Danielle Transexual 2 — Capítulo 03 — Silencio ensurdecedor
Danielle e Miriam acordaram cedo
— Bom dia tia — Miriam falou a ver que Danielle estava no banheiro — Café ta quase pronto, toma um banho
Danielle apenas rosnou algo positivo e foi ao banho, haviam comido bobagem a noite toda e ficado deitadas na cama, estava quente e elas suavam à toa.
Já na mesa Danielle estava desperta
— Posso te perguntar uma coisa? — Miriam disse ao se sentar na mesa com Danielle
— Fala ué — Danielle estava carrancuda
— Acordou virada é?
Danielle colocou a mão na temporada
— Dor de cabeça da porra! — Reclamou
— Hmm, melhor a gente ir ver o Doutor Bonitão hein, vai que
— Cala a boca, o que você quer falar? — Danielle esboçou um sorriso e cortou o assunto
— Não te achando muito animada com o casamento
— E o seu? Nunca mais ouvi falar também — Danielle se defendeu
— Eu não te falo por que você não gosta do Carlos Henrique — Miriam se defendeu
Danielle revirou os olhos
— Eu to animada, só não to bem — Danielle disse — E falar nesse traste, quando vão se casar?
— Decidimos ontem, vai ser em Março, perto do meu aniversário — Miriam disse olhando para Danielle — Se você correr e botar os peitos a gente casa junta, o que acha?
— Ah não, eu vou demorar pelo menos um ano ainda — Danielle pensou — Março? Ta perto hein, já deu pra ele?
— Tem mais de seis meses ainda — Miriam disse — A Buceta não…
— Deu o cu pra ele Mi, sério? — Danielle falou mordendo o pão — Que nojo
— Que nojo por que? Você é a rainha de dar o cu! — Miriam disse petulante
— Nojo dele, não do seu cu, puta cara nojento, larga ele que eu te arrumo um da hora
— Se fuder, eu gosto dele. — Miriam disse
— Tá não vou falar nada sobre isso — Danielle disse — Mas não da pra casar junto, é pouco tempo pra mim, eu to com o Fausto a uns cinco…sei meses só
— Eu to com o Carlos há oito meses — Miriam disse — E a gente não transa, sabe como é foda não transar
— Você dá o cu pra ele, é transar sim — Danielle protestou
— Não é a mesma coisa, não é legal — Miriam disse e depois corrigiu — Quer dizer, pra mim, pra mim eu não gosto
— Entendi trouxa, não precisa corrigir, você tem esse buraco úmido aí e ele é melhor — Danielle disse
Miriam jogou um pedaço de pão nela
— Invejosa — Miriam disse debochada
Conversaram sobre o casamento, arranjos, locais, festa
— Eu quero você como Madrinha principal, bonitona lá comigo! — Miriam disse animada
— E ele acha o que? — Danielle perguntou bebendo um gole de café e olhando para ela por cima da caneca
— Ele não sabe ainda, mas não vai ter problema
— Sei, conta pra ele e vamos ver — Danielle disse
— Você acha que ele não gosta de você? — Miriam perguntou
— Pergunta o que ele acha de mim — Danielle disse
— Perguntei, ele disse que não tem muito contato com você — Miriam disse
— E ae, o que ele acha mais? — Danielle perguntou cruzando as pernas e se inclinando para Miriam
— Ele disse que você… — Ela parou de falar
— Vivo em pecado, algo assim né? Tenho que me arrepender, deixar de ser gay, deus não quer isso e etc, acertei? — Danielle sorriu
— Mais ou menos — Ela tentou disfarçar
— Mi, gatinha — Danielle encostou na mão dela
Miriam ergueu as sobrancelhas
— Fala com ele, não faz muitos planos, e me contento em estar presente, não preciso estar na vitrine
— Você é praticamente minha mãe, minha irmã mais velha, sei lá, você tem que estar lá de todo jeito possível! — Miriam disse animada
Danielle sorriu e se levantou, deu um beijo na testa de Miriam
— Onde você vai? — Miriam perguntou preocupada
— Eu vou dar uma volta no centro, vamos? — Danielle disse pegando a louça para colocar na pia — Tava pensando em olhar umas coisas, vou ter que comprar roupa, o Fausto vai querer anunciar na família, tenho que estar apresentável
Miriam pegou um papel que estava em cima da mesa, uma carta e abriu, olhou o que estava dentro e engasgou com o café, começou a tossir
Danielle deu agua pra ela e mandou ela levantar o braço
— Oh, devagar aí, bebe devagar — Danielle disse — Cuidado!
— Tia — Miriam falava enquanto tossia — Tia
— O que foi? — Danielle perguntou sem entender
Miriam levantou o papel e Danielle pegou
— Ta vendo o que aqui entrometida? — Danielle falou enfurecida
Miriam se recompôs
— Trinta e quatro mil reais a fatura do cartão? — Miriam disse — Caralho tia, ele ta pagando
— Não é pra você ficar olhando as minhas coisas! — Danielle disse nervosa
Miriam andou até o quarto, foi caminhando rápido
— Pirralha volta aqui! — Danielle disse
Miriam se abaixou e ergueu a tampa cama fazendo os travesseiros caírem
— Miriam, para, não mexe aí — Danielle disse puxando Miriam
Mas Miriam se levantou nervosa
— Tira a mão de mim Danielle! — Falou ameaçadora
Danielle de um passo para trás
Miriam pegou a caixa com contas que sabia que a tia guardava.
— Não mexe aí Mi, por favor — Danielle disse esfregando as mãos, nervosa, podia impedir, mas algo não deixou, sabia que Miriam tinha que ver aquilo
Miriam olhava os papéis e a cada vez se espantava mais, levantou-se com vários papeis nas mãos
— Sete cartões de crédito quase duzentos mil reais em dividas, você enlouqueceu sua traveca burra? — Miriam disse nervosa
Danielle abaixou a cabeça
Miriam a empurrou
— Fala, que porra é essa? — Miriam disse — Eu to vendo, terninhos Armani, lingerie vitória secret, sapatos caros, bolsas caras, tudo caro, achei que ele tivesse te dando as coisas de presente, mas não, você ta comprando toda essa merda
— É caro acompanhar ele Mi, todo mundo em volta dele usa isso, eles me olhavam debaixo em cima, não posso ser menos que aquelas garotas, as primas dele, as ex, as amiguinhas, todas elas são milhonarias — Danielle justificou — Isso é normal pra elas
Miriam olhou incrédula
— Porra Danielle, você tem merda na cabeça, você ta devendo o preço de uma casa! — Miriam disse ofegante olhando para Danielle nervosa
Danielle arregalou os olhos, gaguejou e colocou as mãos no rosto chorando copiosamente
Miriam esperou um pouco, puxou-a pela mão
— Senta aí — Colocou ela sentada na cama
Danielle parou de chorar e olhou para Miriam que deu um lenço pra ela
— Desembucha — Miriam disse
Durante meia hora Danielle contou o que estava acontecendo, precisava comprar roupas, sapatos, muitas vezes alugava carro para ir vê-lo, pagava almoço e jantar, dava presentes e tudo isso era muito caro, Fausto era milhonario, todo entorno dele também era
— E o Fausto acha o que disso? — Miriam perguntou
— Nada ué, ele não sabe — Danielle disse
— Ai tia, você fala que eu sou cabeça oca e faz uma merda desse tamanho? — Miriam disse
— Você queria que eu fizesse o que? Já me acham inferior por eu ser travesti, aí sou periféria, pobretona, feia, grandona… — Danielle disse
Miriam colocou as mãos no rosto
— Ai tia, ai tia — Miriam disse preocupada — Cade seus cartões
— Estão na minha bolsa — Danielle disse
— Pega tudo, me da aqui — Miriam disse
— Não, você vai fazer o que? — Danielle perguntou
— Vou colocar fogo neles — Miriam disse
— Não vai não — Danielle disse nervosa
Miriam pegou o celular, procurou Fausto na agenda e mostrou para Danielle
— Se você não me der os cartões eu ligo pra ele, tenho certeza que ele vai achar o máximo — Miriam disse
Danielle pegou os cartões na bolsa, juntou num bolinho, eram mais que sete cartões e deu para Miriam, na hora de Miriam pegar Danielle segurou e Miriam puxou com força
— Enfia no cu — Danielle falou baixinho, entristecida
— Dani, tia — Miriam disse nervosa — Mamãe — Disse chamando a atenção de Danielle
Os olhos castanhos de Danielle brilhavam vermelhos
Miriam segurou o rosto dela com as duas mãos e deu um selinho
— Eu te amo, me deixa te ajudar, isso ta pesado demais
Danielle piscou e as lagrimas caíram
— Tia, a senhora vai nos bancos cancelar os cartões e pedir uma negociação — Miriam disse — Eu vou ter que sair para trabalhar, a senhora vai fazer tudo isso hoje, vamos parar agora, controle de danos entendeu?
Danielle fez que sim com a cabeça
— Vai fazer isso mesmo? — Miriam perguntou
Danielle fez que sim com a cabeça de novo enxugando as lágrimas
Miriam se levantou, puxou Danielle pela mão e deu um abraço, enquanto Danielle chorava em silencio
— Eu vou te ajudar tá, vamos resolver isso juntas — Miriam disse acariciando a cabeça da tia — Sua cabeça oca
Danielle deu um risinho
— Não conta pra ele por favor — Danielle disse — Eu não quero que ele saiba que eu sou um fracasso
— Ai tia — Miriam apertou Danielle — Você não é um fracasso, só tá fora do prumo, sei lá — Miriam pensou um pouco, abraçada à Danielle — Esse treco que você teve, tem haver com isso né?
— Tem — Danielle disse — Tá acontecendo muita coisa
— Muito stress, agora eu entendi, você tá batendo pino faz tempo, deve ser essa rola gigante que tá te enlouquecendo — Miriam disse engraçada
Danielle sorriu e soltou o ar pelo nariz
Ambas foram juntas de ônibus e trem até o centro, Miriam foi ao trabalho e Danielle a obedeceu, foi aos bancos renegociar os cartões, ficou mandando foto dos documentos para Miriam, se falando o dia todo
No fim da tarde ela estava próxima ao apartamento de Fausto, resolveu passar lá, ela sabia que ele não estava lá, que ficaria uns dias fora, mas resolveu sentir sua intuição, algo que ela gostava de chamar de intuição feminina.
A estrada do prédio era todo de vidro, ela viu uma mulher, conhecia ela, não sabia de onde, a mulher conversava na recepção e em seguida entrou no prédio, era loira, bonita, alta, vestido preto justo colado, impecável e gostosa.
A memória de Danielle ainda estava confusa, ela pegou o celular, sabia que tinha alguma foto que associava a mulher algum cartão, por alguns minutos ela passou as fotos e achou
Um cartão de visitas escrito:
“Heather Peacok” “Business Consulting”
Danielle respirou fundo
— Calma Danielle — Falou para si mesma — É um condomínio de rico, essa garota deve estar hospedada aí, ela não vai no apartamento do Fausto, ele nem está lá.
Ficou alguns minutos olhando para o prédio e para o celular decidindo o que fazer, o que pensar, entrou no Whatsapp e mandou uma mensagem para Fausto
“Oi amor, voltei para casa, estava dando uma volta para limpar a mente, estou com saudades, quando você volta para São Paulo”
Em alguns segundos a resposta chegou
“Oi meu anjinho, se tudo der certo eu consigo adiantar a viagem e retorno amanhã, estou cheio de saudades de você”
Danielle respirou aliviada.
Olhou para o prédio novamente e se aproximou da portaria
— Dona Danielle — O porteiro sorriu para ela
— Oi Zézinho, você está bem? — Ela perguntou simpática ao ver o porteiro, um senhor de bigode branco e de vestimenta impecável
— Melhor agora vendo tamanha beleza — Ele disse sorridente
— Xavequeiro! — Ela falou simpática enquanto procurava algo na bolsa
— Vai entrar? — Ele perguntou curioso
— Sim, to procurando a chave — Ela pegava algo na bolsa e encontrou — Ah, achei!
Era um elevador privativo, só iria para o andar quando girava a chave
— Viu, essa moça loira que entrou aqui agora foi pra onde? — Danielle perguntou parecendo despreocupada
— Ah Dona, desculpe, mas eu não posso falar disso — Zezinho respondeu — Posso me encrencar, não posso falar de outros hospedes — Ele viu a cara decepcionada de Danielle e completou — Mas ela tem uma chave privativa, então eu não sei onde ela foi.
Ela sorriu
— Tudo bem, não se comprometa tá, faz seu trabalho direitinho, obrigada — Ela piscou para ele e foi em direção ao elevador que ia ao apartamento de Fausto.
Entrou, girou a chave, apertou o código e o botão do andar. O Elevador começou a subir.
A porta abriu e ela ouviu uma musica alta, era perfeitamente isolado, podia estar rolando uma Rave dentro que ninguém fora do apartamento ouviria.
Andou pelo apartamento, havia uma coberta no sofá, a TV ainda exibia uma imagem pausada, onde um homem transava com uma mulher loira com os cabelos dourados reluzentes.
Ela se aproximou das escadas que levavam até o quarto de Fausto, sentiu seu corpo tremer, pegou o celular tranquilamente e mandou uma mensagem para Miriam.
“Preciso falar com você, me liga em exatamente 30 minutos”
Miriam deu um “coração” na mensagem, mas não disse nada.
Danielle subiu as escadas devagar temendo pelo que veria, tentou calcular quais seriam os piores cenários, viu a Alexa esfera grande que ela havia dado para Fausto, dali saía a musica alta.
Conforme foi subindo as escadas viu os movimentos, os cabelos dourados balançavam sem controle, o corpo esguio e branco, cheio de pintas de Heather Peacock se remexia como uma cobra enquanto ela ria animada.
Grandes mãos, fortes seguravam seus seios grandes e perfeitos, ela chegou no ultimo degrau e viu Fausto de olhos fechados se deliciando enquanto Heather se rebolava no pau dele.
Danielle ficou alguns segundos olhando, decepcionada, entristecida, lágrimas escorreram dos seus olhos, eles não a viram, o canto estava mais escuro que o normal.
Ela sentou no chão, no topo da escada observando o casal.
Eles não a viram, continuaram o sexo por vários minutos.
Cada movimento que ela fazia magoava Danielle, ela viu quando Heather tirou o enorme pau de Fausto de dentro dela devagar e subiu e desceu enquanto Fausto gemia tão alto que mesmo com o Som ela podia ouvir.
Pegou o celular e filmou um pouco, queria guardar algum tipo de prova, mas achou mórbido demais, parou de filmar.
Apoiou-se nos próprios joelhos com os cotovelos e aguardou.
Durou quase quinze minutos até que Heather gozou como louca, mas continuou até que Fausto gozasse também.
Ficaram abraçados, Danielle ouvia cada sussurro, os ouvidos aguçados diante da musica
— I Love you [*Eu te amo] —Ouviu Heather falar
— I Louve you too Honie [*Eu te amo também querida]— Fausto falou
O Coração de Danielle apertou, as lágrimas caíram, ela fechou os olhos, seu mundo ruiu.
— Chega — Ela falou num tom de voz alto chamando atenção dos dois que olharam assustados para ela, Heather se cobriu com o lençol
Danielle levantou
— Alexa, silêncio — Falou calando a música
— Amor! — Fausto disse — O que você… — Ele não completou
O rosto dela estava vermelho, as lágrimas descendo
— Who is she? [*Quem é ela?]— Heather disse nervosa
—Did you know he has a fiancée? ][*Você sabia que ele tem uma noiva?]— Danielle disse se surpreendendo com seu próprio pensamento em inglês
Heather olhou para Fausto, confusa
— Não sabia né — Danielle disse se aproximando e apontou para si mesma — I am the Fiancée, pleasure [*Eu sou a noiva, prazer]
Heather ficou imóvel olhando fixo para Danielle, parecendo assustada
— Dani, eu — Fausto não sabia o que dizer
— Pois não? — Danielle olhou para ele entre lágrimas
— Eu posso explicar — Fausto disse nervoso
— Pode? — Ela perguntou curiosa e cruzou os braços — Explica então.
Fausto gaguejou, balbuciou por quase um minuto
Danielle fez que sim com a cabeça
— Já entendi Fausto, não precisa explicar, tá bem claro isso aqui — Danielle abaixou e pegou o vestido preto sensual de Heather — Toma vagabunda, veste e sai fora — Jogou para Heather
— Ela não entende português — Fausto disse nervoso
Danielle olhou para Heather e apontou para a escada
— Fora! — Berrou o mais alto que pôde
Heather levantou assustada, os peitos grandes e perfeitos balançando, vestiu o vestido de qualquer jeito, pegou os sapatos e a bolsa e desceu a escada correndo, Danielle só observou.
Quando ela saiu
— Dani, me perdoa — Fausto disse quando ficaram sozinhos
Danielle se aproximou e sentou na cama ao lado dele, ficou olhando para ele, analisando, o corpo atlético, o pênis meia bomba, olhou para Fausto
— Ultima chance — Falou se acomodando — Explica
Fausto piscou, gaguejou, Danielle interrompeu
— Buceta né — Danielle disse — Saudade de uma buceta
— Não, não é isso — Fausto disse
— Eu sabia Fausto, você sempre esteve com mulheres lindas, esse papo de virjão não desce, você gosta de mim, mas eu não tenho buceta né, e uma bucetinha quentinha e molhadinha é uma delicia né? — Perguntou com um sorriso triste
— Não, Dani, eu não disse isso — Fausto disse nervoso
— Admite vai, eu já comi uma buceta e sei que é gostosinho — Ela disse — Na real eu acho muito molenga e nojenta, eca, mas vocês homens gostam — Danielle parecia pensativa
Fausto observou sem dizer nada.
Ficaram se olhando em silêncio, ela então soltou o ar dos pulmões e deu um impulso para se levantar.
— É assim que acaba então, com um silêncio ensurdecedor? — Danielle disse esperando que ele dissesse algo
— Eu, eu — Ele gaguejou — Eu sinto muito
Ela sorriu
— Não sente não — Segurou o anel de noivado que estava no seu dedo a pouco mais de um dia, o apreciou, era dourado com uma pedra, bonito, tirá-lo doeu no fundo da sua alma, jogou para ele — Se você ajustar cabe na mãozinha delicada dela.
Deu as costas e desceu as escadas, cada passo sentia dor, vontade de gritar, desespero, falta de esperança, queria morrer.
O Celular tocou, era Miriam
— Mi, acabou — Danielle atendeu entristecida
— Acabou o que tia? Onde você tá? — Miriam perguntou aflita
— O Fausto tava com uma mulher, na cama, peguei eles no flagra — Danielle disse
— Sai daí agora, pega um Uber e vem pra casa — Miriam disse
— Não, eu quero dar uma volta, vou ao shopping, quero ver um filme, sei lá — Danielle disse nervosa
— Tá, onde você vai? Vou te encontrar — Miriam disse
— Tá tudo bem mi, de verdade, eu preciso ficar sozinha, vou te informando tá, obrigada por estar aqui por mim — Danielle disse
Miriam respirou fundo
— Tia, não faz nada errado por favor — Miriam suplicou — Eu te amo
— Obrigada, você deve ser a única pessoa que me ama e que eu acredito, a única que não me trai — Danielle disse desanimada
Danielle foi ao shopping, pegou um filme qualquer, pegou um balde de pipoca doce e um refrigerante do maior que tinha, não viu o filme, não comeu a pipoca e não bebeu o refrigerante, ficou apática.
Quando saiu respondeu as mensagens de Miriam.
Haviam ligações e mensagens de Fausto, até uma ligação da mãe de Fausto que ela não havia visto
“Amor, me perdoa por favor, vamos conversar”
Fausto havia mandado mensagens de texto e áudio com o mesmo teor de perdão.
O celular vibrou novamente, Danielle olhou era uma mensagem no Instagram, um perfil de uma mulher chamada “Fátima” havia curtido algumas fotos de Danielle, o perfil de Instagram de Danielle era fechado, mas essa Fátima estava lá a algum tempo, provavelmente durante o período que Danielle deixava publico
“Oi Danielle, tudo bem? Lembra de mim? Aqui é a Fátima”
Uma lembrança horrível atingiu Danielle, um sentimento de impotência e nojo
Danielle sentou-se na praça de alimentação do shopping e chorou baixinho por vários minutos, sendo observada por pessoas.
— Dani? — Ouviu uma voz conhecida — O que foi?
Ela ergueu os olhos
Era Ercílio, seu namorado da adolescência, o primeiro homem que a assumiu, que a fez sentir-se mulher
Ela piscou forte quando o viu


