, perdeu o fio
— Ah, amore, deixa, depois a gente fala — Rafaela tentou desconversar
— Não Rafa, sabe que eu sou curiosa, não faz isso! — Amanda falou franzindo a testa
Rafaela passou a mão na testa dela
— Não franzi, vai ficar marcado, eu falo, vamos lá pro escritório, quando estivermos sós
— Tá — Amanda respondeu a contra gosto
Rafaela pegou na mão dela e passou pela catraca, ambas acenaram para a atendente que Rafaela não conhecia e ela deixou-as entrar.
Viram Guilherme de longe, ele estava ajudando um grupo de senhoras a se exercitar, todas sorridentes e brincando com ele
— Olha lá as tias, se derretendo — Amanda falou — Toda vez isso
— Ele é personal trainner agora? — Rafaela perguntou
— Ele tá começando, tem algumas turmas — Amanda respondeu
Rafaela percebeu que muita coisa havia acontecido desde que ela havia saído da vida de Guilherme
Cumprimentaram-no de longe e Amanda puxou Rafaela para o escritório, entraram
— Fala, o que você queria dizer — Amanda falou ansiosa
— Nada de mais, é que eu quero que você conheça outras coisas.
— Que coisas? — Amanda entortou a cabeça tentando entender
— Outros, você sabe, de outro tipo — Rafaela respondeu evasiva
— Não sei Rafa, não to entendendo nada — Amanda falou já irritada
— Pau Manda, quero que você conheça outros paus, rola, pito, jeba entendeu? — Rafaela falou explicativa
— Por que tenho que conhecer outros paus
— Você não tem que conhecer, mas eu gostaria que você conhecesse, no período que eu fiquei longe do Gui eu conheci outros, e vi que tem muitas coisas legais, diferentes tamanhos, formatos, os caras, enfim — Cortou seu raciocínio
— Muitas coisas melhores? — Amanda perguntou confusa
— Não melhor, nem pior, mas diferente — Rafaela respondeu pensativa
— Diferente? pau diferente? — Amanda perguntou cruzando os braços interessada
— É, o do Gui você gosta? — Rafaela perguntou
— Eu gosto, me agrada bastante — Amanda respondeu simplória — O dele não é bom?
— É sim, é ótimo, mas é por causa dele, o pau do Gui não é grandão, é mediano, normal
— Caramba, tem maior? — Amanda perguntou como se pensasse em voz alta
— Maior? — Rafaela riu — Conheço um cara que tem um pau da grossura do meu pulso — Rafaela mostrou o pulso para a amiga
— Eita, pra que isso? Vai machucar! — Amanda respondeu
— Não, machuca não, devagar é muito gostoso, dá a sensação de que está preenchendo aqui — Rafaela colocou a mão no púbis — fica empurrando dentro, e quando goza parece que vai explodir a gente por dentro
— E isso é bom? parece estranho — Amanda perguntou
— É foda demais, a porra batendo dentro, fervendo, parece que enche a gente — Rafaela colocou a mão no ventre — Você sente tudinho tudinho por que fica bem sensível quando o pau é largão, aí é foda
— Você deu sem camisinha Rafa? — Amanda perguntou
Rafaela corou
— Ah, eu, é, ah meu! — Rafaela não conseguiu responder
— Irresponsável! — Amanda falou dando as costas e cruzando os braços
— Ah amor, não fala assim, foi uma situação específica, era um homem de mais idade, eles não tem tanto essas coisas, ele era evangélico
— Não tem o que Rafa? Doença? Só por que ele é velho não tem doença? — Amanda falou caminhando para cima de Rafaela
— Tá bom, tá bom — Rafaela colocou as mãos nos ombros dela — Foi vacilo meu mesmo, não faço mais isso, sei bem!
— E o cara da mecânica — Amanda perguntou enciumada
— Foi com camisinha sim, claro, nem conhecia! — Rafaela afirmou
Ficaram se olhando uns segundos e Rafaela a abraçou, deu-lhe um beijo de língua, para completar o que começaram na rua, ficaram alguns minutos se agarrando, terminaram abraçadas e ficaram alguns minutos em silêncio, e Rafaela rompeu
— Eu quero que você conheça muita coisa, mais paus, mais gente, mais homens de uma só vez, e quero ver sua cara
— Você já fez? — Amanda perguntou ainda abraçada
— Fez o que? — Rafaela perguntou sem entender
— Com dois ao mesmo tempo? — Amanda perguntou
— Sexo de verdade mesmo, com dois homens ainda não, só umas brincadeiras, mas eu quero, agora eu quero com você — Rafaela respondeu
Amanda se afastou e olhou-a no rosto
— Por que de verdade? — Amanda perguntou — Você fez o que com dois?
— Por que eu já estive com dois, mas não dei pros dois ao mesmo tempo — Rafaela falou
— Como dar ao mesmo tempo? É um no cu e outro na buceta? — Amanda perguntou interessada
— É, o nome disso é “DP”, significa Dupla Penetração — Rafaela falou didática
Amanda olhou distante
— Tem nome é? — Falou pensativa
— Menina? — A Porta se abriu, Guilherme entrou — Não vou conseguir sair com vocês, tenho que limpar tudo aqui vai até de madrugada
Ele se aproximou de Amanda e deu-lhe um beijo nos lábios, os três pararam, ficaram se olhando e Rafaela se aproximou e inclinou o rosto fazendo biquinho, pedindo beijo, ele olhou para Amanda e ela sorriu, deu um selinho em Rafaela
— A gente vai te ajudar Gui, viemos aqui pra isso — Amanda falou animada
— Sério? — Ele sorriu, mas depois ficou sério — Ah, mas vai ser cansativo, melhor deixar, eu dou conta.
— Relaxa, a gente ajuda sim — Rafaela falou — Vai ser mais rápido e a gente fica junto né, objetivo do namoro não é ficar mais tempo junto?
— É, mas a Amanda vai se cansar — Guilherme falou — Tô achando ela meio pálida
— Eu to bem! — Amanda reclamou
— Ela tem cara de sulfite mesmo, eu fico de olho, se ela cair eu dou os primeiros socorros e no máximo recolhemos os pedaços com uma pá!
Os três se olharam e demorou alguns segundos até rirem
— Vamos Manda, vamos trocar de roupa, vamos lá colocar as roupas de domésticas
Foram para casa, cada um para a sua, não havia ninguém em sua casa, estranhou a porta estar fechada à chave, sua mãe nunca fechava, subiu e viu que a porta do quarto estava fechada, girou a maçaneta devagar, a porta estava trancada, colocou o ouvido e ouviu uma música, e algum movimento que não sou identificar
Sorriu e imaginou que os pais estivessem transando
— Meu papai tá comendo minha mamãe — Falou baixinho achando graça da própria fala
Correu no quarto e trocou de roupa, colocou uma roupas de academia com calça azul bem justa, e um top azul com marcas pretas combinando com o tênis, por baixo escolheu uma calcinha rendada bem pequena, não tinha intenção de mostrar, mas se precisasse estaria preparada.
Se distraiu olhando no computador, ficou uns vinte minutos, pegou seu fone de ouvido, carregador e foi pelo corredor devagar, na cozinha pegou uma maçã, deu uma mordida e colocou a mão na maçaneta, mas algo chamou a atenção dela.
Uma bolsa de couro, marrom, chique com um fecho dourado, Rafaela se aproximou e viu a marca, sabia que aquela bolsa era cara demais e não pertencia à sua mãe, mas mesmo se sua mãe pudesse comprá-la, aquela era para uma mulher mais jovem, sentiu sua mão tremer, seu celular, era Amanda, ela atendeu.
— Oi amor — Falou ainda intrigada com a bolsa
— Oi, to aqui na academia, você se perdeu? — Amanda cobrou
— Não, tava fazendo uma coisa, mas já to saindo — Desligou o telefone
Abriu a porta da sala para sair e ouviu a porta do quarto da mãe se abrir, fechou a porta da sala devagar e em silêncio iria esperar alguém descer do quarto.
Ouviu a voz da mãe, estava animada, conversava e ria, outra voz feminina a acompanhava, mas parecia que não conhecia, até que as duas surgiram na escada e Rafaela as viu, primeiro sua mãe Rose, depois sua nova irmã Natali
As três se olharam, Natali arregalou os olhos
— Oi Rafa — falou sem graça
— Você não ia para o litoral? — Rafaela perguntou grosseira
— Eu sim, mas voltei, vim ver umas coisas aqui aí passei pra visitar vocês rapidinho, só tomar um café, mas você não tava aqui.
— Café na cama da minha mãe? — Rafaela perguntou ainda grosseira
— Rafaela, o que você está insinuando — Rose falou ofendida
— Mãe… — Pensou um pouco — Natali — Apontou para as duas — Eu não sou trouxa tá, sou tudo menos trouxa, alguma coisa tava acontecendo.
— Rafa, não — Natali falou
— Olha, eu estou ocupada agora, depois a gente fala
Rafaela deu as costas e saiu
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A campainha tocou, Rose deu uma corridinha e olhou pelo olho mágico, viu o cabelo da filha como era um ano antes, cheio volumoso, teve um djavu e abriu a porta sem nem pensar direito, talvez Rafaela estivesse sem as chaves.
Quem ela viu foi quase sua filha, mesma altura, praticamente mesmo corpo, nariz arrebitado, mas com a pele mais clara e um olho azul e outro castanho.
— Oi Nati — Rose falou animada — Entra!
Natali sorriu e aceitou o convite, entrou
— Tudo bem com a senhora Dona Rose? — Natali perguntou envergonhada
— Sim, estou ótima, estou preparando um bolo, vamos tomar um café com bolo? — Rose perguntou animada indo para a cozinha — Não precisa me chamar de Dona tá?
— Beleza! — Natali concordou — Na verdade eu só vim dar um oi pra Rafa — Falou ficando em silêncio em seguida — E pra todos você né
— Ela já volta, deu uma saída com a Amanda, já já está de volta — Rose tirou o bolo do forno
O cheiro quente e adocicado encheu as narinas de Natali
— Nossa, que cheiro bom, o que é? — Perguntou animada
— É de milho com erva doce, a Rafa adora, será que você tem o mesmo paladar que ela? — Rose perguntou
— Olha — Natali colocou a bolsa no sofá da sala e sentou-se na cadeira da cozinha — Eu sou mais velha, se alguém aqui tem algo de alguém, essa é ela
— Touchet! — Rose falou animada cortando um pedaço de bolo quente e colocando num prato
Natali se ajeitou na mesa mirando o bolo com olhos cobiçosos, foi colocar a mão, mas Rose a impediu
— Não, espera! — Rose falou pegando uma lata alaranjada, abriu e com uma espátula de madeira pegou o creme de dentro, era manteiga amarela, de boa qualidade, passou no bolo e ela imediatamente derreteu levantando um aroma fantástico — come assim!
Rose colocou o café para Natali
Ela mordeu e estava bem quente, mas não ligou, murmurou durante todo o processo de mastigação “hmmmmm”
— Nossa, está maravilhoso — Natali falou de boca cheia
Rose a acompanhou e também comeu igual, em menos de minutos estavam entrosadas falando sobre trabalho, vida, cotidiano como se fossem velhas amigas.
Natali ficou à vontade com Rose, sabia que havia um passado entre ela e o seu pai juntamente com sua mãe, mas não sabia exatamente o que era, tinha uma vaga noção das coisas.
— Quando você ri, fica idêntica à sua mãe — Rose falou nostálgica — Como pode né?
Natali ficou mais séria
— Vocês eram bem amigas né? — Natali perguntou curiosa — Se viam muito?
— Sim — Rose suspirou — Muito mesmo, nos últimos tempos estávamos afastadas, mas fomos bem unidas, principalmente quando vocês eram crianças.
— Eu lembro da senhora e do seu marido lá em casa — Natali falou com uma pausa inesperada — De noite
Rose ficou animada
— Sim, adorava ir na casa de vocês, era no litoral, dormíamos lá sempre — Rose parecia nostálgica
— Sim, eu lembro, dormiam — Natali puxou das suas lembranças — as vezes eu ouvia vocês
— Ouvia? — Rose perguntou em choque segurando o café nas mãos, Natali reparou que ela tremia
— Ouvia, por que os gemidos eram altos, você está tremendo? — Natali perguntou — Se isso é um assunto muito delicado, me desculpe
Rose colocou a caneca na mesa, não parecia envergonhada
— Treme sim, dói um pouco — Rose abriu e fechou as mãos, não usava luvas. — Não é um assunto tão delicado para mim, minhas mãos que são.
Levantou-se e foi até a pia, ligou a torneira e a água daquele dia frio caiu, ela deixou banhar as mãos, os pulsos até os antebraços, Natali olhava com atenção, então ligou o botão da torneira elétrica e a luz oscilou, o vapor começou a sair imediatamente, Natali tentava entender o que era aquilo.
— Você está dando choque térmico nas suas mãos? — Perguntou curiosa
— Sim, isso ajuda bastante — Rose falou ao apertar o botão para desligar a torneira elétrica e fazer a água voltar a cair gelada em suas mãos
Secou as mãos no pano de prato e voltou normalmente para a mesa, mostrou as mãos e estavam imóveis
— Olha, novinhas! — Sorriu animada
— Só assim para passar ou você toma remédios pra isso?
— Quando eu estou acelerada, ofegante sinto uma espécie de dormência, aí elas param por um tempão
— Tipo exercícios fisicos? — Natali perguntou interessada
— Sim, mais para aeróbicos eu acho — Rose falou pensativa — Preciso ficar cansada
Natali deu um gole no café, pensando em diversas maneiras de se cansar uma mulher
— Então — Rose falou pegando a caneca novamente — Você ouvia a gente transar?
— Ouvia — Natali falou engasgando com o café e tossindo
— Quantos anos? — Rose perguntou
— Acho que uns dez, mas eu não entendia o que era, só saquei anos depois que vocês todos transavam juntos.
Rose olhou ao longe
— Peço perdão por isso tá, eu…. a gente não tinha noção disso, perdão mesmo
— Tudo bem, não tenho trauma com isso, minha mãe era aberta sexualmente comigo
— Vocês conversavam muito? — Rose perguntou interessada
— Sim, ela me falou tudo o que tem que saber sobre sexo, inclusive que saia com vocês
— Sério? ela disse isso? — Rose falou interessada — E você pensa o que disso?
— Ah, não sei o que pensar direito, troca de casal, sei lá, vocês eram amigos, vejo que é difícil arrumar amigos assim
— Hmmm — Rose murmurou nostálgica
— A senhora gosta do meu pai né? — Natali perguntou
— Gosto sim, eu amo seu pai Nati — Rose falou normalmente — De verdade mesmo.
Natali não esperava aquela resposta, pensou um pouco
— Mas a senhora é casada e ele namorou a Rafa — Natali estava confusa — Isso foi oficial não é?
— O Mundo é assim, querida, a gente não tem tudo o que quer o tempo todo, eu escolhi ficar com a minha família feliz, amo o Marcel também, ele é um ótimo homem, são propósitos diferentes.
Ambas se olharam por alguns segundos
— Quando minha mãe morreu, eu acho que meu pai esperava que você se mudasse com ele
— Eu sei que esperava, ele falou isso pra mim, mas eu não podia largar meu marido com dois filhos pra isso, eu fiz escolhas antes e essas escolhas cabem a mim sustentar
Natali não respondeu, observou o bolo sem coragem de levantar o olhar
— Sabe Nati, essa é a diferença de uma pessoa de bem e outra não, essa nossa parte sexual, promíscua não nos faz má pessoas, tanto você como a Rafaela são consideradas vagabundas pela sociedade — Rose observava o fundo do copo enquanto falava
Natali levantou o olhar, aquilo era bem ofensivo, Rose continuou
— Sua mãe e eu também éramos duas vagabundas, putas e todos os outros adjetivos que a sociedade pode nos dar, mas a diferença é que temos nossos valores, não traímos a confiança apesar de fazer amor com mais pessoas, todas as pessoas que eu transei meu marido sabe, e ele também fez o mesmo. Seu pai e sua mãe compartilhavam o mesmo conceito moral.
— A senhora falou isso para a Rafaela?
— Acho que não, não explicitamente assim, a Rafa é meio confusa sabe, ela tem as limitações e a linha de raciocínio dela é diferente, eu não quero influenciar, prefiro deixar ela chegar às próprias conclusões no tempo dela, eu era confusa como ela quando jovem, antes de encontrar sua mãe
— Entendi — Natali respondeu pensando no turbilhão de informações
— Sabe, eu vi vocês outro dia — Rose falou sorridente
— Como? — Natali perguntou envergonhada
— Vocês transando — Rose falou
— Ah, sim, é, desculpa, acho que não era pra senhora ver — Natali falou encabulada
— Não querida, não fique envergonhada, o amor entre mulheres é a coisa mais linda que existe, é puro, é verdadeiro, é o amor de verdade, o sexo de verdade
— Minha mãe falava exatamente isso! que era de verdade — Natali falou lembrando-se — “O Amor de verdade”
— Sim, ela que falou isso pra mim! — Rose riu, pensativa
— Vocês faziam juntas né? — Natali perguntou cuidadosa
— Sim, igual vocês duas, achei o máximo vocês estarem naquela posição, era a preferida da sua mãe
Natali ficou vermelha, Rose continuou
— Fiquei com tanta saudade dela — Rose pareceu entristecida
— Desculpe por isso — Natali falou com pena — Deve ser doloroso perder uma amiga assim
— Não se desculpe, você não tem culpa, como eu disse, fico contente de vocês estarem repetindo a nossa intimidade, o engraçado é que a gente chegou a fazer no mesmo lugar que vocês uma vez
— Sério? — Natali perguntou curiosa
— Sim, as crianças estavam na escola, ela veio um dia cedo, havia comprado um brinquedo para me dar de presente, e estreamos ele — Rose riu divertida — Tenho ele guardado até hoje!
— Que brinquedo? — Natali perguntou curiosa
— Um dildo, pequeno e discreto, vibrava na ponta, mas parou de funcionar, mesmo assim eu guardo ele — Rose respondeu
— Me mostra? — Natali perguntou
— Ah, você quer ver é? — Rose ficou surpresa — Tá bom, eu mostro
Rose se levantou e foi em direção à escada, parou no primeiro degrau
— Você vem? — Perguntou sem olhar para trás
— Vou! — Natali subiu atrás dela, andando devagar.
Passaram pelo quarto de Rafaela, a porta entreaberta, a luz apagada e entraram no quarto que Natali nunca tinha visto dentro.
Um grande armário closet de madeira, uma cama king size, larga, alta com lençol grosso de pano esverdeado, Natali tocou na cama, era gelado, macio
— Esse pano é uma delícia — Rose falou abrindo a porta do armário e pegando uma caixa no fundo
Voltou e sentou-se na cama, Natali sentou-se também, abriu a caixa e Natali viu muitas coisas, algemas, gel, camisinhas, chicote, máscaras, alguns outros objetos não identificados
— Esse — Rose pegou um pequeno, cor de rosa e mostrou para Natali — É esse — Girou na base — Virando aqui ele tremia, era uma delícia
— Natali pegou na mão — Ela não tinha um desse, eu pelo menos não peguei nada quando ela se foi
— Seu pai deve ter escondido, ele queria te proteger do mundo, achando que você era de vidro.
Pois é, ele tem isso mesmo — Natali respondeu — As vezes né
Rose tirou outro brinquedo, idêntico, mas na cor vermelha, ela girou a base e ele vibrou
— Olha, esse funciona, quer pra você? — Rose perguntou
— Ah, eu usei uma vez, não funciona comigo, sei lá — Natali falou sentindo-se superior
— Não funciona? Impossível! — Rose falou com um sorriso curioso — Você não soube usar
— E como usa? É só para estimular não é? — Natali falou — Essa vibração não faz muita diferença
Rose riu
— Você é muito novinha meu amor, tem que aprender a usar direito
Natali franziu o cenho, não gostava de não saber as coisas
Rose revirou os olhos
— Você é idêntica à sua mãe, “a espertona” — Rose fez aspas com os dedos — Não gosta de não saber das coisas né? — Rose falou divertida passando a mão no queixo pontudo de Natali
Ela não respondeu
— É engraçado como você se parece com minha filha e com sua mãe ao mesmo tempo — Rose observava como se procurasse detalhes
— Sabe o que eu sempre achei engraçado? — Natali falou pensativa
— O que? — Rose disse distante
— Minha mãe era escura e a Rafa é escura, a senhora é branca e eu sou branca — Natali falou pensativa
— Não, eu não sou sua mãe biológica se é isso que você está pensando, você é clara por causa do seu pai, e a Rafa é escura por causa do pai dela — Rose falou — Eu pensei bastante nisso também
Natali não soube o que dizer, Rose levantou-se
— Bem, a sua irmã demora pra chegar — Foi até a porta aberta e fechou, sem passar a chave — Vou te mostrar como funciona esse negocinho, aí você testa com elas depois
Natali ficou assustada
— Como assim? — Natali perguntou assustada
— Vamos garota, tira essa roupa — Rose falou com um sorriso confiante — Sou mulher também, e eu vi você nua já, então não tem segredo
— Mas é que, eu… — Natali era orgulhosa por deixar todos à sua volta sempre com medo do seu sexappeal e dessa vez foi surpreendida
— Ai, ta bom — Rose falou tirando a camiseta e mostrando seios pequenos e empinados com bicos vermelhos
Natali ficou olhando, se levantou devagar
— Eu não sou minha mãe — Falou preocupada — Eu sei que a senhora tem saudades dela
— Morro de saudades da sua mãe, eu amava ela de todo o meu coração — Os olhos de Rose estavam cheios de lágrimas — E eu sei que você não é ela, não precisa se preocupar, só quero te mostrar como gozar gostoso com isso aqui
O jeito que ela falou deixou Natali lasciva, usava um vestido preto, tirou as alças e deixou o vestido cair, por baixo usava calcinha e sutiã na cor creme, com poucos movimentos ficou nua também.
Rose sorriu
— Como vocês são lindas! — Rose falou observando o púbis de Natali — O que vocês tem contra pelos hein?
Natali se aproximou dela
— A senhora também é linda, não esperava que tivesse esse corpão — Natali falou observando-a e a abraçando junto com um beijo
Rose retribuiu, sentiu a língua da menina e riu
— Menina, não é pra gente namorar, é pra você gozar com esse brinquedo — Mostrou o brinquedo tremendo — Aí você faz na minha filha
— Por que a senhora mesma não faz nela? — Natali perguntou
Rose sorriu
— Talvez um dia eu faça, acho que depende dela, não sei ainda — Rose pensou alguns segundos com olhar distante — Isso é mais complicado.
Rose a empurrou devagar, deita aí na beira
Natali sentou-se e depois deitou na beira da cama, percebeu que a altura da cama era ideal para alguém não precisar se abaixar muito. Ouviu um clique e o barulho de vibração do aparelho parou.
Ao levantar a cabeça sentiu duas mãos pegando em suas coxas e abrindo suas pernas, o que sentiu em seguida foi a língua e os lábios de Rose devorando sua buceta.
Sem esperar tamanha força na sucção Natali deu um um gemido alto
— Nossa! — Natali falou sentindo o calor subir da sua buceta pela barriga e se espalhar pelos seus peitos — Meu deus
A chupada era boa, gostosa, molhada e barulhenta, Rose não tinha restrição e sequer respeito, as mãos dela tateavam o corpo da garota apertando os seios, a cintura, a bunda, e invadindo a buceta e o cu a todo instante
Em menos de um minuto Natali estava extasiada, não conseguia reagir à tamanha sacanagem inesperada. Ouviu então o clique o vibrador e sentiu ele sendo colocado no seu clitoris, estava sensível, Rose havia chupado com muita força e ela entendeu.
Quando o vibrador tocou ela sentiu dor, dobrou seu corpo para impedir, mas Rose a bloqueou com as mãos
— Fica quieta menina, confia em mim! — Rose falou enérgica — Deitadinha!
Natali deixou o corpo repousar e começou a sucessão de novidades, primeiro um choque pequeno, depois um maior, e outro, e a cada choque era como se houvesse uma corda amarrada na sua buceta e tentasse arrancar dela
Natali começou a gemer, e colocou as duas mãos na boca para o barulho não se espalhar
Rose se levantou e ligou um rádio, a música estava alta
— Geme, vai — Rose disse ao inserir 3 dedos ao mesmo tempo na buceta de Natali enquanto forçava o polegar no cu da garota com muita habilidade
— Ai…aiii….aaaaaiiii — Natali gemia sem pudor — Aaaaiii Rose!
Então ela sentiu, tudo ao mesmo tempo, seu cabelo se arrepiou, seu nariz ficou dormente, seus lábios formigaram, sentiu uma onda de choque subindo pela colunas e pelo peito, sentiu algo puxar sua buceta com força, sentiu pressão e calor e não aguentou
— Poooorraaaaa! — Deu um berro e ouviu os risos de Rose
— Isso lindinha, goza pra tia, goza! — Rose incentivou
— Ai tiaaaaa! — Natali estava confusa, não sabia o que sentir
Rose parou e se deitou ao lado dela, Natali respirava freneticamente, o peito subindo e descendo sem parar
— Foi bom? — Rose perguntou sedutora e sorridente, vendo que a resposta era evidente
Natali olhou para rose e fez uma careta, os olho se encheram de lágrimas e ela fez um bico, começou a chorar, não entendia por que, mas chorava
Rose a abraçou, e dizia com um sorriso nas palavras
— Pode chorar querida, chora mesmo, tá tudo bem — Rose falou animada
Alguns minutos Natali se recompôs
— Desculpa — Falou limpando as lágrimas com a maquiagem borrada
— É assim mesmo, sua mãe também chorava quando tinha um orgasmo de verdade — Rose falou explicativa
— Eu já tive orgasmos — Natali falou pensativa — Nunca como esse
— Esse é o que sua mãe falava, o sexo verdadeiro entre mulheres — Rose explicou
Natali passou a mão no rosto de Rose, ao fundo, nos olhos e no nariz arrebitado conseguia tanto se ver como ver Rafaela, como aquilo era possível?
— Minha vez — Natali falou ofegante subindo em cima de Rose e partindo direto para seus seios empinados
Rose respirou aliviada, deixou Natali chupar seus peitos, estava gostoso, Natali explorou o corpo de Rose como pôde, beijando e chupando, a buceta de Rose ficava escondida por uma penugem negra na buceta, bem aparada, mas densa.
Natali deu o seu melhor, chupou e lambeu Rose com vontade, fez ela gozar de forma delicada, Rose sorriu e acariciou a cabeça de Natali, ela sabia como fazer uma mulher gozar e sabia reconhecer quando isso acontecia
— Faz igual vocês fizeram! — Rose falou mordendo os lábios
Natali não respondeu, encaixou-se nas pernas de rose e começou a roçar as bucetas
— Funciona melhor quando é lisinha — Natali falou sorridente
Rose a empurrou
— Amadora! — falou sorridente invertendo a posição.
Com cuidado Rose abriu os lábios da buceta de Natali e os próprios, fez os clitoris se roçarem e então começou a rebolar.
— Cara, você é profissional mesmo, meu deus do céu! — Natali falou agarrando o próprio cabelo tamanho era o tesão.
Em cerca de cinco minutos de movimentos intensos Rose gozou, antes de Natali, assim que os espasmos pararam, Rose pegou o brinquedo e colocou no clitoris de Natali, aí o gozo da garota veio rápido, em menos de três minutos Natali já estava tremendo e gemendo com outro orgasmo intenso.
Ambas deitaram na cama
— Foi bom? — Natali perguntou
— Perfeita! — Rose falou — Meninas perfeitas transam de maneira perfeita! — Rose sorriu
Natali a abraçou, queria ficar junto, com carinho e foi correspondida, ficaram falando sobre coisas desconexas, ofegantes até descansarem
— Vocês se amavam? — Natali perguntou
O rosto de Natali estava apoiado nos peitos de Rose, elas não se olharam nos olhos
— Sim, nós amávamos — Rose falou nostálgica — ela era meu amor e minha amiga
— Ela era incrível né? — Natali disse ao vento
— Era sim, você tem que se tornar melhor que ela — Rose falou pensativa
Natali saiu da posição e olhou para Rose
— Não dá pra ser melhor que ela — Parecia confusa
— Claro que dá, os filhos tem que ser a continuação melhorada dos pais, a Rafa tem que ser melhor que eu, se ela for pior ou igual qual é o objetivo? — Rose falou deixando Natali pensativa — Seja melhor
Natali fez que sim com a cabeça.
Quando estavam descansadas se levantaram, se vestiram, Natali refez o lápis de olho com a maquiagem de Rose
— Bem, vamos descer, já já as meninas chegam — Rose falou indo na frente.
Desceram as escadas devagar, sorridentes
Ambas só perceberam que Rafaela estava parada olhando quando atingiram a parte mais baixa da escada


