Danielle Transexual 2 — Capítulo 16 — Avatar
— Preciso confessar que andei pensando na sua história — Priscilla disse interessada na consulta seguinte
Danielle corou
— Pensando como? — Perguntou envergonhada
— Como a história com o Felipe se relaciona com a história do Enzo e do seu noivo
— Ah, sim, o Felipe me lembra o Enzo por que eu só encostava nele e ele gozava na hora, pelo menos no começo
— Entendo — Priscilla disse já sem sentir vergonha alguma — E seu noivo?
— É que a gente foi pêgo também — Danielle disse pensativa
*** Anos antes ***
— Oi — Momo ouviu a voz de Felipe na porta, olhou rápido
— Oi — Respondeu como se desse de ombros
Momo precisava limpar a igreja, teria culto logo mais e ela começava pelo salão principal e depois ia para a área comum, laterais e quartinhos.
Desde que foi pego por seu pai e mãe transando em sua própria cama no réveillon (ver capítulo 1) Momo apanhou, seu pai lhe impôs uma condição que seria “Deixar de ser viado” e para isso seria submetido ao procedimento de “Cura Gay” oferecido pela igreja de forma intensiva, esse procedimento compreendia em muita religião, bíblia, exemplos masculinos, cabelo curto e aulas de marcenaria, mecânica, pintar parede, mexer em encanamentos e tudo o mais o que homens faziam rotineiramente.
— Está no comecinho ainda? — Felipe disse se aproximando
— Cheguei agora pouco — Momo falou sem olhar pra ele enquanto varria a lateral do salão
— Não vai olhar pra mim? — Felipe disse nervoso
Momo parou e encostou o queixo na vassoura olhando pra ele de forma estática
— O que foi? — Felipe perguntou
— To te olhando, o que você quer? — Perguntou sem expressão
— Tá bravo comigo? — Felipe perguntou nervoso
Momo respirou fundo
— Já passou seu nervosinho, vai parar de ter nojo de mim? — Momo perguntou visivelmente ofendida
— Você disse que era o negócio de refratário — Felipe disse — Passou sim, eu não tenho nojo de você.
— Bom saber — Momo disse voltando a varrer o chão
— Você ta bravo mesmo né… — Felipe disse e Momo não parou o que fazia — O que eu posso fazer pra você não ficar assim comigo, não me ignora por favor
Momo o ignorou, Felipe esperou quase um minuto
— Moisés! — Felipe chamou
Momo sentiu um tranco no peito, uma dor, não queria que ele falasse aquilo
— Fala porra, eu to trabalhando! — Momo disse visivelmente irritado
— Fala comigo — Felipe disse
— Ah, vai dar muito certo mesmo você me chamando por esse nome de merda — Momo disse — Excelente! — Falou de forma sarcástica
— Como eu te chamo então? — Felipe perguntou nervoso
Momo se aproximou, olhou para ele e encostou o cabo da vassoura no peito dele
— Se quer me agradar, me ajuda — Falou dando as costas e indo pegar a outra vassoura.
Vez por outra alguém da igreja entrava e via os dois limpando de ponta a ponta, Felipe tão dedicado quanto momo.
Limparam o salão da frente, e lavaram o quintal com a escadaria grande, o calor estava forte, Momo pegou a mangueira e jogou agua no rosto e na boca
— Quer água Lipe! — Perguntou já animado — Tá geladinha
— Quero! — Felipe falou indo em direção à momo
Mas antes de chegar próximo ele viu o sorriso maligno do amigo, Momo se se ergueu e jogou agua na cara dele, no peito e no corpo, rindo alto.
— Eeeiii — Felipe se encolheu e tentou escapar enquanto Momo ria molhando o amigo
Felipe correu e agarrou Momo tomando a mangueira dele e jogando água para o alto enquanto segurava Momo para se molhar junto
— Nããããõooo — Momo gritava e ria
— O que tá acontecendo aqui? — A mãe de Felipe apareceu
— Ah tia, nada, a gente ta terminando de lavar aqui — Momo disse em posição de sentido
— Parem de brincar, o culto começa em quarenta minutos e vocês ainda tem que tomar banho, terminem e vão pra casa se trocar
— Tem que limpar o quartinho ainda, mas é rapidinho — Momo disse para a mãe de Felipe
— Então limpem e se apressem — Disse enérgica
— Tá bom — Ambos responderam ao mesmo tempo.
Arrumaram a mangueira, baldes e produtos para colocar no quartinho.
— Vamos Momo, temos que colocar tudo no quartinho irmos pra casa — Felipe disse abrindo a porta e entrando. Assim que entrou sentiu o cheiro de limpeza, estava limpo, lustrado. — Acho que aqui já tá limpo
Momo o empurrou para dentro e fechou a porta
— Eu comecei por aí, seu besta! — Momo falou pressionando ele na parede e beijando-o com malicia
Felipe agarrou a cintura do amigo e retribuiu o beijo, Momo tirou a camiseta dele, molhada e em seguida a própria
— O que a gente tá fazendo? — Felipe perguntou entre beijos e gemidos
— Cala a boca — Momo disse enquanto chupava o mamilo do amigo e tirava a calça dele
Beijos estalados e os dois estavam pelados, abraçados se amando
— Sempre quis ficar peladinha com você — Momo disse abraçando Felipe — Me chama de Momozinha?
— Momozinha? — Felipe perguntou curioso, mal terminou de falar e ganhou outro beijo — Você parece uma garota
Momo parou o beijo e olhou para ele, se afastou
— Por que disse isso? — Perguntou com os olhos arregalados
— Não sei, eu não te vejo como um garoto, você parece uma garota, cheira como uma mulher, se move como uma mulher, beija como uma mulher — Felipe disse — Tem o corpo de mulher
— Como você sabe que eu beijo como uma mulher? — Momo perguntou — Já beijou um homem fora eu?
— Não, nunca — Ele disse pensativo — Mas eu nunca tomei um tiro e sei que dói
Momo pensou por um segundo
— Justo — Falou e avançou para os beijos novmente
Os paus duros se esfregando, Momo masturbava os dois ao mesmo tempo
— Quer fazer? — Perguntou na orelha de Felipe — Tem camisinha? — Falou aos beijos
— Eu não tenho — Felipe disse — Eu, eu, eu
Ela parou e olhou pra ele
— Ah… — Pensou um instante, era obvio, nunca tinham falado disso, mas era obvio — Você é virgem né?
— Sou, você não? — Felipe perguntou nervoso
— Não — Momo respondeu — Quer dizer, sim — Pensou melhor — Não do seu jeito, ah, sei lá! — Falou nervosa — Não interessa
— Não entendi — Felipe disse nervoso
Momo sacudiu a cabeça
— Eu — Momo pensou — Acho melhor a gente ir devagar com isso — Falou pensativa
Felipe parecia pensativo
Momo se masturbou o amigo, em seguida se ajoelhou
— Goza aqui — Mostrou o peito
Felipe não conseguiu conter e gozou, gemendo, a porra explodiu no peito de Momo e respingou no chão.
Enquanto ele gozava, Momo vestiu suas roupas molhadas por cima da porra que escorria, pegou um pano e limpou Felipe, em seguida o chão
— Se troca vai, jaja vem alguém — Felipe obedeceu e sentou-se no sofá
— Tá com nojo de novo? — Momo perguntou
— Não sei — Felipe respondeu pensativo — Você não goza? — Perguntou curioso
— Gozo, por que? — Momo perguntou distraída limpando o chão.
— Não vi você gozar — Felipe disse pensativo
— É que eu não gozo igual vocês — Momo disse — Vocês, homens
— E como você goza? — Felipe perguntou ainda curioso
— Se você for bonzinho e isso der certo você vai saber — Ela falou se arrumando — Vamos embora antes que alguém perceba
Mal terminou de falar a porta se abriu, a mãe de Felipe olhou dentro, viu Felipe sentado no sofá e Momo torcendo o pano na pia do banheiro.
Foram juntos para casa, cada um para a sua, quando Momo se vestiu de terno, se olhou no espelho e sentiu vontade de chorar
— Calma — É só um papel, só mais um pouco e não precisa fingir mais
— Moisés — A mãe gritou — O Felipe está te esperando
O coração de Momo bateu forte, saiu em disparada, Felipe estava parado na sala, alto, elegante, arrumado.
— Oi — Momo disse vendo o olhar julgador do pai — Vamos?
— Vamos — Felipe disse — Até daqui a pouco Senhor Francisco — Cumprimentou o pai de Momo
Caminhando pela rua, a igreja já podia ser vista
— Momozinha — Felipe disse baixinho para ninguém ouvir
Momo riu satisfeita
— Euzinha — Falou olhando para ele com os olhos brilhantes
— É muito grande — Felipe disse
— Eu sou muito grande? — Momo perguntou nervosa
— Não, seu apelido, Momozinha, não tem outro não? — Felipe perguntou
— Quer me dar um? — Momo perguntou atrasando o passo
— Pensei em Florzinha, Lindinha — Falou pensativo
— Ótimo, as meninas superpoderosas, você é quem o Macaco louco? — Momo riu
Felipe também riu
— Não, não foi de proposito — Ele disse envergonhado — Mas sei lá, eu te Chamo de Momozinha, eu acho que te chamar no feminino combina mais contigo
— Acha? — Momo sorriu — Tenta pra eu ver.
— Você é a menina mais bonita da rua — Felipe disse sorridente
No mesmo momento Patrícia passou por eles, usando um vestido azul, com um laço azul claro na cintura e uma tiara combinando
— Oi Lipe! — Falou ignorando Momo.
O Rosto de Momo se desfez, ela caminhou rápido subindo a escadaria e deu a volta no salão com dificuldade pois as pessoas já chegavam, entrou no quartinho do fundo.
Felipe disfarçadamente foi lá, entrou e não a viu, a luz do banheiro estava acesa e a porta fechada
— Momozinha? — Felipe chamou
— Vai embora — Falou com a voz chorosa
— O que eu falei de errado? Desculpa — Felipe disse nervoso
— Vai embora — Falou com a mesma voz chorosa
— Eu vou ficar aqui esperando você — Sentou-se no sofá — No sofá
A porta se abriu, Momo viu ele sentado no sofá, o rosto vermelho, os braços cruzados, não usava o palito, trazia na mão, jogou no chão.
— Vai amassar — Felipe disse cuidadoso pegando o paletó do chão
— Que pegue fogo essa merda, odeio usar isso
— Eu não queria te deixar triste
— Não foi você — Momo falou respirando fundo e usando o próprio palito para limpar as lágrimas — Sou eu
— Você não gosta que eu fale que você parece uma mulher? Eu achei que gostasse — Ele perguntou confuso
Momo respirou fundo
— É complicado — Falou sentando-se no sofá e agarrando as canelas de forma bem flexível
— Me conta — Felipe tocou no ombro da amiga
— Não — Momo disse — Não encosta em mim, a gente vai se pegar e vai chegar alguém, precisamos ter cuidado, essa praga é minha não sua.
— Que praga? — Felipe perguntou nervoso
— Ah, você sabe — Momo revirou os olhos
— Ser viado? — Felipe perguntou — Acho que agora eu sou também
— Você gosta de homem? Macho? Com barba? — Momo perguntou
— Não, credo — Felipe falou e riu sem graça
— Eu gosto — Momo disse — Eu sou viado, você não, você ta vendo em mim uma mulher que não existe, acho que você só tem tesão em mim
— Não é isso, eu não tenho tesão em você! — Felipe tentou se defender
— Não? — Momo perguntou confusa lembrando das veze que ele ejaculou com ela
— Quer dizer, tenho, você é gostosa, e eu não consigo me controlar perto de você — Felipe disse
Momo instintivamente tirou o cabelo que não tinha do rosto e colocou na orelha de forma tímida.
— Eu tava em casa pensando — Felipe disse — A gente podia, sei lá, namorar?
— Há! — Momo deu uma risada seca e falhada olhando pra cima, depois enfiou a cabeça entre as pernas e urrou — aaarrrrgggghhhh!!! — Seu urro transmitiu raiva.
Felipe se assustou, ficou observando Momo
— Acho melhor a gente parar por aqui essa brincadeira, eu não vou te fazer bem — Momo disse triste — Acho que já deu.
— Você me faz bem sim, só estar com você já me deixa muito bem — Felipe disse nervoso
— Não da pra gente namorar Lipe, seu pai mata a gente, meu pai me mata de novo e ele vai me espancar e me torturar muito, isso só pode dar errado pra você, o viado aqui sou eu, quem vai sofrer a vida toda com essa merda sou eu, você não precisa sofrer — Momo disse entristecido
Felipe se aproximou no sofá se encostando em Momo, passou a mão por cima do ombro
— Lipe, se afasta por favor — Momo disse pesarosa
— Você não gosta que eu encoste em você? — Felipe perguntou inseguro.
— Eu amo seu toque, queria estar agarrada com você fazendo amor pra sempre, mas não dá, se afasta por que se alguém entrar e ver você perto de mim vão te taxar de viado também, já devem estar fazendo isso
— Não, ninguém sabe que eu sou viado — Felipe disse
— Sua mãe veio hoje que nem um foguete, quando percebeu que a gente tava sozinho, todo mundo sabe que eu sou viado e acham que eu fico seduzindo todo mundo por que acham que eu to com o demônio no corpo
— Você não ta com o demônio no corpo — Felipe deu um beijo na cabeça de Momo e se afastou, sentou como ela, mas de frente pra ela
— Você acha que não? — Momo perguntou pensativa
— Não, você é assim e pronto — Felipe disse
Ficaram em silencio alguns minutos
— Eu vou embora — Momo disse
— Pra onde? — Felipe disse nervoso
— Não sei, meu aniversario vai ser essa semana, eu vou fazer dezoito anos, na outra semana eu começo a trabalhar no shopping, no Bobs.
— E você vai embora quando? — Felipe perguntou
— Não sei, vou juntar dinheiro e vou embora, meu tio Ariel disse que posso ir morar com ele quando eu for mais velha
— Mas ele mora na nossa rua — Felipe disse contente — A gente pode namorar enquanto isso
— Lipe, a gente não pode namorar — Momo disse
— Por que não? — Felipe perguntou
— Por que a gente é crente e nós dois somos homens porra! — Momo disse nervosa
— Você não gosta de mim? — Ele perguntou
— Eu já te disse, eu gosto de você, óbvio, desde muito nova eu sempre sonhei em ficar com você, mas eu sou pé no chão, não dá — Momo disse
— Mas eu te amo — Felipe disse chamando a atenção de Mom
— Você me ama? — Ela perguntou nervosa
A porta se abriu
— Ah, vocês estão aí, o culto vai começar, podem vir — O pai de Felipe, Pastor Paulo disse.
— Sim, estamos conversando só — Felipe disse se levantando e passando pelo pai
Paulo ficou olhando, viu a expressão de Momo, entristecida
— Tudo bem mesmo Moisés?
Momo se levantou, deu um sorriso sincero
— Estou bem sim — Falou ao passar pelo pastor.
Felipe se sentou longe, em um banco onde não ficavam habitualmente, Momo foi próximo a ele, não havia lugar, mas forçou o lugar o empurrando
— Vai pra outro lugar — Felipe disse azedo
— Eu vou sentar com meu namorado — Momo disse baixinho — Da licença!
Ele sorriu e deu lugar, sentaram-se com os corpos colados.
A partir desse dia Momo e Felipe passaram a ficar mais juntos, sempre cuidadosos, sérios e brincalhões, não vacilavam, na escola nem em casa.
No aniversário de Momo Felipe lhe deu um presente, uma lingerie azul e um conjuntinho de calcinha e sutiã de algodão.
Ela abraçou ele forte e chorou no colo dele, era seu primeiro sutiã comprado os outros ela roubou da irmã, mesmo sabendo que a irmã fazia vista grossa.
As aulas de fim de ano estavam apertadas, o colégio exigia muito dos dois, estudavam sempre juntos, na sala da casa de Felipe ou na sala da casa de Momo, ambos faziam questão de que todos vissem que eles eram bons amigos, sempre estudando juntos de forma séria.
Na ultima semana de aula, quando passaram em todas as provas Felipe chamou-a de manhã
— Nem acredito que conseguimos, nossa, passamos em tudo! — Ele falou animado
— É, caramba, minha cabeça dói, mas a gente arrebentou! — Momo falou animada
— A gente podia ir ao cinema hoje pra comemorar — Felipe disse
— Eu tenho que trabalhar — Momo disse — Você sabe
— Eu sei, a gente quase não tem ficado junto — Felipe disse triste
— Na sexta, amanhã, é minha folga, pode ser? — Momo disse simpática
Felipe sorriu
— Pode, pode sim! — Ele falou animado
— Mas a gente tem que ir em um mais longe — Momo disse pensativa
— Onde? — Felipe disse
— Tem um shopping legal em Osasco, fui uma vez — Momo disse
— Osasco é muito longe, a gente não em carro — Felipe disse — Eu to com a grana contada
Momo observou-o
— Tá, vamos em um que tem metrô perto, vou ver uns e te falo. — Momo disse animada — Mas ta combinado na sexta né?
— Tá sim! — Felipe disse animado
Um outro garoto chegou para falar das notas e eles mudaram de assunto, ficaram conversando, tiveram meia aula até a hora do intervalo.
Felipe como sempre saiu na frente, Momo iria depois, procuravam não andar sempre juntos.
Assim que Momo saiu viu Felipe sentado em um banco conversando com garotos, a mão dele estava estrategicamente apoiada de forma espaçosa guardando lugar para Momo.
Sorridente e contente Momo se aproximou dele, estavam de costas para Momo, então ela viu. Patricio se aproximou rápido e se sentou no colo de Felipe abraçando-o pelo pescoço
— Oi Lipeeee — Falou com a voz fina, feminina e irritante
Momo paralisou, o coração bateu rápido. Felipe ergueu as mãos mandando ela sair, mas ela se balançava, a cintura fina, os quadris largos, o bumbum arrebitado se esfregando nas coxas de Felipe.
Momo sentiu um calor, um ódio que ela já conhecia, caminhou pisando duro, tudo ficou preto, ela viu apenas a garota sentada no colo do seu namorado secreto
— Sai daí Patrícia — Momo falou com a voz sem sentimento
— Ah é sua vez? — Patrícia riu fazendo os outros meninos rirem também
Momo se inclinou se segurou-a pelos cabelos, com violência, no ouvido dela disse
— Sai daí ou eu quebro o seu pescoço — A voz ainda era sem sentimento
Patrícia se levantou, olhando para Felipe e depois para Momo com cara de pânico, apenas respirou rápido, indignada, colocou a mão no pescoço e saiu andando rápido.
Momo sentou-se ao lado de Felipe, os meninos olhando para ele.
Todos estavam assustados, viram a violência.
— E aí — Momo disse — Todo mundo passou de ano?
Felipe respondeu rápido engajando o grupo e o assunto se dissipou.
Conversaram e voltaram pra aula, na saída Felipe se aproximou
— O que foi aquilo com a Patrícia? — Felipe perguntou — O pessoal viu
— Ela sentou no seu colo, você não a jogou de lá por quê? — Momo disse nervosa
— Eu não queria machucar ela, mas eu não encostei nela, mandei ela sair, mas ela não saiu
Momo ficou quieta
— Eu vou pra casa, tomar banho e ir trabalhar, vou fazer um extra hoje — Momo disse ressentida
— Não fica brava comigo amor — Felipe disse
Ela olhou em volta
— Lipe, cuidado com o que fala — Momo o repreendeu
— A gente vai parar de estudar aqui, eu te amo, todo mundo sabe — Felipe disse sorridente
Momo sorriu também
— Você é doido — Se aproximou e deu um abraço nele — Gostoso — falou animada
Foram caminhando para casa
— Por que vai fazer hora extra? — Felipe disse — Juntando dinheiro pra sair de casa?
— Também, mas preciso comprar uma coisa, um presente — Momo disse enquanto caminhava
— Presente pra quem? — Felipe disse
— Pra um carinha aí — Momo disse parecendo distante
— Que carinha aí? — Felipe perguntou nervoso
— Um carinha que diz que me ama, mas deixa vagabunda da bunda grande se esfregar nele
— Ai Amor, eu disse que eu não queria — Felipe retrucou
— Eu sei meu anjo, tô brincando, quero fazer uma surpresa pra você amanhã e uma no seu aniversário — Momo disse
— Meu aniversário? É só mês que vem! — Felipe disse
— Faltam 3 semanas, claro, como é Natal eu não vou conseguir te dar no dia, mas já acertei, dia 26 você vai ganhar seu presentinho
— É de comer? — Felipe perguntou curioso quando chegaram na porta da Casa de Momô
Ela olhou para ele e arqueou as sobrancelhas nervosa, ficou corada
— É? — Felipe disse sem entender
Ela sorriu, olhou em volta, não viu ninguém, se aproximou e deu um selinho nos lábios dele
— Tchau — Entrou em casa.
Conversaram via aplicativo de celular, na época era muito precário ainda, mas funcionava.
Marcaram no shopping mais distante que também tinha ligação com o metrô
Felipe chegou, esperava o retorno de Momo pelo celular, até viu a mensagem
“Eu cheguei, te vi, fica bonitinho aí por que você tá gostoso, eu vou me trocar e já volto, não deixa nenhuma vagabunda sentar no seu colo”
Felipe riu da mensagem, esperou quase trinta minutos. Se distraiu lendo um panfleto de apartamento, viajou na mente que compraria um apartamento para ele morar com seu amor, que teriam filhos e se casariam na igreja, mas uma pequena onda de terror e medo o atingiu quando se lembrou que isso seria impossível
— Com licença — Ouviu uma voz fina, uma presença ao seu lado — Estou procurando meu namorado, você o viu?
Felipe olhou a mulher devagar primeiro os pés, botinhas negras brilhantes de vinil, meia calça escura, usava uma minissaia até os joelhos, na cor preta com correntinhas prateadas, uma pequena parte da barriga ficava à mostra, usava uma camiseta preta curta bem justa marcando o volume dos pequenos seios, um cabelo castanho longo caído entre os ombros, batom vermelho escuro, maquiagem impecável, unhas pintadas de preto e brincos prateados de cruz.
Quando olhou os olhos da garota ela sorriu, Felipe achou estranhamento Familiar, achou ela muito bonita e atraente
— Ah, eu não sei, qual o nome dele? — Felipe perguntou inocente
Ela sorriu mais ainda
— Chama Felipe — Ela falou entortando a boca parecendo esperar ele falar algo.
Felipe então reconheceu, era Momo
Se levantou
— Momo!? — Falou com o coração batendo forte sentindo o perfume doce e suave
— Não! — Ela disse contendo o abraço que ele ia dar nela
Ele ficou confuso
Ela deu um passo para trás em girou devagar mostrando o corpo
— Essa é a Danielle! — Falou empinando o queixo — E é Danielle com duas letras “L” — Falou animada
Felipe olhou para ela
— Você tá maravilhosa amor! — Falou animado e admirado
— Gostou mesmo? — Perguntou nervosa e trêmula — Fiquem em dúvida se ia gostar
— Me da um beijo? — Ele perguntou nervoso
Ela sorriu e o abraçou dando um beijo na boca, chuparam suas línguas por alguns segundos e ela empurrou
— Não vamos chamar a atenção tá — Ela disse sorridente — Já escolheu o filme? — Ela perguntou virando-se de lado para ele e de frente para a lista de filmes
— Vamos ver Avatar, começa a daqui dez minutos — Felipe disse se aproximando dela
— Pode encostar, Danielle não morde mais que a Momozinha — Danielle disse animada
Ele a agarrou pela cintura e deu um beijo na bochecha, ela riu feliz e apontou para a tela com a programação dos filmes
— Mas tem outro que começa daqui a uma hora e meia — Danielle disse pensativa — Vamos nesse
— Não é muito tarde? — Felipe disse — Seus pais não vão implicar?
— Nada, hoje eu to fazendo hora extra — Ela disse colocando a língua para fora e levantando uma perna, parecia completamente feminina e diferente — E aí a gente pode dar uma voltinha juntinhos e comer algo
— Ta bom! — Felipe falou animado
Ela agarrou o braço do namorado, andaram coladinhos, pararam em frente a uma vitrini de videogames, viram o próprio reflexo
— Será que a gente vai ficar junto? — Danielle perguntou pensativa
— Eu quero, você quer? — Ele perguntou simplório
— Claro que eu quero, isso depende de nós dois e das pessoas em volta da gente — Danielle disse
Ficaram olhando os videogames
— Quando a gente se casar e tiver nossa casa eu vou deixar você ter os videogames que você quiser, vou te dar videogames de presente, não vou ser essas esposas chatas que ficam implicando com os maridos
Felipe riu
— Tá bom então — falou olhando para ela, os lábios bem delineados, a maquiagem bonita ele se inclinou dando um beijo nos lábios dela — Você tá muito bonita, feminina, está incrível
Ela sorriu e fechou os olhos brevemente de forma fofa
— Amor, você esconde esse jeitinho lindo o dia todo? — Felipe perguntou curioso
— Escondo, acho que essa sou eu mesmo — Danielle disse pensativa — É ruim eu ser assim?
— Não, eu tô me apaixonando de novo por você, me apaixonei pela Momozinha e agora to me apaixonando pela Danielle — Felipe disse admirando-a
Danielle se balançou delicadamente para um lado e o outro
— Eu tô gostosa? — Danielle se virou de lado empinando o bumbum
— Eu tô com um puta tesão em você — ele se aproximou dela, Danielle pegou no pau dele e apertou, estava duro
Ela riu e se afastou
— Gente, mas já tá assim? — Ficou envergonhada
— Desde que eu te vi ele tá estalando! — Falou ofegante
Ela se aproximou e colou o corpo ao dele intencionalmente pressionando o pau com a barriga, Felipe era mais alto que ela.
— Segura sua onda aí amor, sua paciência será recompensada, quer ver uma coisa? — Danielle perguntou envergonhada
— Quero — Ele disse ansioso
Ela puxou a gola da camiseta mostrando a alça rendada da Lingerie que ele deu pra ela
— É a primeira vez que eu tô usando fora de casa — Falou sorridente
— Meu Deus, eu te amo! — Ele a abraçou e beijou o pescoço dela fazendo-a rir de cócegas. — Esse vai ser meu presente de aniversário, ver a Danielle vestindo o presente que te dei?
— Parte dele sim, mas só uma parte, mas fica tranquilo que você vai ver e provavelmente vai amar o presente. — Danielle o puxou pela mão — Vem, vamos dar uma voltinha e comer algo.
E fizeram isso, desfilaram pelo shopping, homens olharam para Danielle, ela não deu bola para ninguém, estava bonita, radiante, quando foram comprar pipoca um garoto claramente homossexual, que estava atentando disse para Felipe
— Sua namorada é muito fofa — Falou vendo Danielle morder o braço de Felipe
— É minha noiva, a gente vai se casar — Felipe disse surpreendendo Danielle
Ela olhou para ele surpresa e pareceu ter perdido a ação.
Pegaram a pipoca e os refrigerantes e foram à sala, sentaram-se e Danielle estava muda
— Tudo bem amor? — Felipe perguntou
— Por que você disse que era meu noivo — Danielle perguntou curiosa e nervosa com a perna sacudindo
Felipe percebeu a perna nervosa dela, colocou a mão a fazendo parar, viu os olhos dela brilharem na luz fraca da sala de cinema
— A gente vai se casar, vai ter uma família e vai ser feliz pra sempre, eu vou tirar você daquele lugar ruim, a gente vai pra outro lugar ficar juntos — Felipe disse
Danielle se arrastou e se sentou no colo dele agarrando-o com força, o corpo dela tremia, ela chorava
— Vai borrar a maquiagem amor — Ele disse agarrando-a também
— Eu vou adorar ser sua esposa — Danielle falou contente, os trailer estavam para começar e ela voltou ao seu lugar — Eu vou ao banheiro rapidinho
Foi e retocou a maquiagem, voltou e o filme estava iniciando
Viram o filme, entretidos, o braço da poltrona levantava e eles ficaram o tempo todo agarrados, por vezes davam beijos apaixonados, por vezes carinhos comportados e comentavam sobre o filme.
Quando o filme acabou eles ficaram esperando na sala, Danielle olhou no relógio, era bem tarde.
— A gente precisa ir — Falou preocupada
Felipe a agarrou
— Amei nossa noite — Disse no ouvido dela — Você é a menina mais linda do mundo, eu te amo, vou ficar com você pra sempre
Se beijaram, os créditos rolavam, ela acariciou o rosto dele
— Você é lindo também — Beijou o queixo dele — Amo esse buraquinho no seu queixo — falou admirando, desceu a mão pelo pescoço dele, peito
— Amor — Felipe disse
— Quietinho tá — Danielle disse — Está todo mundo saindo já — Só esse casal do lado sair aqui…
A mão dela deslizou para a calça dele apalpando o pau.
Felipe apertou as coxas dela, a textura da meia era diferente
— Ficou bem apertado né — Felipe disse acariciando a parte interna da coxa dela
— A sensação é boa, fica justinho — Danielle disse
Ele deslizou a mão por baixo da calça dela
— Amor, cuidado — Danielle disse — O que você quer aí
Ele tocou o pênis dela, mas não estava exposto
— Tá usando um shortinho? — Perguntou curioso
— Saia, meia calça, um shortinho justo e a lingerie, vai ser difícil você tocar algo aqui hoje — Falou debochada deslizando a mão e tocando pau de Felipe
— Caraca, você é muito machão né? — Ela disse animada — Fico impressionada, a qualquer hora que eu coloco a mão ele fica duro — Ela disse desabotoando o cinto e tirando a mão dele das pernas dela
— Por que você é gostosa! — Ela apertou as coxas dela
O casal do lado deles saiu, Danielle acariciou o pau de Felipe, a ponta molhada
— Ta muito molhado amor, ta com bastante tesão? — Ela falou chupando os dedos melados
— Muito — Ele disse já ofegante
— Ótimo, vai ser rapidinho então — Ela disse, olhou em volta e abaixou a cabeça abocanhando
Diferente das outras vezes não foi tão rápido, ela chupou e masturbou-o por vários minutos enquanto a sala ainda estava escura.
Então Felipe gemeu e tremeu
— Pode fazer, não se preocupa que eu tô esperta — Ela falou e voltou a colocar o pau na boca masturbando na base.
Então ela sentiu, o pau pulsou, tremeu, esquentou e jorrou o sêmem quente e grosso na boca dela, ela sorriu e aumentou o ritmo da masturbação expondo a cabeça, sabia que assim gozava mais, engoliu em ondas, a boca enchia e ela engolia, sem fazer careta, na verdade sorria a cada golada.
Felipe parou, ela continuou chupando até deixar o pênis do namorado bem limpo e sem vestígio.
— Pronto — Ela disse tomando um gole de refrigerante — Vamos, guardou o pau de Felipe e se levantou — Saíram de mãos dadas
— Vamos juntos até em casa? — Felipe disse animado
— Não dá — Danielle disse — Você vai na frente, eu preciso me desmontar e não da pra gente chegar juntos.
— Eu te espero, a gente vai junto e depois se separa
— Não! — Danielle disse — Eu não quero que você veja a Momo, não hoje, não depois disso — Mostrou-se para ele.
Se abraçaram e se beijaram, ele concordou, saiu na frente e foi embora.
Chegou em casa e ficou no portão observando-a, demorou quase uma hora até ela descer do ônibus, assim que desceu o viu no escuro a observando, ela sorriu e mandou um beijo discreta, ele também mandou, ela foi para casa e no portão olhou para trás, ele a observava, cuidando dela à distância.
Danielle, ou melhor, Momozinha, sentiu um aperto no coração, aquilo era perfeito demais para ela.
*** De volta ao consultório ***
O alarme chamou a atenção das duas.
— Passou rápido — Danielle disse
— Bastante — Priscilla disse — O que você tira dessa história?
— Guardo ela no coração pois foi linda demais, foi breve e incrível
— Breve? Então acho que está perto do fim, notei que ele dizia que te amava, mas você não retornava isso, você não o amava? — Priscilla perguntou
Danielle riu, parecendo magoada
— Amava mais que tudo no mundo, ele foi minha luz de esperança, eu tava mentalmente morta, ele reacendeu a Danielle, ele me fez acreditar que eu iria me casar e ter uma família — Danielle disse pensativa
— E hoje você acredita nisso ainda? — Priscilla perguntou
Danielle sorriu triste
— O que você acha?
— Eu tenho certeza que sim, mas acho que não é com o Fausto — Priscilla disse
— Tá assim tão evidente? — Danielle disse — Que eu não quero continuar, preciso decidir sobre isso
— Está claro há muito tempo, você já decidiu, só é covarde — Priscilla disse de forma dura
Danielle corou, coçou a cabeça
— Respire, seja a mulher que você quer ser — Priscilla disse séria
— Acha que devo terminar com ele? — Danielle perguntou
— Eu que te perguntou, você acha isso? — Priscilla perguntou dura
— Quero — Danielle disse — Ele é uma contradição, eu, eu não sei, acho que me faz mal
— E nem é pelo pênis gigante, por que você já se acostumou, né? — Priscilla perguntou
— Sim, eu acho que estou me acostumando, mas eu não confio mais nele — Danielle disse
— Pense bem, pense nas repercuções disso, lembre da sua divida e tudo mais
— Não seis e a parte financeira tem que contar para terminar um relacionamento — Danielle disse franzindo a testa
— Danielle, você é uma mulher, nós somos a parte mais fraca sempre, mulheres trans então tem uma tendência a serem punidas mais que as mulheres então pensem em tudo, pense no seu amor, pense no seu futuro e a sua divida faz parte do seu futuro, não faça uma loucura.
Danielle pensou no que ela havia dito, Priscilla continuou
— Eu não estou dizendo para você se aproveitar dele, converse com ele, tome o controle, tome para si as negociações, deixe na sua mão, o que é dele é dele e o que é seu é seu, é sobre controle, não sobre aproveitar e pegar o que não é seu, uma boa mulher é honesta — Priscilla disse
— Dona Roxane me disse isso também, uma boa mulher é honesta.




