Danielle Transexual 2 — Capítulo 06 — Eu sou louca?

Danielle Transexual 2 — Capítulo 06 — Eu sou louca?

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Acordou cedo no dia seguinte, sentia tédio, uma certa mágoa e ficou pensando no que Fátima havia dito, disse que não estava tão bem, mas havia recebido um presente, algo que Danielle logo esqueceria, um assunto que não lhe dizia respeito.

Uma mensagem no celular chamou atenção de Danielle, um numero desconhecido

— Dani, esse é meu novo numero, aqui é o Fabio, me adiciona, preciso falar com você

Danielle ergueu uma sobrancelha, olhou o outro telefone e tinha de Fábio e não tinha mais foto, um indicativo de que o numero estava inativo

Ela adicionou o novo numero

— Oi Fábio, por que trocou de numero? — Perguntou curiosa

— Oi Dani — Ele respondeu — Era da empresa, não era meu

— Devolveu o telefone da empresa? — Danielle perguntou sem entender

— Eu me demiti — Ele disse direto

— Demitiu quando? — Ela perguntou e em seguida mandou outra mensagem — Eu não sei, eu desmaiei e acho que perdi algo

— Eu sei — Ele disse sensato — Quero me encontrar com você, tenho umas coisas para falar.

— Encontrar? Por que? — Ela perguntou desconfiada, estava tentando se afastar sentimentalmente e fisicamente de Fabio, sabia que fazia mal para ele

— É importante, pode ser num Shopping eu sei que você tem medo de mim

— Eu não tenho medo de você — Ela mandou a mensagem e ficou pensando

Miriam entrou na cozinha

— Bom dia tia — Falou sonolenta

— Mi, você vai trabalhar hoje? — Danielle perguntou

— Planejo, por que? — Perguntou curiosa

— Por que um amigo vai vir aqui — Danielle disse

— Eita, nem esperou o rico esfriar — Miriam disse fazendo uma careta

— Cala a boca mano, ele é meu amigo quer me mostrar uma coisa — Danielle disse direta

Miriam sorriu e fez um gesto com a mão demonstrando tamanho

— Sei que coisa ele vai te mostrar — Falou debochada

Danielle revirou os olhos, pegou o celular e enviou o endereço

— Que horas você chega?

— Em uma hora — Fabio respondeu

Danielle colocou o celular na mesa, olhou para Miriam e pegou de volta

— Passa na padaria e pega uma Vanderléia pra mim

— Vanderléia? — Fabio perguntou

— Fala pro padeiro que ele sabe, vem.

Danielle tomou café com Miriam até a sobrinha sair para se trocar na própria casa dela e ir embora.

— Tia, qualquer coisa me chama tá, tô aqui pra você sempre — Miriam falou Carinhosa

Danielle sorriu e deram um selinho

— Te amo cabeça de bagre — Danielle disse enquanto Miriam saia

Danielle tomou um banho, se perfumou e se hidratou, não que esperasse fazer algo com Fabio, mas gostava que os homens a desejassem, de certa forma gostava de estar sempre pronta, mesmo não tendo a intenção direta.

Colocou uma roupa simples, camiseta branca de uma banda evangélica de rock e uma saia jeans cumprida, não era tão “crente” assim, mas as vezes gostava de se parecer com uma das mulheres da igreja, era estranhamente confortável se parecer com as pessoas que tanto a hostilizaram

— Dani! — A voz de Fábio ecoou no portão

Não havia qualquer tranca automática ou autorização, ela pegou a chave e foi até la abrir para ele

— Bom dia — Ela sorriu e disse para ele

— Bom dia — Ele disse sério, se aproximou e deu um beijo no rosto e um abraço breve em Danielle — Você está maravilhosa — falou hipnotizado

Danielle foi na frente, entraram em sua casa pequena que tinha apenas dois cômodas, a cozinha e o quarto fora o banheiro.

Danielle mostrou a cadeira para ele e pegou a garrafa térmica

— Acabei de passar um cafezinho, quer? — Ela ofereceu gentil

— Aceito — Fabio disse pegando a sacola e colocando um pacote na mesa — Sua Vanderléia

Danielle colocou a língua para fora, serviu o café para ele e pegou o pacote, abriu, um pão doce com cobertura amarela e coco

— Ah, que gostoso eu tava com desejo! — Danielle disse — Fazia tempo que não comia!

Danielle estava com a boca cheia de pão doce com a bochecha melada de creme

Fabio olhou para ela, o sorriso dele era bobo, de admiração, de quem vê algo bonito e simpático

Danielle pegou um papel

— Tô com a cara suja né? — Ela se limpou — Ai, sabia, tenho que parar de ser esganada — Ela disse se limpando

Voltou a atenção para Fábio

— Mas o que você queria me falar de tão importante — Ela disse dobrando o papel e tomando um gole de café — E por que você saiu da empresa

Fabio tomou folego, respirou fundo

— Seu namorado, ele fez algumas coisas que não são legais — Fabio começou

— Ex — Danielle corrigiu

— Ex o que? O Fausto? — Fabio disse sem entender — Quanto tempo?

— Dois dias — Danielle disse — Terminei com ele

— Mas ele sabe? — Fábio perguntou curioso

— Oxê, claro que sabe, peguei ele na cama com uma puta loira — Danielle disse — Acabou!

— Eu falei com ele ontem a tarde e ele… — Fábio se conteve

— Ele o que? — Danielle disse sem entender

— Ele, deu a entender que vocês ainda estavam namorando — Fábio disse pensativo

— O que ele te disse? — Fábio disse

— Acho melhor eu começar a contar o que eu sei do começo, vai ser mais linear

— Agora fiquei curiosa, desembucha, já tava metendo chifre em mim antes? — Danielle perguntou curiosa

— Mais ou menos — Fábio pegou o notebook na mochila e colocou na mesa virando a tela para ela, olhou para ela, Danielle viu o olhar dele no cabelo, no peito e depois no rosto — Você está bem? — Ele perguntou tocando a mão dela

— Agora sim — Ela não tirou a mão, segurou a mão dele — Não está sendo fácil sabe, aconteceu muita coisa e minha memória está falhando, sei lá

— O que você lembra? — Fábio disse

— Eu tava no escritório aí pumba, teto preto e acordei no hospital com a Miriam do meu lado.

— Não lembra da reunião? — Ele perguntou olhando para ela notando os olhos delicadamente delineados

Ela levantou uma sobrancelha e depois o olhar atravessou Fabio, ficou em silêncio por alguns segundos e focou o olhar nele com a testa franzida

— Não — Falou devagar

— Seu namorado — Fábio disse

— Ex — Danielle corrigiu

— Seu agora ex-namorado, na época namorado — Fabio completou — Chamou o Armando, seu outro ex e eu para a sala dele

Danielle olhou intrigada esperando ele falar

Fabio se deteve pensativo, pensando se seria ou não uma boa ideia, Danielle resolveu falar

— Sobre o que foi essa reunião? — Danielle perguntou — Por que você e o Armando?

Fabio pigarreou

— Ele chantageou a gente — Fabio disse

Danielle esmurrou a mesa

— Ele o que? — Falou num tom alto pegando o celular

— Calma Dani, o que você vai fazer? — Fabio disse nervoso

— Vou ligar praquele filho da puta, ele está pensando que é o que? Meu dono?

— Espera, por favor, deixa eu explicar — Fabio disse tentando acalmar Danielle

Ela desligou o celular e olhou para ele.

— O que ele queria? Por que chantageou vocês? — Danielle perguntou nervosa

— Por que ele gostava de você — Fabio disse

Danielle franziu a testa, Fabio continuou

— Primeiro ele quis mostrar que ele era foda e que tanto o Armando como eu não tínhamos chance contra ele — Fabio disse

Danielle ficou olhando curiosa, as narinas abrindo e fechando pesadamente

— Depois ele mostrou coisas erradas que tanto o Armando quanto eu fizemos na empresa e que daria demissão para nós dois

Danielle franziu o rosto

— O que vocês fizeram? — Perguntou preocupada, e completou — Não é algo criminoso não né?

— Não, mas é errado — Fabio disse pensativo

— Fala, o que foi? — Danielle perguntou curiosa

— Sexo Dani, tanto ele como eu fizemos sexo na empresa e o seu namorado tinha as imagens das câmeras — Fabio disse tranquilo

— Ex namorado — Danielle corrigiu, em seguida insistiu — Com quem você transou?

Fábio só levantou uma sobrancelha e observou-a por alguns segundos, Danielle olhou para ele e a compreensão foi chegando ao seu rosto, ela colocou as duas mãos no rosto e se levantou

— Filho da puta, ele pegou imagem de nós dois nas escadas ou na sala de descanso? — Danielle falou assustada — Eu sei que não tem câmera na sala de descanso, você disse que não tinha na de incêndio — Ela falava rápido — Só pode ser na de incêndio eu não verifiquei, caralho como sou idiota

— Calma Dani — Fabio disse tentando contê-la ao se levantar — Foi na de incêndio

— Filho da puta! — Ela disse — Que merda, mas foi antes de eu ficar com ele, ele disse que eu o traí? Por que se disse não foi verdade, eu nunca o traí.

— Não, ele não disse isso — Fábio disse frustrado mexendo no computador — Mas ele mostrou pra mim e para o Armando

— Mostrou a gente transando? — Ela perguntou preocupada, assustada

— Sim, a gente se pegando e transando na escada de incêndio em um dia e no outro você dando pro Armando no estacionamento do prédio — Fabio disse decepcionado

Ela olhou para ele envergonhada, não sabia o que dizer

— Eu, eu não tava namorando ninguém, não queria que você soubesse para não te magoar — Danielle disse sem saber exatamente que mensagem queria passar

Fabio não respondeu, mexeu no computador mais um pouco

— Aí eu fiz umas pesquisas na rede da empresa e encontrei o computador e os drives de armazenamento dele — Fabio disse voltando a virar o computador para Danielle mostrando um diretório com vários vídeos

— E o que você encontrou? — Danielle perguntou curiosa — Não transei com mais ninguém — Ela disse lembrando-se que transou com Fausto na sala dele, mas não haviam câmera de segurança lá, até onde ela sabia

— Não tinha muito mais coisa na empresa referente à câmeras, só outras coisas estranhas, mas quero que você veja isso — Mostrou o diretório para ela, miniaturas de imagens dos vídeos, pareciam vídeos pornô

— Ele tinha pornografia no computador dele? — Danielle perguntou sem entender

— Tinha — Fábio deu um clique duplo fazendo o arquivo abrir

Uma mulher loira apareceu, era muito bonita, Danielle não a conhecia, estava na ponta da cama de Fausto subindo e descendo, o pau ela conhecia, apenar de não conseguir ver Fausto o tamanho do membro dele era inconfundível, ela observou por alguns segundos a mulher subindo e descendo sorridente no pau de Fausto enquanto ele tocava os grandes e naturais seios dela

— Quando foi isso? — Ela perguntou com a voz sem emoção

— Essa de quase um ano atrás — Fabio disse

Danielle sentiu um alívio

— OK, foi antes de mim, estamos juntos a pouco mais de cinco meses — Assim que disse se corrigiu — Estávamos né.

Fabio fechou o video e abriu outro esse aqui é de dois meses atrás

O vídeo abriu, mostrava uma moça de pele branca, um pouco mais morena que Danielle apenas, muito bonita, cabelos negros e lisos, lombos escorrendo pelos seios firmes e naturais

Na mesma pose da garota anterior, também sorridente e olhando para a câmera, subindo e descendo

— Ai Faustinho, isso é muito gostoso — Ela falou animada

Fausto tocava a buceta dela com uma mão e enchia a mão nos seios com a outra

Danielle ficou calada observando e soltou o ar dos pulmões colocando as mãos no rosto

— Essa é a Fernanda, namorada o Claudio, melhor amigo dele — Danielle disse decepcionada

Fabio parou o video e colocou outro, dessa vez uma mulher negra, de costas para a câmera, levava o também na buceta, ela olhou sorridente por cima do ombro enquanto subia e descia, Danielle viu o rosto de Fausto quando eles se beijaram

— Essa é a ester, ela é namorada de uma amiga, ela deveria ser lésbica — Danielle disse decepcionada — Ela é médica psiquiatra, de quando é essa?

— Hmmm — Fabio olhou o arquivo — Um mês atrás

— Filho da puta! — Danielle disse — Eu to tomando chifre o tempo todo, e por boceta, filho da puta desgraçado! — Danielle disse revoltada — Tem mais?

— Mais uma só e o outro mais importante, essa é do dia anterior a você ter ido parar no hospital

Fabio abriu o arquivo

Danielle reconheceu imediatamente, a pele morena, os seios fartos bonitos, bicos grandes

— Essa é a Amélia — Danielle falou coçando o couro cabeludo com as unhas — Ela da pro pai dele também — Só tem puta nessa porra?

Amelia rebolava e falava algo, Danielle aumentou o volume

— Eu sei, sem que tiver saudade de mulher de verdade é só me chamar meu reizinho — Ela disse rindo enquanto rebolava freneticamente no pênis grosso de Fausto

Fabio parou o video pois viu que isso causara dor em Danielle

— Tem mais um, o ultimo, juro que não vou mostrar isso pra ninguém, vou destruir quando você ver — Fausto disse

O Coração de Danielle bateu forte, mentalmente ela fez o mapa da casa de Fausto, ele comia as meninas sempre na cama, a mesma cama que ela também era comida por ele, ali que ela aguentava o pênis imenso a arrombando, na beira da cama em frente ao armário com um espelho grande

Um áudio chamou a atenção de Danielle, era sua própria voz, era ela, subindo e descendo no pênis de Fausto, com os seios diminutos o pênis apertado na calcinha de renda caríssima.

“Amor, meu Faustinho lindo, pra mim você é mais do que tudo nesse mundo, você é incrível, é o homem que eu sempre sonhei, o melhor de todos que eu já tive na minha vida, quero passar a vida eterna com você, pra sempre, por que eu te amo do fundo do meu coração e não tem mais ninguém que possa competir com esse amor” — Ela fechou os olhos, o pênis pulou mais para fora da calcinha e espirrou sêmen, ela gemeu animada — “Te amo, te amo, te amo” ela falou enquanto gozava.

— Tinha uma câmera no espelho — Ela disse nervosa encostando a testa na mesa.

Danielle se levantou, andou pela cozinha, colocou a mão na cintura, parou de costas para Fabio

— Você tá bem? — Fabio perguntou — Acho que foi demais eu te mostrar isso, desculpe

Ela se virou com o rosto vermelho, enxugando as lágrimas, a pouca maquiagem já borrada

— Eu to bem sim, to contente por saber que eu nunca posso considerar voltar com esse traidor dos infernos e que terminar imediatamente com ele foi a melhor coisa que eu fiz

Ela ficou olhando para Fabio pensativa

— Por que você ta me mostrando isso? — Danielle perguntou se aproximando e voltando a se sentar após pegar um copo de água

— Por que você não merece isso, mas eu quero te pedir uma coisa — Fabio disse

— O que? — Ela perguntou curiosa e apreensiva

— Que você fique quieta, apenas se proteja — Fabio disse preocupado

— Me proteger do que? — Danielle disse franzindo o cenho já terminei com ele

— Ele vai te demitir, disse que você não vai arrumar trabalho fácil, por que você é transexual — Fabio disse

Ela fechou os olhos, sabia que isso era verdade, abriu os olhos

— Ele não vai precisar me demitir eu mesma vou me demitir quando voltar — Danielle disse

— Não Dani, procura um trabalho antes, faz sua casa antes — Fabio disse — Somos TI somos espertos, não se fode por isso

Danielle deu um soco na mesa

— Eu não sangue de barata não, que cara eu vou trombar com esse filho de uma puta numa reunião, minha vontade vai ser de voar no pescoço dele e rasgar ele inteirinho

Fabio se surpreendeu, Danielle continuou

— Eu não admito traição — Danielle disse contendo o choro novamente e respirando fundo tomando um gole de água. — E você, o que vai fazer?

— Eu pedi demissão no dia que você foi ao hospital, não volto mais lá — Fabio disse

Danielle sorriu

— O sujo falando do mal lavado — Danielle disse — Você tem filha, pensão, não da para fazer isso

— Eles não aceitaram minha demissão, o Fausto me demitiu para eu receber todos os direitos

Ela piscou desorientada, se levantou e entrou no quarto, alguns minutos depois com a maquiagem refeita, rosto limpo e uma bolsa

— Vamos dar uma volta vai, não quero ficar aqui.

Já no carro de Fabio, Danielle mexia no radio impaciente e pensativa

— O que mais ele falou de mim para vocês nessa reunião aí? — Danielle perguntou curiosa

Fabio dirigia com tranquilidade

— Ele disse que você falou meu nome durante uma noite e vocês falaram sobre isso — Fabio disse

— Sim, ele disse e eu falei que você era especial pra mim, era meu amigo — Danielle falou pensativa — Acho que foi aí que ele foi investigar — Enquanto falava olhava para fora do carro procurando algo que não sabia o que era — Ele tinha uma câmera atrás do espelho, deve ter me filmado dezena de vezes

— Aparentemente sim — Fabio disse — Mas essas foram todas que eu achei

— Entendo — Danielle respondeu distante, sentiu uma mão na sua coxa, era Fábio, ela olhou para a mão dele e depois para ele.

Fabio notou uma certa hostilidade e tirou a mão, mas Danielle repetiu o gesto, colocou a mão na coxa dele enquanto ele dirigia, era um gesto que fazia com seus namorados ou com quem tinha intimidade suficiente para fazer algo.

Andaram de carro pela avenida movimentada e Fabio entrou em um shopping subindo o estacionamento

— Cara, eu tô muito puta com ele — Danielle disse — Se eu ver ele agora — Ela pensou — Nossa — Mas e o que ele te disse dessa última vez?

— Ele disse que vocês vão se casar, você aceitou o pedido de casamento dele — Fabio disse

Danielle deu uma risada forçada de escárnio, Fabio continuou

— Ele disse que te ama, mas que você está confusa, apareceu no apartamento dele e precisa descansar porque está inventando histórias.

— Ele vai partir para a ideia de que eu tô loca então, entendi. — Danielle ficou pensativa.

— E se for? — Fabio disse enquanto parava o carro na vaga e puxava o freio de mão

— Se for o que? Louca? — Danielle perguntou

— Não, você teve uma síncope, é comum estar confusa, talvez inventar algo — Fabio disse pensativo

— Como assim? Eu não sou louca — Danielle disse tirando o cinto devagar

— Lembra quando falamos uma vez de realidade, que a gente não tem como saber se somos loucos ou não? — Fabio perguntou

Danielle olhou para ele admirada

— O louco não sabe que é louco — Danielle disse lembrando da conversa que teve — Você acha que eu sou louca?

— Não importa o que eu ache, minha reposta vai ser interpretada por você do jeito que você quiser, mas eu não acho que seja, se isso faz diferença, se você é eu sou também.

Danielle ficou em silencio por alguns segundos, era uma questão profundamente filosófica

— Qual o nome completo da minha mãe? — Danielle perguntou

— Eu não sei — Fabio respondeu

Danielle estava pensando em perguntas para checar a realidade se aquilo fazia sentido, será que sequer estava mesmo em um carro com Fabio? Sentiu um choque na espinha

— Qual é meu nome morto? — Danielle perguntou

— Moisés — Fabio disse — Todo mundo no trabalho sabe disso

— Qual o nome da sua mãe? — Danielle perguntou

— Maria Fernanda Prado Osório de Freitas — Fabio pegou a identidade e deu para ela ler

Danielle conferiu, o nome batia

— Dá seu telefone — Danielle disse, não desbloqueia — Falou esticando a mão

Fabio deu e estacionou o carro na entrada do shopping, deu o telefone para ela

— Qual é a senha? — Danielle falou nervosa

— A data do seu aniversário, ano com dois dígitos — Fabio disse

Danielle sorriu, aquilo era loucura mesmo, digitou o celular desbloqueou, sentiu medo, a data do próprio aniversario seria algo surreal.

Digitou na agenda “Mãe”, não encontrou, digitou “Maria Fernanda” e o celular completou o nome dela, discou e em alguns segundos uma voz feminina visivelmente mais velha atendeu

— Oi Fabinho!

— Dona Maria Fernanda? — Danielle disse nervosa — Sou a Danielle amiga do seu filho

— Danielle? Nossa ele fala muito de você, por que tá ligando do telefone dele, tudo bem? — Ela perguntou preocupada

— Tudo sim, peguei o telefone aqui por que queria fazer uma surpresa pra ele, o que ele gosta de comer hein? Queria dar um bolo ou um doce que ele gosta — Danielle disse como uma “voz sorridente”

Fabio sabia que era uma pergunta para checar a realidade, algo que ela não tinha controle, mesmo assim havia uma probabilidade de ela estar louca, até dele mesmo estar, era algo profundamente filosófico e complicado, sentiu admiração pelo pensamento rápido de Danielle.

— Ah sim, verdade, eu sabia, muito obrigada Dona Maria Fernanda — Danielle a esperou falar algo e completou — Pode deixar, vou sim com certeza, agora vou desligar aqui para ele não perceber que eu peguei o telefone obrigada, beijinho — Danielle desligou

Em seguida, sem nenhuma cerimônia apalpou a coxa de Fábio, subiu a mão pela barriga, depois pescoço apalpando-o com vigor, pegou o pulso dele, notou que estava fino, levantou a camiseta e viu cicatrizes no umbigo, próxima ao peito e outra mais abaixo na barriga tateou devagar tocando as cicatrizes recentes com as pontas dos dedos finos e brancos.

— O que foi? — Fabio perguntou

— Sua mãe disse que você não podia comer nada muito doce ou gorduroso por que você fez cirurgia bariátrica — Danielle disse — Isso é verdade?

— É sim — Fabio disse — Fiz nas minhas férias meses atrás

— Por isso você tá ficando tão magrinho — Danielle disse admirada — Acho que isso é real, eu não tô louca então — Ficou olhando pra ele — Por que não me contou?

— Eu queria ficar bonito pra você — Ele disse — Você reclamou que eu estava acima do peso e eu venho brigando com a balança a muito tempo, era algo que me incomodava.

— Foi por minha causa? — Danielle perguntou preocupada — Mas é uma cirurgia muito agressiva, perigosa, não? — Ela pensou um pouco — Não era uma reclamação, isso não me afastaria de você eu só comentei — Ela disse distante pensando nas repercussões de um comentário simples.

Ele sorriu

— Por você vale a pena — Ele disse, mas seu sorriso era triste

O rosto dele brilhou para Danielle, parecia sincero, bonito, mais magro agora, ela notou que sua pele parecia escorrer levemente do seu rosto, ela se aproximou

— Você está bem agora? — Ela perguntou acariciando o rosto dele como se fosse algo delicado que pudesse quebrar

— Estou — Ele disse — Nunca me senti melhor, na verdade.

Ela avançou sobre ele beijando-o na boca, o beijo durou só alguns segundos e ela o abraçou com força, o abraço foi retribuído.

— Eu te amo Dani — Fabio disse no ouvido dela Danielle abraçou mais forte ao ouvir isso

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.