Diário de Rafaela 2 — Capítulo 39 — Estrelinha

Diário de Rafaela 2 — Capítulo 39 — Estrelinha

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Após Guilherme terminar de contar sua experiência sexual Rafaela decidiu encerrar o assunto, o clima estava tenso.

— Gente, tá bom — Rafaela falou pensativa — Acho que a gente pode parar com essas experiências por aqui, acho que tá ficando pesado demais isso, Gui eu não achei que isso envolvia abuso contra você

— Não — Guilherme interrompeu — Não foi abuso, eu fiz o que tinha que ser feito para resolver o problema, eu estava ciente, podia não fazer nada

— Gui — Foi a vez de Amanda interromper — Isso é bem grave, ele abusou de você sim e te colocou numa situação que perca total, você acha que tinha opção, mas não tinha — Amanda falou sensata — Quando você sofre um assalto a mão armada e tem que entregar sua carteira você tem a opção de falar não e tomar um tiro, mas essa é uma opção real? Você realmente tem opção?

Rafaela e Guilherme ficaram olhando pensativos para Amanda, o silêncio perdurou, a própria Amanda resolveu parar com aquilo

— Isso ficou pesado mesmo, vamos parar com isso gente, vamos dividir esse assunto por tópicos, por dias, vamos falar de outras coisas

Rafaela estava entristecida, mas não queria transparecer, deu um sorriso

— Vamos pra Disney ano que vem? — A Mudança abrupta assustou os namorados

Guilherme estava meio perdido em silêncio

— Tá na minha lista — Amanda falou — Deve ser tão legal!

— Sim, parece incrível, você tem mesmo uma lista? — Rafaela perguntou mais para tentar desfocar do clima pesado enquanto comiam

— Eu tenho, você não? — Amanda respondeu enquanto puxava seu prato para si e continuava a comer.

Rafaela fez o mesmo, puxou o prato, pegou um pouco de comida num garfo e levou em direção à boca de Guilherme continuando a conversar com Amanda

— E o que mais tem nessa lista?

— Ah, várias coisas

— Que coisas? — Rafaela alimentava Guilherme como um bebê, ele ouvia a conversa mastingando em silêncio

— Algumas coisinhas — Amanda respondeu evasiva

— Tipo o que cacete? dar a buceta pra um cavalo? tá escondendo o que? — Rafaela falou impaciente

Amanda fez cara de chateada

— Grossa! — respondeu ofendida

— Tô brincando amor, vai — Rafaela estava nervosa, abalada e perdeu o controle por alguns segundos — Desculpe, me fala, o que você colocou nessa listinha?

Amanda pegou a bolsa no outro banco e abriu, de dentro tirou uma caderneta com tema de gatinhos fofos e uma caneta acoplada, abriu as anotações

— Saltar de paraquedas, visitar a Disney — Passou os olhos pela lista parecendo selecionar o que dizia — Fazer duas faculdades, Aprender inglês fluente — continuou percorrendo a lista com os olhos selecionando o que lia

Rafaela tomou a lista das mãos dela

— Eeeii — Amanda protestou — Não Rafa

— Ter um romance com dois homens, não sexo, um relacionamento — Rafaela leu parecendo chocada — Quando você escreveu isso?

— Faz tempo — Amanda se defendeu

— Casar-se, ser mãe, fazer duas faculdades, conhecer uma pessoa transexual — Rafaela continuou lendo

— Me dá, Rafa — Amanda falou irritada – Sem graça!

Mas Rafael continuou

— Conseguir o perdão de uma pessoa que você fez mal, plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho, perdoar o mundo — Rafaela piscou forte — Perdoar do que?

— Para! — Amanda falou num tom agressivo

Guilherme tirou o caderno da mão de Rafaela e devolveu pra Amanda

— Chega — Guilherme falou de maneira calma

— Ah Gui, deixa de ser chato! — Rafaela falou

— Você que ta sendo chata — Amanda falou

— Para Rafa — Guilherme disse num tom monótono

— Que para nada, eu tô brincando gente! — Rafaela insistiu — Vocês estão muito chatos mesmo

— Cala a boca, Rafa — Guilherme falou num tom ainda monótono

— Cala a boca o que? — Rafaela falou nervosa — Olha como você fala comigo

Guilherme deu um tapa de mão aberta na cara de Rafaela, com força

— Cala a boca! — Ele ordenou — Chega

Ela queria esfaquear ele, mas obedeceu, colocou a mão no rosto onde o tapa havia acertado e fechou os olhos, sentiu frustração, mágoa e sentiu vontade de chorar.

Abriu os olhos e Amanda olhava para ela assustada

— Não Gui — Amanda tentou falar

— Cala a boca você também — Guilherme ordenou.

Amanda ficou com medo

— As duas — Guilherme continuou — Não foi abuso, eu fiz o que tinha que fazer e eu sou responsável pelos meus atos, eu não quero ouvir nenhum pio das duas sobre isso

Rafaela piscou e as lágrimas caíram, ela fez que sim com a cabeça, Amanda acenou positivamente também

— Ótimo — Guilherme pegou um guardanapo de pano, na cor preta e enxugou o rosto de Rafaela — Não precisa chorar, se acalma

Ele se aproximou e deu um beijo nos lábios dela, acariciou o rosto trêmulo de Rafaela

— Eu te amo — Ele disse dando outro beijo, agora no canto da boca dela

— Eu também te amo — Ela respondeu segundos depois

Ele virou para Amanda

— Também amo você — Ele deu um beijo nos lábios dela

— Também te amo — Amanda respondeu

— Bem, acho que a tensão aqui tá muito grande — Ele se levantou

— Aonde você vai? — Amanda perguntou preocupada

— Vou ao banheiro e vou dar um minuto ou dois para vocês fazerem as pazes — Falou enquanto saia

Amanda levantou-se para o namorado sair e sentou-se no mesmo banco, na ponta oposta à de Rafaela.

Olhou para Rafaela, as duas ficaram se olhando, magoadas e assustadas

— Me desculpa — Rafaela falou — Eu fui trouxa mesmo, não devia ter pegado sua caderneta, eu queria só que a gente brincasse e se distraísse

Amanda deslizou pela banqueta e agarrou Rafaela num beijo, sentiu o gosto das lágrimas da namorada que caía, as línguas se entrelaçaram primeiro rápido e forte, depois mais devagar e com sensualidade enquanto acariciavam o rosto uma da outra, pararam o beijo

— Eu amo você muito, Rafa, não vamos brigar nunca, por favor — Amanda falou com os olhos cheios de lágrimas

— Desculpa tá, eu sou ignorante, eu sei, também amo você demais, não quero você triste — Rafaela respondeu sendo agarrada por Amanda

A mão de Rafaela deslizou e agarrou o seio de Amanda, apertando devagar

— Peitinho gostoso — Rafaela sussurrou no ouvido da namorada

Amanda riu e se afastou

— Fizeram as pazes? — Guilherme falou ao lado delas

— Sim — Rafaela respondeu

— Ótimo — Ele se sentou ao lado de Amanda — Vamos terminar de comer e dar uma volta.

Saiu conforme o planejado, conversaram, nada muito profundo, comeram, riram como se nada tivesse acontecido e foram embora, deram uma volta no Shopping, deram uma olhada em um apartamento no shopping para financiamento e voltaram para casa conversando sobre isso, chegaram a conclusão que precisariam de três quartos, um para eles com uma cama bem grande um para as crianças e/ou escritório dependendo do sexo das crianças.

Guilherme voltou com elas para a academia, já era fim de tarde quando os três se despediram na frente academia com beijinhos leves na boca, Guilherme tinha que trabalhar

— Rafa, quer ir lá pra casa? — Amanda perguntou animada

— Amor, eu quero ficar um pouco sozinha tá, pode ser? — Rafaela falou com um rostinho levemente desanimado

— Tudo bem, me liga mais tarde? — Amanda perguntou

— Ligo — Rafaela sorriu e andou de costas, mandou um beijo e atravessou a rua indo em direção à sua casa.

Quando entrou ouviu uma conversa, havia mais pessoas na sala.

Entrou e olhou, eram seu padrinho Matheus e sua Tia, ambos conversavam com sua mãe

— Diu! — Rafaela falou animada

fazia tempo que não via o padrinho, ele havia acabado de voltar de viagem

Correu em direção a ele e o abraçou, as mãos dele envolveram a cintura dela e ele a abraçou tirando-a do chão, ela adorava ser suspensa por ele, sentia-se uma garotinha. Sem perceber Rafaela agarrou por mais tempo que o necessário, Matheus abriu os olhos e olhou para a Mãe e a Tia de Rafaela, ela não soltou

— Rafa, tudo bem? — Matheus perguntou sabendo que não tava tudo bem

Ela fez que não com a cabeça de forma frenética sem soltar ele

— Tá bom, eu tô aqui tá — Ele respondeu afagando a cabeça dela — Pode ficar tranquila

Ela então começou a chorar escondendo a cabeça no pescoço dele

— Desculpa Diu — Ela falou sem se controlar — É que eu não tô legal, é tanta coisa e eu tô com tanta saudade de você

Ela conseguiu se controlar e se recompôs, largou o pescoço do Padrinho

— Oi Rafa — Sua tia se aproximou — O que tá pegando?

— Oi tia — Rafaela respondeu — Desculpa, eu tô meio tensa, sei lá

— É por que tá chegando perto da data né, um ano — Matheus respondeu

— Acho que sim, também — Rafaela respondeu entristecida — Posso falar com você em particular? — Rafaela perguntou

— Pode sim — Matheus falou solícito

— Não é rápido, preciso de um pouco mais do seu tempo para conversar — Rafaela falou

— Tá, então volto mais tarde, tenho que fazer umas coisas agora, posso voltar mais tarde?

Ela fez que sim com a cabeça, fazia cara de choro

Ele tocou o queixo dela e ela chorou

— Vou deitar um pouco, tá mãe — Rafaela falou para a mãe e deu as costas e beijou a tia — Desculpa tia, foi bom ver vocês.

Rafaela subiu ao seu quarto, deitou-se na cama e se encolheu, pensou sobre a história de Guilherme, lembrou da cintada que ele havia dado nela, lembrou do tapa no rosto e da atitude robótica dele, de dominação, sabia que era errado se submeter desse jeito, mas quando lembrou sentiu sua buceta piscar e molhar.

Colocou a mão no meio das pernas e apertou querendo reprimir o sentimento, mas a sensação era boa.

Acabou adormecendo no escuro

— Rafa, Rafa — Ouviu a voz de seu padrinho e abriu os olhos — Rafa, tudo bem?

Ela abriu os olhos, ele estava bonito, não havia trocado de roupa, ainda usava a camiseta preta e calça jeans, a barba áspera, ela se arrastou e o abraçou

— Eu tava com muita saudade — falou com a voz sonolenta — Não me abandona assim

— Eu não te abandonei não, nunca vou abandonar — Matheus a puxou para ele na cama e mostrou o saquinho de papel que trazia — Trouxe bala de gomas

— Promete? — Rafaela falou preocupada enquanto pegava o saquinho de balas de goma — Não quero perder você nunca

— Prometo sim meu amor, comigo você pode contar sempre — Matheus a abraçou e a apertou, ela estava sonolenta, ficaram por alguns minutos assim, a respiração dela leve, devagar, e ele sussurrou — tá dormindo?

— Não — Ela respondeu também num sussurro — E você?

Matheus riu:

— Tô Rafa, tô dormindo — Ele respondeu sarcástico, ela amava o sarcasmo dele

Ela se posicionou e abraçou o pescoço dele, ele sentiu o calor do corpo dela

Matheus a puxou e sentou-se na cama para ficar mais confortável fazendo-a sentar-se no seu colo como uma criança, ele puxou os travesseiros grandes e apoiou na parede da cama se encostando de forma confortável.

Ficaram abraçados quietos por muito tempo, sem dizer nada, ele sabia que ela precisava disso.

— Você ainda é minha estrelinha? — Ele perguntou num tom de voz quase inaudível

— Eu sempre vou ser — ela respondeu imediatamente

🎇🎇🎇 ANOS ANTES 🎆🎆🎆

— Boa tarde magrela — Matheus falou entrando na sala e vendo Rafaela de braços cruzados com cara emburrada

Ela olhou para ele com a testa franzida

— Não — Ela respondeu e subiu a escada pisando duro

Matheus olhou para Guilherme

— O que foi? — Perguntou curioso

— Olha, ela, ela… sei lá — Guilherme respondeu — Vou embora — Abriu a porta da casa e saiu

Havia mais pessoas na casa e todos ficaram olhando para Matheus, ele torceu o lábio

— Tá, deixa comigo — Subiu as escadas devagar, passou pelo corredor e bateu na porta do quarto cor de rosa — Rafa — Posso entrar?

— Não! — Ela respondeu irritada — Vai embora!

Ele esperou uns segundos e abriu a porta, a luz estava acesa, quando Rafaela o viu se encolheu para ele não ver.

— Eu falei para não entrar!— Ela estava sem camiseta, usando apenas a bermuda jeans e o sutiã preto

— É, Rafa, esse seu não quer dizer sim, eu sei bem — Ele se sentou na cama e colocou as mãos no rosto escondendo os olhos para não ver — Pode se trocar, eu espero

— Eu estou no meu quarto, não vem mandar em mim, homem adora mandar em mim, e eu odeio vocês, vocês são todos iguais, odeio todos vocês! — Rafaela falou irritada

Matheus abriu os olhos, ela estava de braços cruzados na parte de cima um sutiã preto comportado, ela colocou a mão na cintura

— Posso ficar do jeito que eu quero no meu quarto ou nem isso eu posso senhor dono do mundo? — Rafaela perguntou irritada

— Rafa — Matheus falou num tom monótono

— O que foi? — Ela respondeu agressiva com um grito

Ele esticou a mão e a chamou, ela olhou para ele chateada, com a cara fechada, não queria parecer infantil, mas a atitude que estava tomando era justamente essa

— Vem aqui — Ele falou de forma amigável

Ela fechou os punhos e esticou os braços para baixo da cintura apertando o corpo todo com muita raiva

— Vocês são todos iguais! — Ela gritou — Puta que pariu! — Estava irritada — Seus idiotas!

Matheus continuou com a mão esticada, olhando para ela impassível, o olhar dele era carinhoso e invasivo ao mesmo tempo.

Rafaela olhou desafiadora para ele por quase um minuto e bateu o pé irritada

— Aarrrghhhhh — Gemeu irritada

Andou até ele sem pegar na mão, se aproximou

— Fala! — disse num tom agressivo

Ele pegou na mão dela e a puxou para seu colo, ela se sentou nas pernas dele sem resistir muito

— Me solta — Ela falou sem resistir

Ele a abraçou e beijou na cabeça

— Ah, estrelinha! — Matheus chamou o apelido carinhoso que Rafaela amava

Ela enfiou a cabeça no peito dele e começou a chorar, Matheus deixou que ela chorasse um pouco antes de falar

— Por quê? Por que vocês são assim? — Ela chorava aos prantos e o abraçou — Porque Diu? Por quê? Por que são terríveis?

— Me fala o que aconteceu? — Matheus perguntou fazendo ela erguer o corpo e olhar para ele, os olhos estavam vermelhos e a boca arqueada para baixo numa carranca — Quem te magoou, foi o garoto lá embaixo? — Matheus perguntou amoroso

— Ele é outro idiota também, um imbecil imaturo! — Ela respondeu tirando o próprio cabelo da cara e da boca

— Rafa, O que aconteceu? — Matheus perguntou

Ela olhou para ele e fez cara de choro de novo

— Por que eu não nasci homem? — Ela perguntou magoada

— Estrelinha — Matheus disse olhando-a nos olhos — É isso que você queria? Você disse que os homens não prestavam, você quer não prestar também?

Ela olhou-o como um bicho acuado, não respondeu

Ele limpou as lágrimas dela com as mãos

— Respira fundo e devagar, mantenha a calma — Ele falou com a voz pausada

Ela obedeceu, puxou o ar e respirou devagar algumas vezes com os olhos fechados, quando abriu ele a olhava com um sorriso

— Você me acha mesmo terrível? — Ele perguntou quando os olhares se encontraram

— Você não! — Ela respondeu rapido

— Seu pai? — Ele continuou a perguntar

— Não, ele também não

— Seu irmão?

— Ah, tá bom, não são todos! — Ela respondeu ainda irritada

— Me conta, o que aconteceu, não foi o garoto lá embaixo né? — Ele pensou um pouco Gustavo né?

— Guilherme! — Ela corrigiu — também, ele é um otário

— E o que ele é seu, namorado? — Matheus perguntou curioso

— Não! — Ela respondeu assustada e depois abaixou o tom — Não, ele não é meu namorado, a Manda que gosta mais dele, mas ele quer ficar comigo

— E você não gosta dele? — Matheus perguntou ainda curioso

— Gosto, mas a Manda gosta mais

— E por que ele é um imbecil e imaturo?

— Por que ele sabe que a Manda gosta dele, mas ele quer ficar comigo e fica insistindo isso vai fazer ela ficar chateada

— E ele é imbecil e imaturo por gostar de você?

— Não, mas ele tá falando pra gente ficar escondido, ele quer ficar direto comigo — Rafaela desviou o olhar

Matheus puxou o rosto dela pelo queixo

— Desviando o olhar, você já ficou com ele né? — Matheus perguntou e ela desviou o olhar de novo — A Amanda sabe?

— Não não! — Ela falou assustada, olhou em volta — Ela ia ficar muito triste, melhor não, eu não quero mais ficar com ele

— Então é só falar não, Rafa, se você não quer fala para ele parar de insistir — Matheus disse — Se ele insistir eu falo com ele e tenho certeza que depois de uma conversinha ele desiste — Ele sorriu, mas ela não sorriu

Desviou o olhar de novo e ficou mexendo no botão da camisa do padrinho

— Não é só isso né? — Matheus constatou — Fala, o que mais?

Ela fez que não com a cabeça

— Não o que? — Matheus perguntou — Não quer falar ou não tem mais

— Deixa pra lá — Rafaela respondeu evasiva

Ele puxou o rosto dela de novo e deu um beijo na bochecha, ela se mexeu e acabou beijando o canto da boca dela, Rafaela se assustou, mas percebeu que foi sem querer.

— Confia em mim ou não? — Matheus perguntou ignorando o beijo errado

Ela sacudiu a cabeça de forma positiva, estava mais calma, a tremedeira havia passado

— Confio — Respondeu já mais calma

— Então conta pro Diu, o que está te irritando desse jeito, é outro garoto?

— É — Ela respondeu e se corrigiu — Não — Pensou um pouco — Mais ou menos

— Fala

— Não sei

— O que você não sabe meu amor?

— Eu tenho medo

— Medo do que?

— De você ficar com nojo de mim! — Ela falou fazendo uma careta e ficando com os olhos vermelhos

— Opa, sem chorar, você disse que confia em mim, e nós confiamos um no outro para sempre né?

— É — ela respondeu simplória

Ele a ajeitou no colo pegando pelas coxas e fazendo fica mais colada em seu corpo deslizando-a por suas pernas, abraçando-a com mais força

— Fala pra mim estrelinha, eu não vou ficar com nojo de você nem vou te julgar, você sabe, você me conhece, você é minha estrelinha, minha menininha — Ele falou explicativo

— Eu acho que eu não posso mais ser sua estrelinha, sua menininha — Rafaela falou olhando para ele com seus grandes olhos castanhos levemente puxados

Matheus olhou para o rosto dela, não era mais uma menininha, o rosto comprido, a sobrancelha bem-feita, cílios levemente arqueados para cima, o cabelo volumoso e bem arrumado, os lábios carnudos e a pele fosca morena faziam de Rafaela uma mulher bonita, exótica e sensual, ele tinha noção disso.

— A Conduta define o homem — Matheus falou esperando Rafaela processar

— Eu não sou homem — Rafaela respondeu carrancuda

— Homem no sentido de humanidade, de espécie humana

— A Conduta define a pessoa? — Rafaela perguntou

— Sim, sua reformulação é melhor — Matheus falou

— E o que isso significa? — Rafaela perguntou pensativa

— Me diz você — Matheus devolveu a pergunta, nunca respondia as coisas para Rafaela de forma fácil, sempre jogava de volta para ela pensar.

Ela pensou por alguns segundos

— O que eu faço define quem eu sou — Rafaela falou decidida

— Isso — Matheus disse — Eu não vou ter nojo de você nem se você tiver nojo de você mesma, esse é o caso?

— Não, não é — Ela falou mais calma

Ele a esperou completar, ela abaixou a cabeça e respirou, parecia indecisa em crise, ele deixou ela pensar e ter o próprio tempo, levou quase dois minutos, ela olhou para ele, olhos nos olhos.

— Eu transei — Ela falou esperando a reação dele

— Hmmm — Matheus murmurou, não esperava por aquilo, mas sabia que não deveria reagir de forma negativa àquilo — Você teve controle sobre isso, foi escolha sua?

— Foi sim — Rafaela respondeu olhando-o nos olhos ainda esperando uma negativa

— E isso foi bom para você ou ruim? — Ele perguntou interessado

— Foi muito bom — Ela respondeu com seu rosto ficando vermelho

— E por que a irritação?

— Ele mentiu pra mim — Rafaela disse entortando o canto da boca

— Quer me contar?

Ela fez que sim com a cabeça

— Foi na semana do meu último aniversário, a gente planejou e fez

— Você se protegeu? — Matheus teve uma palpitação cardíaca, Rafaela podia estar doente ou grávida, mas tentou não transparecer — Você está bem?

— Não se preocupe, eu usei camisinha, não tô doente nem grávida, eu sei como isso funciona.

— Fico contente por isso — Matheus respondeu aliviado

— Mas ele disse que ficaria comigo, aí sumiu e depois apareceu com outra mulher — Rafaela disse com as lágrimas escorrendo

— Ele é da sua escola?

Ela olhou para ele por alguns segundos

— Olha, acho que aqui vem a parte que pode te chocar — Rafaela disse esperando a reação do padrinho — Você vai ficar com nojo de mim agora.

— Prossiga — Matheus disse sem mostrar emoção, estava curioso

— É o Dr Carlos Shoemaker, o Carlinhos que trata da minha mãe — Ela falou e esperou ele reagir, Matheus não emitiu nenhuma reação e ela continuou — Ele é bem mais velho

— Ele… — Matheus serrou os olhos puxando da memória — Ele estava aqui ante ontem, no Natal, com a esposa e a filha que é sua sósia, certo? — Ele perguntou pensativo — Mas ela tem um olho de cada cor

— Sim — Ela respondeu simplória — Ela não parece comigo!

— Você saiu com um homem casado? — Matheus perguntou

— Não, quando nós transamos ele disse que estava separado dela e que iria me assumir e ficar comigo — Rafaela respondeu — Mas ele é um mentiroso desgraçado!

Por mais que Rafaela fosse esperta e inteligente Matheus percebia que alguns assuntos as pessoas não falavam para ela, ele falava tudo o que sabia

— Você perguntou pra ele do motivo? — Matheus perguntou

— Não, ele meteu o louco e simplesmente voltou com ela e pau no meu cu — Rafaela falou nervosa

— E o que você planeja fazer?

— Nada né, sei lá — Rafaela falou mais aliada, ficaram alguns segundos em silêncio

— O nosso papo ajudou você em algo? — Matheus perguntou sorrindo

Ela sorriu também

— Obrigada por me ouvir — ela o abraçou — Eu te amo — Sem perceber ela puxou o rosto dele para os seios dela

— Também te amo — Ele respondeu entre os seios grandes dela

Quando ela percebeu o soltou

— Desculpa — Ela falou envergonhada e se levantou em seguida

— Tudo bem — Ele se levantou também — Bem, agora você é uma mulher né, então não preciso mais te tratar como menina

Ela olhou pra ele entristecida

— Por que não? Eu gosto tanto! — ela respondeu com a cara de Pânico

— Você ainda é minha estrelinha? — Ele perguntou sorridente

— Você não tem nojo de mim? — Rafaela perguntou preocupada

— Por você ter transado? — Matheus perguntou — Claro que não, todo mundo transa — Pensou um pouco — É, tem uns que não transam né

Rafaela riu

— É, tem sim! — Falou animada

— E no geral, foi bom? gostou da experiência de sexo? — Matheus perguntou descontraído

Rafaela achou que ficaria envergonhada, mas não ficou

— Ah, gostei, foi bem legal, a gente foi pra um motel, ficamos de manhã até quase de noite lá, tinha cachoeira, espelho, piscina, foi incrível! — Falou animada e nostálgica

— Que bom que gostou, normalmente as meninas têm problemas com a primeira vez — Ele falou animado — Doeu?

— Um pouquinho, mas passou rápido — Ela falou indo ao armário e pegando duas camisetas e mostrando pra ele — Branca ou Preta?

— Sendo seu padrinho eu escolheria a preta por que esconde seu corpo, mas como homem e vendo a mulher linda que você é, e com esse sutiã bonito, eu digo para você vestir a branca

Rafaela sorriu e vestiu a camiseta branca, era fina e quase transparente, os desenhos da renda do sutiã apareceram.

Ela o abraçou

— Diu, obrigada por me ouvir tá, desculpa eu ter sido grossa, eu não te odeio de verdade, e nem odeio os homens, só os imbecis — Ela disse agarrando-o — Não fica com nojo de mim tá

— Tá bom — Ele riu — Não tenho nojo nenhum e você, pode ficar tranquila. Vamos descer então? Bater um rango da hora?

— Vamos! — Ela se animou

Ele abriu a porta do quarto e ela o chamou

— Diu!

— Eu — Ele respondeu

— Você me acha bonita? — Rafaela perguntou abrindo os braços

— Você é linda!

— Não nesse sentido, como mulher, você me acha bonita como mulher

Matheus engoliu seco

— Sim Rafa, você sabe que é uma mulher bonita

— Não, não foi isso que eu perguntei — Ela tomou fôlego — Você me acha gostosa?

Ele olhou para ela curioso, pensativo e ela continuou

— Transaria comigo? — Rafaela continuou a pergunta

Ele ficou sério desviou o olhar

— Cuidado Rafa, você tem muita coisa a aprender ainda, não é por que você transou que você pode transar com todo mundo

— Não é isso, é que eu pensei que você e eu…

Ele a interrompeu passando por ela com uma certa rispidez

— Estou lá embaixo te esperando, veste a camiseta preta por favor. — Ele falou e saiu fechando a porta

🎇🎇🎇 DIAS ATUAIS 🎆🎆🎆

Rafaela tomou fôlego e falou, contou para ele tudo o que estava sentindo desde o dia do sequestro, a parada dos estudos, a retomada da amizade com Amanda, a saudade do irmão, o sexo com o mecânico e tudo sobre o trisal, falou também da situação com Guilherme e do medo que teve quando achou que Patrick havia voltado.

Falou por quase duas horas, estavam abraçados como dois namorados, ele acariciava a cabeça dela apenas concordando para dizer que estava ouvindo.

Quando ela terminou ficou quieta, ele continuou acariciá-la

— Você acha que meu cabelo tá feio? — Rafaela perguntou com a cabeça apoiada no peito dele, entre as pernas do padrinho

— Nada em você é feio meu amor — Matheus respondeu sensato

— Obrigada, você é perfeito sabia? — Rafaela falou — Se minha tia não te quiser mais, eu quero tá!

Ele riu

— Entendi Rafa, bem, agora vamos descer, sua tia tá lá com sua mãe, vamos pedir uma pizza, o que acha?

— Pizza de que? — Rafaela perguntou ainda encostada nele

— Atum com bastante cebola — Ele respondeu direto

— Hmmm, amo atum com cebola — Ela respondeu

— Eu sei — Ele riu — Temos o mesmo gosto, nascemos no mesmo dia, sob o mesmo ascendente

— Ah, você gosta de signo? — Rafaela respondeu com desdém

Ele riu

— Não, mas eu sei, nem tudo que eu sei eu gosto e nem tudo que eu gosto eu sei

Ela riu também

— Gostei da frase!

Estava confortável, quente, apoiada no peito dele, sentindo a respiração, ele havia engordado um pouco nos últimos anos, ela deslizou a mão pelo corpo dele

— Você engordou um pouco né? — ela falou preocupada

— Sim, é ruim? — Ele perguntou também preocupado

— Sim, isso pode te fazer mal, tem que ficar magrinho — Rafaela disse — Ou fortinho sei lá

Ele agarrou a cintura dela apertando o osso da cintura onde ela sentia cócegas

— Aaaaiii — ela reclamou

— Tem que ficar magrelo assim? — Ele apertou e balançou

Ela riu

— Nãããõoo! — Ela o empurrou divertida — Para!

Estava com um sorriso nos lábios

— Eu gosto assim! — Ele falou — Sorridente

Ela sorriu e respirou fundo

— Só você pra me deixar assim, sabia? — Falou se ajoelhando na cama

— Eu tô com fome — Matheus falou

— Uma coisa Diu — Rafaela amarrou as tranças — Uma vez te fiz uma pergunta e você não me respondeu

Matheus tentou se desvencilhar

— Tô com fome Rafa, vamos lá pra baixo — Ele falou empurrando levemente a afilhada — Depois a gente fala mais

Rafaela colocou a mão no peito dele

— Não, fica aí! — Ela falou — Não vou te morder, não se preocupe

Ele olhou pra ela sério

— Fala — Sua voz era vacilante

— Uma vez conversamos, e eu te contei que tinha transado a primeira vez, e te perguntei uma coisa — Ela perguntou sustentando o olhar

— Que coisa? — Ele desviou o olhar

— Você lembra né? Olha pra mim, não foge não, eu não sou mais uma menininha— Rafaela respondeu

— Uma pena não ser mais minha menininha — Matheus falou frustrado

— Eu sempre vou ser sua menininha, sua estrelinha independente do que aconteça nesse mundo, você sabe que eu te amo, só preciso tirar essa dúvida.

— Que duvida Rafaela? — Ele perguntou nervoso

Ela franziu a testa

— Rafaela é? — Ela se assustou com a pronúncia correta do próprio nome, ele nunca fazia iss — Pelo visto você se lembra sim — Estava nervosa

— O que você quer saber? — Matheus tremia

Ela pegou na mão dele, sentiu a tremedeira

— Diu — Rafaela beijou a mão dele — Não tenha medo de mim, por favor, eu te amo, por favor, não tenha medo mesmo!

Ele puxou o ar

— Respira devagar — Ela falou preocupada

Ele riu

— Sua vez agora né? — Falou debochado — de me acalmar

Ela sorriu

— Uma mão lava a outra — Repetiu uma das frases de efeito dele

— Vai estrelinha — Ele incentivou — Fala logo

— Você quer transar comigo? — Rafaela perguntou sem rodeios

Ele olhou para ela, desviou o olhar de novo

— Não, olha pra mim, responde olhando pra mim — Ela falou séria

Ele a olhou nos olhos

— Eu não quero falar sobre isso — Matheus respondeu

— Você comeu a Natali falando meu nome, quando eu tava sequestrada — Rafaela foi direto ao ponto

Ele arregalou os olhos

— Ela te contou? — Ele disse acuado

— Sim, me contou, então, fala pra mim o que você pensa — Ele não respondeu rapido — Por favor

— Sim, eu quero transar com você Rafa, mas eu não vou! — Matheus respondeu decidido

— E por que não vai? — Rafaela perguntou

— Por que você é praticamente minha filha, e isso não é certo — Respondeu decidido

— Certo pra quem? — Ela perguntou ríspida

— Pra todo mundo!

— E pra você? É certo?

— Ah Rafa, que papo é esse? — Matheus perguntou incomodado

— Eu só quero saber! — Rafaela perguntou

— O que você quer saber? Se eu fiquei desesperado quando achei que você ia morrer e que transei com a sua sósia chamando seu nome? Não era para você saber, isso é uma coisa minha, era para ser secreto, mas se você quer saber, sim eu quero transar com você, já sonhei muito com isso, acho você perfeita e maravilhosa e eu já sonhei com um filho com você — Matheus respondeu se encolhendo no canto

Rafaela o abraçou e o beijou no pescoço

— Eu também quero muito fazer amor com você Diu, você é perfeito, quero muito ter um filho seu — Ela falou agarrando-o com força

Ele a empurrou

— Mas não é assim, Rafa, não é assim que funciona

Ela se ajoelhou na cama na frente dele

— Eu sei, eu sei que não é — Pegou na mão dele e ele tirou a mão — Não me repele, por favor — Rafaela falou com rosto de tristeza pegando a mão de volta, dessa vez ele não tirou a mão

— O que você espera de mim? — Matheus perguntou

— Que continue sendo meu Diu — Rafaela falou

— Fez diferença você saber disso? — Matheus falou magoado

— Fez, eu tinha essa dúvida a anos, obrigada por se abrir comigo

Ele deslizou para fora da cama

— Você não tinha dúvida, você sabia, só queria que eu dissesse, isso é sadismo — Ele deu as costas para ela, estava envergonhado por se exposto

Ela se levantou

— Não é — Rafaela respondeu preocupada e o abraçou por trás — Não quero nada de mal pra você nunca

— Eu sei — Ele respondeu entristecido

Ele respirou fundo enquanto ela o abraçava por trás

— E agora — Rafaela perguntou — Como vai ser?

Ele segurou as mãos tela que o abraçavam no pescoço, pensou um pouco

— Não sei, vamos jantar e por enquanto fingir que isso não aconteceu

— Tá bom, eu te amo tá — Rafaela disse

— Tá bom, Rafa — Ele falou soltando a mão dela — Vamos descer

Ele foi até a porta e parou

— Eu trouxe um presente pra você — Falou sem olhar para trás e saiu.

Rafaela desceu minutos depois, com uma cara melhor, Matheus estava sorridente, era um ótimo ator

— Olha quem apareceu — Rose falou contente e cutucou Matheus — Só você consegue fazer ela sair da toca, você tem o dom hein

— Pois é, nada que doce e cafuné não resolvam — Matheus falou mostrando uma taça de vinho, não costumava beber, mas deu uma golada grande e Rafaela reparou imediatamente.

Matheus se aproximou e deu uma caixa pra ela

— Toma, pra você ficar mais feliz — Era uma caixinha retangular pesada — Era só pro Natal, mas como você tá cabisbaixa vou te dar agora

Rafaela abriu, era uma caixa preta brilhante com um símbolo de uma maçã branca

— Um iPhone? — Rafaela perguntou abrindo a caixa devagar surpresa

Correu e abraçou o padrinho e depois a tia agradecendo, as mãos do padrinho pareciam diferentes, tocaram sua cintura como sempre, mas parecia mais firmes, talvez fosse coisa da cabeça dela, talvez o excesso de informação sobre ele.

Rafaela participou do jantar e sentou-se ao lado do Padrinho, juntos configuraram o celular na mesa mesmo, ela teria que ir ao shopping para pegar uma linha nova pois seu chip não coube, conectou o celular na internet da casa e recebeu uma mensagem no e-mail, era Amanda, o título era “A Lista”

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.