Diário de Rafaela 2 — Capítulo 52 — Rede de apoio
A semana passou voando, foi muito divertido, Rafaela, Amanda e Natália estavam queimadas de Sol, viviam na piscina e na praia, acabaram deixando o lance sexual de lado e passaram andar na praia, brincar na areia, jogar vôlei, fizeram uma pequeno clube com livro com os livros que Natali havia guardado desde nova, eram garotas bem nerds na adolescência e haviam se esquecido de como isso era divertido
Rafaela estava apreensiva com o estado de saúde de Amanda, mas surpreendentemente não houve reclamações, não sentiu dores, cansaço e nada a mais, simplesmente parecia que a doença dela havia poupado e dado umas férias.
Assim que perdeu Rafaela foi tirada do time e sentou-se na areia, jogavam vôlei com várias pessoas, algumas desconhecidas que estavam na praia.
— Estrelinha? — Ouviu a voz do padrinho chamando
— Oi Diu! — Rafaela falou animada pegando na mão dele — Senta aqui comigo
— Estamos bem? — Ele falou se preparando para sentar, tinha os olhos fundos, parecia cansado
— Estamos sim, por que? — Rafaela perguntou observando a aparência dele — O que aconteceu?
— Não aconteceu nada, mas você mal falou comigo desde que eu cheguei aqui — Matheus, o Padrinho, apontou o acontecimento em forma de reclamação branda ao se sentar.
Rafaela tombou a cabeça e encostou no ombro dele
— Eu estou focada, desculpe, mas vamos fazer algo juntos! — Segurou a mão dele com força
— A Amanda né? — Matheus perguntou observando a garota de biquini saltar e comemorar ao fazer um ponto, olhou para Rafaela e Matheus e acenou.
Rafaela acenou de volta e abraçou os joelhos
— É, estou olhando ela — Respondeu parecendo nostálgica
— Ela está bem né, pelo que to vendo — Matheus respondeu se acomodando na areia.
— Está — Rafaela respondeu pensativa, Matheus deixou ela divagar, sabia quando Rafaela pensava demais, demorou mais de um minuto para concluir o pensamento — Está sim, muito bem.
Observaram o jogo um pouco
— O que você tem? — Rafaela perguntou sendo direta
— Não tenho nada — Matheus falou e bocejou
— Você não tá dormindo, minha tia tá tão fogosa assim? — Rafaela perguntou sorrindo maliciosamente para ele
Matheus parecia distraído
— Fogosa? — Perguntou franzindo a testa e depois entendeu — Ah, ela é incrível, mas não é por ela não.
— E é por que então? — Rafaela perguntou interessada
— Bobeira — Matheus respondeu evasivo
— Sei — Rafaela fez sacudiu o corpo no impulso e se levantou, em seguida deu a mão para ele — Vem
Ele aceitou a mão e ficou em pé também
— Pra onde? — Matheus perguntou curioso
— Dar uma volta — Respondeu e ergueu a mão para ser vista, gritou para os namorados e a irmã — Vamos dar uma volta!
Eles gesticularam que estava ok.
Rafaela pegou na mão de Matheus e andaram pela areia
— Sabe o que eu me lembro? — Matheus perguntou nostálgico
— Do que? — Rafaela perguntou tentando imaginar do que ele falava
— De você pequena pegando na minha mão, você falava para eu andar devagar por que eu era muito alto — Matheus falou sorridente
Rafaela riu ao se lembrar, ergueu a mão que estava dada com ele
— Agora não faz tanta diferença né!
— É, você tá quase da minha altura! — Matheus disse — Tem quanto de altura
Ela olhou para ele e desviou o olhar em seguida
— Tenho demais pra uma mulher, o suficiente para não poder usar salto — Desabafou
Ele percebeu o desconforto dela
— Você era praticamente cabelo! — Disse divertido
— É, eu sempre fui cabeluda né? — Rafaela respondeu também sorridente
Estavam indo em direção a uma parte mais deserta da praia mas Matheus a puxou pela mão
— Por aí não, é perigoso
— Perigoso por que? — Ela perguntou curiosa
Ele sorriu
— Deserta demais Rafa — Matheus respondeu distraído
Rafaela deu um tranco na mão dele, estavam longe das pessoas, longe de alguém que pudesse ouvir
— Rafa né? — Rafaela perguntou
Ele olhou para ela curioso
— Não é seu nome mais? Mudou? — Perguntou tentando parecer engraçado — Te chamo de que? Maria Carolina? Maria Eduarda?
Ela cruzou os braços
— Engraçadinho — Respondeu de má vontade — Fala o que tá acontecendo
— Não tá acontecendo nada Estrelinha
— Tá sim Diu, você é péssimo mentiroso, não mente pra mim, se estiver mentindo para me proteger é pior ainda, eu não sou mais um bebê, eu posso me proteger
— Não pode! — Ele gritou com ela de uma vez
Rafaela se assustou com o tom de voz dele, os olhos dele ficaram vermelhos
— É óbvio que você não pode se defender, que não sabe de porra nenhuma! — Ele berrou e ela viu a saliva sair de sua boca em direção a ela
Piscou assustada descruzando os braços e dando um passo para trás
Ele apertou os olhos com os dedos, pressionando o corpo do nariz franzindo a testa, virou-se de costas para ela
— Droga, droga! — A voz dele era embargada
— Diu, calma — Rafaela colocou a mão no ombro dele — O que foi? Me fala o que está acontecendo
Ele respirou fundo e se virou para ela, o rosto vermelho e lágrimas contidas, parecia frustrado, entristecido
Rafaela pegou na mão dele e deu um beijo
— Calma Diu, calma — Ela estava preocupada, aquilo não fazia sentido para ela — Respira, fala comigo
Ele a observou, achava-a linda, sorridente, a um ano atrás ele passou dias procurando-a, quase enlouqueceu
— Rafa, eu sou seu padrinho, você sabe qual é a função de um padrinho?
— A função? Não sei, ser meu amigo, ser tipo um pai pra mim? — Rafaela respondeu em forma de pergunta
— O padrinho é um protetor, se algo acontecer com seus pais você é minha responsabilidade, eu tenho que te guiar em paralelo, te ajudar, o seu sucesso e seu fracasso é culpa minha também, sua criação é minha tanto quanto dos seus pais
— Amor — Rafaela beijou as mãos dele — Eu já estou criada, você fez bem, se não fosse você eu não teria essa cabeça de hoje, eu não seria o que sou e eu amo ser quem sou
— Não, não está pronto, eu preciso te proteger e eu falhei com isso
— Falhou como? — Rafaela perguntou sem entender
— Eu deixei ele te fazer mal — Matheus disse decepcionado
Rafaela demorou alguns segundos para pensar e relembrar
— Bem, se ele pediu autorização para você para me sequestrar e você o autorizou eu acho que você é culpado, caso contrário não — A resposta dela tinha uma pitada de humor e ironia
Ele fez um negativo com a cabeça
— É obrigação minha te manter bem — Falou frustrado
Ela se aproximou e segurou o rosto dele
— Você não tá pensando direito Diu — Rafaela sacudiu devagar a cabeça dele — Presta atenção, você não está comigo vinte e quatro horas, eu agradeço sua intenção, mas eu sou maior de idade, vacinada, autônoma, entendeu? não tem como você se preocupar assim, se eu cair no banheiro bater a cabeça e morrer você vai se sentir culpado?
Ele olhava para ela nos olhos, não respondeu por muito tempo, ergueu a mão e passou no rosto dela, a pele dele era branca, usava protetor solar igual ao de Amanda, alto fator de proteção. Rafaela inclinou a cabeça e deu um beijo delicado na palma da mão dele
— Tá me ouvindo — Rafaela perguntou preocupada, o olhar dele parecia distante e ela aumentou o tom de voz — DIU!
Ele despertou de um transe e se afastou olhou em volta, parecia procurar alguém ou algo.
— Você não tá nada bem, vamos falar com a tia — Rafaela disse — Você não tá dormindo né?
— Rafa — ele disse e respirou fundo — Estrelinha, você está certa
Rafaela parou para ouvi-lo
— Certa no que? — Ela perguntou curiosa
— Você não é mais criança, é autônoma e dona da sua vida
— Mas isso não quer dizer que eu não precise de você — Rafaela falou sem deixar ele terminar
Ele fechou os olhos, pareceu dormir por um instante
— Ele está aqui — Matheus falou abruptamente — Está por perto
— Quem está aqui? — Rafaela perguntou levantando uma sobrancelha
— Tá todo mundo te olhando Rafa — Matheus disse apoiando-se nos joelhos, parecendo cansada
— Como assim? — Perguntou confusa
Ele pegou ela pelo braço, virou-a delicadamente
— Olha as pessoas te olhando — Apontou para a parte de cima da casa onde o pai e a mãe dela estavam — Seus pais
— Normal, eles são meus pais né
— Você é esperta, presta atenção — Matheus falou girando-a delicadamente
Ela notou, os homens que vieram com seu namorado, não haviam falado muito com ela, não bebiam, estavam sempre por perto, olhou para a casa e notou que agora haviam cercas elétricas mais altas que no ano anterior, os homens estavam espalhados todos olhando Rafaela de longe, vestidos demais para estarem na praia.
Olhou para o Vôlei, pessoas sentadas nas cadeiras e olhando, o time de Vôlei que estava Guilherme, Natali e Amanda estava de frente para ela.
Na sombra, do lado do portão havia um homem sentado, era Carlinhos, estava com um binóculos sentado no canto
— Como assim, o que é isso? — Rafaela perguntou preocupada — O que está acontecendo
Pensou um pouco, tentava juntar as peças e deduziu
— Patrick — Falou em voz baixa — Ele está por perto?
Sentiu a mão de Matheus a apertar
— Vocês estão me espionando? — Rafaela perguntou quase em fúria
— Sim, e dessa vez você não vai sair desembestada para lugar nenhum, você não vai sair de perto de mim
— Isso não é justo, tá todo mundo sabendo disso menos eu?
— Faz tempo estrelinha, desde que ele desapareceu da cadeia, ele está te rondando, montamos uma rede de apoio para te proteger e ontem a noite alguém viu um homem que bate com a descrição dele, a polícia não achou nada.
Ela soltou o braço e saiu andando em direção à casa, andando em fúria, todos que a olhavam perceberam e passaram a segui-la
Rafaela foi para a cozinha da casa e pegou um copo de água, esperou alguns segundos de costas, sentiu pessoas se aproximarem e se virou
Estavam todos lá, seus pais, Carlinhos, namorados, amigos de Guilherme e muitas outras pessoas
— Tá certo, entendi, vocês acham que eu sou o caralho de uma criança que não sei me cuidar — Estava furiosa — Que palhaçada é essa? Tá todo mundo me vigiando?
— Não é questão de se cuidar — Carlinhos falou — É evidente que isso não tem a ver com você, podia ser um homem forte como o Guilherme que não faria diferença, é um risco muito grande
— Eu sei me cuidar! — Rafaela bateu o pé no chão.
— Não sabe, você não tem como saber — Rose deu um passo a frente — Tem um psicopata atrás de você Rafa, ele te sequestrou, ele te maculou, ele tirou meu neto da gente! — Rose parecia brevemente fora de controle, algo incomum
Rafaela não havia parado para pensar naquele ponto de vista, ela havia perdido o filho, mas sua mãe havia pedido o neto, seu pai também, seu irmão havia perdido o sobrinho, Carlinhos também havia perdido o filho.
Ela repensou tudo em um segundo a dimensão era muito maior do que ela havia imaginado, costumava pensar em tudo como ela mesma no centro do universo, mas teve um estalo, ela não estava no centro, ela importava, óbvio mas todos tinham ligação com ela e tiveram impacto direto no que estava acontecendo.
Abriu a boca para falar, mas viu todos em volta, todos bem intencionados, todos amavam ela de alguma forma e maior ou menor intensidade, mas não sentiu nenhuma hostilidade.
Deixou os ombros caírem, abaixou a cabeça, não queria brigar ou parecer ingrata de nenhuma forma.
Apertou a base do nariz pressionando os olhos igual o padrinho havia feito.
— Só… Só… — Não sabia o que dizer — Só preciso de um tempo — Falou com a voz serena e andou em direção às pessoas, eles saíram da frente e ela foi ao pé da escada, todos pareciam entender e ela continuou — Eu vou estar no meu quarto, só preciso pensar um pouco.
Subiu a escada devagar, entrou no quarto e foi ao banheiro, tirou a roupa e tomou um banho rápido, estava calor, secou-se de qualquer jeito e deitou-se nua com uma coberta fina.
Sentiu seu ouvido apitar, sentia aquilo quando estava nervosa, a audição pareceu diminuir brevemente, tudo ficou silencioso e ela adormeceu
Sentiu alguém passar a mão em sua cabeça
Abriu os olhos, viu Amanda sentada na cama acariciando
— Oi — Amanda falou sorrindo — Você tá bem?
Rafaela puxou Amanda para um abraço, Amanda se posicionou e deitou na cama também.
— Amor — Rafaela disse — Você acha que eu sou um fardo?
— Um fardo, Rafa? Do que? — Amanda perguntou surpresa ao ser sufocada pelo abraço
— Todo mundo tenso por causa de mim, todo mundo vigiando, olhando, tramando, o Diu não dorme, tá com cara de cansado
Amanda tirou o rosto do abraço para poder falar
— Ele ta dormindo agora, sua tia obrigou — Amanda disse — Não vejo como um fardo, todo mundo faz isso por que gosta de você e entende que a situação é bem ruim
— Você sabia também? — Rafaela perguntou entristecida
— Sua mãe falou comigo, explicou o que estava acontecendo, eu sei que isso parece traição, mas todo mundo que tem contato com você está sabendo de algum jeito, até o rapaz da oficina sabia amor, você nunca esteve sozinha esse tempo todo
Rafaela escondeu o rosto no travesseiro
Amanda acariciou o cabelo dela
— Fica assim não amor, todo mundo te ama, você é incrível — Amanda disse amorosa
— Eu sei que não é por mal — Rafaela falou com a voz abafada — Pelo contrário, é por bem, só que não me contarem é ruim pra mim
— Eu fui contra, amor, eu queria que falassem, mas pediram para não falar nada, eu sei que você não é de cristal, não é tão frágil quanto pensam, mas mesmo assim eu decidi ficar quieta, é pro seu bem. — Amanda explicou
— Eu jamais ficaria com raiva de você gatinha — Rafaela beijou a cabeça de Amanda
Ficaram abraçadas por um instante
— Quer fazer amor? — Amanda perguntou beijando o pescoço de Rafaela
— Quero — Rafaela respondeu e beijou os lábios de Amanda — Mas eu quero rola.
Amanda olhou para ela um pouco decepcionada e se sentou na cama
— Vou chamar o Gui — Tentou se levantar e Rafaela a puxou para a cama
— To brincando besta — Jogou-a de costas
— Não tá não, eu sei quando você tá brincando — Amanda falou magoada
Rafaela empurrou ela na cama e abaixou o shortinho dela à força, depois o biquíni, agarrou a bunda dela com as duas mãos
— O que você tá fazendo? — Amanda perguntou tentando se desvencilhar
Rafaela só riu, viu o cuzinho rosa de Amanda e meu a língua
— Aaaaahhh — Amanda gemeu — Assim não! — Reclamou
— Assim sim! — Rafaela disse sufocada — Você tá na divida comigo, vai dar o cu pra mim agora
— Ah amor — Amanda disse de olhos fechados sentindo Rafaela lamber seu cu com vontade e deixar a língua escorregar pela buceta
— Que bom que tá limpinho — Rafaela disse amorosa
— Sempre tá limpinho! — Amanda se defendeu
Ouviram alguém bater na porta, Amanda se assustou
— Rafa, Rafa, Para — Amanda tentou se levantar
— Entra! — Rafaela falou mantendo Amanda presa no mesmo lugar
Guilherme apareceu na porta, Rafaela olhou para ele e voltou a enfiar a cara no meio da bunda de Amanda
— Oi Gui — Amanda disse relaxando e empinando a bunda
— Ia perguntar se tá tudo bem, mas pelo visto tá né — Guilherme disse sorridente por ver a cena
— Come! — Rafaela disse
— O que? — Guilherme perguntou, não havia entendido bem
Rafaela ficou de quatro empinando a bunda, empurrou Amanda para frente na cama de casal, continuou a lamber o cu da namorada, empinou a bunda
— Pega ali na mala o brinquedo verdinho — Rafaela disse apontando e masturbando Amanda com os dedos
Guilherme foi e pegou, era um vibrador comprido, verde, mas fino, Rafaela chupou ele e colocou na porta do cuzinho de Amanda, Amanda Gemeu.
Rafaela abriu as pernas ajoelhada e empinou a bunda
— Vai, me come! — Falou para Guilherme quase que ordenando — Eu quero rola1
Guilherme não esperou, vestia apenas uma bermuda, abaixou e o pau já estava meia bomba pela cena que havia isto, pincelou o cu de Rafaela e forçou
— Na buceta Guilherme! — Rafaela falou autoritária enquanto enfiava devagar no cu de Amanda
— Aaaaaiiii — Amanda reclamou baixinho
— Ah Manda, reclama não! — Rafaela colocou dois dedos dentro da buceta de Amanda e começou a mexer, sentiu o pau duro de Guilherme entrando nela, não estava muito lubrificado, gemeu alto — Aaaaaaiiii Fiho da puta!
Guilherme agarrou as coxas de Rafaela e meteu, cada vez mais forte enquanto Rafaela castigava Amanda
— Vira Rafa, vira, quero você — Guilherme disse
— Não, só mete e enche aí, me enche que eu to com vontade
— Encher? — Ele perguntou extasiado
— De porra, vai, me enche de porra! — Rafaela pediu
Guilherme acelerou, ela pegou o brinquedo e tirou de Amanda, fez ela se virar de frente e caiu de boca na buceta da namorada, girou o meio do brinquedo e ele virou um vibrador, encostou no clitoris, e se masturbava enquanto Guilherme a comia.
Sentia o saco do namorado gostoso batendo nas coxas dela, o corpo dele batendo na bunda dela com força, o pau entrando e saindo, era gostoso, mas ela ainda tinha uma pontada de raiva dele, Guilherme anuciou o gozo, gemeu, Rafaela amava ouvir o gemido masculino prestes a gozar, tanto que acelerou a masturbação e acabou gozando também, não por ele ter gozado, mas por estar se masturbando, pelo vibrador e pelo gemido, claro que a porra quente e volumosa dentro dela fez total diferença.
Parou de chupar Amanda e se deitou na cama.
Guilherme deitou do lado deles.
Conversaram por quase uma hora, nada especifico, os três pelados, Amanda só com o biquíni nos seios.
Desceram à tarde, as pessoas fingiam não ver Rafaela, parecia que estava tudo normal, ela perambulou e encontrou a tia, esposa do padrinho.
Rafaela usava uma roupa confortável, um shortinho vermelho e uma camiseta branca, por baixo apenas uma calcinha rendada que era tão leve que não parecia usar nada.
— Oi tia, cadê o Diu? — Perguntou interessada
— Ele dormiu um pouco, mas acordou e tomou um banho, já já ele tá descendo.
— Tá bom, fala pra ele que eu to lendo lá trás, se ele quiser conversar
— Falo sim querida.
Rafaela atravessou a cozinha, foi até a porta dos fundos, seu pai vinha em sentido contrário.
— Oi — Ele falou sem jeito
Rafaela o abraçou e deu um beijo nos lábios dele, voltou a abraçá-lo e depois soltou
— Estou lendo lá no fundo tá. — Rafaela disse
Marcel sorriu amoroso
— Boa leitura meu amor — Respondeu e saiu deixando a filha
Rafaela foi à varanda dos fundos, era isolado, sentou-se na cadeira de palha, havia uma almofada de pano grossa e confortável, ninguém a incomodou por bastante tempo, ficou sozinha lendo, perdida em pensamentos durante horas, começou a sentir fome quando sentiu uma presença
— Estrelinha? — Matheus, o Padrinho de Rafaela se aproximou
Ela fechou o livro e olhou para ele, estava séria
— Tá puta comigo né? — Matheus perguntou receoso
Ela respirou fundo
— Não tô não, eu sei que foi pro meu bem, que você principalmente nunca faria nada de mal pra mim
Ele sorriu
— Isso mesmo — falou e se sentou na cadeira ao lado dela, olhou em volta, era uma varanda fechada, com plantas, com um vidro fechado dando saída para a mata no fundo, havia uma fonte com água dando a impressão de algo relaxante, luzes amareladas iluminavam de maneira confortável — Lugar legal aqui, você já conhecia?
— Sim, eu vim uma vez aqui quando namorava o Carlinhos, ele gosta de ler também, ficávamos horas aqui lendo.
— Entendi, bem legal mesmo, quando tiver minha casa vou fazer um ambiente assim pra mim — falou olhando em volta — Você iria mais lá em casa se tivesse um lugar assim?
— Iria, mas não por isso — Rafaela disse pensativa
— Você não vai muito lá me ver — Matheus disse parecendo saudoso
— Eu sei, mas eu prometo que vou sim, eu estou repensando algumas coisas, e eu sei que te devo mais
— Tudo bem, não to te cobrando, as nossas conversas via Facetime são muito boas
Rafaela abraçou as pernas igual havia feito na praia, largou o livro do lado
— Por que eu fico pelada ou por que a gente conversa?
Matheus pensou um pouco, sua respiração pesou
— Gosto muito de conversar com você Estrelinha, apesar de não gostar que você tire a roupa pois não é certo, eu não posso negar que é bem legal ver, você é bonita, me agrada
— Eu não quero que você se desgaste assim por mim — Rafaela disse — Você estava péssimo
— Eu não posso evitar
— Pode sim, você não pode viver sua vida para mim, eu preciso tentar viver do meu jeito, se não, quando eu sair para ir morar fora, viajar como vai ser? você vai enlouquecer
— ir para onde? — Matheus perguntou preocupado
— Não, não sei, não tenho lugar pra ir, mas um dia eu posso ir! — Rafaela disse — Eu posso casar, ir morar longe.
— Mas aí você não vai estar sozinha — Matheus disse aliviado
— Mas e se eu quiser alugar um apartamento, morar só, ou ir para outro país?
— Ir atrás do seu irmão? — Matheus perguntou, mas não esperou resposta — Você pode ir morar com ele então!
— Não, eu posso querer ter minha vida separada de tudo
— Por que separada? isso é um perigo — Matheus disse inconsolado
—Diu, você não acha natural eu querer ter minha vida no futuro, não agora, mas depois que eu me formar?
— Se você for com alguém sim, sozinha eu não concordo
— Não concorda? Então você iria me impedir? — Rafaela perguntou franzindo a testa
— Não, jamais te impediria, mas ficaria de olho em você e provavelmente iria enlouquecer um pouco sim
Rafaela fechou os olhos
— Não, não, isso não ta certo Diu, você não pode parar sua vida por causa de mim — Falou pensativa — Eu vou falar com a tia sobre isso
— Eu já falei com ela
— E ela concorda? — Rafaela perguntou estranhando
— Não, ela tem a mesma opinião que a sua
Rafaela revirou os olhos
— Você tá meio doido é? Todo mundo que gosta de mim é doido? — Rafaela disse frustrada
Ele não respondeu, e ela pensou em algo
— Quanto você gosta de mim? — Rafaela perguntou
— Eu gosto de você tudo — Matheus respondeu sem entender — Por que a pergunta
— Por que você está apaixonado por mim, eu sinto — Rafaela disse sendo direta
Matheus não respondeu, ela se levantou e foi até ele, sentou-se no colo
— Errei? — Ela perguntou pedindo confirmação — Se errei me fala, mas isso é algo que eu sinto, e coloco culpa minha esse lance de te ligar pelada não colabora né?
— Não colabora — Matheus disse
— Você é marido da minha tia, acho que ficar junto daria muito problema né? — Rafaela disse
— Ela mataria você e depois eu — Matheus disse tentando ser engraçado, mas era trágico — Mas você pensa nessa possibilidade?
— De ficar com você? — Rafaela disse explicativa — Claro que penso, você é incrível, um homem perfeito — Pensou um pouco — É um pouco novinho pra mim, mas tudo bem
Ele riu, tinha seus trinta e poucos anos, mas o namorado de Rafaela era muito mais velho que ele, sabia que ela preferia os mais velhos.
O telefone dele tocou
— Tenho que atender — Ele tirou do bolso e a mão tocou os seios de Rafaela, ele percebeu que estava sem sutiã — Alô? — Aguardou alguns segundos e respondeu — OK — Desligou.
— Preciso ir estrelinha, tenho um compromisso — Matheus falou fazendo menção de se levantar
— Ir pra onde? — Rafaela perguntou
— Você não namora comigo ainda e já está me sufocando — Matheus falou sério e encarou Rafaela
Ambos riram juntos, ela se levantou e abraçou ele, deu um beijo nos lábios
— Te amo Diu — Rafaela disse
— Também te amo estrelinha
Ele saiu
Rafaela voltou para dentro da casa para outras atividades, e a semana avançou, o padrinho precisou ir embora, não ficaria mais para o Reveillon, não atendia as mensagens ou ligações dela, ela se sentia culpada, ficava pensando se o que ela havia dito havia assustado muito ele.


