Fim de semana na Chácara – Cristal – Capitulo 01 – A chegada
— Por que você está de cara feia filha? — O Pai de Cristal perguntou enquanto parava o carro.
— Porque eu queria que o Rô tivesse vindo! — Cristal respondeu emburrada
— Mimada! — Onix, o irmão de Cristal revirou os olhos e saiu do carro
Já haviam chegado, a família iria passar o final de semana prolongado em um chalé alugado com amigos para descansarem, na verdade era uma reunião paga pela empresa, uma festa de fim de ano antecipada para divulgação de dados que Cristal não tinha interesse.
A mãe obrigou Cristal a pegar suas coisas e ir para o quarto.
Naquela idade, prestes a fazer dezessete anos, Cristal já era uma menina incrivelmente linda e que chamava a atenção, não conhecia muitas pessoas ali, mas estava acostumada aos olhares quando ela passava, as conversas parando e ser o foco das atenções.
Já no quarto ouviu uma voz
— Oi — Era um garoto, talvez um pouco mais velho
Cristal olhou-o de cima embaixo, não era interessante
— Oi
Ele se aproximou e estendeu a mão
— Eu sou o Cristian — Falou animado
Ela pegou na mão dele, desanimada
— Cristal — Falou num tom monótono enquanto guardava suas coisas
— Você está triste? O que foi? — Cristian perguntou curioso
— Eu fui obrigada a vir para cá sem meu namorado — Respondeu guardando as coisas na parte mais alta da treliche de madeira — Sabe se vai dormir mais gente aqui?
Perguntou apontando para as camas.
— Ano passado veio bastante gente, acho que vai vir gente aí sim — Cristian disse pensativo — As meninas ficam juntas
Cristal não disse mais nada, ignorou-o e continuou a arrumar suas coisas, em seguida subiu pela escadinha, ele simplesmente saiu quando se sentiu ignorado.
Ela pegou um livro e se deitou na parte de cima, instantes depois começaram a chegar mais pessoas, meninas e mulheres de idades diversas, a cumprimentavam e no total foram oito pessoas no mesmo quarto, Cristal não era a mais nova, nem a mais velha.
— Oi garota, eu sou a Nívea — A mulher disse chamando a atenção de Cristal
Cristal olhou por cima do livro e viu uma mulher linda, como nunca havia visto antes. Sentou-se na beira da cama e desceu ficando de frente à mulher, os cabelos negros, a pele alva como a dela.
— Oi Nívea, você é muito bonita — Cristal disse admirada olhando para cima pois Nívea era apenas quatro dedos mais alta que Cristal e obviamente mais velha.
— Obrigada menina, qual seu nome? — Nívea perguntou interessada
— Eu sou a Cristal
— Cristal, que bonitinho — Nívea disse tocando no cabelo dela — Combina com você, amo nomes de pedras preciosas!
Cristal sorriu amigável
— O que quer dizer seu nome? Eu nunca tinha ouvido — Cristal perguntou curiosa
— É do latim, quer dizer “Branca como a neve” — Nívia respondeu enquanto colocava mochilas na cama
— Branca de neve? — Cristal disse — Você parece uma princesa mesmo!
Ela sorriu
— Mãe, mãe! — Uma garota da idade de Cristal entrou no quarto, correndo e se agarrou em Nívea — O tales pegou meu livro!
— Fernanda — Nívea falou para a filha— Fala pra ele que eu o mandei devolver.
— Ele falou que eu tenho que pagar cinco reis! — Fernanda disse chorosa
Nivea revirou os olhos
— Com licença Cristal — Nívea puxou Fernanda pela mão e saiu do quarto arrastando a filha — Taleess — Cristal a ouviu gritando do corredor
Cristal ficou fascinada, tanto pela beleza da garota, pela imponência e por ela já ser mãe e tão atenciosa, já tinha dois filhos, imaginou que Tales deveria ser mais velho.
— Quando eu crescer eu vou ter uns dez filhos — Cristal disse para as meninas que as observavam enquanto comiam biscoitos de chocolate
— Vai ficar toda gorda caída — Uma das garotas disse e riram
— Eu não encho fico enchendo minha cara com bomba de açúcar — Apontou para a mão das meninas criando uma antipatia instantânea
— Primeiro você precisa arrumar um namorado, magrela — Uma das garotas, a que já tinha seios e corpo de violão disse rindo novamente
— Eu tenho um namorado e ele se chama Rodrigo, ele é muito inteligente e me ama! — Cristal disse em deboche
As meninas riram
— Até parece que alguém quer te namorar caveirinha — Uma das meninas riram
— Caveirinha, Caveirinha — Duas garotas disseram e iam sair do quarto
Outra garota apareceu
Era bonita, branca, cabelos longos e negros escorridos, Cristal lembrou-se de Nívea.
— Ah, vocês estão aí — Ela falou colocando as malas no chão, olhou para a parte alta da treliche — Vocês são retardadas, aqui é meu lugar!
— Não Juliana, não foi a gente — Uma das garotas falou
— Foi a caveirinha — A outra riu
— Quem? — Juliana perguntou
— Ela — A garota que comia o chocolate apontou
Juliana olhou para Cristal, o olhar foi da testa aos pés e depois voltou
— Ah — Falou parecendo desdenhar — Garotinha, tira suas coisas que aí é meu lugar.
Cristal colocou as mãos na cama e deu um impulso indo direto para a parte de cima com uma agilidade incomum.
— Seu lugar? — Cristal olhou em volta — Acho que tiraram a plaquinha com seu nome — Procurou um pouco — Ah, Juliana né?
Juliana parecia confusa
— Sim, Eu mesma — Respondeu entortando a cabeça
Cristal mostrou as mãos nuas
— É, não tem seu nome aqui não Juliana. — Falou com um olhar triunfante
Juliana olhou séria para ela, as duas outras garotas lado a lado, cruzou os braços
— Vamos pirralha, sai daí senão vai ser pior — Juliana disse
— Pior como? — Cristal disse saltando da cama e ficando cara a cara com ela
Juliana empurrou Cristal que bateu contra a parede
As outras garotas riram
Cristal cerrou os punhos e pulou em cima da garota acertando um soco desajeitado no pescoço e puxando o cabelo dela
Juliana gritou
— Parou, parou! — Um homem grande apareceu e segurou na mão de Cristal empurrando ela
— Calma mocinha — O homem disse para Cristal
Ela o viu, a pele parecia bronzeada, a barba feita, mas desenhada no rosto, óculos de armação preta, cabelo cortado com um pequeno topete
— Ela que começou! — Cristal disse nervosa
— Eu acredito em você — O Homem disse tranquilo — Se acalma
Virou-se para Juliana que era segurada por outro rapaz
— Eu não fiz nada Pai, foi essa catarrenta que disse que ia me bater, não foi meninas? — Juliana pediu ajuda para as outras meninas que confirmaram a versão dela — Tava aqui de boa.
— Tá bom filha — O homem disse e olhou para o rapaz que segurava Juliana — Daniel, vai com a sua namorada descarregar o resto das malas.
— Ela pegou a minha cama, eu sempre fico nesse lugar — Juliana protestou
— Vem amor — Cristal ouviu Daniel falar ao puxar a namorada para fora do quarto
O homem se virou para Cristal
— Você está em cima? — Perguntou olhando para ela e para a cama
— Estou, eu cheguei primeiro, ela disse que o lugar é dela — Cristal disse nervosa — Pode perguntar pro meu pai, eu cheguei aqui primeiro e não tinha ninguém, chegamos cedo! — Cristal falava rápido com a cara vermelha.
— Eu acredito em você — Ele disse tocando o ombro dela brevemente.
Cristal emudeceu com o contato físico repentino e delicado
— Você pode, por gentileza trocar de lugar com ela? — O homem perguntou amigável
Cristal ficou paralisada, não esperava um pedido assim gentil de um homem adulto, bonito e ele continuou
— Eu tenho um chocolate importado que eu ia dar pra ela, mas e você trocar eu dou pra você
— Por que ela tem que ficar com esse lugar? Eu cheguei primeiro — Cristal disse
— Olha, esse final de semana é para descansarmos, e minha filha tem uns problemas de autocontrole e está passando por uns problemas, faz esse acordo comigo por favor, tenho outras preocupações.
Cristal respirou fundo e fez cara de choro.
— Eita, calma mocinha, não chora — Ele disse cutucando o queixo dela — Qual seu nome?
— Cristal — Falou entristecida
— Eu sou o José Carlos, trabalho com seu pai — Ele disse pegando algo do bolso e mostrando para ela — Olha, te dou cinquenta reais pra você se mudar de cama
— E o chocolate? — Ela perguntou ainda emburrada
Ele sorriu
— Tá bom, e o chocolate, quando eu desfizer minhas malas eu pego pra você — Ele disse com o dinheiro na cara de Cristal
Ela esticou a mão e pegou o dinheiro, deu um sorriso.
— Mais bonita sorrindo — Ele disse animado — Eu te ajudo
Pegou as coisas de Cristal com ela e mudou-a rapidamente para a parte alta de outra beliche do lado oposto do quarto.
— A gente se vê tá, não esqueci seu chocolate — José Carlos disse sorridente
Cristal ficou séria, o cheiro dele era bom, a aparência era boa, ela sentiu uma fisgada na boca do estômago, aquela sensação de que alguma coisa física aconteceria.
Nessa época Cristal ainda não tinha consciência, mas era Ninfomaníaca, precisava do sexo para satisfazer seus desejos e ficar em paz, mesmo nova como era aquela necessidade já era existente e alguns homens pareciam sentir o cheiro disso, não foi o caso de José Carlos, aparentemente.
Ela viu ele saindo, lembrou que havia conversado com Rodrigo.
*** No dia Anterior ***
— Pronto, malas arrumadas — Cristal disse deitando-se na cama ao lado de Rodrigo — Não quero ir — Ela falou emburrada
— Ah amor, vai, seu pai precisa da família lá, pra conseguir aquela promoção, vai ser legal
— Eu queria que você fosse também — Cristal disse abraçando-o
Ficaram aninhados na cama, a porta aberta, Rodrigo percebia que a cada instante alguém passava na porta para ver o que eles faziam, era uma vigia constante
— Rodrigo, está tarde, melhor ir embora, a Cristal vai acordar cedo amanhã — A mãe de Cristal apareceu na porta.
— Já vou dona Cecília — Rodrigo disse
— Cinco minutos mãe — Cristal disse mostrando a mão aberta pra mãe
— Porta aberta! — Cecília disse saindo do campo de visão
Cristal revirou os olhos
— Saudade — Falou abraçando Rodrigo e beijando-o no pescoço — Te amo! — Ela falou animada
— Também te amo — Ele disse a apertando com força, como ela gostava
Cristal desceu a mão e apertou o pau do namorado por cima da bermuda, enrijeceu na hora
— Não Cris, a porta ta aberta — Rodrigo a repreendeu
— Que se foda — Cristal respondeu animada
— Para amor, se verem a gente assim nunca mais a gente fica junto — Rodrigo a alertou
Ela revirou os olhos e enfiou a cabra embaixo da axila dele
— Que sacooooo — Falou nervosa com a voz abafada
— Amor, você vai ficar com alguém lá? — Rodrigo perguntou
Ela pensou um pouco sem tirar o rosto de onde estava
— Não — Respondeu direta
— Jura? — Rodrigo perguntou
— Ah amor — Cristal disse — Eu não sei, mas eu não quero ficar com ninguém, só com você
— Você sempre fala isso e acaba ficando — Rodrigo disse
— Mas é tão gostoso o pinto dos caras — Cristal disse baixinho agora com a cabeça apoiada no peito dele — Mas eu juro que vou tentar
Rodrigo respirou fundo, fez menção de se levantar
Ela o agarrou
— Não fica triste, por favor, eu te amo mais que tudo nesse mundo — Cristal disse beijando a boca dele, a bochecha, o queixo, o pescoço
Ele estava acostumado com aquilo, sorriu.
— Se você está prometendo que vai tentar, pra mim é o suficiente, eu também te amo — Rodrigo disse animado e foi embora.

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