Danielle Transexual 2 — Capítulo 07 — Segunda chance
Passaram um dia maravilhoso juntos, foram ao shopping, comeram, conversaram, até viram um filme romântico onde Danielle agarrou o braço de Fabio como se fosse a namorada dele, Fabio não notou o filme, mas sorriu por mais de uma hora e meia sentindo o perfume adocicado de Danielle e o som doce da voz com uma leve rouquidão que reclamava daquele protagonista frouxo.
Aquele dia serviu para Danielle se esquecer dos problemas que passara, de tudo que havia visto, havia deixado seu celular no mudo e habilitado apenas o recurso de emergência que era Miriam, sua mãe e sua irmã.
Andaram de mãos dadas e Fabio estava nas nuvens, Danielle também estava, gostava de sonhar baixinho com uma vidinha pacata e tranquila se perguntou mentalmente “O que eu tenho que fazer para isso durar para sempre”
— Danielle? — Ouviu uma voz envelhecida a chamar
Virou-se em confusão e viu Paulo o amigo que ela havia feito e que era muito rico, Paulo havia visto Danielle sem roupas em um momento tenso da vida dela que ela queria esquecer, o infame assalto no restaurante.
Aquele momento fez qualquer intenção de Paulo com Danielle, no sentido romântico ruir automaticamente.
Paulo se aproximou e esticou a mão para Fabio
— Boa tarde, sou Paulo amigo da Danielle — Disse de forma educada
Fabio o cumprimentou sentindo-se intimidado pela presença daquele homem de idade, mas com um ar jovial
— Zanzando por aqui é? — Danielle disse — Não sabia que você vinha em shopping de pobre — Debochou
Ele sorriu
— Eu tenho uma loja minha aqui — Ele disse parecendo sem jeito — Uma lojinha, tenho o hábito de ir em todas de São Paulo ao menos uma vez por mês.
Danielle e Fabio pareciam encantados com ele falando, Danielle estava agarrada ao braço de Fabio, então Paulo continuou
— Mas eu não quero atrapalhar os namorados — Paulo disse — Já vou indo
— Não somos namorados — Danielle disse — O Fabio é meu amigo
Paulo viu quando a boca de Fabio entortou discretamente
— Entendi — Paulo disse constrangido
— Mas to pensando em trocar já — Danielle disse sorridente — O meu namorado me deu problema demais, talvez esse aqui seja melhor
Paulo riu
— Olha que tem uma fila hein menina, onde tiro minha senha? — Paulo debochou, ele e Danielle riram, mas Fabio apenas sorriu sem graça
Paulo percebeu e se recompôs
— Bem, preciso ir, me liga para papearmos qualquer dia — Paulo disse
— Ligo sim — Danielle disse sorridente enquanto ele saia
Paulo piscou para Fabio e deu um tapinha no ombro dele como quem diz “Força”
— Quem é esse? — Fabio perguntou curioso
— Um amigo, ele é engraçado — Danielle disse pensativa — Me agrada
— Conheceu onde? — Fabio perguntou ainda curioso
— Ah, foi quando eu estava indo para a casa do Fausto pela primeira vez, no avião, eu tava meio tensa e ele veio fazer graça comigo — Danielle disse
— Funcionou pelo visto — Fabio disse cético
Danielle levantou uma sobrancelha desconfiada
— Tá com ciúmes é? — Perguntou quase em tom debochado
— Não, só fico pensando que você gosta de um tipo especifico — Fabio pareceu decepcionado enquanto caminhavam com Danielle ainda grudada no braço dele
— Que tipo? — Danielle disse olhando as vitrines parecendo distraída
— Do tipo rico — Fabio foi direto
Ela parou e olhou pra ele
— Oxe, e quem disse que ele é rico? — Danielle perguntou curiosa
Fabio revirou os olhos
— O Terno dele custa mais de quarenta mil reais, aquele relógio é mais de cem mil, ele deve ser mais rico que o Fausto — Fabio disse direto
Danielle observou e voltou a agarrar o braço dele, colocou a cabeça no ombro de Fabio equanto caminhavam
— Pois é — Ela disse pensativa — Ele é bem rico mesmo. Mas não tem nada entre a gente
— Ele sabe disso? — Fabio perguntou desconfortável
— Iiihhh — Ela respondeu erguendo a cabeça — Pode parar hein, a gente não tem compromisso pra você ficar com esse ciúmes assim, não tenho dono Fabio — Ela o soltou e ficou olhando a vitrini
Fabio a abraçou por trás e beijou o pescoço dela
Danielle olhava um telescópio com atenção
— Desculpa gatinha — Fabio disse apertando-a contra o próprio corpo — O que ta olhando
— Um telescópio — Ela disse pensativa
— Ah, você quer um? — Fabio perguntou
— Eu quero, mas eu não vou aceitar você me dar — Ela disse se afastando da vitrini
Fabio riu
— E quem disse que eu ia te dar? — Fabio disse sorridente
Ela parou e olhou para ele, séria, quase desafiadora.
— Você faz o que eu quiser e fará de tudo para me agradar — Ela disse
O rosto dele se desfez
Ela sorriu
— Eu não vou pisar em você, não se preocupe, eu não sou assim. — Danielle disse pensativa — Não mais
— Você já foi assim, de pisar em homem? — Fabio perguntou interessado
Ela fez que sim com a cabeça e murmurou de forma positiva.
— Teve uma época que eu tinha raiva de vocês — Ela falou tranquila
— De todos nós? — Fabio perguntou curioso
— É, queria que vocês sofressem — Danielle disse como se fosse algo comum
— Por que? — Fabio perguntou
Ela parou e olhou para ele, analisou o rosto dele, nariz, peito, respirou fundo e soltou o ar
— Vocês me fazem sofrer, todos vocês. — Ela disse — Desde pequena, meu pai, meu irmão, os colegas de escola, os meninos da rua, o meu primeiro homem, meu primeiro amor todos. — Parou de andar — Homem para mim é sinal de sofrimento, eu mesma quando me olho no espelho e vejo resquício de um homem eu sofro pra caramba.
— Mas você acha que eu quero que você sofra? — Fabio perguntou pensativo
— Não, você não, não por enquanto, acho — Ela disse segurando o braço dele e começando andar de novo
— Eu não quero que você sofra! — Fabio se defendeu — Eu disse, eu te amo
— Eu sei querido — Ela respondeu ignorando a nova declaração dele — Mas isso agora, se um dia eu te fizer sofrer — Ela disse e levantou um dedo — De forma involuntária, que fique claro, você vai querer meu mau, nem que seja um pouco
Fabio ia falar algo, mas resolveu não entrar naquele assunto.
— E obrigada — Danielle disse sorridente e se aproximou pedindo um beijinho nos lábios
Fabio deu o beijo
— Pelo que? — Perguntou desconfiado
— Por me amar — Ela disse colocando a cabeça no ombro dele — Por ser fofo e carinhoso comigo. — Ela explicou
— Você não me ama? — Ele perguntou nervoso
— Infelizmente não — Ela disse parecendo chateada — Mas tem uma coisa que você pode faze para tentar — Ela disse ainda num tom chateado
— O que? — Ele perguntou ansioso
Ela apontou para um quiosque com enormes e macias peças rosas, amarelas, azuis e verdes
— Me compra um algodão doce! — Ela disse animada
Ele sorriu e se aproximou, ela escolheu o cor de rosa, devorou contente enquanto andava, deu um pedaço na boca de Fabio, ele comeu, quando deu o segundo ele disse que não podia comer, explicou que devido a sua cirurgia aquilo poderia fazer mal.
— Entendi, preciso ler mais sobre isso, vou ativar meu hiperfoco nerd! — Ela falou simulando com os dedos raios que saiam de seus olhos e escaneavam o corpo de Fabio enquanto fazia barulhinhos com a boca.
Andaram mais um pouco e resolveram ir embora, era começo de noite e pegariam algum transito, ele disse que a levaria em casa.
Pararam na fila do pagamento do Ticket e Fabio abraçou Danielle
— Você é tão linda — Ele disse apaixonado
Ela sorriu e deu um beijo no nariz dele
— São seus olhos — Ela disse meiga
As mãos dele apertavam a cintura da garota, ela tocou a barba grossa dele.
— Tem que fazer a barba — Ela disse
— Não gosta assim? — Ele perguntou curioso
— Fica bonito, mas ta pinicando, e ta puxando seu rosto pra baixo, sei lá — Danielle disse raspando o dedo ouvindo um farfalhar característico
— Amanhã eu tiro — Ele disse sem cerimonia
— Não é pra me obedecer, é uma sugestão — Ela disse — Eu não mando em você! — Ela falou se lembrando da bariátrica
— Eu sei, mas sua opinião importa pra mim, muito — Ele disse se aproximando para pagar
Ela queria parar de dar sugestões tinha medo daquilo ser destrutivo para ele.
Danielle pegou sua bolsa e o empurrou
— Eu pago, deixa! — Ela disse entrando na frente dele e colocando o cartão, colocou a senha
“Cartão negado”
Ela pegou a bolsa e tirou outro cartão
“Cartão negado”
Tentou mais dois e a mesma mensagem apareceu, no quinto cartão o pagamento deu certo
Fabio observou a quantidade de cartões, mas não teceu comentários.
Quando pagou o ticket se virou para Danielle e disse
— Achei que você ia se aproveitar disso me dando ordens, me mandando fazer algo, mas tá me bancando já — Ele disse — Achei que ia ser seu Sugar Daddy
Ela riu
— Pra me bancar tem que ser milionário — Falou sem pensar e olhou para Fabio, sem graça pela referência ao ex-namorado milionário— Falei bobagem, me desculpa
Pegou na mão dele e deu o ticket
— Vamos querido? — Ela disse — Quem sabe eu dou alguma ordem.
— Ah — Ele se animou — E que tipo de ordem?
— Tenho algo em mente — Ela disse enquanto caminhavam e ela sorria
Chegaram ao carro, entraram Fabio no motorista e Danielle no passageiro
Fabio ligou o motor e o ar frio jorrou na cara deles
— Para onde? — Ele perguntou — Você que ordena
Ela sorriu
— Tô pensando em uma coisa — Ela disse quase como contando um plano — Estou me sentindo um pouco, masculina, sei lá — Ela disse pensativa — Acho que é cansaço, talvez deixar a parte feminina de lado
— Você vai deixar de ser mulher? — Fabio perguntou sem entender
— Não! — Danielle respondeu e um grito com sua perna instantaneamente começando a sacudir — Jamais!
— Então não entendi — Ele colocou a mão na perna dela, para parar o movimento nervoso — Calma
— Eu só to pensando — Ela disse — Besteira vai, vamos pra casa
— Não, pode me dizer, não confia em mim? — Ele perguntou curioso
— Confio — Ela fez uma careta — Mas…mas…
Não achava palavras
— É uma ordem que você quer me dar? Quer que eu vá para algum lugar? Faça algo? Compre algo? Diga algo? — Fabio perguntou nervoso — Qualquer coisa que meu amor mandar eu faço — A voz era apaixonada e divertida
— Ai senhor! — Danielle disse inclinando o banco um pouco para trás, abriu o botão da calça e depois o zíper, puxou até os joelhos revelando o pênis meia bomba — Chupa!
Fabio abriu a boca sem saber o que dizer, gaguejou
— Vai caralho! — Ela fez uma cara de quem não gostou da hesitação — Chupa essa pica, você não disse que ia fazer qualquer coisa? Vai!
Fabio se aproximou assustado, segurou o pênis dela, era quente, branco. Danielle puxou a cabeça para fora, era rosada, ele conhecia, sonhava com aquilo meses e meses, havia visto os vídeos dela transando com Fausto e se masturbava muito para isso.
Abocanhou, Danielle jogou a cabeça para trás gemendo
— Issooo — Ela acariciou a cabeça dele — Que gostosinho! — Falou dengosa — Mama tudinho
Ele continuou, não tinha muita prática, mas parecia fácil, a cada movimento o pênis de Danielle se endurecia mais e mais, na pontinha a lubrificação não era muito salgada, tinha um gosto bom
— Você me ama? — Ela perguntou acariciando o rosto dele e olhando-o nos olhos
— Amo muito — Ele respondeu e voltou a chupar
— Então me engole tá, me leva com você por que eu já tô quase dando o leitinho, você quer leitinho? — Ela perguntou amorosa
— Quero, dá leitinho pro seu amor — Fabio disse enquanto a chupava, sentiu ansiedade, ela iria gozar na boca dele, não queria fazer feio, queria que ela achasse perfeito
Ouviram uma batida forte no vidro
— Ei rapaz, o que você está fazendo aí? — Um homem grande, segurança do Shopping com uma luz na cara dele — Não pode fazer pouca vergonha aqui não
Danielle viu o homem, olhou para Fabio com seu pau duro na boca e o empurrou
— Vai Fabio vai vai vai! — Ela falou incentivando ele a ligar o carro enquanto ajeitava o banco
O Homem esbravejando e Fabio arrancou pelo estacionamento enquanto Danielle ria e se arrumava
— Caralho o cara pego você mamando — Riu debochada — Esse vai ter história pra contar
Fabio estava nervoso dirigindo a toda velocidade
— Não precisa correr querido — Ela colocou a mão na perna dele — Calma já estamos saindo
Passaram pela cancela e Fabio acelerou pela rua
Danielle continuava divertida
— Não fica chateado vai, foi bem legal! — Ela disse — Obrigada eu adorei
Ele respirou fundo
— Será que a câmera pegou? — Fabio perguntou nervoso
— E se pegou? Só falar que você tava com sua namorada ué — Danielle disse
— Minha namorada? — Fabio perguntou animado
— Só se pegarem, a gente não ta namorando — Ela disse e mudou de assunto — Mas já pensou se a gente vai preso, o policial ia ter que ligar pra sua mãe e falar “Dona Maria Fernanda o seu filho foi preso por que tava mamando na pica de uma travesti” — Danielle disse e riu debochada
Fabio relaxou também e riu, quando parou no farol ela se inclinou e o beijou nos lábios
— Foi incrível, eu tava precisando — Ela disse animada
— Achei que você não gostasse de coisa ali — Fabio disse
— Não gostava, mas sei lá, talvez passe a gostar, não tem muita regra, eu só pedi por que eu tava com vontade — Ela corrigiu — Eu mandei!
Ele riu
— Sim mestra — Falou como se estivesse em transe.
Ela riu divertida enquanto iam até sua casa, o caminho não tinha transito como eles imaginaram.
— O que a gente vai fazer? — Fabio disse — Digo, agora? Quer pedir algo pra comer, ver um filme na sua casa?
Ela olhou pra ele e sorriu
— Agora você me deixa em casa, eu vou tomar um banho, passar creme no meu corpo, talvez chorar um pouco — Ela disse pensativa — Essas coisas
— Chorar? — Ele perguntou — O dia não foi bom?
— Ah, foi né, mas aquele negócio do vídeo está na minha cabeça ainda, eu vou confrontar ele
— Vamos armar um plano — Fabio disse
— Não, não tem plano, eu vou colar nele, mostrar e perguntar o que ele espera disso, o que ele vai fazer com isso.
— Não sei se é uma boa ideia — Fabio disse — Ele é poderoso
— Ele é poderoso e eu sou uma pé rapada fudida, o que ele vai fazer? Me mandar embora? Que se foda, eu volto a trabalhar em Shopping como atendente, limpo casa, pinto parede, não tenho medo de trabalhar não — Ela disse arrumando o cabelo em um tom sério que a fazia mais bonita ainda
Fabio acariciou a coxa dela enquanto se aproximavam de casa, ele tocou no volume entre as pernas dela
— Para Fabio — Ela disse segurando a mão dele — Eu to com tesão sim se é isso que você quer conferir
— Então vamos terminar, é rapidinho, eu te mamo, você goza e eu engulo — Ele disse submisso
Ela olhou por uns segundos, pensativa, realmente considerou a possibilidade, se aproximavam da casa dela, já na rua Danielle viu algo que não queria, um carro grande, o tanque de Guerra que Fausto gostava de ostentar, estava parado na frente de casa e Miriam estava conversando com Fausto na calçada, algumas pessoas na rua, curiosos observavam.
— Que porra ela ta falando com ele? — Danielle piscou nervosa
— Eu to com você, calma — Fabio disse parando o carro
Danielle olhou para ele preocupada, ele se inclinou para beijá-la, mas ela não viu, virou-se e abriu a porta do carro saindo em direção à Miriam e Fausto.
— Oi amor — Fausto disse quando viu ela
Danielle se aproximou de Miriam enquanto olhava para ele, mas não o respondeu, parou e olhou para Miriam
— Explica — Disse num tom autoritário
Fausto disse
— Eu liguei para ela, já que você não queria me atender…
Danielle mostrou a palma da mão para ele
— Shhhhiiiiuuu eu não to falando com você — Falou nervosa ainda olhando para Miriam — Explica
Miriam coçou a cabeça nervosa
— Tia, ele me ligou, me pegou no trabalho, queria falar com você, insistiu para vir aqui, então ele ta aqui, quer conversar com você explicar, se desculpar sei lá — Miriam disse — Acho que você devia pelo menos conversar com ele
Danielle sentiu tocar seu braço, se afastou e tirou o braço com violência, era Fabio
— Desculpa — Ela disse tocando no ombro dele
— O que você ta fazendo aqui cara, ela não ta louca, eu falei com ela — Fabio disse para Fausto
— Eu não vou ter essa conversa com você, coloque-se no seu lugar, backup — Fausto disse soberbo
Fabio avançou para cima dele
— Backup é o caralho — As duas mãos tocaram o peito de Fausto mas Danielle entrou na frente
— Pode parar! — Deu um grito — Não quero treta aqui!
Fausto estava em posição de briga e avançou empurrando Danielle mas ela o empurrou também e bateu com os dois dedos no peito dele dando um grito
— Fica aí! — Falou enérgica com o rosto endiabrado
Pegou Fabio pela mão e puxou andando rápido, foi até o carro, parou na porta e disse
— Vai embora — Falou para ele
— Eu vou ficar, ele é perigoso — Fabio disse nervoso
— Não é, eu sei lidar com ele, vou ouvir ele e mandar ele procurar a turma dele, pode ficar tranquilo, nada vai acontecer — Danielle disse
— Tem certeza? — Fabio disse — Eu te amo, eu fico com você
— Eu sei querido, obrigada, mas eu preciso resolver isso, colocar um ponto final logo nessa história — Danielle disse e sorriu nervosa — É uma ordem, vai embora
Fabio ficou parado olhando, nervoso
— Confia em mim, eu sei o que estou fazendo, eu sei que não tô louca, você me convenceu disso — Ela sorriu nervosa.
Ele soltou o ar dos pulmões e fez que sim com a cabeça
Ela se aproximou e deu um selinho nele
— Me liga daqui a uma hora, quando você já estiver em casa tá bom? — Danielle sorriu fofa para ele
— Tá bom — Fabio disse preocupado
— Vai com Deus — Falou enquanto ele entrava no carro, com a expressão severa — É pra ir embora mesmo!
Fabio foi, ela esperou o carro virar a esquina e virou-se para Fausto e serrou os olhos, andou na direção dele pisando duro, cruzou os braços.
— O que você quer? — Ela perguntou
— Ele quer conversar — Miriam disse
Danielle olhou para ela, Miriam sentiu o fuzilamento visual e se afastou levantando as mãos em um gesto que disse “Não tenho nada a ver com isso”
Danielle virou-se devagar para Fausto e o encarou
— Podemos entrar? Não gosto de plateia — Fausto disse num tom de voz calmo
Danielle notou que algumas pessoas se aproximava para tentar entender o que acontecia
— Só se for eu na plateia né, vendo você dar seu show com a loirinha gringa — Danielle disse sentindo o peso da mágoa
— Vamos sair daqui — Ele abriu a porta do carro — Vem, vamos dar uma volta
Ela sabia como aquilo iria terminar, era o território dele. Deu as costas e caminhou até o portão se afastando do carro, parou com um pé para dentro e disse sem olhar para trás.
— Fecha seu carro, espero que você tenha seguro, aqui não é um paraíso — Entrou sem esperar
O Quintal era pequeno, havia apenas a casa de Danielle habitada a outra estava parada para uma reforma que ela planejava há algum tempo, mas que não avançou.
A luz da garagem escura fez Fausto andar devagar, mas no corredor do quintal com musgo verde nas paredes ela o esperava de braços cruzados esperando ele se aproximar.
— Acabou a plateia, como sempre eu faço o que vossa majestade deseja — Fez uma reverencia forçada — Fala logo que eu preciso tomar um banho e dormir
Fausto não esboçou reação
— Obrigado — Ele disse sério — Você precisa saber, que as coisas não são o que parecem
— Ah não? — Danielle jogou o cabelo para o lado, controlando o nervoso — E o que deveria parecer?
— Você está abalada pela síncope, o médico mesmo disse, você não está sabendo distinguir o que é real — Fausto disse sério
Danielle riu
— Caralho, eu não achei que você ia me tirar de louca de forma tão direta — Ela disse — Mas vamos lá, o que eu não vi?
Fausto abriu a boca e gaguejou, Danielle tomou a palavra
— Vou te ajudar, eu vi a Heather pelada, rebolando em cima de você, vi seu pau entrar e sair na buceta dela algumas vezes seguidas — Danielle fez um gesto com o polegar para confirmar o que dizia — Eu conferi, era uma buceta sim, estava bem molhada, assisti por uns 4 minutos eu acho, aí me cansei.
Fausto estava ofegante, tentou falar algo, mas Danielle o cortou de novo
— O que era para eu ver Fausto, ou simplesmente não era para eu ver? — Danielle era intencionalmente cínica.
— Não era para você ver, aquilo foi um erro, um deslise meu, uma bobagem, eu imploro que me dê outra chance, porque você é a mulher da minha vida, com você que eu quero construir um futuro, uma vida — Fausto tirou o anel do bolso com um grande e brilhante diamante azul — Casa comigo Dani, podemos preparar imediatamente, o casamento dos seus sonhos.
Ele percebeu a expressão dela e continuou
— Vestido branco mais lindo do mundo, convidados, rock’n roll, podemos chamar a banda que você quiser, uma famosa, você controla quem vai, posso mandar um avião buscar quem você quiser, podemos ter filhos, você será uma mãe linda e perfeita
Quando Danielle percebeu estava com a mão esticada quase tocando na aliança, olhou para ele constrangida e tirou a mão como se fosse fogo.
Ele se aproximou e a abraçou, ela continuou com os braços para baixo
— Eu te amo — Ele disse no ouvido dela
Danielle fechou os olhos com força e o abraçou com punhos fechados enquanto soluçava de chorar, ele a segurou com força esperando-a se recompor.
Sentiu-se culpada, culpada por sentir um arrepio e tesão naquele homem, não sabia se era a chupada que ganhara de Fabio que havia deixado ela acesa ou o simples poder sexual que Fausto tinha sobre ela.
— Vamos, me dê uma outra chance — Fausto disse depois de vários minutos de choro de Danielle
— Tia — Miriam apareceu — Tá tudo bem?
Danielle olhou para ela, o rosto vermelho a maquiagem borrada, empurrou Fausto.
— Tá sim cabeça, pode ir, aqui vai ficar tudo certo — Danielle disse
— Me liga se precisar — Miriam disse ao dar um beijo no rosto da tia e sair.
Danielle ficou observando-a sair
— O que ela te disse? — Perguntou à Fausto
— Que você estava sofrendo, e que tinha problemas — Fausto disse
— Problemas? — Danielle perguntou
— Sim, ela disse que você precisava da minha ajuda, mas não disse o que era — Fausto disse limpando uma lágrima que escorrida de Danielle
Mas ela se afastou dele, virando-se de lado, quase como se escondendo dele nas sombras do quintal mal iluminado, ele se aproximou
— Você não me ama? — Ele perguntou nervoso
Ela colocou as mãos no rosto e soluçou de novo de tanto chorar, ele tentou se aproximar, mas ela esticou a mão para estabelecer uma distância entre eles
— Amo, muito, você deve ter sido o homem que eu mais amei na minha vida — Ela disse limpando as lágrimas e o nariz que já escorria — E é por isso que dói pra caralho!
— Então vamos dar uma chance pra gente, me perdoa, eu assumo todos os meus erros, vou tentar ser um novo homem, percebi que só a menção de te perder me faz querer morrer — Fausto disse apaixonado
Ela olhou para ele, parecia admirada com as palavras dele
— Todos os seus erros? — Ela perguntou
— Sim, esse erro com essa garota, eu admito, fiz isso, foi errado, fui fraco, peço perdão, jamais vai se repetir — Fausto disse
— E as outras vezes — Danielle perguntou
— Só foi essa vez com ela, eu juro — Fausto disse
Danielle sorriu, mas era forçado, algo quase como loucura, colocou as mãos no rosto abafando a própria boca e deu um grito abafado, mas alto, parecia cheia de raiva
Fausto se assustou
— Porra como eu me odeio por te amar, que maldição! — Ela falou colocando as mãos na cintura — Que inferno! — Ela gritou nervosa
— Eu juro, foi a primeira e última vez — Fausto disse se aproximando e tocando na mão dela
— Com ela — Danielle disse limpando o nariz que escorria
— Com qualquer outra — Fausto disse
Danielle fechou os olhos, respirou fundo tentando se controlar
Fausto limpou as lágrimas dela com um lenço, ela abriu os olhos e o olhar dela fez ele se afastar por instinto.
— Eu vou te dar uma chance, a última que você vai ter, me conta toda a verdade e eu juro que tento de novo, mas só se você me convencer que mudou e que está disposto — Danielle disse — E eu vou ser compreensiva e vou ouvir tudo sem te julgar.
— O que você quer saber de verdade? Meu passado? — Fausto perguntou frustrado — O que eu fiz antes de te conhecer?
— Eu tô cagando pro seu passado, tô nem aí se você e seu pai curravam a moreninha lá que trabalha pra sua mãe — Pensou um pouco tentando se lembrar do nome — A tal da Anita — Danielle disse
Fausto arregalou os olhos assustado com o que ela sabia, engoliu seco. Danielle continuou:
— Eu quero a verdade, sua última chance, presta atenção, pensa bem no que você vai me falar — Ela cruzou os braços
Fausto respirou fundo
— Primeiro eu quero saber — Fausto disse nervoso
— Você não está na condição de exigir nada de mim, mas vai lá, fala — Danielle disse com desdém
— Você quer se casar comigo? — A pergunta dele foi hesitante
Danielle deu uma risada seca e forçada de desdém.
— Vai depender muito do que você me falar agora — Danielle disse — Eu não vou mentir, estou morrendo de medo do que você vai me falar, por que se não me convencer eu me conheço, eu vou desistir de você e deixar de te amar, aí não tem casamento, namoro, amizade nem emprego, eu saio da empresa para não te ver nunca mais por que você vai morrer na minha cabeça.
A boca de Fausto entortou, frustrado, sentiu vontade de chorar, sentiu uma dor no peito, engoliu seco novamente.
— Tudo — Ele disse nervoso, fez uma pausa longa, quase um minuto pensando, olhando para ela, tentando entender se a verdade a faria ir embora ou a mentira que faria, ele tinha que tentar, e se contasse tudo e ela o odiasse, mas e se mentisse e ela descobrisse depois, perderia ela novamente.
— Tô esperando — Ela falou depois de um tempo.
Mas ela notou algo estranho, as mãos dele tremiam, ele olhava pra baixo, focado, distante
— Fausto, acho melhor você ir embora, descansa e conversamos depois — Ela disse preocupada o tocando no braço
Ela viu as lágrimas descerem do rosto dele
— Eu sou uma vítima da minha própria idiotice — Ele disse com a voz chorosa
Danielle se surpreendeu, nunca havia imaginado que ele pudesse mostrar fragilidade nesse ponto
— Ninguém é culpado pelo que eu sou, só eu — Ele continuou — Eu sou rico, bonito, alto e poderoso…
Danielle levantou uma sobrancelha, aquilo não parecia algo negativo, mas o deixou continuar.
— Eu me valho disso para dominar as pessoas, me finjo de inocente e coitado só para… — Ele hesitou
— Comer as garotas — Danielle continuou
— É — Ele disse choroso
Ela se aproximou surpreendendo Fausto.
Sem ele saber, estava indo exatamente pelo caminho que ela queria, o caminho da verdade, ela tocou o rosto dele com as duas mãos, ele a viu, também chorava.
— Se abre pra mim meu amor, me conta tudo — Danielle disse — Por favor — Enquanto as lágrimas caíram dela também
E ele contou, disse que havia chantageado os ex namorados dela, disse que havia transado com as namoradas dos amigos, com Anita, disse que havia gravado as mulheres, que tinha gravações de vídeo de Danielle também.
Ela o abraçou, ficaram parados, abraçados no quintal na noite fria por quase meia hora, apenas se conectando, juntos, cumplices.
— Eu — Danielle disse — Eu preciso te falar algo que fiz — Danielle disse nervosa
Ele olhou preocupado para ela
— Você também me traiu? — Ele perguntou nervoso
Ela fez que não com a cabeça
— Eu estou vivendo uma vida de stress incrível nesses últimos meses Fausto, eu tenho contraído dívidas, comprado coisas, meu nome na praça não existe mais, devo para várias instituições, eu sou um fracasso — Ela enfiou a cara no peito dele
Sentiu o abraço quente e apertado de Fausto
— Por que? — Fausto disse pensativo — Você tem algum vicio? Jogo? Compras?
Ela não respondeu, parecia envergonhada, ele continuou.
— Seja o que for a gente vai dar um jeito, eu juro que te ajudo com tudo tá — Ele disse acarinhando a cabeça dela
— Eu to cansada, isso me estressou muito, para se sincera eu quero, mas e não sei se tenho energia para continuar
Fausto pegou o rosto dela
— Me deixa tentar, por favor — Ele olhou nos olhos dela, Danielle parecia cansada, derrotada
Com um movimento Fausto a pegou no colo, ela aceitou o movimento e o abraçou, ele entrou na casa dela, nunca havia estado ali, ela havia evitado de todos os jeitos possíveis, apertou o rosto contra ele sentindo vergonha.
Sentiu quando ele colocou seu corpo na cama suave, ela se encolheu
— Eu não queria que você visse aqui — Ela falou entristecida
— Por que? — Fausto disse, mas já entendia
— Minha toca é péssima, meu bairro é péssimo, isso aqui não é no seu nível — Danielle falou nervosa e chateada — Não queria que você soubesse que eu sou tão vira-latas assim.
Fausto pegou o queixo dela e a beijou devagar, sugou a língua cansada de Danielle, ela retribuiu, achou gostoso e delicado.
— Só me importa você e mais nada — Ele disse — E você não é uma vira-latas qualquer, é a minha vira-latas.
Ela sorriu se esforçando para parecer contente, abraçou os próprios joelhos
— E agora? — Perguntou para ele
Ele se ajoelhou na cama e acariciou o rosto dela, beijou
Danielle quis lutar, quis dizer que não, mas sentia muito tesão, a chupada que havia ganhado de Fabio havia deixado ela em um estado criticamente sexual.
As mãos de Fabio avançaram por suas coxas cobertas pelo Jeans e tocaram seu sexo enquanto beijava sua boca suavemente
— Tá dura — Ele disse num sussurro
— Tô — Ela respondeu confirmando com a voz baixa
— Você Quer? — Ele perguntou nervoso
Danielle fez que sim com a cabeça e sussurrou
— Quero — Falou fechando os olhos como quem sente dor.
Num gesto rápido Fausto enfiou as mãos por baixo da camiseta dela despindo-a da cintura para cima, avançando no pescoço de Danielle, ela deixou o corpo cair na cama e aceitou os beijos de luxuria do namorado que tentava reconquistá-la. Ela o acariciava e gemia baixinho, o amava sentia tesão nele, o calor, o cheiro a presença tudo a excitava
Ele abriu o botão da calça dela e o zíper
— Perae! — Ela falou segurando a mão dele
— O que foi? — Ele perguntou ofegante, nervoso
— Eu preciso tomar um banho, não estou preparada
— Eu quero você assim mesmo, livre — Fausto deu outro beijo nos lábios dela
— Não, sério, me incomoda, eu vou tomar banho, é rápido — Ela falou se arrastando pra fora da cama — É rápido, eu prometo.
Ela se levantou e tirou a calça Jeans mostrando um shortinho justo preto, mexeu nas gavetas pegando algumas coisas
— Que linda, tava morrendo de saudades de te ver — Fausto disse vendo o bumbum arrebitado e branco de Danielle marcado pelo jeans apertado
Ela sorriu envergonhada
— Tem comida na geladeira se quiser, fica à vontade, já volto — Ela entrou no banheiro e fechou a porta
Fausto logo ouviu um barulho que não conhecia muito bem, era o chuveiro elétrico, já tinha visto em motéis baratos que ia com mulheres para uma transa rápida Brasil a fora, mas não tinha muita intimidade com o funcionamento.
Sentiu uma vibração na cama, procurou seu celular, mas não era ele, outra vibração e viu a luz, o celular de Danielle, pegou na mão
“Chamada de Fabio DEV TI”
Fausto ficou olhando por alguns segundos até a ligação cair.
Pegou o celular e se levantou iria levá-lo até Danielle, o Celular vibrou novamente e ele viu a mensagem
“Não deixa esse vagabundo te enganar, meu amor, manda ele embora, me liga, te amo”
Era de Fabio.
Fausto olhou para o celular, teve um pequeno ataque de ansiedade, talvez algo tivesse avançado além do conhecimento dele, algo que ele teria trabalho para resolver.
O Telefone tocou de novo, era Fabio.
Fausto olhou na mão e se levantou, chegou na porta do banheiro e abriu
— Dani quer algo pra beber? — Perguntou com a voz alta
— Aahhh — Danielle pensou — Acho que não, quando eu sair vejo, não pega nada pra mim não
Fausto atendeu o telefone
— Alô — Falou forçando a voz mais grossa possível
— Quem é? — A Voz de Fabio falhou do outro lado
— É o namorado da Danielle, quem está falando? — Fausto perguntou já sabendo
— Você não é mais o namorado dela — Fabio disse nervoso — Onde ela está, o que você fez com ela? Coloca ela na linha agora!
— Ela está tomando banho cara, relaxa, ela tá ótima — Fausto disse quase em deboche
— Deixa eu falar com ela agora — Fabio exigiu nervoso
— Não, deixa ela tomar banho, perae — Fausto disse e gritou para Danielle — Amor, quer que eu esfregue suas costas? — Fausto colocou o telefone dentro do banheiro para Fabio ouvir
Danielle gritou de volta
— Não precisa querido, já tô saindo — Falou num tom distraído — Obrigadinha!
— Viu lá, aqui tá de boa — Fausto disse — Não liga mais pra minha namorada não cara
— O que você fez com ela? Ela sabe de tudo, eu contei tudo — Fabio disse
— Eu também contei tudo, obrigado por adiantar, facilitou muito as coisas — Fausto perguntou curioso
— Eu contei das suas traições, de tudo o que você fez enquanto namorava com ela — Fabio disse ofegante — fiz um dociê, falei que você ameaçou a gente, que ameaçou até mesmo ela.
— Ah, eu contei tudo isso também, ela me perdoou, vamos recomeçar a partir de hoje, mas vai separando uma graninha aí pro presente de casamento por que ela vai te convidar e vai ser logo — Fausto riu baixinho com um prazer pela tortura — Eu faço questão da sua presença
Fabio não respondeu, Fausto completou
— Bem, vou indo, minha travequinha tá saindo cheirosa pra mim, você perdeu, resuma-se à sua insignificância, programador — Fausto desligou o telefone
Colocou-o cuidadosamente na cama com a tela virada para baixo, foi até a geladeira de Danielle, notou que era de segunda mão, usada, gasta, assim como os móveis, exceto por algumas coisas como o piso, a pia e azulejos o resto era tudo velho.
Tomou um gole de suco e voltou ao quarto com copos na mão.
A luz estava apagada, Danielle surgiu no corredor, espetacular, usando uma lingerie branca completa com cinta liga, a luz da cozinha iluminava seu corpo deixando evidente que ela estava cada dia mais feminina, a cintura mais fina, as pernas mais grossas e o quadril visivelmente mais largo.
Aquilo tudo era resultado de hormônios, alimentação e academia.
Ela se aproximou, ele se levantou e a agarrou
— Cheirosa — Beijou e cheirou o pescoço dela — Linda, gata, meu amor
Ela riu dos beijos e dos carinhos
— Pensei em uma coisa — Ela disse colocando a mão no peito dele
— Acho que o que aconteceu foi um tranco forte pra mim — Ela disse — E eu preciso repensar umas posturas
— Que posturas? — Fausto perguntou sem entender.
— Para eu confiar em você de novo, do jeito que era antes — Ela parou e pensou um pouco, sacudiu a cabeça levemente tentando acreditar no que dizia — Você vai precisar confiar em mim cegamente
— Cegamente? — Ele disse — Em que sentido?
— Em todos os sentidos, se você me ama mesmo, vai deixar eu te dar prazer e confiar em mim — Danielle disse pensativa — Vai confiar e acreditar em tudo que eu diga, mesmo que não faça sentido na hora, mas eu prometo que você vai ficar sabendo depois.
— No que está pensando? — Fausto disse
— Cu Fausto, eu quero comer seu cu — Danielle disse direta — Já falamos sobre isso antes, você desviou do assunto, eu entendi, é normal, mas agora não dá mais, pra gente dar certo você vai ter que confiar em mim e entregar sua virgindade pra mim
Fausto se afastou, sentiu um calor no topo da cabeça
— É que eu, não sei, hoje eu tô meio estranho, não sei se dá — Ele disse pensativo tentando desviar
— Tudo bem, quando você puder a gente faz — Ela disse colocando a mão no ombro dele
Ele a agarrou beijando-a novamente, mas ela o empurrou, virou-se para o armário e abriu, pegou um vestido azul florido e soltou sobre o corpo entrando nele
Fausto não entendeu
— Vamos sair? — Fausto perguntou curioso
— Não, por quê? — Ela respondeu sem dar muita importância — Está tarde, não quero sair não, é hora de criança estar na cama já.
— É que você tá se vestindo — Fausto perguntou apontando pra ela
— Ah sim, não da pra ficar conversando assim pelada né, vou ficar resfriada — Ela acendeu a luz do quarto e em seguida se sentou na cama batendo com a mão para ele se sentar também.
Ele sentou-se preocupado, pensativo
— Eu achei que a gente ia… — Ele não quis terminar a frase
— Transar? — Danielle perguntou
— Isso — Ele respondeu nervoso
— A gente vai transar sim, mas no seu bumbum, quando você tiver pronto — Danielle disse — Se você confiar em mim o suficiente para deixar eu fazer amor no seu cuzinho, nossa confiança vai ser mútua, não é justo eu levar esse negócio gigante aí na bunda toda vez, vamos ter que rever isso daqui para frente
— Eu achei que você não gostasse de ser ativa — Fausto disse pensativo e chateado — Tó revendo muito minha vida depois de tudo que aconteceu, vou me permitir mais, vou relaxar mais.
Ela disse penteando os cabelos
Fausto ficou parado olhando pra ela, Danielle sem olhar para ele continuou
— Por que as amigas dos seus amigos? — Perguntou exalando o perfume adocicado que fazia Fausto tremer
— Por que eu fiquei com elas? — Fausto perguntou envergonhado
— Por que você fodeu com elas Fausto, vamos dar os nomes certos, você me traiu e comeu as namoradas dos seus amigos, por que essa traição toda, era raiva de mim, deles ou só tesão? — Danielle perguntou
— Não é raiva sua — Ele falou se contraindo — Eu sempre fui muito zuado por eles na adolescência e fase adulta como cabaço, virgem e coisas do tipo, e eu me descobri recentemente, quase um dois anos antes de você.
— Na minha vez você fica putanheiro? — Ela perguntou ainda penteando os cabelos úmidos
— Não, mas… — Fausto pensou um pouco — Não sou putanheiro, mas elas passaram a me ver com outros olhos, passaram a me dar atenção.
— E você não podia deixar passar? São as namoradas dos seus amigos — Danielle disse parecendo indiferente.
— Eu sempre tive raiva de como eles me tratavam, com humilhação me diminuindo, comer as namoradas deles foi um jeito que achei para me vingar, eles não sabem, mas as namoradas deles sabem
— Entendi — Ela falou pensativa — Vamos ter que resolver isso então.
— Como? — Fausto perguntou nervoso
— Você vai ligar, não agora, mas amanhã, para cada uma delas, até a puta da empregada lá que seu pai também come, vai dizer o que sente por mim e que não vai mais sair com elas, vai ligar pras namoradas deles, vai ligar pra puta loira americana, pra vadia da recepção que é atual do meu ex e qualquer outra vagabunda que tá na sua fila e se eu descobrir que tem outra, acabou — Ela deu uma pausa — Entendeu?
— Entendi — Ele disse fazendo que sim com a cabeça
— Na minha frente — Danielle disse — Eu quero ver você falando, quero ouvir a resposta delas e você não vai dizer que eu estou ouvindo
Ele olhou para ela parecendo assustado e concordou
— Sem trapaça tá, não avisa antes, só diz que quer conversar e pronto — Danielle disse autoritária
— Tá bom — Fausto disse
— Vai ser assim agora tá, na rédea curta, vou tratar você com cuidado, como se você estivesse em condicional, um deslize — Daniele levantou o dedo indicador — E fim
Ele olhou para ela pensativo
— Está disposto? — Ela perguntou — É pegar ou largar
— Estou disposto — Ele disse sem pensar.
— Ótimo — Ela apontou pro pau dele — Bate uma pra eu ver vai
— Pega aqui — Ele falou sorridente
— Não, bate aí, goza pra mim — Ela falou quase sem sentimento
Ele obedeceu, abriu a calça e tirou o pau para fora, estava mole, a cabeça vermelha, ele mexeu e foi endurecendo.
Danielle pegou o creme e começou a passar pelo próprio corpo, olhava o pênis de Fausto e suspirava de forma contia, seu próprio pênis pulsava, seu cuzinho piscava implorando por ele,
— Isso, continua, tá bonito — Ela incentivou
Ele continuou, deitou na cama e continou a se masturbar
— Isso vai, goza — Ela tocou o próprio pênis sem ele ver, se masturbando devagar e falou incentivando — Bate Fausto, rapidinho vai, quero ver leite!
Ele obedeceu, o pênis enorme estava ereto e ele masturbava com as duas mãos e os olhos fechados quando sentiu uma pressão inesperada na cabeça do pau.
A boca de Danielle sugando com força a ponta do pênis dele enquanto ele se masturbava ferozmente, avisou do orgasmos ela agarrou suavemente as bolas dele, acariciou e sentiu a inundação quente dentro da boca, enchendo com força e pressão, ela deixou escorrer pelo queixo e pescoço enquanto ele gemia agonizante.
Antes dele se recuperar ela foi até ele e deu-lhe um beijo na boca, já havia feito algo similar, mas não com tanta porra assim, Fausto achou incomum, mas aceitou o beijo inundando ele do próprio sêmem quente e salgado, ele engoliu fazendo uma careta.
Ela se levantou
— Acho bom você ir, já já vão notar teu carro aí, talvez nem esteja mais aí — Ela disse — O bairro aqui é perigoso
— Tudo bem, tenho seguro — Fausto disse sem dar importância
Danielle revirou os olhos
— Riquinho — Debochou, Fausto guardou o pênis enorme e ela sentou no colo dele — Me fala uma coisa — Ela pensou um pouco — E isso é uma coisa que me dói bastante, por favor respeite minha vulnerabilidade
— Eu te respeito, óbvio — Fausto disse
— Eu sou um traveco, só tenho cu, homem adora cu e eu sei que é bem diferente de buceta e mulher mesmo também tem cu— Danielle disse parecendo refletir sobre o que dizia — Me promete que quando você sentir saudade de buceta, você vai me avisar? — Olhou para ele com os olhos brilhando prestes a saírem lágrimas
— Não amor, eu não vou ter saudades, eu juro — Fausto disse, mas Danielle tapou a boca dele com a mão
— Shhhh — Ela chiou com a boca — Não tenta me enganar — Danielle disse — Pra isso funcionar tem que ser sinceridade cem por cento — Tirou a mão da boca dele
Ele respirou fundo, sua cabeça ainda girava depois do orgasmo estranho
— Prometo, eu te aviso — Ele disse pensativo e preocupado
— Eu não sei o que vou fazer, mas a gente da um jeito, chama uma profissional, uma amiga, sei lá — Ela pensou — Eu mesma opero, eu dou um jeito, mas só não faça nada sem falar comigo antes está bom?
— Ta bom — Ele a abraçou — Obrigado, não vou te decepcionar
— Assim espero — Ela sorriu entristecida — Eu dificilmente faço isso, dar chance, isso quer dizer que você é especial para mim, não traia minha confiança nunca mais, por favor, isso dói muito
Ele a abraçou, pegou a mão dela e colocou a aliança no dedo de maneira delicada. Por cima do ombro de Fausto ela olhou para o dedo adornado com a joia bonita.
— Eu juro — Ficaram abraçados, ela sentada no colo dele por um longo instante e ele continuou — E do seu lado, terei essa sinceridade total e irrestrita?
— Sim, terá — Ela respondeu se pensar — Você sempre teve, só não sabia.
— Nesses dias que ficamos — Fausto não sabia o que dizer — Brigados…
— Separados — Ela disse olhando para o anel de ouro com um diamante — Você transou com outra pessoa e eu terminei nosso namoro, noivado e tudo mais
— Tá — Ele respondeu tentando evitar o sermão — Entendi, preciso ser direto.
Ela se calou, sabia que ele queria perguntar algo, mas não disse nada, ele continuou
— No tempo que ficamos separados, você, sei lá — Fausto disse
— Eu o que Fausto? A gente prometeu ser cem por cento honestos e verdadeiros, pergunte o que você quer saber que eu vou responder sem negar, sem mentir
— Você transou com o Fabio? — Fausto perguntou sem hesitar
— Não, não transei com o Fábio – Ela disse simplória
Ele olhou para ela sem entender a expressão, parecia que ela aguardava algo mais
— Fizeram algo? — Ele perguntou nervoso
— Fizemos algo sim — Ela disse quase sem emoção, mas sem esconder
— O que fizeram? — Ele perguntou nervoso
— Foi um dia normal, dia de namorados — Danielle respondeu ainda simplória
— Dani — Fausto disse nervoso — Namorado? Sério?
— A gente estava separado, você tinha picado o chifre em mim e eu terminei — Ela mostrou o anel — Eu tinha te devolvido o Anel, não te devia nada
Ele passou a mão no rosto com força, agoniado
— O que você fez? — Fausto perguntou nervoso
Ela se levantou
— Pode parar hein, eu não devo explicações do que eu fiz quando estive solteira — Bateu no próprio peito — Por que EEEEUUUU sou fiel! — Falou desafiadora esperando ele falar algo enquanto olhava no olho dele
— Tá, você tá magoada ainda — Fausto disse se levantando — Entendi
— Você achou o que porra? — Ela mudou de expressão — Acha que eu sou a caralha da branca de neve só por que sou branquela? — Ficou esperando uma resposta dele, Fausto a analisava — Vai tomar no cu! — Ela gritou
Virou-se de costas e encostou a testa na parede, socou a parede com força
— Você me traiu, filho da puta, com aquela buceta rosa! — Ela gritou nervosa
Ele correu e a abraçou por trás
— Eu não sou mulher! — Ela falou chorando — Eu sou um bicho, eu nunca vou ser boa suficiente pra você! — Ela falou chorando novamente — É sempre uma desgraça de uma buceta! — Deu outro soco na parede
Ele puxou ela para a cama no colo dele para parar de socar a parede
— Eu quero morrer, eu quero ser mulher! — Ela gritou parecendo algo desesperado que prendia no peito dela — Isso é um pesadelo! Jesus me ajuda por favor — Ela falava num tom de voz alto que assustou Fausto
— Shhhiiii — Fausto abraçou ela por trás envolvendo-a com os braços — Quietinha, ta tudo bem, to aqui com você
— Eu sou um fracasso, eu sou um bicho, devia ter deixado meu pai me matar, eu devia ter desistido — Ela chorava alto — O que eu to fazendo da minha vida meu Deus?
Fausto tentou acalmá-la, mas ela parecia em algum tipo de surto.
Ouviu um barulho no portão e passos, agarrou Danielle com mais força
— Tia, tia! — Miriam vinha chamando pelo corredor, abriu a porta e entrou, encontrou os dois abraçados, o rosto de Fausto assustado — O que houve?
— Eu não sei — Fausto disse agarrado à Danielle que chorava de olhos fechados com o rosto molhado de lágrimas
— Tia, tia — Mariam falou pegando-a pelos braços — O que foi?
— Eu nunca vou ser como você, você é perfeita, eu sou uma escrota deformada — Danielle chorou ao falar — Cheia de remédio, falsa, um traveco horrível.
Miriam franziu o rosto e deu um tapão na cara de Danielle
— Acorda Danielle! — Falou num grito — Frescura da porra! — Gritou com ela fazendo Danielle se calar e encará-la em choque com a expressão paralisada — Nunca foi de frescura e vai ficar com essas graças agora, está metendo o louco pra cima de mim agora? Toma vergonha caralho — Falou sério — Você não é retardada, para com isso!
Danielle olhou para ela assustada, os olhos vermelhos, se encolheu no colo de Fausto e continuou chorando e fungando quietinha como se fosse uma criança.
Fausto olhou para Miriam assustado
— Deixa eu falar com ela — Miriam disse nervosa e autoritária
Fausto saiu colocando Danielle na cama, Miriam puxou um banquinho e sentou-se na frente de Danielle
— O que foi? — Miriam perguntou — Por que esse desespero?
— Eu nunca vou ser uma mulher — Danielle disse
— E qual a novidade, você é uma travesti tia, a gente sabe disse faz muito tempo — Miriam disse — Qual o problema disso agora, qual a novidade?
— Eu queria ser uma mulher — Danielle disse — Aí eu não ia ser trocada por mulher todas as vezes
— Aí você teria outros problemas, eu queria ser rica, mas tô aqui sofrendo — Miriam disse
— Por que você é trouxa, arruma um homem rico — Danielle falou sem pensar
— Vou fazer igual você então — Miriam disse
Danielle olhou para ela, olhou para Fausto, o rosto corou e ela abaixou a cabeça
— Vaca — Danielle falou baixinho
Miriam se levantou
— Você vai ficar aqui ou vai embora hoje? — Miriam perguntou para Fausto
— Eu vou embora — Ele disse — Preciso trabalhar cedo amanhã, estou com muitas coisas
Miriam viu o anel na mão de Danielle.
— Te acompanho até o portão — Miriam disse
Fausto se aproximou
— Dani, eu preciso ir, você está bem? Quer que eu fique? — Fausto disse
— Não amor, desculpa, eu, só — Danielle não sabia o que dizer — Eu preciso dormir só, desculpa, esse dia foi pesado demais pra mim, vamos falar amanhã ta bom? — Danielle perguntou
— Tudo bem — Ele disse e se inclinou para um beijo
Danielle deu um beijo simples nos lábios dele e se deitou na cama. Ele se afastou e ela o segurou pelo colarinho
— O Fabio chupou meu pau dentro do carro e a gente beijou — Danielle disse — Foi só isso.
Fausto ouviu e olhou para Miriam que parecia uma rocha sem reação alguma do que acabou de ouviu.
— Boa noite amor, falamos amanhã — Fausto disse saindo.
Miriam acompanhou Fausto até o portão
— Vocês se acertaram então — Miriam disse cobrindo-se com uma blusa de moletom
Fausto respirou de forma pesada
— Acho que sim — Fausto disse pensativo — Mas não sei se vai durar
— Por que acha que não? Ela aceitou o anel, gosta de você — Miriam falou
Fausto olhou em volta, parecia pensar no que ia dizer
— Por que ela ta magoada comigo, não sei se vai me perdoar de verdade — Olhou para Miriam e os olhos estavam cheio de água, ele os limpou
— Você gosta muito dela né? — Miriam perguntou
— Gosto, não sei nem como expressar isso — Fausto disse preocupado
— Seja simples, ela é simples, olha onde a gente mora — Miriam abriu os braços mostrando o quintal com as paredes chapiscadas e musgo marcando a água que escorreu em algum momento — por mais que ela se esforce para ser uma dama, uma ricona com você isso faz mal pra ela, muito mal — Miriam disse
— Você acha? — Fausto perguntou — Meu ambiente é tóxico pra ela?
— Vocês não falaram sobre o problema dela né? — Miriam perguntou — Relacionado a dinheiro
— Ela me falou algo de uma dívida, nome sujo — Fausto tentou se lembrar
— Você é cheio da grana, dinheiro não é problema pra você, isso ta matando-a, quando for falar aborda isso e não diz que foi eu que disse senão ela me mata — Miriam falou
— Ta bom Miriam, preciso ir, obrigado pela ajuda — Ele disse — Você é muito bonita tenho uns amigos que eu posso te apresentar
— Claro que eu sou bonita, pareço com sua amada né? — Miriam debochou, nesse ponto era parecida com Danielle — Mas eu sou trouxa, vou casar por amor infelizmente.
Fausto sorriu, deu um beijo na bochecha dela e um abraço e se foi.
Miriam voltou para dentro, Danielle dormia encolhida na cama.
Miriam fechou o portão, a porta e se deitou junto com a tia mexendo em seu celular traçando o plano da manhã seguinte.


