Diário de Rafaela 2 — Capítulo 40— Facetime

Diário de Rafaela 2 — Capítulo 40— Facetime

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Rafaela tocou a campainha da casa de Amanda e esperou, a mãe de Amanda apareceu na porta, o rosto não era muito amigável

— Pois não? — Recentemente Ana, a mãe de Amanda havia se tornado um pouco hostil à Rafaela

— Bom dia Dona Ana, a Amanda está? — Rafaela perguntou sorridente

Ana a mediu debaixo em cima, o cabelo longo artificial como o da filha, um shortinho Jeans muito mais curto do que ela achava necessário e uma camiseta preta justa valorizando os grandes seios da garota.

— Ela está indisposta — Ana respondeu carrancuda — Escuta menina, faltou pano onde você foi comprar roupa?

Rafaela olhou para baixo, para seu corpo, entendendo o que Ana queria dizer, media as palavras, não queria causar um atrito e problemas para a Amanda

— Vou acompanhar a Manda hoje no exame experimental — Rafaela ignorou o comentário — Combinei com ela

— É, ela me disse — Ana respondeu ainda carrancuda — Coloca uma roupa decente Rafaela — Ana tentou fechar a porta mas Rafaela colocou o pé nela e a empurrou entrando na sala da casa

— Eu espero ela aqui, se a senhora não se importa — Sentou-se no sofá cruzando as pernas e pegando o telefone

Ana olhou para ela desafiadora e sumiu da vista, Rafaela fingiu que não percebeu, minutos depois Amanda apareceu

— Oi amor — A voz dela parecia cansada — Você já veio! — Aproximou-se e deu um abraço na namorada

— Você tá bem coração? — Rafaela perguntou dando um beijinho no pescoço dela — Tá quentinha!

— Acabei de tomar banho — Amanda respondeu

— Cheirosa, gostei — Rafaela mordeu a orelha da namorada fazendo-a se retrair e rir

— Quero falar com vocês duas — Ana falou chamando a atenção e fazendo elas soltarem o abraço, Rafaela segurou a mão de Amanda discretamente

— Pode falar mãe — Amanda colou seu corpo ao de Rafaela para esconder as mãos dadas

— Vocês podem me explicar o que diabos está acontecendo aqui? — Ana perguntou visivelmente nervosa

— Com o que? — Rafaela perguntou simplória

— Com isso — Ana apontou o dedo e empurrou amanda segurando a mão das duas e puxando para si, revelando que estavam de mãos dadas — To vendo isso faz um tempo já

Elas soltaram as mãos

As duas se olharam de mãos dadas, Amanda desviou o olhar da mãe, Rafaela não queria tomar a frente, esperava que Amanda falasse algo

— Manda? — Rafaela chamou, mas Amanda se calou, ela então respirou fundo — É isso mesmo que a senhora está pensando

— Vocês são amigas? — Ana perguntou tendenciosa

— Muito amigas — Rafaela respondeu

— Não seja petulante comigo menina! — Passou a mão na testa demonstrando que era um limite — Estou por aqui com você — Fez um sinal passando o dedo na testa mostrando que aquele era o nível do limite

— Inimigas nós não somos! — Rafaela respondeu petulante — Ficamos um tempo brigadas, mas nos acertamos e hoje estamos mais unidas do que nunca, Amanda e eu somos melhores amigas.

— Amigas? — Ana cruzou os braços — Vocês são só amigas dona Amanda? — Perguntou se dirigindo a filha

Rafaela segurou a mão dela de novo, Amanda apertou e entrelaçou os dedos, parecia sentir medo.

Amanda ficou quieta desviando o olhar enquanto segurava a mão de Rafaela, como Amanda não respondeu a mãe continuou

— E o que o Guilherme? — Olhou para Rafaela e aumentou o tom de voz — O namorado dela — Frisou a palavra “Dela” — O que ele acha disso?

— O que ele tem que achar? — Amanda perguntou evasiva

— Me diz você, ele sabe que você é amiga da ex namorada dele? — Ana perguntou

— Dona Ana — Rafaela olhou no relógio do celular — Estamos ficando sem tempo, tá quase na hora da gente ir, meu pai vai me emprestar o carro então vou ser direta com a senhora

— Amor não — Amanda falou quase em súplica, sem pensar muito

— Amor? — Ana perguntou

— Dona Ana, sua filha e eu — Rafaela tomou ar, era mais difícil do que ela imaginava, não havia planejado isso

— Rafa, não, ainda não, por favor! — Amanda falou segurando a mão de Rafaela e apertando

Rafaela olhou para ela e depois para a mãe de Amanda

— Sua filha e eu somos melhores amigas do mundo todo, o Guilherme sabe o que está acontecendo, eu pedi desculpas para ele e para a sua filha e eles aceitaram

Ana ficou olhando para Rafaela desafiadora

— Amanda, vai pegar sua blusa, está frio — Ana falou ordenando que Amanda saísse dali, ela obedeceu, assim que saiu da sala Ana se aproximou de Rafaela — Escuta aqui, eu conheço bem a sua laia garota, tô de olho em você faz muito tempo

— Do que a senhora está falando? — Rafaela perguntou fingindo-se de desentendida

— Você não vai levar minha filha pro pecado, tá entendendo? — Ana perguntou agressiva

— Eu não estou fazendo nada dona Ana — Rafaela se defendeu dando um passo para trás conforme Ana avançava

— Mentira! — Ana falou num tom de voz alto — Você não vai fazer com minha filha como você faz, essa sua vida de Sodoma e Gomorra igual da sua mãe

— O que tem a minha mãe? — Rafaela perguntou parando de recuar — Não coloca ela nessa conversa!

— A Amanda é inocente, ela não é sapatona, ela não namora um monte de homem nem mulher, ela é uma menina de Deus, ela vai voltar a ir pra igreja junto comigo, ela parou de ir desde que você voltou por que você é uma atribulada! — Ana falou colocando o dedo na ponta do Nariz de Rafaela

Rafaela bateu na mão dela

— Para de loucura, sua filha não é uma criança, ela já sabe o que quer da vida! — Rafaela falou petulante

— Você se afasta da minha menina! — Ana falou raivosa

— Ela sabe o que quer, a senhora… — Rafaela ia falar, mas foi interrompida

— Pronto! — Amanda apareceu na sala, vestia uma calça Jeans comportada, uma camiseta folgada e uma jaqueta também Jeans — Vamos Rafa

— Eu vou com vocês — Ana respondeu ainda raivosa

— Ah, não dá — Rafaela falou — O Carro do meu pai está sem os bancos de trás, estão lavando

— Vou no da frente com a Amanda — Ana respondeu ainda insistente

— Não dá dona Ana, eu vou tomar multa, é caro demais e minha carteira ainda é a inicial, se eu tomar eu perco, não posso ter esse risco

Ana a olhou com fúria, se aproximou e pegou na mão de Rafaela

— Você para de arrastar minha menina para o mal caminho — Ana falou furiosa, apontou para Amanda — Você vai lá e volta, sem parar em lugar nenhum!

Ambas se olharam sérias, Amanda concordou, Rafaela deu as costas e saiu da casa esperando Amanda na parte de fora.

Quando Amanda saiu viu Rafaela de costas

— Vamos amor — Amanda falou baixinho, mas Rafaela não respondeu — Amor?

Quando olhou os olhos da namorada estavam vermelhos e as bochechas molhadas de lágrimas

— Obrigada por ter lutado por mim, muito amor o seu — Rafaela falou magoada

— Eu não podia bater de frente com ela amor, por favor — Amanda explicou

— Esse lance nosso é secreto é? — Rafaela limpava as lágrimas tentando não borrar a maquiagem — Devia ter me falado que eu tava forçando a barra com você

— Você não tá forçando a barra amor, por favor, me entenda, minha mãe é complicada — Amanda se explicou

— Porra Manda, nem um apoio, eu fiquei sozinha, ela me ameaçou! — Rafaela falou — Caralho!

Amanda abraçou Rafaela, mas Rafaela  empurrou devagar

— Sai, eu não quero arrumar mais problema pra você, se sua mãe ver você vai ficar mal com ela, por que é isso que importa né, ficar bem com ela e pau no meu cu

— Rafa, não é assim — Amanda falou entristecida

— Tá bom Amanda, vamos — Rafaela falou e saiu andando limpando as lágrimas, Amanda a seguiu até o carro

Quando entraram Amanda viu que os bancos estavam normais atrás, colocou o cinto

— Desculpa amor — Amanda falou amorosa colocando a mão na coxa de Rafaela

— Não fala comigo, por favor — Rafaela respondeu chorando — Me deixa

Ligou o carro e saiu pelo caminho, colocando uma música aleatória no rádio. Amanda ficou quieta, chegaram ao hospital, Rafaela parecia normal, amorosa, deu entrada no atendimento, conversou normalmente, fizemos os procedimentos, Amanda teve que tomar uma injeção muito Dolorosa, Rafaela a abraçou e apertou-a contra o próprio peito enquanto ela gemia de dor.

No caminho de volta, Amanda não parecia bem, estava sonolenta, a Dra avisou que ela ficaria assim pelo menos mais um dia, Rafaela parou na frente da casa de Amanda, queria que ela descesse, mas não estava em condição

— Espera aí — Rafaela deu a volta e abriu a porta, pegou Amanda pela mão e a ajudou a ir até a casa, a mãe de Amanda abriu a porta

— Pode deixar que eu levo ela — Ana falou empurrando discretamente Rafaela, mas Rafaela resistiu

— Não, eu vou deixar ela la cama dela — Falou ignorando Ana e entrando na casa ajudando a namorada

Foram até o quarto escoltadas pela mãe, Rafaela colocou Amanda na cama, ela estava de olhos fechados com a expressão alternando entre dor e sonolência.

— Pronto, tá na sua cama, agora dorme — Rafaela falou num tom sem sentimento

Amanda agarrou a camiseta de Rafaela

— Não vai — Falou com a voz dengosa — Não fica brava comigo!

Ana olhava ao lado

— Tudo bem, depois a gente conversa, tá tudo bem — Rafaela falou soltando a mão de Amanda com delicadeza

— Eu te amo !— Amanda disse puxando Rafaela para um abraço — Rafaela a abraçou e a apertou, olhando para Ana que fez uma cara de poucos amigos

— Eu também te amo meu anjo — Rafaela beijou o pescoço dela — Vamos tirar essa roupinha

Tirou o tênis de Amanda e desabotoou a calça, Ana se aproximou com um pijama, Rafaela tirou a calça de Amanda e vestiu o pijama, em seguida a camiseta e o sutiã colocando a parte de cima de algodão.

Amanda adormeceu

Rafaela beijou Amanda nos lábios, um leve selinho e saiu do quarto escoltada por Ana.

— O que você fez com ela — Ana perguntou quando saiu

— Eu levei ela para um tratamento experimental contra o câncer dela, e a senhora fez o quê? Rezou pra ela melhorar? — Rafaela respondeu irritada

— Jesus tem mais poder do que um milhão de médicos unidos — Ana falou endurecendo a postura

Rafaela desviou o olhar e respirou fundo tentando sair dali, mas Ana pegou no braço dela

— Não dá as costas pra mim mocinha! — Ana falou irritada

Rafaela se virou

— Vamos para a sala, eu não quero acordar ela — Soltou a mão de Ana e saiu andando até a sala.

Esperou de braços cruzados enquanto Ana vinha.

— O que você fez com a minha filha? — Ana perguntou se aproximando

— Dei amor pra ela — Rafaela respondeu

— Amor? Amizade você quer dizer

— Amor, e amo sua filha e você ouviu ela me ama também

— Ela te ama como amiga

— Como mulher, sua filha e eu somos mulheres, adultas e temos um relacionamento

— Minha Amanda não é sapatona — Ana respondeu enérgica

— Não importa o nome que a senhora dá pra isso — Rafaela respondeu em tom de indiferença

— Ela namora com o Guilherme, e você está com ciumes por que ele é seu ex namorado

— Ele não é meu ex namorado — Rafaela respondeu esperando as próximas perguntas

Ana entortou a cabeça

— Não? — Perguntou confusa

— Não, ele é meu namorado, assim como sua filha é namorada dele e minha

Ana parecia mais confusa, Rafaela continuou

— Nós três estamos juntos como um casal de tres, acho melhor a senhora saber logo

— Que tipo de aberração é essa? — Ana disse — Você tá brincando comigo né? — Foi até o telefone e pegou — Vamos ver se ele sabe disso

Rafaela se aproximou e bateu o dedo no gancho do telefone

— Deixa eu ir, aí a senhora faz o que quiser

— Escuta aqui sua Atribulada — Ana pegou Rafaela pela mão — Eu não vou deixar você arrastar minha filha para o inferno junto com você

— A senhora prefere o seu inferno do que o meu? — Rafaela perguntou soltando a mão dela — A Igreja é um inferno pra ela, ela não te disse?

— É você que está enfiando isso na cabeça dela! — Ana falou revoltada

Rafaela fez que não com a cabeça

— Tchau — Falou dando as costas e girando a maçaneta

— Quando ela acordar eu vou ter uma conversinha com ela — Ana falou decidida

Rafaela se conteve, apertou a maçaneta com tanta força que seu braço doeu, virou-se devagar, seu corpo tremendo.

— A senhora não vai encostar um dedo nela, certo? — Rafaela perguntou aflita

— Vou lembrar ela que ela é mulher, doente ou não é meu papel como mãe colocar ela no caminho da salvação

Rafaela se aproximou, era muito mais alta que Ana, intimidou-a

— Se a senhora encostar um dedo nela… — Falou em tom ameaçador

— O que você vai fazer satanás? — Ana desafiou

— Eu vou encostar o mesmo dedo na senhora também — Rafaela falou com ódio no olhar — Eu vou sair agora, volto no fim do dia e vou falar com ela quer a senhora queira ou não, sua filha já pode decidir por ela, ela pode ter pouco tempo para ficar perdendo com essas besteiras

— Besteiras? Você acha que Deus é besteira? sua besta do Inferno! Tá repreendida em nome de Jesus — Ana falou em fúria — Você se veste de puta por que está com o demônio no corpo

Rafaela deu as costas e fechou a porta.

Saiu andando e entrou no carro, foi até em casa e o guardou na garagem, não sabia o que pensar, estava triste, queria chorar, mas estava enfurecida demais para isso.

Passou alguns minutos olhando para o volante do carro, estática, pensativa, teve então um ataque de fúria e começou a bater no volante do carro e a gritar de ódio

— Aquela puta crente do caralho! — Gritava com os vidros fechados — Vadia alienada, vagabunda!

Encostou a cabeça no volante e chorou, levou mais de meia hora para se recompor, saiu do carro e se viu no reflexo do vidro, estava bonita, o short realmente parecia bem curto.

Atravessou a rua e foi em direção à academia, passou pela catraca com um sorriso amarelo para a atendente que já a conhecia, foi até a sala de Administrativo, Guilherme estava no computador

— Oi amor — Ele falou ao vê-la

Rafaela se aproximou sem falar nada, deu a volta na escrivaninha e virou-se de costas para ele empurrando-o com o bumbum, ele se afastou e ela sentou no colo dele, Rafaela abraçou o namoardo apertando-o

— Eita, o que foi? — Ele perguntou preocupado — Rafa, você tá tremendo, o que foi? A Amanda tá bem?

Ela fez que sim com a cabeça

— Me fala, o que aconteceu — Guilherme insistiu

Mas ela ficou apenas abraçada com ele, nervosa, chorando baixinho por cerca de cinco minutos, ela ela tomou ar, e se afastou, ainda sentada no colo dele

Guilherme tirou o cabelo do rosto dela

— O que aconteceu? — Ele perguntou

— A mãe dela é uma vaca, ela me chamou de prostituta e de sapatona — Rafaela falou ofendida

— Por que isso? — Guilherme perguntou curioso

— Ela tava me olhando estranho já, aí hoje resolveu me pegar, e eu não abaixei a cabeça pra ninguém, agora to com medo dela querer proibir a Amanda

— Entendi, então ela sabe de você duas? — Guilherme perguntou

— Acho que sim, não sei o quanto de consciência ela tem, mas ela sabe sim, disse que eu sou Atribulada e levei a Amanda pro mal caminho — Rafaela disse e pensou um pouco — Eu sou uma má pessoa Gui? — Perguntou com a auto estima abalada — Eu faço de tudo pra ajudar ela, consegui até esse lance experimental

— Claro que você não é uma má pessoa meu bem, a mãe dela é complicada mesmo — Guilherme respondeu

— Ela me conhece desde pequena meu, por que isso agora? Que idiota — Rafaela falou entristecida abaixando a cabeça — Poxa, por que ela não pode ser de boa, a Manda ta com problema

Guilherme afagava as costas de Rafaela e a coxa dela

— Eu vou conversar com ela, mas acho que ela não vai entender, o melhor é desviar desse tipo

— Ela falou que eu sou Atribulada — Rafaela falou confusa

— E o que é Atribulada? — Guilherme perguntou

— Eu sei lá, mas é algo ruim — Rafaela respondeu ainda confusa

Guilherme riu a dedução dela, Rafaela também riu, mas continuou:

— E a Manda nem me defendeu sabe, ela ficou desviando, sendo evasiva e eu lá cheia de amor pra dar — Rafaela falou magoada

— Mas Rafa, nem tudo a gente tem que bater de frente, a Manda sabe que bater de frente com a mãe é improdutivo, por que a mãe dela é cabeça dura, não vai aceitar a filha com relacionamento com outra mulher, por que aquela igreja dela é rígida

— Igreja, que merda, tomar nu cu esse lixo — Rafaela respondeu cruzando os braços — Queria que ela morresse, essa puta crente!

— Queria mesmo Rafa? — Guilherme perguntou

Rafaela passou a mão no rosto

— Você sabe que não! — Se levantou do colo do namorado e se aproximou da parede olhando para o quadro colorido que estava pendurado, pensou um pouco e viu seu reflexo no vidro — Você me acha bonita Gui?

Ele estranhou a pergunta, ela era uma das mulheres mais bonitas que ele conhecia

— Rafa, claro que você é bonita, é a mais linda de todas, você sabe disso

— Acha que eu me visto como uma puta? — Rafaela se virou para ele

Guilherme olhou o shortinho justo, bem curto e a camiseta justa com os bicos dos seios marcados mesmo com sutiã e demorou para responder

— Acha né — Ela mesmo concluiu — Obrigada — Virou-se carrancuda

Ele acariciou a cabeça dela

— Amor, não, não te acho puta, você é maravilhosa — Ele a abraçou sentindo o calor do corpo dela

— Acha sim, você me mediu e não respondeu — Rafaela falou magoada

— Sua roupa está curta, ela é evangélica, ela não concorda com isso, por mim está tudo bem você se vestir como quer, só fico preocupado

— Preocupado com o que? — Ela girou e ficou de frente para ele sendo abraçada

— Com as pessoas na rua, mexerem com você, pegarem em você, isso me preocupa bastante, por que você é distraída — Guilherme falou — E não pensa que estão de cobiçando

Ela desviou o olhar

— Eu não sou distraída, eu só to com muita coisa na cabeça

— Eu sei que você pode pensar em muitas coisas ao mesmo tempo, mais do que todo mundo

— Sabe? Por que? — Ela falou sem entender

— Eu vi o resultado do seu teste anos atrás, eu sei que você mentiu

— Que teste? — Rafaela perguntou sem lembrar do que ele falava

📚📕📖 Três Anos antes 📗📘📙

— É Hoje Rafa, vão mostrar os resultados dos testes — Amanda falou animada enquanto aguardavam a professora entrar na sala de aula.

— Ah Manda, esse teste bobo de QI, que troço mais chato — Rafaela falou olhando-se no espelhinho que trazia consigo

— É chato, mas é legal pra gente saber se é inteligente de verdade

Guilherme chegou e cumprimentou as duas, Amanda se derreteu, ele sentou-se atrás de Rafaela, ao lado de Amanda.

A aula correu normalmente e antes do intervalo uma moça, a mesma que havia aplicado o teste semanas atrás, voltou com papéis nas mãos.

Ela iria apresentar o resultado e tinha vários envelopes na mão

— Quero avisar que a resposta não diz que você é mais inteligente que os outros, só diz que você tem capacidade de compreensão, raciocínio e… — Fez uma explicação de vários minutos que entediou toda a sala, exceto Rafaela que prestava atenção e entendia aquilo com clareza. — Quero parabenizar também a Turma pois vocês tem a maior pontuação média da escola

Os alunos comemoraram e ela distribuiu os envelopes

— Lembrando a todos que esse é o teste de David Wechsler que é aplicada normalmente à adultos, então o resultados para vocês pode parecer um pouco abaixo do normal, mas é normal

Quando terminou de distribuir os envelopes disse explicando

— Não abram os envelopes agora — Disse já ouvindo o barulho de papel se rasgando — A resposta é particular

— Professora — Uma garota levantou a mão chamando a atenção da mulher, ela não era uma professora

— Pois não — Respondeu solicita

— Qual é o número normal do QI? — Perguntou curiosa

— É esperado que a maioria de vocês fique entre 90 e 109 pontos, que é o QI normal, visto que vocês são novos — Explicou — De 110 até 119 é um pouco acima da média e acima de 120 — Ela pensou — Só há um caso nessa escola — Acima disso você é uma pessoa realmente inteligente.

Os alunos fizeram mais algumas perguntas e ela respondeu todas, foram então para o intervalo, Amanda estava eufórica, queria abrir seu envelope e assim o fez

— Vamos abrir Rafa, quero ver — Amanda falou

— A moça falou para não abrir — Rafaela recomendou

— To ansiosa — Pegou o envelope e rasgou haviam algumas folhas dentro dobradas — Eu tenho 98, olha tá escrito aqui que eu to na média! — Amanda falou, pelo menos não sou burra né — Pegou o envelope de Rafaela e o rasgou — O Seu deve ter 10 mil né? Por que você é super inteligente!

Rafaela pegou de volta

— Me dá! — fechou a cara — Que chatice

— Vai Rafa, lê! — Amanda suplicou

Rafaela revirou os olhos e terminou de abrir o envelope, tirou o papel de dentro e leu para ela, 102 — Falou enquanto lia a carta

— Olá — Guilherme apareceu atrás de Rafaela a assustando fazendo ela guardar o papel

— Que susto! — Ela falou realmente assustada

— Quanto deu aí? — Guilherme perguntou curioso

— O meu deu 98 e o da rafa deu 102, ela é inteligentona! — Amanda falou sorridente — O seu deu quanto

— Deu igual o seu, 98! — Guilherme falou sorridente — A Maioria deu isso…97, 98 e 99, a Rafa é a mais alta até agora

— Falei mano, ela é foda! — Amanda falou sorridente e abraçando a Rafa — Bonita e inteligente hein!

Rafaela sorriu

📚📕📖 Dias Atuais 📗📘📙

— O teste de QI Rafa — Guilherme continuou

— O que tem? — Ela falou pensativa

— Quanto deu no seu?

— Deu 102, eu disse no dia — Rafaela falou

— Não deu Rafa — Guilherme falou — Por que mentir

— O que importa? — Ela perguntou irritada

— A gente prometeu que não ia ter mentira entre a gente

— Ah Gui, sério, isso faz muito tempo, tem que fazer isso de novo, sei lá, testar de novo pra ver se ta igual

— Quanto deu o seu? — Guilherme perguntou — Eu refiz o meu, deu 108, ainda estou dentro da média e eu duvido que é maior que o seu

— Ah, eu vou embora — Rafaela falou irritada — Preciso ver a branquela — Falou desanimada

— O que é isso? — Guilherme viu o celular dela

— Ah, meu iPhone, o Dio que me deu — Rafaela respondeu mostrando pra ele

— Caralho, um iPhone, ele quer te comer hein — Falou brincando

Rafaela ficou séria

— Por que você falou isso? — Perguntou desconfiada — Ele te falou algo?

Guilherme riu

— Não né, claro que não, por que é caro, quando um homem dá um presente caro para uma mulher é por que ele quer comer ela, mas eu to brincando

— Ele é meu padrinho — Rafaela respondeu

— Eu sei Rafa, eu to brincando

— Ele não quer me comer!

— Eu sei Rafa, eu disse que to brincando!

— Ele não me vê como mulher, ele me vê como uma criança!

— Acho que não, mas ele te respeita sim

— Acha que não o que? Acha que ele me vê como mulher? — Rafaela perguntou assustada

— Claro que vê amor, ele é homem, você é maravilhosa, uma mulher incrível, todos os homens veem você como uma mulher, mas te respeitam

— Até meu pai? — Ela perguntou pensativa — Meu irmão?

— Eles sabem que você é gostosa, mas tem outros sentimentos por você, eles te amam por que você é sangue deles, é a menininha deles, nesse caso acho que seu pai e seu irmão te veem como criança mesmo.

— Só por que somos sangue? É isso? — Rafaela perguntou pensativa

— Vê aquela sua irmã avulsa — Guilherme completou

— O que tem ela? — Rafaela perguntou com claro ciúmes

— Ela é parecida com você e eles devem ter tesão nela — Guilherme falou

Rafaela sacudiu a cabeça

— Tá — Rafaela sacudiu a cabeça de forma negativa — isso é demais pra mim, pode parar

— Tudo bem — Guilherme respondeu

Ela se soltou dos braços dele e andou pela sala

— Acha que eu devo usar roupas menos curtas? — Perguntou preocupada

— Acho que quando está comigo, na sua casa ou por perto, e que quando não tem perigo de mexerem com você, você pode usar o que quiser, mas quando estiver sozinha ou ir pra longe, melhor colocar algo menos chamativo.

— Que merda — Ela constatou dando razão para Guiherme

Pegou o telefone e discou, deu para Guilherme

— Tó, pergunta pra vaca crente se a Amanda tá bem

Guilherme pegou o telefone e ouviu a voz de Ana do outro lado, conversou com ela, Amanda não havia acordado ainda, estava em sono profundo, Ana disse que Guiherme tinha que afastar Rafaela de Amanda por que era uma má influência, Guilherme não repassou essa informação para Rafaela, apenas desconversou dando uma explicação genérica à namorada.

— Eu tenho umas senhoras agora, para Personal — Guilherme falou — Quer vir com a gente?

— Não, aquelas tias ficam me olhando feio, deixa elas acharem que tem chance com você — Rafaela falou carrancuda

— Quem falou que não tem? — Ele respondeu abraçando Rafaela

Ela o empurrou

— Tem chance com você Guilherme é isso? Qualquer puta velha tem chance com você? — Rafaela perguntou séria

— Claro que não amor, to brincando — Ele riu

— Eu corto teu saco fora, você sabe né? — Rafaela ameaçou — Aquele lance com seu professor lá não me desceu direito não, tô matutando aqui ainda — bateu na própria têmpora com o dedo — Tô pensando o que eu faço com você

— Que tal fazer amor? — Guilherme a abraçou beijando o pescoço dela, como sabia que ela gostava

— Sai, tro brava com você — Ela falou já com a voz mais dengosa sem resistir o abraço

A mão de Guilherme deslizou por debaixo da camiseta dela e tocou os seios de Rafaela

— Gui, não! — Ela falou olhando em volta — Alguém vai ver!

Ele esticou a mão girou a chave na porta, empurrou Rafaela para trás até alcançar a persiana fechando-a

— E agora? — Ele falou animado beijando a boca de Rafaela

— Você está atrasado! — Rafaela falou

— Tenho seis minutos! — Guilherme disse

Rafaela desceu a mão e pegou no pau do namorado pelo short, estava duro já

— Mas já? — Ela perguntou dengosa

— Pra você — Ele falou animado e pegou ela pelos cabelos, com delicadeza, olhando-a nos olhos — Você é minha moreninha né?

— Sou  — Rafaela respondeu

Guilherme deslizou as mãos pelo corpo dela e mostrou os seios, abocanhando-os imediatamente, Rafaela fechou os olhos se deliciando, as chupadas eram fortes e gostosas, resolveu agir

— Nosso tempo tá acabando — Rafaela falou e se ajoelhou — Vou mamar, dá aqui — Ela falou decidida enquanto Guilherme abaixava o short

O pau dele saltou na frente do rosto dela, Rafaela pegou e beijou, tinha cheiro de suado com um pouco de Urina, ela não ligava, sabia que ele não havia tomado banho, puxou a cabeça para trás e viu o pau molhado, abocanhou e sentiu o gosto salgado enquanto acariciava com a língua.

— Chupa devagar — Guilherme falou enquanto ela fazia um boquete gostoso

— Não, você vai gozar rapidinho para não ficar com o pau duro na frente daquelas velhas

Ele riu

Rafaela o empurrou fazendo-o se sentar no sofá e tirou a camiseta ficando apenas de shortinho jeans, passou a chupar e a produzir bastante saliva, deixando vários fios de baba entre sua boca e o pau de Guilherme, chupava de forma babada e barulhenta olhando-o nos olhos com um sorriso.

Até que ele não aguentou

— Aaai Amor! — Guilherme clamou

Ela colocou o pau na boca e sentiu o primeiro jato nos lábios, tirou o pau e levou um no queixo e direcionou para seus peitos onde ele gozou mais algumas vezes fazendo-a ficar toda melada de porra, ambos ofegantes

— Foi bom amor? — Rafaela perguntou — Fiz direitinho?

— Fez sim meu amor — Guilherme acariciou a cabeça dela — Foi perfeita como sempre

Rafaela se levantou e pegou sua camiseta, foi ao banheiro, lá havia papel, ela se limpou e se vestiu, quando saiu a persiana estava aberta e a porta tamém, o ventilador estava ligado para tentar disfarçar o cheiro de sexo.

Guilherme estava esperando ela

— Tchau amor, vou trabalhar — Pediu um beijo, Rafaela deu um selinho — Não se estressa com esse negócio da Manda tá, eu vou com você a noite ver ela

— Ta bom, obrigada — Rafaela respondeu deixando seu tesão abaixar, Guilherme acariciou o bumbum dela enquanto a beijava.

Deixou a academia e foi para casa, conversou com a mãe, comeu algo rápido e foi ao seu quarto, tomou um banho e vestiu o roupão felpudo depois de se secar

Mandou uma mensagem para o seu Padrinho Matheus

“Oi, tá por aí?”

Menos de um minuto depois ele respondeu

“Estou sim, tudo bem aí?”

Ela sorriu ao ver a mensagem dele

“Aqui sim, e aí, o que está fazendo?”

Rafaela estava entristecida, a resposta do Padrinho veio rápida

“Ia fazer um lanche, tô de folga hoje a tarde, sua tia também, mas teve uma emergência e ela foi atender”

O Coração de Rafaela bateu forte, ela pensou bem no que iria fazer, isso reverberava na cabeça dela, que consequências poderiam ter? Respondeu

“Eu quero testar a ligação por vídeo e não conheço ninguém que tem iphone, testa comigo?”

Ele não respondeu, ela apenas viu a foto dele “Diu Chamando”, abriu o roupão e o deixou cair, em seguida deslizou o dedo atendendo o telefone colado ao rosto.

O Rosto do Padrinho surgiu na tela com uma cara sorridente

— E aí estrelinha, como você está hoje? — Ele perguntou

— Não tá um dia legal não — Ela falou segurando o telefone na frente do próprio rosto, vendo a imagem pequena que era dela e a grande que era dele — Que legal isso né? — Falou se admirando com as imagens

— Sim, bem legal, estamos ao vivo! — Ele falou animado — Por que não é um bom dia?

— Ah, muita coisa, sei lá, não quero falar disso, podemos falar de outra coisa? — Rafaela pediu

— Claro, do que você quer falar? — Ele perguntou animado

Ela tomou ar e afastou o telefone

— Disso aqui — Ela falou mostrando o corpo completamente nu para o Padrinho

Ele arregalou os olhos, ela estava sentada no chão de pernas dobradas com as solas dos pés colados, na posição chamada “Borboleta”.

— O que é isso Rafa? — Ele perguntou — Por que isso?

— Você queria me ver, não queria? — Ela perguntou

— Eu, eu — Não faz isso

— É ruim pra você? Eu sou feia? — Rafaela perguntou sentindo-se rejeitada

— Não, não é feia, você é maravilhosa — Ele respondeu — Ai meu Deus

Ele não olhava para a tela

— Olha pra mim, eu to aqui, sou sua estrelinha — Rafaela respondeu — Não tem perigo a gente falar assim

Ele olhou pra tela

— Por que isso? — Ele perguntou olhando cada detalhe do corpo dela

— Por que não? — Ela perguntou — Estive pensando, você não me vê mais como criança, me vê como mulher, não é?

Ele ensaiou uma resposta e só saiu gaguejo

— Lembra que eu sei de você e da Nati, da conversa que a gente teve — Rafaela falou

— Tá Rafa, sim, você é incrível, é isso que você queria ouvir? — Ele perguntou parecendo cansado

— Não, eu só quero ter esse tipo de relação com você, tudo bem ser só assim, online, pelo celular, uma coisa exclusiva nossa, o que você acha? — Rafaela perguntou — Assim a gente só fica a vontade e não tá fazendo nada de errado

— Você não acha errado? — Matheus perguntou confuso

— Se a gente ficar só assim acho que não, não é errado — Rafaela respondeu tranquila

— Se alguém souber não vai gostar, ninguém vai entender isso — Ele falou preocupado

— Você entende? — Rafaela perguntou — Eu quero me mostrar pra você, só pra você!

— Eu compreendo — Ele respondeu atencioso

— É só o que importa — Ela respondeu — Pra mim está tudo bem, se estiver para você.

Rafaela ouviu um barulho do lado dele, e ele olhou para o lado

— Sua tia chegou, vamos falar mais sobre isso depois? — Ele disse atencioso

— Tá bom — Ela respondeu entristecida — Te amo tá

— Eu também te amo estrelinha, agora coloca uma roupa para não se resfriar

Rafaela deu uma gargalhada, ela amava o jeito que ele fazia ela rir, queria ter aquele senso de humor amalucado, mas não era difícil.

Foi até o armário e pegou um caderno, o seu diário, abriu procurando algumas folhas e encontrou um trecho, de anos atrás

“Teste de QI”

Olhou no pedaço da carta e o número de sua nota era 125

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.