Diário de Rafaela 2 — Capítulo 35 — A mais idiota do mundo
— Oi, posso entrar — Guilherme apareceu no quarto de Amanda que dormia
Rafaela estava sentada em uma cadeira lendo um livro, ou parecia que lia, tinha muito sono, não dormia bem a dias, sua cognição começava a falhar
— Pode — Fechou o livro e puxou um banquinho — Senta aqui
Guilherme se aproximou e se inclinou pedindo um beijo, Rafaela estava com sono, demorou dois segundos para entender que ele queria um beijo nos lábios e rápido deu um selinho
— Desculpa amor, eu tô meio — Parou para pensar
— Lenta? — Guilherme falou completando a frase dela
Mas Rafaela não ouviu, ao invés disso ela viu os lábios dele se mexerem e ouviu um apito no ouvido, abriu a boca como quem sente o ouvido tampado
— O que? — Ela perguntou e cutucou o ouvido direito, não ouviu a cutucada — Porra!
— O que foi? — Guilherme perguntou
Rafaela se levantou cutucando o ouvido
— Ai meu deus — Ela falou parecendo em pânico
Guilherme se levantou e a segurou
— Rafa, calma! — Ele a segurou e ela olhou para ele
Rafaela viu os lábios dele se mexerem mas não ouviu som algum
— Não te ouço! — Ela gritou
Guilherme fez sinal de silêncio depois um gesto com a mão para que ela falasse mais baixo
Rafaela entendeu e falou baixo com a voz estranha
— Não te ouço — Ela parecia assustada
— Calma — Guilherme falou olhando ela nos olhos — Entende? — Ele falou pausadamente
Rafaela leu os lábios dele, era fácil devagar, afirmou positivamente com a cabeça
Guilherme fez ela se sentar
— Você tem sono? — Guilherme gesticulou
Ela entendeu e fez que sim com a cabeça com movimentos frenéticos, esfregou o ouvido novamente colocando o dedo dentro, Guilherme impediu
— Não! — Ele falou como se corrigisse uma criança — Dorme!
— Não! — Rafaela falou num tom alto, viu quando Amanda se mexeu na cama e abaixou a voz — Não
Guilherme puxou o cobertor de Amanda e gesticulou para Rafaela se sentar na cama, ela obedeceu, assim que sentou ele puxou a calça de moletom dela, Rafaela resistiu
— Médico! — Ela falou preocupada
— Não, médico não, sono, você precisa dormir — Guilherme insistiu
— Não quero — Rafaela falou esquecendo o pânico
Ele terminou de tirar a calça dela, usava só a parte de cima de um baby doll e uma calcinha comportada, com jeito ele enfiou-a debaixo do cobertor, Rafaela viu os lábios dele se mexerem e sentiu uma mão na cintura, Amanda estava acordando, abraçou-a e puxou-a para a cama com mais força do que ela achava que Amanda tinha
— Fica aí — Guilherme falou sentando-se na frente delas no banquinho e pegando o livro que Rafaela lia, havia uma pequena luz para iluminá-lo sem iluminar o quarto
Guilherme começou a folhear. Rafaela ficou deitada sentindo o calor do corpo de Amanda e do cobertor, preocupada, não ouvia nada, ficou esperando Amanda dormir para levantar e sair dali, ir ao médico, entender o que estava acontecendo.
Estava gostoso, quente, macio, não faria mal tirar um cochilo, uns minutos só não fariam mal
Um caminhão passou na rua e buzinou
Rafaela ouviu a buzina, abriu os olhos, estava deitada na cama virada de bruços, sentia um leve solavanco na cama, algo se mexendo.
Passou a mão no rosto e olhou em volta, estava na cama de Amanda, o quarto estava escuro, ouviu algo, parecia algum tipo de atrito, não conseguia enxergar, esticou a mão procurando o abajur que sabia existir ali e puxou o clique, ele se acendeu
No outro canto da cama ela viu, Guilherme sentado sem roupas e Amanda sentada no colo dele, abraçados de forma apertada, ela com as duas mãos em volta do pescoço dele puxando o rosto do rapaz para ela, nos peitos enquanto ele a erguia e a fazia descer devagar em seu pau duro
— Eeeiii — Rafaela chamou atenção deles
Ambos olharam para ela
— Vocês tão transando? — Rafaela perguntou indignada
— Sim — Amanda respondeu dengosa
— Você não tá doente filha da puta? — Rafaela perguntou indignada sentando-se na cama
Amanda não respondeu, beijou Guilherme no pescoço e ele continuou
Rafaela se sentou na beira da cama e observou, estava indignada, mas em pouco tempo passou a sentir tesão, notou que nunca tinha parado para observar alguém transando assim, sem participar como havia feito dias atrás.
O corpo de Amanda era bonito e cor de rosa, Guilherme era malhado e seu corpo era bem branco, Amanda havia colocado a peruca de cabelos loiros, devia se sentir melhor assim, os cabelos artificiais longos balançavam e varriam sua bunda tocando as pernas de Guilherme
Observou por uns minutos e se levantou
— Pervertidos — Rafaela se levantou e foi ao banheiro da amiga, resolveu tomar um banho, tirou a roupa entrou no chuveiro
Sentia-se descansada, não fazia ideia de que horas eram ou de quanto tempo havia dormido, alguns minutos depois Guilherme entrou no banheiro, o pau mole com uma camisinha ainda presa.
Ele tirou e enrolou num pedaço de papel, viu Rafaela e sorriu indo em direção a ela, Rafaela mostrou a palma da mão
— Não, nem vem! — falou parando o namorado — Se a mãe da Manda entrar aqui eu vou falar o que?
— Só tá a gente aqui, eles saíram, a mãe dela foi pra igreja
Rafaela olhou para ele e tirou a mão, Guilherme se aproximou e a abraçou debaixo do chuveiro
— Que horas são? — Rafaela perguntou sendo beijada no pescoço
— Umas onze horas da manhã — Guilherme perguntou
— Onze? — Perguntou preocupada — Ela tomou os remédios?
— Tomei — Amanda falou entrando no banheiro e tirando a peruca mostrando seus cabelos curtos já começando a ficar volumosos
— Ta maior né? — Rafaela falou passando a mão no cabelo dela
— Tá, mas falta muito — Amanda falou entristecida — Gui, é feio assim? — Amanda passou a mão no cabelo, estava nua, o corpo todo marcado em vermelho pelas mãos do namorado
— Vira — Guilherme pediu, Amanda se virou de lado — Vira mais — Ela se virou de costas, ele colocou um pé fora do box e bateu na bunda dela, Amanda colocou as mãos e reclamou — Sim, tá grande! — Ele falou sorridente
Rafaela riu da brincadeira
— Vem! — Guilherme chamou Amanda para o banho
Ela deu a mão e se juntou a eles no chuveiro.
— Você tá bem, amor? — Rafaela falou passando a mão no rosto de Amanda — Tava tão dodoizinha
— Eu to bem, obrigada por cuidar de mim tá, eu vi tudo, sabia tudo, mas tava ruim de acordar o tempo todo — Amanda falou — Só acordei quando você dormiu comigo
— Eu, eu acho que dormi lendo, eu não me lembro — Rafaela falou confusa — Eu não ouvia
— Você falou isso — Guilherme disse — Que não ouvia, eu coloquei você pra dormir
— Ah, pensei que fosse sonho, obrigada — Ela agradeceu enquanto ensaboava o corpo de Amanda — Acho que eu estava cansada.
Rafaela sentiu Guilherme acariciar suas costas e lavar seu corpo
— Estava sim, vim aqui e cuidei de vocês duas — Guilherme falou satisfeito
— Você precisava de pica pra melhorar né sua vadia — Rafaela falou batendo na bunda de Amanda que estava de costas pra ela
— Nada a ver — Amanda respondeu se virando e pegando o sabonete de Rafaela
— Claro que precisava — Guilherme falou — Você só acordou porque me viu e veio cheia de tesão pra cima de mim — Guilherme debochou
Amanda corou
— Não fui não — Sorriu envergonhada
— Isso eu não posso te dar — Rafaela falou sensata
— Isso que? — Amanda perguntou
— Rola, isso eu não posso te dar — Rafaela repetiu
Os três riram
Guilherme encoxou Rafaela o pau meia bomba no meio das nádega dela
— Cuidado aí rapaz — Ela falou atenciosa
— Tá quentinho — Ele falou abraçando a namorada morena
Rafaela deslizou a mão para trás e pegou no pau de Guilherme, ele pulsou na mão dela, ficando cada vez maior.
— Lava minha costas — Rafaela virou-se de costas para Amanda e empurrou Guilherme para fora do chuveiro — Pra trás um pouco
Assim que ele se afastou ela se inclinou e abocanhou o pau dele, ele suspirou algo, sentiu o pau na boca dela. Rafaela chupou algumas vezes
— Da leite ainda? — Perguntou sentindo Amanda acariciar sua bunda e costas com o sabonete, empinou a bunda e Amanda entendeu o recado, passou a lavar a buceta e o cu de Rafaela de maneira muito íntima
— Acabou de sair, tem que esperar um pouco — Guilherme falou de olhos fechados
— E se eu por o dedinho? — Rafaela deslizou a mão pelas coxas dele em direção ao cu de Guilherme
— Não! — Ele falou se afastando
— Por que não? — Rafaela se ergueu
— Não gosto! — Ele falou massageando o próprio pau
— Não foi o que você me mostrou daquela vez — Rafaela falou passando a mão no rosto de Amanda de forma carinhosa enquanto a namorada massageava as pregas do cu de Rafaela
— Que vez? — Amanda perguntou curiosa
— Nada — Guilherme cortou Rafaela antes dela falar
— Ah não Gui, não pode ter segredo entre a gente — Rafaela falou, mas fechou os olhos e parou de falar por um segundo, Amanda introduziu o dedo devagar no cuzinho dela, de forma delicada — Devagar amor — Rafaela gemeu por um segundo a perna levemente levantada
Amanda tirou o dedo e apertou a bunda de Rafaela
— Naquele dia que a gente transou pra caramba na casa do Gui — Rafaela continuou
— Para Rafa — Guilherme mudou o tom — Ela tá cansada — Apontou pra Amanda
— Fala Rafa — Amanda ignorou Guilherme
— Ele não conseguia mais fazer o pau ficar duro — Rafaela falou olhando para Amanda e se aproximando até os seios se tocarem — Aí eu enfiei o dedo do cu dele e ficou duro, aí eu sentei
Amanda olhou para Guilherme
— E foi bom? — Perguntou curiosa
Guilherme não respondeu, Rafaela se aproximou e o abraçou, o pau estava meia bomba
— Meu amor, não precisa ter vergonha, a gente não vai achar que você é nada menos por sentir prazer aí, é físico — Rafaela o defendeu
— É a próstata né, faz o pau ficar duro mesmo — Amanda respondeu simplória — Só nunca testei, mas fiquei curiosa.
Rafaela deslizou a mão pelo bumbum durinho de Guilherme e o apertou
— Vamos ver? — Rafaela falou carinhosa
— Não! — Guilherme respondeu girando o corpo
— Ah Gui, vai, só pra eu ver, fiquei curiosa — Amanda insistiu
Guilherme ficou acuado no canto da parede
Rafaela se afastou
— Ah Manda, deixa ele tá com vergonha — Rafaela falou
— Não, não é vergonha, é que — Ele pensou um pouco, não achou palavras — Sei lá
— Quer tentar? — Rafaela perguntou — Se não quiser tudo bem
Ele ficou em silêncio
Rafaela resolveu agir, desligou o chuveiro e se ajoelhou
— Senta aqui Gui — Apontou para o chão — E você se ajoelha aqui — Puxou Amanda pela mão.
Guilherme se deitou no chão e Rafaela ergueu a perna esquerda dele colocando em seu ombro, Amanda fez igual com a esquerda deixando Guilherme totalmente exposto
— Parece uma mulher Grávida — Amanda falou rindo
— Ah, vamos parar — Guilherme fez menção de se levantar quando as meninas riram
— Não não — Rafaela colocou a mão no abdômen musculoso dele — Não vamos rir, Amanda, é sério, a gente tá só brincando pra você não ficar nervoso Gui, mas agora a gente vai fazer serio
Ele não respondeu parecia apreensivo
Rafaela pegou sabonete liquido e acariciou o cu do namorado, o pau dele estava mole, caído de lado, ele estava apreensivo
— Faz um carinho Manda — Sussurrou para Amanda
Prontamente Amanda massageou o pênis de Guilherme, mas estava mole
— Devagar Rafa — Guilherme falou de olhos fechados
— Deixa comigo amor — Ela forçou o dedo devagarzinho
Ele se encolheu
— Tá ruim assim? — Rafaela perguntou carinhosa acariciando as bolas de Guilherme, o pau dele subiu um pouco
— Não — Ele respondeu
Rafaela enfiou o dedo todo de uma vez até o fundo
Guilherme deu um gemido e se espremeu contra a parede
— Shhhhh — Ela pediu silêncio — Deu, deu, pronto, tá tudo dentro — Rafaela falou avançando nele e dando um beijo no pau que endureceu — Mama ele amor — Rafaela ordenou para a namorada loira
Amanda abocanhou o pau e começou a chupar
— Bate gostoso pra ele Amor, na sua boca— Rafaela ordenou e Amanda obedeceu
Amanda insistiu na punheta, Guilherme de olhos fechados, o pau ficou extremamente duro
— Vai gozar hein! — Amanda falou animada
Rafaela forçou o dedo, tirou e enfiou umas quatro vezes, Guilherme gemeu e ela não aguentou, deslizou para cima dele e sentou quase na cara de Amanda, o pau entrou de uma vez na buceta dela
— Me avisa hein! — Rafaela falou pra ele enquanto subia e descia no pau muito duro de Guilherme
Guilherme gemeu alto
— Não! — Ele disse de olhos fechados se contorcendo, parecia sentir dor
Em alguns segundos Guilherme gemeu
— Eu vou, eu vou
Rafaela saiu bem na hora, o sêmen jorrou alto e atingiu Rafaela na barriga e nos seios com ele gemendo alucinado e então Rafaela se ajoelhou, olhou para Amanda, ela estava com o dedo todo enterrado no cu de Guilherme e tirava devagar
— Ah, você ajudou? — Rafaela perguntou
— Sim, é quentinho e apertado, enfiei e ele gozou na hora! — Amanda falou maravilhada — Que foda isso, é tipo um botão de orgasmo!
Guilherme sentou-se, parecia desconfiado, ambas abraçaram ele e Rafaela ligou o chuveiro, ficaram sentados no chão conversando e namorando.
Conversaram mais um pouco e um lavou o outro, Guilherme ficou de pau duro de novo, Rafaela mandou ele parar pois Amanda precisava pegar leve e eles iriam maneirar nisso.
Foram ao quarto e se vestiram, Guilherme colocou sua bermuda e a regata.
— Oh mocinho — Rafaela se aproximou e puxou a bermuda dele — Cadê sua cueca?
— Não coloquei hoje — Guilherme respondeu
— Não colocou por que? Que graça é essa? — Rafaela perguntou cruzando os braços esmagando os seios entre eles
— Meu pau fica mais bonito nela sem cueca — Guilherme falou sorridente
Rafaela deu um tapa nele
— Oh filho da puta! — Olhou pra Amanda que vestia uma calcinha preta — Viu isso Manda? Que vagabundo! — Rafaela falou indignada
— Eu vi — Amanda falou e apontou para Guilherme — Não quero mais isso hein, homem meu não fica esfregando pinto em vagabunda na academia
Guilherme sorriu
— Isso é sério — Ambas falaram ao mesmo tempo
Ele desfez o sorriso
— Tá bom meninas, desculpem, preciso ir tá — Se aproximou de Rafaela e deu um beijo nos lábios dela, em seguida se aproximou de Amanda e também deu um beijo nos lábios dela — Qualquer coisa me liguem tá — Falou e saiu do quarto.
— Não vai tomar café com a gente? — Amanda perguntou vendo ele sair rápido pelo corredor
Mas guilherme respondeu ao longe
— Nãããooooo!
Rafaela pegou as roupas debaixo que havia deixado na casa de Amanda e vestiu, ambas comportadas, Rafaela colocou uma bermuda Jeans e uma camiseta preta, Amanda um vestido verde escuro comportado.
Desceram para comer, Rafaela preparou ovos mexidos com bacon e mel como Amanda gostava, comeram e falaram sobre algumas besteiras, quando lavavam a louça Amanda perguntou
— Eu tô me sentindo bem, no hospital eu vi uma enfermeira, queria tentar algo — Amanda parecia animada
— Fetiche de enfermeira? — Rafaela franziu a testa enquanto guardava os pratos — Sabe que eu sou enfermeira né? — Rafaela sorriu maliciosa
— Não — Amanda falou entendendo o que Rafaela dizia — Não, sua depravada
Rafaela a observou sem saber o que Amanda queria dizer
— Bem, vem comigo pro shopping? — Amanda perguntou — Quero fazer uma coisa com a gente
Rafaela pegou o prato da mão dela e colocou na prateleira de cima, se aproximou e agarrou-a pela cintura
— Você tá bem mesmo meu amor? — Rafaela falou dando um beijo nos lábios de Amanda, imediatamente o olhar das duas se tornou romântico, Amanda colocou as mãos juntas ao corpo, se encolhendo no abraço de Rafaela
— To sim, amor — Amanda respondeu olhando a namorada nos olhos — Obrigada tá, eu te amo muito
Rafaela aproximou o rosto e desviou o beijo, deu uma mordida na bochecha de Amanda
— Você tá ganhando peso de novo, vai ficar gostosona de novo logo logo — Rafaela se animou
Amanda a empurrou
— Ah, eu to feia? — Perguntou passando a mão na barriga chapada
— Não, feia não, mas tá frágil, fraquinha, quero você mais forte pra eu te dar uns trancos — Rafaela falou fazendo movimentos com as mãos — Tem uns caras que eu conheço que se te pega magrinha assim te parte no meio
— Quem? — Amanda perguntou curiosa
— Um velho picudo que eu dei ano passado — Rafaela falou sorridente
— Picudo quanto? — Amanda perguntou curiosa
Rafaela fechou o punho e colocou a mão no meio do braço
— A cabeça é do tamanho da minha mão fechada, a grossura igual do meu braço — Rafaela disse explicando sobre o membro do homem
— Caralho! — Amanda disse e colocou a mão na boca — E dá?
— Porra se dá? — Rafaela disse — Dá vontade de tossir de tão foda que é!
Ambas se olharam e deram risada
— Olá — A mãe de Amanda entrou na sala — Estão de pé já, que bom
Elas se afastaram devagar e a cumprimentaram.
Conforme Amanda queriam elas foram ao shopping, Amanda sabia exatamente aonde ir, pararam em frente a um salão de cabeleireiro com grandes vitrines e detalhes dourados
— Afro Style? — Rafaela perguntou desconfiada
— É, perfeito! — Amanda respondeu segurando a mão de Rafaela
— Manda, o que a gente vai fazer aqui? — Rafaela olhou para ela — Tipo, eu com meu cabelo mais cacheado dá até pra fazer umas coisas, mas essas minas são especializadas em cabelão, olha o cabelo daquela preta! — Rafaela apontou para o cabelo de uma mulher alta e negra que brilhava em um cacheado volumoso — Lindo demais, mas acho que não dá pra fazer no seu, ta pequeno.
— Não besta, vamos colocar Kanekalon — Amanda falou animada
— Cáni Calon? — Rafaela perguntou sem entender
— Sério Rafa? — Amanda perguntou séria
Rafaela não entendeu, ficou esperando Amanda falar algo
— Esse cabelo Rafa! — Amanda mostrou na vitrine umas tranças coloridas
— Ah manda, isso é cabelo de pano! — Rafaela falou decepcionada — É falso!
— Eu não aguento mais usar peruca Rafa — Amanda reclamou — Fica caindo, coça, é um saco!
— Cara, esse cabelo é igual mas você não pode tirar, tá ciente disso? — Rafaela perguntou como se ela fosse uma criança
Amanda revirou os olhos
— Ah, você tá bonitona aí de lésbica roqueira, eu vou colocar cabelo de pano e foda-se — Amanda deu as costas e entrou no salão
— Lésbica roqueira é você sua vaca! — Rafaela foi atrás dela
Dentro do salão a princípio foram olhadas estranho, haviam muitas mulheres fazendo diversos tratamentos, mas todas eram negras, Rafaela era branca perto das mulheres e Amanda era simplesmente pálida.
O tempo do constrangimento e estranhamento entre as mulheres levou aproximadamente dois minutos quando uma das mulheres brincou com Rafaela
— Você pode ser meio preta, mas essa bunda é cem por cento preta!
— O Rabo da minha namorada é maior — Rafaela sorriu e deu um tapa forte na bunda de Amanda
As mulheres riram animadas enquanto Amanda reclamava
— Para de bater na minha bunda cacete! — Amanda acariciou o próprio bumbum — Ta coçando já
A atendente mostrou diversos tipos e elas escolheram, foram horas e horas até concluírem o processo
Amanda escolheu mechas claras, mais próximas do seu cabelo com fios e detalhes azuis e algumas amarras negras de metal
Rafaela escolheu mechas negras com detalhes vermelhos e amarras prateadas de metal
Aproveitaram e fizeram as unhas das mãos e dos pés
— Vocês ficaram lindas! — Uma das mulheres que cortava o cabelo anunciou
— Amei! — Amanda falou sorridente olhando no espelho — Gostou Rafa?
Rafaela se olhava virando de um lado para o outro, ambas pegaram um cumprimento parecido, o cabelo ia até o meio das costas
— To parecendo o Predador — Rafaela falou se olhando orgulhosa das mechas que desciam pelas costas
As mulheres observaram sem entender
— Ela gostou — Amanda falou
— Amei! — Rafaela concluiu
Pagaram, se despediram das novas amigas e saíram para comer no shopping
Amanda tropeçou e Rafaela a abraçou antes dela cair ao chão
— Não vai desmaiar de novo né meu? — Rafaela falou petulante
— Se fuder oh, vai cobrar o favor agora? — Amanda falou respondona e empurrando Rafaela
Rafaela a soltou
— Respeita hein, vou te dar uns tapas, eu sou mais velha! — Rafaela respondeu
— Tá bom mãe! — Amanda respondeu
— Mocinha Mocinha, não me testa! — Rafaela falou entrando na brincadeira
Comeram e conversaram, alguns homens passavam pelas duas e sorriam, mexiam, alguns chegaram a se aproximar com cantadas mais fortes, mas elas rejeitavam educadamente dizendo que eram comprometidas, sem deixar claro se era com outros homens ou entre elas.
Saíram do Shopping e foram direto à academia mostrar os cabelos à Guilherme, ele estava com aula de personal trainer com um grupo de mulheres de meia idade, ele apresentou as duas para as mulheres sem dizer que eram suas namoradas, nenhuma das mulheres as destratou, mas ficaram visivelmente descontente com a beleza das meninas.
Guilherme gostou dos cabelos e elogiou, disse que queria ver eles de outras formas, as meninas riram sabendo ao que ele se referia.
Voltaram para casa de Amanda, os pais de Amanda estavam lá, mostraram os cabelos e foram reprovados, a mãe de Amanda disse que a peruca loira era bonita e aqueles cabelos faziam as duas parecerem sapatonas.
Elas apenas sorriram
— Rafa, eu preciso dormir, to com sono — Amanda falou se espreguiçando já com o dia no fim
— Eu fico com você no quarto — Rafaela falou sorridente
— Não! — Amanda falou proibindo — Nem pensar, vai dar uma volta, não é nem cinco da tarde, quem tá doente sou eu! — Amanda falou
— Ah Manda, me deixa — Rafaela falou empurrando a amiga pela escada — Vamos subir
— Não — Amanda travou as mãos na escada — Não quero você aqui hoje
— E eu faço o que? — Rafaela perguntou indignada
— Sei lá, dá seus pulos! — Amanda falou sorrindo e se balançando, mas bocejando sem poder evitar — Sério amor — A mãe de Amanda olhou para ela quando ela disse “Amor”
Rafaela e Amanda ficaram se olhando paralisadas, aguardando a reação da mãe delas, mas nada foi dito ou feito
Rafaela respirou fundo e disse
— Tá bom amor, dorme bem tá — Se aproximou e deu um abraço em Amanda, em seguida um beijo rápido nos lábios — Me liga quando acordar — falou abraçada com a namorada
— Ligo sim — Amanda respondeu e deu outro selinho em Rafaela
Rafaela se virou e cumprimentou os pais de Amanda
— Tchau! — Levantou a mão em cumprimento e foi embora
Amanda olhou para os pais e sorriu, deu as costas e subiu para o quarto
A mãe estava chocada, o pai voltou a ver TV como se tivesse algo mais importante para fazer.
Só então Rafaela lembrou-se de seu celular, resolveu dar uma passada em casa enquanto lia as mensagens
Haviam diversas mensagens de Pedro, perguntando se ela estava bem, se havia acontecido algo
Rafaela havia evitando de responder todos que não fossem estritamente necessários e isso excluía totalmente Pedro
Entrou em casa e falou com a mãe e o pai por um breve momento, mostrou os cabelos e foi elogiada pela mãe que achou bonito.
Sentou-se um pouco na sala, comeu uma maçã e se levantou
— Já vai sair? — Marcel, o pai de Rafaela perguntou enquanto assistia o Jornal — Não vai ficar um minuto com seu pai?
Marcel estava sentado no sofá, Rafaela correu e sentou-se no colo dele, se aninhando com o abraço quente e forte. Fazia tempo que ela não sentava no colo do pai, mas sempre que repetia isso sentia segura, em paz, um sorriso automático brotava em seu rosto fazendo com que ela esquecesse os problemas do dia a dia.
Ficou cerca de vinte minutos com ele até o Jornal acabar
— Pronto, liberada — Marcel falou empurrando devagar a filha para fora do colo
— Vai me dispensar é? — Rafaela falou se encolhendo
— Vou, preciso tomar banho, vai namorar vai — Marcel falou se levantando
Rafaela sorriu, sabia que o pai a amava, procurava não pensar no incidente ocorrido a quase um ano, só ela e a mãe sabiam que não havia acontecido nada de verdade. Abraçou o pai laçando os braços no pescoço dele se recusando a sair do colo
— Ah — Marcel falou — Liga pro menino da oficina pelo amor de deus
— Ele falou algo pro senhor? — Rafaela perguntou franzindo a testa desfazendo o abraço
— Falou um monte de coisa, fala pra todo mundo de você, virou piada na oficinal entre os mecânicos, ele está completamente apaixonado Rafa, se não vai ficar com ele dá um basta logo, é melhor um fim triste do que uma tristeza sem fim.
“É melhor um fim triste do que uma tristeza sem fim”
Rafaela ficou pensando nessa frase
— Tá bom, eu vou falar com ele — Rafaela falou pensativa
— Transaram Rafa? — Rose perguntou puxando o marido pela mão para tirá-lo do sofá e debaixo de Rafaela
— Mãããeee!!! — Rafaela falou repreendendo a mãe enquanto levantava
— Pra ele estar apaixonado assim só pode ter dado pro rapaz, ou outra coisa, fala com ele logo, não deixa ele nutrir nada platônico, você sabe que isso da merda — Rose falou sério
— Eu sei — Rafaela falou rabugenta, sabia que a mãe tinha razão, corações partidos poderiam ser desastrosos, Rafaela sentiu sua orelha arrancada doer.
Rafaela subiu correndo e trocou de roupa, seguia o conselho de sua Tia, casada com seu Padrinho
“Não saia com a intenção de transar ou fazer algo, mas vá preparada”
Colocou uma lingerie preta e uma roupa comportada, calça jeans e uma blusinha branca quase transparente evidenciando seu sutiã meia taça branco, usou uma botinha de salto, queria parecer grande e intimidadora.
Saiu de casa, pensando que o cabelo era pesado e o balançar dele daria uma dor no pescoço, pegou o telefone e viu, haviam dezenas de chamadas não atendidas de Pedro. Tomou fôlego e ligou para ele, chamou poucas vezes
— Rafaela? — Pedro perguntou ao atender
— Oie, eu mesma, tudo bem? — Ela falou se esforçando para parecer animada
— Tentei falar com você e não consegui — Pedro falou — Tá tudo bem? — Ele parecia aflito
— É, eu estava com um problema, estava cuidando de uma amiga — Rafaela explicou-se
— Sim, seu pai falou — A voz de Pedro estava estranha, parecendo longe
— Você tá aonde? Tá estranha sua voz — Rafaela perguntou
— Ah, estou no carro, você está no Bluetooth — Pedro respondeu
— Entendi — Rafaela pensou por um segundo — Eu precisava falar com você
— Pode falar, estamos falando — Pedro disse sério
— Não, por telefone não, pessoalmente, é importante que seja pessoalmente esse papo. — Rafaela falou também séria
— Entendo, estou indo pegar meu irmão na escola, estou perto da sua casa, você está nela? — Ele perguntou
Rafaela olhou para a casa dos pais e concordou
— Estou sim, na frente pra ser mais exata
— Ótimo, eu passo aí, pego você, pegamos meu irmão, levamos em casa e depois conversamos, ou podemos falar no caminho — Pedro falou sensato
— Pode ser — Rafaela respondeu num tom monótono — Vem e a gente vê
— A gente pode jantar — Pedro completou
— Uma coisa de cada vez tá? — Rafaela falou, não queria dar mais esperança ou planos para o garoto — Chega aqui em quanto tempo? — Ela perguntou
— Uns dez minutos — A voz de Pedro parecia desanimada
— Tá bom, estou em frente da casa do meu pai
Combinaram de se encontrar, Rafaela foi até a padaria e tomou um café, sentia sua cabeça doer, enquanto voltava viu Pedro estacionando, gesticulou para ele, caminhava com dificuldade pois estava de salto.
Quando entrou no carro cumprimentou Pedro com um beijo, mas teve que desviar da boca dele e dar a bochecha, pois ele tentou dar-lhe um selinho, ele elogiou o cabelo
— Cada vez que eu te vejo o cabelo está diferente, sempre mais bonito! — Pedro observou, ela sorriu pelo elogio
Foram conversando sobre Amanda, Rafaela explicou o que houve, o que ela tinha e sobre o tratamento experimental, Pedro parou o carro cerca de vinte minutos depois
— Vamos esperar aqui? — Rafaela perguntou
— Não, tenho que ir buscar, eles não liberam se eu não estiver lá — Paulo falou — Vamos, é pertinho — Apontou para um lugar com vários desenhos bem feitos no muro
Caminharam até o lugar, haviam muitas pessoas no caminho
Se encostaram no portão do colégio, Rafaela trazia a bolsa a tiracolo.
— Vamos esperar aqui que ele já vem — Pedro falou
Segurou a mão de Rafaela, puxou os dedos finos dela, ela só observou, ele a olhou nos olhos
— Pedro… — Ela falou pesarosa tirando a mão das mãos dele com delicadeza
Ele sorriu sem jeito
— Imagino o que você quer dizer — Ele falou entristecido
— Imagina? — Rafaela perguntou — Você sabe a verdade
— Você namora né? Não entendi se é com o cara da academia ou com sua amiga doente — Pedro falou curioso
Ela respirou
— É complicado — Rafaela falou desanimada
— Talvez seja mais fácil a verdade Rafa, sem enrolar e sem inventar história, diga assim “Não quero, não gosto, você cheira à óleo de motor” que eu paro — Pedro falou num tom sério — Eu prefiro sempre a verdade, as vezes dói mais, mas ajuda a superar o fim
Rafaela sorriu, sabia que ela vitimismo dele, mas a comparação com o óleo foi engraçado
— Você não cheia a óleo, você usa Hugo Boss, que é bem diferente de cheiro de óleo — Rafaela falou dando um sorriso pesaroso, não queria parecer muito mais amiga de Pedro — E não existe fim se não tem começo e a gente é só amigo.
— Nossa, você descobriu pelo cheiro?
— Raaafaaaaaaa — Rafaela ouviu uma voz masculina desconhecida, era alta e vinha em sua direção
Virou-se e viu um homem grande e loiro correndo em direção a ela, parecendo descontrolado, com um rosto assustador
Ela não teve dúvidas, era Patrick
Rafaela arregalou os olhos e deu um berro em desespero levantando a bolsa e protegendo automaticamente sua orelha reconstruída.
Todos que estavam ali olharam para ela, Rafaela se encolheu num canto do muro e berrando desesperadamente
— Rafaela, Rafaela — Pedro se abaixou e a abraçou — Calma, ei, Calma! — O que foi?
Rafaela não ouvia a voz dele, só via os lábios se mexerem, parou de gritar, o coração dela batia rápido, estava em pânico, por um segundo deu por si, pegou o celular da bolsa, a mão trêmula e discou “190”
Pedro tomou o celular da mão dela ao ver o número
— Ei, o que houve? — Ele perguntou sem entender
Ela tomou o celular da mão dele, Pedro ficou observando, correu pela agenda e discou “DIU”. Pedro tomou o celular da mão dela de novo
Rafaela tremia e chorava em desespero protegendo a orelha esquerda com a mão, parecia irracional
— Rafaela, Rafaela — Pedro pegou o rosto dela com as duas mãos — Olha pra mim
Rafaela ouviu a voz dele e focou nos olhos dele
— Está tudo bem, não tem nada de errado, eu vou te proteger, eu juro! — Pedro falou — Respira devagar
Rafaela deu uma respirada funda tentando se acalmar, tentando retomar a sanidade, estava sentada no chão, Pedro ajoelhado e uma porção de pessoas olhando para ela
“O que houve?” “Ela está bem?” “Alguém mexeu nela?” “Chama a polícia” “Chama a ambulância” “É namorada dele” “Ela estuda aqui?”
Rafaela ouvia as pessoas falando, viu pernas largas paradas ao lado de Pedro, seguiu as pernas até em cima e viu o mesmo homem loiro, quando viu o rosto dele tomou um susto e se jogou para trás, mas não era quem ela imaginava, não era Patrick, era um homem grande, loiro, branco de cabelos desgrenhados e com olhar bobo e confuso.
Rafaela olhou para Pedro
— O que houve? — Perguntou tentando retomar o controle
— Acho que você se assustou — Pedro falou segurando as mãos dela
Uma mulher se aproximou e abriu uma lata de refrigerante
— Você é diabética moça? — Perguntou com a lata vermelha nas mãos
— Não — Rafaela respondeu
— Então bebe isso, você vai ficar mais calma — Entregou a lata para Rafaela que tomou um gole longo, sabia que o açúcar a faria diminuir o nervoso
— Deu certo, menos de dois minutos Rafaela parava de tremer, a multidão havia se dispersado
— Quem gritou? — Rafaela perguntou — Por que veio em cima de mim? — Rafaela olhou para o homem loiro ao lado dela
— Vááááávááááá — ele falou devagar
Ela franziu a testa
— O que? — Perguntou sem entender
— É o meu irmão, o Vavá, ele só fala Vavá — Pedro falou ajudando Rafaela a se levantar devagar
Ela olhou para ele, entendeu o que estava acontecendo
— Vavá? — O irmão de Pedro falou olhando para ela entristecido
Ela entendeu e fez que sim com a cabeça
— Tá bom, tudo bem, eu me assustei — Olhou para Pedro — Achei que ele tivesse falado Rafa
— Não, ele só fala Vavá, mas ele gritou e foi parecido mesmo — Pedro explicou — Por que o pânico?
O Telefone de Rafaela vibrou, Pedro olhou na tela “DIU Chamando” entregou o celular para ela.
Ela pegou o telefone e atendeu
— Oi — A voz dela estava afetada
— O que foi? Não vi sua ligação, ta tudo bem? — A voz do padrinho do outro lado da linha
— Desculpe Diu, eu liguei sem querer, eu to bem sim, você tá bem? — Ela perguntou tentando fazer ele entender que estava tudo bem
— Tudo bem sim, toma cuidado tá, onde você tá? — Ele perguntou cuidadoso
— To com um amigo do meu pai, vim buscar o irmão dele na escola, já já vou pra casa, a tia ta bem — Rafaela perguntou
— Ela ta bem — Ele respondeu simplório — Bem, eu preciso voltar pra aula tá, se tiver tudo bem mesmo eu vou desligar
— Tá bem sim, obrigada e desculpa — Rafaela respondeu
— Tá bom estrelinha, um beijo — Ele disse carinhoso
— Beijinho — Ela falou e desligou
Olhou para Pedro, ainda parecia abalada
— Podemos ir embora? — Rafaela perguntou
— Claro — Pedro disse segurando-a pela mão — Vem Vavá, o carro ta ali
O homem os seguiu andando pela guia como se fosse uma criança, se equilibrando no meio fio, quando chegaram próximo do carro Pedro jogou a chave para o irmão
— Esquenta ele lá — Vavá pegou a chave no ar e saiu em disparada ao veículo
— O que aconteceu com ele? — Rafaela perguntou curiosa enquanto Pedro lhe dava outro gole da lata de refrigerante
— Ele era normal até uns doze anos, aí foi atropelado, ficou um tempo dormindo e meio que voltou assim — Pedro explicou como se fosse algo trivial
— Isso faz tempo? — Rafaela perguntou horrorizada
— Uns trinta anos já — Pedro falou observando o irmão abrir o carro
— Ele é bem mais velho que você… — Rafaela constatou
— Sim, quando ele teve o acidente eu não era nem nascido, ele foi a herança dos meus pais pra mim — Sorriu como se tivesse aceitado seu destino
Rafaela sentiu um nó na garganta
— Merda — Falou baixinho
— O que? — Pedro perguntou
— Nada, to meio confusa ainda — Rafaela mentiu
Agora que ela sabia que Pedro não era só um cara fútil que queria comer ela, que tinha responsabilidades, que tinha um peso muito grande nas costas e que tinha amadurecido de maneira forçada ela sentia-se culpada de partir o coração dele.
Se aproximaram do carro e Vavá foi para o banco de trás, pegou uns carrinhos de brinquedo e ficou brincando no banco enquanto voltavam
— Quer que eu te deixe em casa antes? — Pedro falou — Acho que miou nossa conversa, né?
— Não, não — Rafaela respondeu — Leva ele e a gente troca uma ideia
No caminho Rafaela foi perguntando mais sobre a vida de Pedro, quanto mais ela sabia mais ela se arrependia de saber, os pais morreram quando ele tinha dezesseis anos. Ele não terminou a escola pois teve que trabalhar para sustentar o irmão, os remédios e um lugar para cuidar dele.
— Eu achava que o homem da oficina era seu pai — Rafaela perguntou
— Ele faz o papel, é meu tio, irmão da minha mãe, ele ajuda bastante, eu sou grato, mas a responsabilidade não é dele, é minha, ele nem gostava do meu pai
Rafaela achou a história terrível, mas não comentou.
Pararam o carro
— Vavá — Pedro chamou, o irmão parou de brincar no banco de trás do carro e prestou atenção — Eu vou conversar com a tia aqui, você sobe e vai tomar banho, da beijo na mãe ta bom?
A resposta foi esperada
— Vavá — Mas com um aceno positivo da Cabeça
— Tchau Vavá — Rafaela falou — Desculpa o susto
— Tchau — Vavá respondeu
E ela franziu a testa olhou para Pedro, ele riu enquanto o irmão saia do carro
— Caralho, essa foi foda! — Ele falou animado — Você é tão linda que fez ele mudar de palavra! — Ele falou animado enquanto observava o irmão subir as escadas
Ligou o carro e andou pela rua
— Bem, vou te levar pra sua casa, você não precisa perder tempo, pode dar a machadada logo, depois dessa eu mereço — Pedro falou com um sorriso triste
— Merece o que? — Rafaela perguntou tentando parecer surpresa — A gente não ia comer? — Ela perguntou — Tô com um pouco de dor de cabeça
Pedro riu, foram até uma pizzaria, próxima a casa de Rafaela, compraram uma pizza, mas não a comeram inteira, conversaram e se divertiram com histórias dele e dela.
Voltaram para o carro e Pedro ligou-o sem esperar, Rafaela achou que ele tentaria algo, sentiu-se decepcionada em partes, mesmo querendo acabar a situação
Parou o carro em frente a casa dela
— Pronto, está entregue — Pedro parou o carro e desligou o motor — Pode ir, você é livre
— Obrigada por devolver o brinco — Rafaela falou pensativa
— Sim, aquele lance de garantia não era verdade, eu não sou um mal caráter, só pareço ser, deve ser minha aparência de sujo — Ele riu
— Para, você não parece sujo e não cheia a óleo, você é bonito, cheiroso — Ela falou olhando-o nos olhos
Era inevitável, os olhares foram trocados, aquele choque elétrico que dura 1 décimo de segundo estabeleceu a ligação, Rafaela sabia que tudo tinha dado errado, ele se moveu na direção dela alguns milímetros, a mão dele tocou a perna dela e os lábios se grudaram
Em segundos as línguas se tocavam de forma selvagem com ele acariciando o rosto dela, Rafaela empurrou devagar
— Preciso ir tá? — Falou sorridente — Boa noite
Ele sorriu
— Te ligo tá? — Pedro falou animado — Vou dar um tempo pra você trocar de cabelo de novo, estou curioso como vai ser o próximo — Ele falou bem humorado
— Boa noite! — Ela sorriu e saiu do carro.
Parou na calçada e olhou para ele, Pedro mandou um beijo, ela viu o carro sair, pegou a bolsa e colocou na frente do rosto
— Cara, eu sou a mulher mais idiota do mundo! — falou para si mesma
— Quem é idiota?— Ouviu uma voz doce atrás dela era Natali.
Rafaela correu e a abraçou
— Eu sou idiota Nati — Rafaela falou ao abraçar a irmã
— Isso eu sei — Natali respondeu bem humorada — Que cabelo é esse? — Natali perguntou curiosa.


