Danielle Transexual 2 — Capítulo 22 — Vovó
Danielle se dirigia à Minas Gerais, casa da sua avó, dirigiu o quanto pôde até no meio da tarde ser tomada por um cansaço avassalador, parou em um hotel e dormiu.
Seu telefone tocou, um alarme e a acordou, em meia hora teria consulta com a Psicóloga
— Ai caralho, esqueci! — Ela falou pra si mesma.
Mandou mensagem
“Pri, desculpa, estou em viagem, esqueci da consulta, podemos remarcar?”
A resposta demorou, Danielle levantou, pediu algo e comeu, o celular tocou com poucos minutos para o início da sessão
“Está muito em cima pra desmarcar, você não quer fazer online? Fazemos uma chamada de vídeo”
Danielle não havia pensado nessa possibilidade, então topou
Vestiu-se e se penteou, ficou bonita.
— Olha, que bonita, gostei de ver — Priscilla disse — Você está bem?
— Estou sim — Danielle disse — Tudo virou de ponta cabeça
— Hmm — Priscilla murmurou — O que aconteceu?
Danielle contou que havia pedido demissão, que havia terminado com Fausto e também sobre a rejeição e o sexo com Fredo.
— Dani — Priscilla disse — Sinceramente, você acha que essas coisas são seguras?
— Eu usei camisinha Pri, eu juro! — Ela disse se explicando
— Não to falando de camisinha, você saiu mundo a fora, não avisou ninguém, transou de madrugada em uma parada de caminhão, você tem noção do tamanho disso? Se desse errado daria muito errado
— Mas não deu — Danielle disse
— Sim, como você mesma diz “Graças à Deus”, você não está sozinha no mundo, tem a Miriam, tem seus pais, você tem que avisar as pessoas
— Ela tá estranha comigo, a Miriam, é aquele noivo viado dela — Danielle disse
— Não seja assim, pelo menos comunique, para que ninguém fique doido te procurando
— Até agora ninguém me procurou — Danielle disse
— E você acha isso bom? — Priscilla perguntou direta
— Não, eu sumi fazem dois dias e ninguém nem se preocupou comigo — Danielle falou — Eu não faço falta, to pensando seriamente em nunca mais voltar, não tenho filho pequeno.
O celular tocou fazendo a ligação de vídeo travar, Danielle atendeu, era uma voz infantil ou feminina, a ligação estava muito ruim
— Fátima….. Moisés… Você conhece?
Era alguma pergunta que Danielle não conseguia entender
A ligação caiu
— CARALHO! — Ela gritou em ódio
Ligou de volta pra Priscilla e explicou sobre as ligações
— Calma Dani, você precisa se acalmar — Priscilla disse — Me conta algo bom do seu passado
— Bom? Não, eu quero te contar como e por que terminei com o Felipe, pode ser?
— Pode — Priscilla disse se arrumando na cadeira
*** Anos Antes ***
Os dias que se seguiram à Momo e Felipe reatarem foram estranhos, pesados, Momo sentia o ar pesado, tenso, não sabia o que estava acontecendo, mas tinha a impressão de que algo estava errado.
Acordou no balanço antigo da pracinha, olhou em volta e se lembrou que aquele lugar não existia mais.
— Posso sentar aqui? — A voz grossa do homem agradou seus ouvidos
— Pode — Danielle se surpreendeu com sua voz fina e delicada
Olhou para baixo, usava um vestido branco com detalhes amarelos, renda babadinhos, tinha noção de que era uma menina, uma criança
— Muito bonito o seu vestido — O homem disse
Danielle olhou para ele, mas a luz do sol atrás dele era muito forte e ofuscava seu rosto, mas ela podia ver a barba
— Obrigada — Ela disse — Minha mãe que me deu
Assim que disse isso sentiu estranheza, algo estava errado
— Minha mãe não me deu, essa não sou eu — Ela disse sentindo-se sonolenta
— É você sim, mas não no mundo mundano — Ele disse — A gente precisa ser rápido
— Rapido no que? — Ele perguntou tentando vê-lo novamente
— A sua época de provações e sofrimento vai começar, mas vai ser bom lá no fim — A voz grossa era suave
— Vai começar? — Ela se lembrou do sofrimento — Achei que já tinha começado — Lembrou-se da violência de seu pai e das pessoas à sua volta
— Não leve seu pai a mal, você tem sua missão e ele tem a dele, somos todos um só, mas as missões por hora são individuais
Ela não entendeu, ainda tentava entender onde estava
— Confie nos seus instintos, não cegamente, use sua cabeça logica, ligue os pontos e sofra menos
— Como é que é? — Ela perguntou
Mas o barulho do alarme a despertou na cama, sentou-se sonolenta, esfregou o rosto, estava sonhando.
Levantou-se e foi tomar banho, olhou-se no espelho e passou maquiagem, bem leve, não queria chocar, um lápis de olho, blush, um batom apenas para dar um leve destaque, nada que chamasse a atenção, colocou uma presilha escura sem detalhes, apenas para segurar o fio de cabelo que caia no rosto.
Vestiu uma calça cáqui, Felipe adorava aquela calça pois valorizava seu bumbum.
Chegou na cozinha, seus pais conversavam, seu pai se levantou e olhou para ela, veio em sua direção
— Pai de Deus Pai — Ela disse nervosa
Ele parou e olhou para o rosto dela, viu a maquiagem, a presilha o rosto dele se torceu em desgosto
— Paz de Deus — Falou passando por ela.
Quando o pai se afastou sua mãe perguntou
— Que conversa é essa de você namorar o Felipe filho do pastor? — Perguntou nervosa — Vocês enlouqueceram? Ta todo mundo falando que vocês estavam de mãos dadas pra lá e pra cá, o pastor está furioso.
Danielle gemeu baixinho, sentiu seu corpo entrar em choque, não tinha mais volta
Sentiu um impacto forte na bunda
— Rabão hein! — Léia passou batendo na bunda dela
Danielle se assustou e deu um pulou pra frente, sem seguida sentou-se na mesa desconfiada
— Você sabia disso Léia — Tereza, a mãe delas perguntou
— Do que? — Léia perguntou já com um pão na boca
— Que Moisés ta namorando o Felipe filho do pastor? — Disse com a voz carregada de julgamento
— Ah mãe, todo mundo sabe vai — Falou tranquila
— Seu pai…
Léia interrompeu
— Vai fazer o que? Dar porrada? Mandar pro hospital? Raspar o cabelo dele? Forçar ele a fazer a barba? — Léia se levantou — Isso não adiantou dona Tereza, seu filho é viado, repete comigo VI A DO — Léia disse — essa cegueira tem que acabar
Saiu da cozinha levando o pão
Momo se levantou
— É Danielle — Ela disse — Não é moisés
— Quem é Danielle? — Tereza perguntou
— Eu sou Danielle, vou mudar meu nome no cartório — Danielle disse
— Seu pai te mata — Tereza disse — Moisés é o nome do pai dele
— Ele que tente — Danielle deu as costas e foi trabalhar
Trocou mensagens com Felipe, estava animada, mas ainda assim sentia um peso, algo errado
Lá pela tarde Felipe mandou mensagem
“Você vem no horário normal hoje? Aí te espero no ponto”
Ela respondeu
“Sim, chego umas 19:00 no ponto”
Enviou a mensagem, mas ela não foi, tentou varias vezes, mas sem sucesso
— Dani, hoje é seu dia na cozinha né, pra limpar aqui — Uma garota disse pra ela
— Ah é, tinha esquecido — Falou pegando o celular
— Troca comigo, eu quero ficar com o chapeiro, quero dar uns pegas nele — A garota falou sorridente
Danielle olhou pra ela e viu a mensagem no celular, que havia acabado de escrever
“Hoje eu tenho que ficar até mais tarde, preciso limpar é meu dia”
— Tudo bem — Danielle disse sorridente
Quando pegou o celular viu que a mensagem havia sido enviada e Felipe respondera
“☹ tá bom, te espero as 23:00 então”
Ela ficou pensativa, lembrou do sonho, do instinto e aquela mensagem fazia ela se sentir leve.
Trabalhou o restante do dia sentindo um alívio, quando deu o horário de ir embora ela pegou o mesmo ônibus de sempre, não conseguiu sentar dessa vez, mas era tranquilo, estava animada ouvindo musica.
Estava em pé próximo à porta de descer, faltavam quatro pontos para sua casa quando um homem idoso foi descer com um carrinho de feira e ninguém o ajudou
— Eu te ajudo — ela disse animada, passou na frente dele e desceu, pegou o carrinho por fora do ônibus e o ajudou a descer, quando o homem saiu do ônibus a porta fechou e o ônibus se foi — Ei ei — Ela correu atrás do ônibus, mas ele foi embora — Filho da puta!
— Obrigado menina — O homem disse, Danielle olhou para ele, era alto, moreno, com a barba bem feita, parecia o homem do seu sonho.
Ela sabia que demoraria, resolveu ir a pé então.
Andou três quarteirões e sentiu uma cutucada “Patricia”, parou na esquina da avenida, a casa de patrícia era no quarteirão de trás, olhou no relógio, ainda era cedo, começava a escurecer, sem ter ideia do que estava fazendo foi até a casa de Patrícia, apenas por ir, parou do outro lado da rua, havia um banquinho embaixo de uma arvore, ela se sentou
— Danielle você ta esperando o que? — Falou para si mesma pensativa sentindo um alivio
Não demorou muito, cerca de cinco minutos a luz do quintal se acendeu, ela se encolheu e observou. Patricia abriu o portão, conversava animada com alguém, ela saiu e o homem saiu de dentro do quintal dela, era Felipe.
Danielle engoliu seco, pegou o celular e filmou discretamente, onde estava ninguém iria vê-la.
Ela não conseguia entender o que eles falavam, mas ambos riam, Patricia abraçou Felipe, ele ia embora, mas ela o puxou para um beijo cinematográfico.
A boca de Danielle abriu, ela filmou tudo, eles conversavam abraçados, ele a puxou para dentro do portão, para ela foi o suficiente.
Se levantou e foi embora, não conseguiu se conter, no caminho ela chorou, sentiu uma dor no peito, o alivio estava ali, parecia como uma pressão que se soltava, algo que estava resolvido, ela soluçou tanto que teve que parar para vomitar no meio da rua tamanha era sua revolta.
Parou na frente da casa de Felipe, os olhos vermelhos, a respiração pesada
— Moisé…Danielle? — Ouviu a voz da mãe de Felipe, Dona Célia — Ta tudo bem?
O rosto de Danielle passava a mensagem, não estava tudo bem
— O que aconteceu? — Célia perguntou preocupada — Alguém fez algo com você?
Danielle pegou o celular e mostrou para ela a tela, mostrou a gravação
Célia assistiu, entregou o celular para Danielle
— Sinto muito — Falou preocupada — Quer esperar ele chegar aqui?
— Não, eu vou lá em casa pegar as coisas dele — Danielle disse limpando o rosto — Dessa vez não tem mais volta
Célia não disse nada.
Danielle foi em casa, pegou tudo o que Felipe havia dado para ela. Pegou o celular e subiu seu backup na Nuvem, as coisas todas couberam numa caixa de sapatos de em uma sacola de roupas.
— Dani? — Léia disse quando viu o rosto vermelho de Danielle — Oh, o que foi?
Danielle parou e mostrou o vídeo
— Eita porra — Léia disse — Aí é foda
Danielle chorou e Léia a abraçou
— Tá, de boa, eu to com você tá — Léia disse afagando a cabeça de Danielle — Vamos lá
Léia pegou a mão de Danielle e foi com ela.
Chegaram na porta da casa, Felipe vinha andando também
— Amor você já chegou — Falou ao longe abrindo os braços, mas quando viu o rosto de Danielle ele abaixou os braços
Dona Célia estava no portão.
— Que vergonha, eu não te criei assim — Célia disse cruzando os braços
Ele não entedeu, olhou para ela e para Danielle ao lado léia
— Amor, o que houve?
Danielle deu um passo pra frente, pegou o celular e abraçou contra o próprio peito, fechou os olho
— Onde você estava? — Ela perguntou
— Estava na casa do Felipe Cunha da outra rua, por que?
O peito de Danielle doeu
— A Patricia estava com você?
— Não faz uns dias que não vejo ela, por que?
O peito de Danielle deu outra pontada, ela agarrou o celular e soluçou de chorar
Felipe se aproximou, mas levou um empurrão no ombro, era Léia
— Não encosta nela seu idiota! — Falou protetora
— Alguém vai me contar o que ta acontecendo? — Felipe disse confuso
Danielle pegou o celular e deu Play, entregou a ele
O Video reproduziu, ele olhou por alguns segundos, engoliu seco
— Isso é alguma montagem amor, só pode — Felipe disse
— Por que? — Danielle disse com a voz monotom
— É mentira amor — Felipe disse
— Não é montagem — Danielle disse
— Como você sabe? Quem te mandou
— Eu mesma gravei, agora pouco — Ela disse — Por favor, me explica o que aconteceu, me diz que isso faz sentido e que você não tava mesmo me traindo com ela me fala que tinha uma arma apontada pra sua cabeça ou algo do tipo — Ela soluçou de novo ao falar isso — Por favor não me mata assim
Os olhos dele se encheram de lágrima
— Desculpa amor, eu errei — Ele disse tentando se aproximar
Danielle jogou o celular de quina no rosto dele, acertando-o na testa
— Filha da puta! — Ela gritou jogando a caixa com as coisas dele — Desgraçado traidor!
Felipe se abaixou e Danielle avançou para cima dele socando a cabeça dele com as laterais dos punhos
Léia a segurou por trás
— Calma calma — Danielle deu um chute que acertou o braço dele
— Desgraçado, amaldiçoado — Ela se dobrou e gritou de desespero e lágrimas
Léia a abraçou e se abaixou junto
— Por que você fez isso comigo? — Ela chorou sendo abraçada por Léia
O olhar de Léia fuzilava Felipe.
Danielle pegou a aliança de compromisso e jogou pra ele
— Você é maldito, essa vagabunda é maldita, vocês dois se merecem, vão formar uma família de malditos e doentes como vocês dois, traidores — Danielle gritou — Você não é homem, eu confiei em você, eu te amei, eu te dei….te dei…te dei meu amor! — Ela falou nervosa
— O que está acontecendo aqui? — O pastor chegou
— Vamos embora querida — Léia disse para Danielle — Não tem mais nada pra nós aqui
— Ouvi rumores de que você corrompeu meu filho, é isso mesmo Moisés? — O Pastor disse
Danielle se soltou das mãos de Léia e avançou para o pastor de terno impecável empurrando-o com toda a força fazendo ele bater no portão com violência
— Vai se fuder, vão todos vocês se fuder! — Danielle falou nervosa — Meu nome é Danielle, porra, Moisés só existe no cu de vocês bando de retardado! — falou esbravejando
— Vem vem — Léia arrastou ela enquanto ela chingava e gritava
Quando chegaram no quintal de casa Léia pressionou ela na parede
— Oh, oh! — Sacudiu Danielle — Presta atenção aqui! — Léia disse
Danielle olhou para ela ofegante
— Eu quero morrer Léia — Falou deprimida
— Você não vai morrer e essa é a pior parte, por que agora fudeu — Léia disse
Danielle olhou assustada pra ela
— Você bateu no pastor, no filho dele, xingou ele e falou que seu nome não é Moisés, a casa caiu — Léia disse
Danielle estava assustada
— Eu vou ter que me mudar — Danielle disse
— Calma, eu to com você, você não ta sozinha — Léia disse
*** Dias Atuais ***
— Sua irmã ficou do seu lado então — Priscilla perguntou
— Ficou — Acho que ela sempre esteve
— Mas uma coisa não bate nessa historia — Priscilla perguntou confusa
— O que? — Danielle perguntou curiosa
— Você já tinha namorado o Ercílio nessa época?
— Não, o Felipe foi meu primeiro namorado — Danielle disse limpando as lágrimas
— Certo, mas sua mãe ficou sabendo que você queria ser mulher só quando você terminou com o Ercílio lembro que você me contou isso
— Sim Danielle disse com o olhar se perdendo
— E você disse que foi morar sozinha quando seu pai te bateu depois de ele pegar as suas roupas femininas
— Sim — Danielle parecia pensativa, ficou alguns minutos em silêncio, Pricilla viu a confusão no olhar dela — Pri…
— Sim — Priscilla respondeu ao chamado
— Eu acho que estou enlouquecendo — Danielle disse preocupa — Não ta fazendo sentido, eu confundi alguma coisa aí
— Você está sob forte estress Dani, não é de hoje, já tem mais de década que está assim, sua cabeça esta falhando com você mesma, você precisa focar em você, viver sua vida ser a Danielle de uma vez.
— O que eu faço? — Danielle disse preocupada
— Você vai para a sua avó? — Priscilla perguntou
— Sim — Falou preocupada
— Vá, se reencontre, descanse, conecte-se com a natureza, se conecte com você mesma — Priscilla disse — Eu gosto de meditar, me faz muito bem
— Meditar, eu já vi alguma coisa disso, eu posso — Danielle disse
— Sim
Após terminar a consulta, Danielle entrou no carro e acelerou, mais três horas de estrada ela chegou na casa de sua avó, uma casa humilde no interior de Minas Gerais.
Parou o carro grande na frente, os vizinhos olharam. Ela saiu olhando em volta
— Boa noite — Falou aos vizinhos que olhavam
— Boa noite — Algumas pessoas responderam
— A Casa da Dona Nelma é aqui, certo? — Perguntou curiosa
— Ela ta aí — Uma mulher respondeu
— Obrigada — Danielle disse e tocou a campainha
— Entra — Uma voz ecoou lá de dentro
Ela entrou no portão, um cachorro pequeno latiu para ela
— Oi bebe — Danielle disse acariciando-o, era amigável
Levantou-se e foi descendo o terreno inclinado
Chegou na porta iluminada, viu três mulheres em pé e uma senhora sentada, era sua vó.
Danielle parou na porta
— Quem é? — Dona Nilma perguntou curiosa apertando os olhos e pegando os óculos
Danielle sorriu
— Oi vó! — Falou animada
Dona Nelma sorriu
— Moisés! — Dona Nelma se levantou e com dificuldade veio até Danielle e a abraçou dando um cheiro em seu pescoço — Como você tá grande!
Danielle sentiu o abraço forte a apertado de sua avó
— Você virou uma moça linda — Ela disse sorridente acariciando o rosto de Danielle
Danielle chorou abraçando a vó de novo, era tudo o que queria, não havia falado com ela por mais de dez anos, a vó não sabia de seu nome novo, de sua mudança total, mas ali estava a sabedoria e a compreensão dando um banho de respeito que ela jamais vira.
Quando terminou o abraço Dona Nelma virou-se para as mulheres
— Essa aqui é a minha neta! — Dona Nelma disse
Danielle se precipitou para cumprimentar as mulheres
— Danielle, prazer — Falou animada
— Isso, Danielle! — Dona Nelma disse sorridente
As mulheres estavam de saída assim que conversaram com Danielle saíram
— O que você veio fazer aqui? Sem avisar ainda — Dona Nelma disse olhando para Danielle, pegando o rosto dela com as duas mãos e esticando o rosto
— Desculpa vó, eu queria ter avisado, não queria incomodar — Danielle disse
Dona Nelma pegou os pulsos dela
— Não incomoda, mas tem que avisar por que aí eu fazia um bolo de milho pra você, comprava um queijinho, olha como você tá magra, só pele e osso — Dona Nelma disse — O que você fez no seu rosto?
— Eu, eu — Danielle disse — Eu mandei ajeitar pra ficar mais bonito — Disse pensativa — Ficou bom?
A vó olhou apertando os olhos
— Ficou bom — Falou analisando — Ficou bom sim — Mas eu não tô gostando
— Do meu rosto? — Danielle perguntou surpresa
— Não — Dona Nelma bateu no peito de Danielle — Disso aqui ó, tá muito prezo, muito agarrado, tem alguma coisa errada aí não tem? — Uma das sobrancelhas de dona Nelma se ergueu com a pergunta.
Danielle olhou para ela
— Vai chorona, pode chorar — Dona Nelma sorriu
O rosto de Danielle se contorceu e ela chorou, um choro dolorido
A avó a abraçou, a cada tapinha que levava nas costas o choro aumentava em ondas violentas e doloridas, deve ter chorado por quase meia hora direto.
— Agora você fica aqui — Dona Nelma disse pegando algo no armário, era um pão de queijo — Não toma café senão você vai dormir — Foi até o fogão e ligou o fogo no bule — Vai tomar um chazinho pra se acalmar, já volto — saiu pela porta sumindo na escuridão no fundo do quintal — Eu não me demoro
Danielle esperou, limpando o rosto com um pedaço de papel enquanto comia o pão de queijo borrachudo e gostoso, já estava noite, alguns minutos então sua vó voltou.
Trouxe uma bacia de água, algumas ervas, sentou-se na frente de Danielle
— Você acredita em Jesus Cristo nosso senhor? — Dona Nelma disse séria
— É o guia da minha vida Vó — Danielle respondeu séria sentindo seu peito tremer pelo choro de minutos atrás
— Então já está resolvido — Segurou as duas mãos de Danielle e fechou os olhos
Falou algumas palavras inaudíveis e balançou as mãos de Danielle, algo como sussurros e palavras baixas, Danielle se inclinou devagar para tentar entender
— Pai nosso que está no céu, santificado seja vosso nome — Abriu um olho — Reza comigo
— Eu sou evangélica Vó — Danielle disse
— Você não sabe o pai nosso? — Dona Nelma perguntou
— Eu sei, mas… — Danielle foi falar mais foi interrompida pela vó
— Jesus é um só fia, eu só conheço essa rua, vem comigo — A Vó disse e continuou — Pai nosso que está no céu
Danielle acompanhou
— Pai nosso que está no céu…
Danielle acompanhou a oração palavra à palavra. Dona Nelma, fez algumas outras orações, com uma colher ela jogou azeite na água e Danielle viu o Azeite andar para lá e para cá como se fosse uma bussola, mas era incomum
— Um homem grande — Dona Nelma disse — Seu namorado né?
— É — Danielle disse surpresa — Maior que eu
Dana nela olhou nos olhos de Danielle
— Muito maior que você, na altura também né? — Falou com um sorriso de canto de boca
Danielle corou envergonhada, imaginou que estava se referindo ao órgão sexual de Fausto, Nelma continuou
— Ele ama você, mas ama outras também, ele ama amar e também não tá pronto pra você ainda, talvez daqui uns anos, ele te machucou
Danielle fez que sim com a cabeça e as lagrimas desceram
Nelma encostou no peito dela
— Só aqui né? — Perguntou preocupada
— Só, só aí mesmo — Danielle disse
Dona Nelma pegou as mãos dela, olhos fechados, Danielle viu os globos oculares se mexerem embaixo das pálpebras fechadas envoltas em rugas, parecia sonhar ou procurar alguma coisa, a testa franzida, preocupada.
Então Nelma sorriu
— Quase todo o sofrimento acabou — Nelma abriu os olhos — Jesus te prometeu que você ia sofrer por um tempo depois ia ficar bom
— É, como a senhora sabe? — Danielle perguntou admirada
— Por ele me disse, você me disse agora — Nelma disse
Danielle sorriu
— Eu vou parar de sofrer? — Danielle perguntou
— Não — Nelma disse — Mas é só mais uma coisa, depois você vai encontrar a felicidade
Danielle sorriu
— E vai demorar? — Perguntou mas Nelma novamente fechou os olhos e parecia procurar algo, quando abriu estava
— Quando você estiver na felicidade com o rei curandeiro e sua corte o príncipe desconhecido vai chegar — Nela disse com o semblante triste — E parece que ele vai para o paraíso cedo demais.
— Eu não entendi — Danielle disse nervosa
Nelma sorriu
— Nem é pra entender, é só coisa que passa pela gente, as vezes da certo, as vezes não — Nelma se levantou quando o bule apitou — Mas uma coisa é certa, você vai ser feliz minha filha, muito, tanto que vai ter vontade de rir sozinha
Danielle sorriu
— Que bom vó, obrigada por me contar isso, tá muito difícil, eu tenho sofrido demais — Danielle disse
— Seu caminho é sofrido meu amor — Nelma colocou as xicaras na mesa — Seus pais também vão melhorar, tudo vai melhorar parecendo mágica por que o tempo de Jesus chegou, seu sofrimento vai passar
Danielle pegou a xícara sorridente
— Mal posso esperar pra contar pra Miriam! — Danielle disse feliz
— A Miriam, é filha dos eu irmão né? A que parece você — Nelma perguntou
— Sim ela mesma — Danielle disse — Ela veio aqui né?
— Faz muito tempo, ela não parecia você ainda, mas agora parece né — Nelma disse se sentando e segurando a mão de Danielle
— Parece, as pessoas falam que sim
Nelma fechou os olhos
— Vó? — Danielle perguntou
Ficou quase um minuto sem expressão, abriu os olhos, fez uma cara de insatisfeita, suspirou fundo
— Não fica brava com ela menina — Nelma disse — Quer dizer, fica, tem que ficar sim por que isso é coisa da cabeça fraca dela, mas não é por mal, não vai ser por que ela quer, ela é estupida, acha que está fazendo o bem
— Como assim? — Danielle perguntou
— Não é pra entender agora, só guarda isso pra você e lembra disso quando acontecer, você vai saber quando for o tempo de perdoar ela
— Perdoar do que? — Danielle perguntou preocuapada — Ela, ela está com o Fausto?
— Não, não é coisa de homem, é coisa da alma
— Ai credo vó — Danielle disse — O que eu faço?
— Vive sua vida — Nelma soltou a mão de Danielle — Toma esse chá, dorme, essa noite você via precisar, amanha seu primo vem te ver
— Que primo? — Danielle perguntou sem entender
— O Nico — Nelma falou se levantando e dando um gole no chá — Já falaram que você tá aqui ele vem cedo te ver, se arruma
Danielle sorriu, achou estranho aquilo.
Nelma mostrou o quarto para ela, estava tão exausta que deitou e apagou, acordou com seu alarma de 6:00 da manhã do trabalho, que havia esquecido de desligar, ouviu vozes, cheiro de café fresco.
Eram varias vozes.
Levantou num salto e pegou roupas para tomar banho, havia um banheiro no corredor, ela olhou discretamente e atravessou indo tomar banho, se vestiu e se maquiou no banheiro.
Colocou um vestido azul com detalhes de gatinhos, era justo mostrando as curvas do seu corpo, mas sem decote e ia até as canelas de forma mais solta, decente.
Quando saiu e foi para a cozinha havia varias pessoas conversando, a conversa parou
— Ela veio visitar a gente, a Danielle! — Nelma disse
Danielle se apresentou, eram primas, primos e vizinhos que estavam ali, ela só conhecia alguns de vista, na porta estava ele, Nicolas, o primo que ela se lembrava e que sonhava as vezes.
Eles haviam transado na cachoeira, escondido de todos, ela ainda era um garoto homossexual, mas ele viu feminilidade nela, deu amor e carinho, a tratou como uma dama, a tocou como ninguém jamais havia feito, tocou sua alma.
— Oi — Ela disse se aproximando tímida
Ele sorriu e a abraçou, ela sentiu o cheiro dele no pescoço quando ele a levantou
— Você tá muito linda! — Ele falou apertando-a contra si
Danielle achou engraçado quando seus pés saíram do chão e ela emitiu um chiado descontrolado, em seguida ele deu um beijo na bochecha dela, apertado e longo fazendo o coração dela se encher de alegria
— Saudade de você prima! — Nicolas falou animado
— Tava com saudades também — Danielle arrumou o cabelo atrás da orelha
— Essa aqui é a Sandra, a minha esposa — Nicolas apresentou
A alegria de Danielle sumiu, esposa?
Esticou a mão sem jeito
— Oi Sandra, prazer
Mas Sandra se aproximou dela e a abraçou forte assim como Nicolas
— Oi Prima, o Nico não parou de falar de você desde que sou que você tava aqui, falou que vocês tinham uma amizade muito forte quando eram mais novo!
— A gente tinha sim — Danielle disse sem jeito
Danielle sentou-se para tomar café, ouviu todos falarem, respondeu as perguntas sobre São Paulo, sobre a família, trabalho, namoro e tudo mais, nenhuma pergunta sobre ela não ser mais Moisés.
— Prima, vou levar a Sandra na escola, ela da aula, voltou mais tarde — Nico disse — Aí a gente toma um sorvete
Danielle sorriu
— Combinado! — Falou animada
Todos saíram, ficaram apenas Nelma e Danielle
— Não gostou e ver ele? — Nelma perguntou
— Gostei, ele ta bonito, grandão — Danielle disse pensativa
— Gostou da Sandra também? — Nelma perguntou curiosa
— Ah sim, ela é bonita né, muito legal — Danielle disse delicada
— E você não tem raiva dela? — Nelma perguntou
— Por que teria raiva dela vó? Eu nem conheço — Danielle disse assustada
— Ela tá com o seu homem — Nelma disse séria
— Ele não é meu homem, é meu primo — Danielle disse na defensiva
— Ele é seu homem, você sabe que eu sei — Nelma disse
Danielle se calou
— Não tenho raiva dela, ela é mulher, deu filhos pra ele, eu não posso dar isso, não posso ter filhos
— Não pode? — Nelma disse pensativa — Ué!
— Ué o que? — Danielle disse sem entender
Nelma sorriu e balançou a cabeça
— Bobagem — Falou animada — Cabeça véia, achei que já conhecesse seu fio
Danielle sorriu
— Não conheço não — Falou achando a conversa estranha, mas que a vó tinha se confundido, não deu muita atenção.
A Vó insistiu de levar ela na casa dos vizinhos, apresentou como “Minha Neta” o que deu muita satisfação à Danielle.
Voltaram para casa e Nicolas estava esperando-as, o calor estava forte
— Vamos tomar um sorvete? — Ele a convidou
— Eu vou ajudar a vó a fazer a comida, ela disse que vem gente aqui a tarde
— Não precisa — Dona Nelma disse — Pode ir, aproveita menina
Danielle não teve o que dizer, sorriu e aceitou.
Na porta de casa Nicolas andou rápido até o carro gasto e baixo e abriu a porta do passageiro, Danielle sorriu e entrou sentando-se com cuidado.
Ele deu a volta e entrou no banco do motorista.
— Saudade de você prima, fazia muito tempo que a gente não se via, você era bem…bem… — Ele tentou encontrar palavras
— Diferente — Danielle completou sorridente
— Sim, diferente — Ele disse dirigindo
— Mas tá melhor ou pior? — Ela perguntou curiosa
— Ah, bem melhor né, tá uma moça bonita, formada já — Ele disse olhando rapidamente pra ela
Danielle corou
Pararam na sorveteria
— Sorveteria do Nico — Danielle leu na placa — É sua?
— É, é minha! — Ele disse — Calorão desse, arrumei um trabalho que desse prazer, la dentro é geladinho prima.
Quando entraram pela porta de vidro parecia outro mundo, estava gelado, gostoso, agradável. Danielle respirou fundo
— Arrepiou hein — Nico disse passando por ela e indo para os fundos
Ela olhou para os seios, estavam entumecidos, se cobriu discretamente, sentando-se em uma das mesas, uma moça veio servir e explicou o cardápio, disse que podia pegar no buffet por quilo, ela esperou Nico voltar.
Ele estava com outra roupa, um uniforme igual das meninas atendentes
— Vem aqui prima, deixa eu te mostrar aqui dentro — Ele disse animado — Meninas, essa é minha prima a Danielle, ela é de São Paulo, qualquer coisa pra ela hein
As meninas sorriram e acenaram para Danielle que ficou envergonhada seguindo Nico.
Ele mostrou orgulhoso a pequena fabrica com centrifugas, freezers e camaradas refrigeradas, explicou e falou sobre a fabricação para ela por mais de quarenta minutos, haviam dois homens trabalhando no fundo, foram simpáticos com ela também, ela adorou o clima e experimentou diversos sabores que estavam sendo feitos.
Nico pegou em sua mão
— Vem ver o escritório prima — Ele disse animado
Ela o seguiu sendo guiada.
Subiram uma pequena escada e entraram, o ar condicionado também estava gostoso, ela passou pela porta e ele fechou.
O que ela sentiu foi seu corpo sendo puxado e pressionado contra a porta fechada e um beijo avassalador chupando sua língua e seus lábios, o abraço quente de Nico que tocava seus quadris, ela não o repeliu, deixou, era gostoso, sentia saudades, queria reviver aquele sentimento da cachoeira de anos e anos atrás, ele era mais alto que ela, logo sentiu uma pontada no umbigo, vinho de algo duro do corpo de Nico.
— Espera — Ela o empurrou
Ele encostou a testa na testa dela
— Sonhei com você quase toda noite prima — Ele acariciou o rosto dela — Você vivia nos meus, mas não tava tão bonita assim — Ele disse tocando o rosto dela
Danielle inclinou o rosto carinhosa
— Você se casou, a gente não pode fazer isso — Ela falou colocando as mãos no peito dele — Desculpe
— Você não me quer? — Ele perguntou confuso
— Claro que eu te quero — Ela disse — Mas você é casado, a Sandra…
— A Sandra você deixa que eu me viro — Nico disse sério
— Ela não vai gostar disso — Danielle disse — Ela parece ciumenta e que gosta muito de você
Nico deu outro beijo em Danielle
— Você não sentiu saudade de mim? — Nicolas perguntou
Danielle deu um risinho
— Pra caralho — Ela falou animada — Senti muita, sonhei muito com aquele nosso dia na cachoeira
— Foi muito bom né, vamos repetir? — Ele perguntou animado
Ela sorriu
Ele avançou novamente, dessa vez pressionando ela e segurando no bumbum, ela aceitou o beijo por um breve período.
— Espera, espera — Ela o empurrou — To vendo que você está animado
— Eu to esperando você faz uns quinze anos prima, essa noite eu nem dormi — Ele disse
— Tá bom — Ela disse pensativa — Senta aqui, vamos conversar.
Ele se sentou no sofá de pano, antigo, mas bem cuidado
Ela tirou a sapatilha e sentou-se cruzando as pernas.
— Eu queria muito vir pra cá pra gente reviver aquele dia, ficar um tempão junto, sinceramente eu sonhei com isso, eu tava namorando e terminei o namoro, na verdade eu vim pra cá só pra te ver — Ela falou direta
Ele tocou a mão dela com carinho, ela deixou
— Eu falei de você pra Sandra — Nico disse sério examinando a mão dela
Danielle engoliu seco
— Falou o que? — Perguntou quase gaguejando
— Falei que você é um amor que eu tive e que eu sou apaixonado por você — Nicolas disse sério
— Você falou pra ela que na época eu era, eu era — Ela gaguejou
— Diferente? — Ele completou
— É — Danielle disse sentindo calor de nervoso
— Falei pra ela que você era um menino, um viado e que todos riam de você por que você era viado, mas eu via uma menina, delicada e doce e solitária
Danielle ergueu o tronco, os olhos aumentaram de tamanho as sobrancelhas se arquearam
— Você me via assim? — Ela perguntou nervosa
— Eu sempre vi você como mulher, não tinha outro jeito — Nicolas disse — Por isso a gente fez amor igual homem e mulher, eu sendo homem e você sendo a mulher, eu não gosto de homem nunca gostei
Danielle piscou atenta, dessa vez ela segurava a mão dele de forma carinhosa, ele continuou
— Eu fiquei um tempo pensando se eu era viado sabe prima, se seu gostava de homem, até tentei olhar diferente, mas não, meu negócio não era homem, meu negócio era você
A respiração de Danielle estava pesada, se encararam por alguns segundos
— E o que ela disse — Danielle perguntou — O que a Sandra disse
Ele sorriu e coçou a cabeça
— A Sandra é uma mulher diferente prima, ela tem essa cara de mulher recatada, que parece de igreja, mas não é, você vai ter a chance de falar com ela, vai ver como ela é simples e aberta — Ele disse — Ela me entendeu quando eu disse de você, ela disse que ia orar para você ser feliz, por que entendia sua dor.
A respiração de Danielle estava mais pesada
— Ela orou por mim? Pela minha dor? — Perguntou apenas repetindo o que ele havia dito
— Ela tem formação de psicologia, ela é bem esperta, sabe como funciona essas coisas da cabeça da gente — Nicolas disse pensativo
Danielle soltou a mão de Nicolas entrelaçando os próprios dedos pensativa.
— Ela está bem de eu vir aqui e, e… — Danielle não conseguiu falar
— Ela disse que tudo o que acontecer ela quer saber, e ela quer participar desse amor — Ele disse pensativo — Claro, se esse amor existir mesmo e não for coisa da minha cabeça, mas quando ela te viu de manhã e eu fui levar ela para dar aula ela disse “Nico, sua prima te ama, da pra ver na cara dela e deu pra ver a decepção quando você me presentou”
Danielle se assustou
— Eu não fiquei decepcionada — Falou sem pensar, abaixou a cabeça — Tá bom, fiquei sim, achei que por algum motivo você estaria solteiro e isso seria simples.
— E é simples — Nicolas disse — Ela me disse isso, que você não ia querer nada comigo por que você parece certinha
Danielle riu
— Todo mundo aqui lê minha mente? Não é possível — Parecia irritada
— Não né, a vó é mágica a Sandra é estudada — Nicolas disse sério.
— Eu tava brincando — Danielle disse
— Mas vamos fazer assim — Ele falou sorridente — A gente não vai fazer mais nada, mas você vai jantar lá em casa hoje tá?
— Tá bom — Ela concordou
— Você fica até quando? — Ele perguntou curioso
— Tava pensando em uns dois dias só, não quero incomodar muito — Danielle respondeu
— Tá bom — Ele disse — Posso te pedir uma coisa? — Ele falou apertando o próprio pau na calça cáqui
Danielle olhou
— Pode — Falou atenta
— Pode me dar um abraço? — Ele perguntou — Sem malícia, só um abraço
Ela sorriu e foi pra cima dele, ele a abraçou, as mãos em volta das costas dela, ela agarrada ao pescoço dele.
Ficaram abraçados no sofá, sentindo o calor do corpo um do outro, Danielle sentada de lado no colo dele enquanto sentia o cheiro almíscar do seu perfume. Sentiu pequenos beijos no seu pescoço e maxilar, era gostoso e confortável, sentiu-se amada, sentiu-se em casa.
Mentalmente ela se perguntava se seria ruim ou conseguiria um emprego se se mudasse para ali longe das confusões da cidade grande, perto da vó e dos primos que a amavam e respeitavam.
Saíram de mãos dadas do escritório, mas ela soltou quando foram descer as escadas, foram para a sorveteria, as meninas mostraram tudo para ela, o caixa os sabores, os cardápios, ficaram conversando e depois voltaram para a casa da vó para almoçar.
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