Danielle Transexual 2 — Capítulo 13— Dez graus célcius
Danielle abriu os olhos devagar, viu Miriam deitada na sua frente, de olhos abertos
— Bom dia — Danielle disse, Miriam não respondeu, ela reforçou — Bom dia mal-educada
— Tia — Miriam disse com ar de preocupação — O que ta pegando?
— Oxe, tá falando do que? — Danielle disse sentando-se na cama — Nossa, estou exausta
— Você falou dormindo — Miriam disse
— E o que eu falei? — Danielle perguntou preocupada
— Fausto, Fábio, Ercílio, Antônio — Miriam disse — foi verdade isso?
Danielle sustentou o olhar, seu coração bateu rápido
— Não sei do que você está falando — Danielle disse tentando mentir
— Se enxerga Danielle! — Miriam se levantou irritada — Você não engana ninguém — Falou enquanto abria o guarda-roupa e pegava uma toalha — Eu vou te internar, você tá batendo pino, xarope das ideias. — Miriam entrou no banheiro irritada
Danielle cruzou as pernas, pensou no dia anterior, no que Miriam havia dito. Levantou-se e foi até o armário, pegou uma toalha e foi ao banheiro também, viu o box já embaçado com o vapor. Danielle tirou a roupa e abriu o box, viu Miriam nua se ensaboando
— Posso entrar? — Perguntou à sobrinha
— Entra ué, a casa é sua — Miriam disse chateada
Danielle entrou, fechou o box e se aproximou de Miriam, colocou a cabeça no pescoço dela, respirou fundo e as lágrimas vieram, começou a chorar baixinho
Miriam abraçou a tia, ficaram abraçadas alguns minutos.
— Vira — Miriam disse, Danielle obedeceu e Miriam começou a ensaboar suas costas — O que está acontecendo? Me conta.
— Eu não sei — Danielle disse — Eu acho que enlouqueci, alguma coisa quebrou aqui dentro Mi — Danielle bateu na cabeça com a palma da mão.
— O que você queria dando pra tantos caras em pouco tempo — Miriam perguntou ensaboando a tia
— O Fábio é meu namorado — Danielle respondeu — Ou era, eu achei que tinha terminado com ele, mas não consegui
— Fábio ou Fausto? — Miriam perguntou confusa
— Fausto, eu disse Fausto — Danielle a corrigiu
— Não tia, você disse Fábio — Miriam disse séria
Danielle respirou fundo e olhou para baixo.
— Eu quis dizer Fausto — Danielle se corrigiu
— Não conseguiu? — Miriam perguntou — Ele te falou o que?
— Ele me convenceu — Danielle respondeu, mas eu já tinha marcado com o Fabio — Pensou por alguns instantes — Mas eu acho que… — Pensou — Não sei Mi… Acho que ai eu fui ao shopping e encontrei o Ercílio depois disso
— Mas foi por acaso? — Miriam perguntou
— Não — Danielle parecia pensativa — Eu fui procurando ele, mas acabei achando por acaso, mas eu não queria mesmo encontrar ele.
— E vocês ficaram também? — Miriam perguntou
— Sim, dentro da loja que estava reformando — Danielle disse — A namorada dele não tava lá
— E o Antônio? — Miriam perguntou
— Eu fui pegar pão e ele me agarrou — Danielle disse
— Ele te forçou? — Miriam perguntou assustada
— Sim — Danielle disse — Não — Negou em seguida — Mais ou menos
— Como mais ou menos Danielle? — Miriam disse nervosa — Ele te agarrou ou não?
— É complicado, mas não, não me estuprou se é isso que você está pensando — Danielle disse
Miriam passou o sabão entre as nádegas de Danielle, Imediatamente ela deu um pulinho para frente
— Eeiii — Danielle disse se virando — Aí não!
— Tá machucado? — Miriam perguntou
— Deixa que aí eu lavo! — Danielle disse pegando o sabão da mão da sobrinha, colocou nas nádegas e tocou os anus, sentiu arder, fez uma careta — Aaaiiii
— Tia, você deu o cu até arregaçar, por isso não tava conseguindo sentar direito ontem — Miriam disse
— Eu — Danielle disse — Eu não lembro de ter chegado em casa
— Pois é — Miriam disse pensativa — Isso me preocupa muito — Falou pensativa — Você lembra que me ligou falando que o Fabio estava passando mal?
— Lembro, aí eu liguei para o Dr. Marcelo — Danielle disse — Eu acho que ele deu em cima de mim
— Ele me pediu seu número de telefone lá no hospital — Miriam disse
— É? Por que você não me disse? — Danielle perguntou preocupada
— Você tava namorando, não vou dar, quando eu disse isso ele falou que era melhor não mesmo.
— Ah — Danielle disse pensativa
— O Fabio está bem? Resolveu? — Miriam perguntou curiosa — Você parecia assustada, depois não falou mais nada
— Ele fez bariátrica, tá emagrecendo, o corpo dele tá meio com piripaque acho, mas deu certo, ele precisava comer, ele voltou, acordou e eu deixei ele no motel.
Miriam deu de ombros, pegou o Shampoo e enxaguou a cabeça empurrando Danielle para fora do chuveiro
— Já falei com a Priscilla de novo — Miriam disse pegando o sabonete de Danielle e ensaboando o peito da tia — Vamos falar com ela de novo
— Não mano! — Danielle disse — Mas….
— Sem mas, sem nada, você tá um perigo — Miriam disse olhando pro pênis que Danielle manipulava — Olha aí, nem sobe mais essa muxiba — Falou num tom agradável
— Podia cair né… — Danielle disse — Ou cortar, sei lá
Miriam deu um tapa na mão de Danielle
— Vai entrar nessa nóia de novo? — Miriam disse — Não posso te deixar sozinha um minuto que você pensa merda?
— Não vou fazer nada não, não tô tão louca assim, só tô meio, meio — Danielle não tinha palavras
— Tá batendo pino, quebrou um parafuso aí, tem que arrumar isso — Miriam disse cutucando a têmpora de Danielle com dois dedos.
Danielle concordou, foram à psicóloga novamente, Priscilla conversou com Danielle, em dois dias ela iria voltar ao trabalho. Pediu para Miriam ficar de olho em Danielle e não deixa-la sozinha, pediu para ficarem em casa até começarem a trabalhar
Ambas conversaram muito, Danielle concordou em se policiar e ligar para Miriam em qualquer atitude estranha e passaram a consulta para diária por um tempo.
***
Danielle chegou cedo ao escritório, começou a ler e-mails, o dia foi andando, era estranho não ter Fabio ali. Eles continuavam a falar por mensagem, mas Danielle estava intencionalmente distante, naquela semana Fausto estava fora a trabalho.
Foram então para a sala de reunião, falar do projeto em que eles iriam implantar em uma universidade em Curitiba. Iriam na semana seguinte.
Danielle seguiu o plano perfeito, não se encontrou com Fabio, desviou de todas as investidas dele, e quando ele ligou ela disse “Fabio, eu tenho namorado, eu não posso sair com você, aqui foi só um descuido meu, um erro, me desculpe, eu não sou assim”, Fabio não aceitou bem, mas jurou não prejudicar Danielle de nenhum jeito, ele parou de mandar mensagens.
***
Na semana seguinte, na tarde de Domingo Danielle e Miriam estavam em casa
Ambas estavam deitadas na cama rolando o feed do celular vendo redes sociais em tédio. Miriam deu um salto!
— Ah chegou, eu tenho uma surpresa para você tia! — Miriam disse animada
— Pela sua cara parece coisa boa — Danielle disse — Se for chocolate, que seja amargo hein! — Danielle falou sorridente
— Oi — A voz grossa falou ao bater na porta
Era Fausto, a expressão de Danielle mudou, parecia como a de um cachorrinho atento.
— Amor! — Danielle disse se levantando e indo até ele, abraçando-o e beijando, ele ergueu o corpo e a suspendeu enquanto ela o segurava pelo pescoço e ele abraçava sua cintura.
Danielle olhou em volta tirando os copos da mesa, arrumando a toalha, tentando dar um jeito rápido na casa
— Desculpa amore, eu não tava preparada — Danielle disse e em seguida fuzilou Miriam com o olhar — Devia ter me avisado Miriam, caramba, é a primeira vez que ele vem aqui, eu queria ter preparado algo diferente, deixado arrumado.
— Não é a primeira vez que ele vem aqui tia! — Miriam disse — Você tá loucona.
Danielle arqueou as sobrancelhas, olhou para Fausto e para Miriam pensando por alguns segundos
— Bem — Miriam interrompeu o pensamento dela — Eu vou lá em casa, o moço aí cuida de você — Miriam disse e deu um beijo na bochecha de Fausto ao sair e um beijo no pescoço da tia — Te amo! — Falou no ouvido dela e saiu em seguida
— Você está bem? — Fausto perguntou para Danielle abraçando-a e beijando-a, fazendo ela se sentir pequena e delicada mesmo tendo 1,78 de altura.
— Eu tô sim, tava com saudade — Danielle disse — Eu não queria que você viesse aqui, digo, não sem eu me preparar.
— Eu sei, mas por quê? — Fausto perguntou
— É feio! — Danielle disse fazendo um gesto para ele olhar em volta — É a maior favela, você não tá acostumado com um lugar desses, eu não to bem vestida
Fausto olhou para ela
Danielle vestia um short de lycra muito justo e muito curto, uma camiseta preta de banda de rock sem nada por baixo
— É sim, mas é seu — Fausto disse — Você começou de baixo eu de cima, é natural — Ele disse com seu ar tranquilo — E eu adoro ver você vestida assim casual
Ela fez um biquinho
— É — Ela disse — Eu não falei obrigada
— Pelo que? — Fausto perguntou sentando-se na cadeira da mesa
— Pela ajuda com as finanças, eu estava perdida, se tudo der certo em uns 25 anos eu quito tudo, mas pelo menos não está aumentando — Danielle disse com um sorriso triste.
— Relaxa, vou te ajudar a quitar antes — Fausto disse
— Não quero sua esmola — Danielle disse — Sem querer ofender
— Não é isso, vou te dar oportunidades de negócios, você vai crescer e ganhar seu dinheiro, eu vou ajudar com networking e conhecimento, dicas, se tiver boas ideias eu invisto em você, já já você me passa em grana — Fausto disse
Danielle riu
— Você tá me superestimando — Danielle disse — A Miriam disse que eu tô batendo pino
— Batendo pino? — Fausto perguntou sem entender
— É, doida, avoada da cabeça — Danielle explicou.
— Ela me falou, mas estão trabalhando nisso certo? — Fausto disse — Perguntei se ela queria ajuda para contratar um psiquiatra
— Não — Danielle disse — Eu só estou num período de stress grande, eu não estou louca, eu não quero tomar mais remédios do que tomo
— Que remédios? — Fausto perguntou
— Meus hormônios, ou você acha que eu sou feminina assim de nascença — Danielle disse sínica
— Ah, sim, eu sei — Fausto disse. — Nunca falamos sobre isso
Danielle se esticou no armário e pegou uma caixa, vários remédios, seringas, comprimidos, capsulas
Fausto olhou com cuidado.
— Caramba, isso deve custar caro — Disse pensativo
— Bastante coisa eu pego no SUS, ajuda bastante.
Ela tirou a caixa e se sentou no colo dele abraçando-o
— Tenho um presente — Ele mostrou um saquinho de papel
Ela abriu e eram chocolates importados
— Ai que delícia! — Ela falou pegando um tablete e abrindo
— Guarda para depois de comermos — Fausto disse, mas ela enfiou um pedaço na boca dele enquanto ele falava.
Conversaram sobre alguns assuntos, sobre onde ele foi, sobre o chocolate que ele trouxe para ela, foram para a cama, Danielle se aninhou entre as pernas de Fausto, ele a abraçou e ficaram vendo TV e conversando a tarde toda até a noite vir, pediram comida, riram, tomaram banho juntos, mas não transaram, ela adormeceu no colo dele,
Falaram sobre viagens ela avisou que teria que ir até Curitiba essa semana para trabalhar no projeto, ele pediu detalhes, ela explicou tudo até adormecer no colo dele. Fausto a deixou na cama e saiu de fininho.
Danielle acordou no dia seguinte, dia de trabalho, olhou em volta. Havia um bilhete no travesseiro
“Precisei ir, tenho que viajar para Ribeirão cedinho – Te amo”
Ela sorriu, segurou o bilhete como se fosse algo precioso e se encolheu na cama, olhou o relógio e saltou.
Foi a primeira a chegar no aeroporto na segunda-feira de manhã em seguida encontrou Paula, a Lider do projeto, os dois programadores Rodrigo e Gustavo e também o estagiário Enzo Gabriel.
Curitiba estava fria, Danielle não estava tão preparada quanto achou, tanto que na quarta-feira precisou comprar um casaco mais quente e meias grossas.
Na quinta feira eles comemoraram, pois, conseguiram realizar todas as reuniões, levantamentos e configurações que precisavam, tinham muitas informações para levar ao time e iniciar os projetos. Danielle ficou até as 20:00 dando um pequeno curso para os professores que iriam usar o sistema, Enzo Gabriel ficou com ela, era o estagiário, precisava aprender.
Quando terminaram as aulas os professores se despediram.
— Que cansativo né? — Enzo disse ao reunir os papéis com ela
Naqueles dias Enzo e Danielle haviam estreitado o contato, ainda era algo estritamente profissional e Danielle havia pego uma vez ou outra risos dos outros funcionários fazendo piadas com Enzo, ela sabia do que se tratava ou eram sobre a transexualidade dela ou era sobre ela ser namorada do chefe. De uma maneira ou de outra ela não estava interessada, mas Enzo havia sido muito fofo e atencioso com ela.
— Sim, eu tô quase sem voz — Danielle disse cansada, mas satisfeita
— A gente vai precisar vir amanhã pra cá? — Ele perguntou pensativo
— Entendo que não, já mandei mensagem pra menina acertar nossas passagens, ela deve ter mandado no e-mail, vamos pegar o voo as 07:30.
— Entendi — Ele respondeu pensativo
Danielle olhou para ele, devia ter uns vinte anos, era alto, magro, corpo atlético, era um garoto bonito, daqueles com cara jovial de quem a barba ainda se esforça para brotar.
Olhou no celular e viu a temperatura lá fora estava 10º, procurou a blusa que havia comprado, abriu a mochila, olhou nas cadeiras, no chão, na mesa, na porta.
Enzo percebeu seu desconforto
— Ta procurando o que? — Perguntou olhando em volta
— Minha blusa, é azul, você não viu? — Danielle continuou procurando
— Eu vi você com ela ontem, a que tem a gola branca? — Ele perguntou pensativo
— Isso! — Ela falou animada
— Você não veio com ela hoje — Enzo disse sincero
— Claro que vim, tava frio hoje cedo — Danielle disse
— Não, ontem tava frio, hoje cedo tava o maior sol
Danielle colocou a mão na mesa se lembrando, fechou os olhos
— Ai cacete! — Falou se lembrando da blusa no cabide do seu quarto — Me ferrei, tá a maior friaca — Danielle pegou a mochila e colocou nas costas — Vamos vai — Falou azeda — O Uber ta chegando
Andaram pelo corredor, quando a porta abriu o vento gelado a atingiu fazendo tremer, usava uma camisa feminina de seda, mesmo usando um sutiã fino seus bicos marcaram imediatamente o tecido delicado, seu corpo tremeu de arrepio.
Ela olhou no celular se encolhendo com aquele frio terrível, sentindo os dentes baterem, o carro ainda demoraria alguns minuto
Sentiu algo a envolver os ombros, algo grosso, quente
— Você vai morrer congelada — Enzo disse ao jogar o casaco por cima dela
Danielle não negou fechou a frente e se aninhou dentro dele, olhando para Enzo. Ser uma mulher e receber gentileza de homens não era tão comum assim para Danielle, ela corou, sorriu pra ele
— E você? — Perguntou
— Eu sou homem, homem aguenta — Ele disse sorrindo
Ela mexeu no cabelo sem perceber
— Obrigada — Falou sorridente e contente por estar sendo cuidada
O carro chegou poucos minutos depois, entraram
— Você mora na Zona Leste né? — Enzo perguntou já dentro do carro
— Moro, em Guaianazes — Danielle falou olhando no celular, distraída, percebeu que o ambiente ficou silencioso, olhou pra ele e puxou assunto — Você mora onde?
— Moro em Guarulhos — Ele disse — Perto de você até
— Que lugar? — Ela perguntou curiosa
— Pimentas — Ele respondeu rápido
Ela sorriu
— Jesus, eu achava que morava mal — Ela riu debochada
— Não é tão ruim — Ele disse, mas pensou em seguida — É um pouco ruim sim vai
Ela riu de novo
— Eu namorei um cara que era do pimentas, era tatuador — Danielle disse
— Sério? Ele tatua lá? — Enzo perguntou curioso
— Não, ele tem um estúdio no shopping Eldorado, Zona Oeste, mas acho que mora na Zona Oeste agora
— Entendi — Enzo disse — Mais perto
— Você ta com frio? — Danielle perguntou ainda dentro do casaco de Enzo
— Não, por que? — Ele perguntou sabendo o teor da pergunta
— É que eu não quero devolver agora, só se você quiser muito — Ela disse com um sorriso amarelo
— Tudo bem, pode ficar, assim que a gente chegar você me devolve — Ele disse
— Tá bom! — Danielle disse animada — O Pessoal vai beber algo?
— Não sei, te falaram algo? — Enzo perguntou curioso
— Não, ninguém me chama, eles tem medo de mim — Ela riu sem graça
— Por que medo de você? — Ele perguntou sincero
— Ah, não te falaram quem é meu namorado? — Danielle disse
— Não — Ele falou franzindo a testa
— O Diretor, o Fausto — Danielle disse — Eles tem medo de me chamar pra algum lugar e falarem algo que eu não posso ouvir
— Ah — Enzo pareceu se lembrar — Falaram sim, agora lembrei
Ela ficou quieta observando ele
— Qual sua idade? — Perguntou curiosa
— Vinte anos
— Você mora com sua mamãe né? — Ela perguntou
— Moro, por que?
— Você é novinho, todo arrumado, mora longe do trabalho, está estagiando, só imaginei
— Sim, moro com meu pai e minha mãe — Enzo disse
— Que legal, você é filho único? — Ela perguntou somente para jogar papo fora
— Não, tenho um irmão… — ele pensou um pouco — Uma irmã mais velha, eu acho
— Você acha? — Ela franziu o cenho
— É complicado — Enzo respondeu
— Hmmm, complicado, sei — Ela falou pensativa olhando para a paisagem escura — Cidade bonita — Falou pensativa — Qual o nome?
— Que nome? — Enzo perguntou
— Do seu irmão ou irmã que você não sabe — Danielle disse simplória
— É… Eric…. Erica — Respondeu confuso
— É uma mulher trans? — Danielle perguntou curiosa
— É sim — Enzo respondeu envergonhado — Acho que é isso mesmo, essas coisas aí
— Essas coisas, entendo — Ela percebeu que ele não sabia sobre ela, pelo visto não haviam falado nada ela pra ele, ou pelo jeito ele não havia dado bola. — E o que você acha de Mulher Trans?
— Eu não sei, nunca conheci uma, sei lá, acho elas grandonas — Respondeu sem pensar, me parece errado
— Errado por que? — Danielle perguntou rápido
— Eu não sei, não pensei muito nisso, não sei se é errado, mas homossexualismo é pecado na bíblia, meus pais não falam mais com ele… ela.
— Com licença — O Motorista se meteu na conversa — Eu conheço esse negocio aí de Transexual, tem umas que trabalham de puta ali no centro, isso aí é sempre assim, sempre que homem se veste de mulher é batata, é só putaria pra ganhar dinheiro
Enzo riu nervoso
Danielle ficou séria
— Certo dona? — Ele perguntou para ela
— Mais errado impossível — Respondeu azeda olhando para fora
O Homem pediu desculpas e se calou, a viagem foi em silêncio até o hotel.
Chegaram no Hall Paula e os Analistas estavam lá, quando viram Danielle ficaram sem graça
— Ah, Dani, você quer ir com a gente? Vamos sair pra conversar um pouco num barzinho — Paula disse
Danielle percebeu que queriam ir sem ela.
— Não, quero só um banho e me esquentar, podem ir, bebam por mim — Ela falou se encolhendo e indo em direção ao elevador — Boa noite — Saiu sem olhar para trás.
Já no quarto colocou a jaqueta de Enzo no cabide, entregaria para ele amanhã cedo quando fossem partir, viu sua blusa nova no cabide
— Mas é um caralho mesmo — Falou sozinha ao ver que tinha realmente esquecido
Parou para pensar, Enzo havia notado ela, notado sua blusa, que havia ido com ela no dia anterior e não nesse, ele de alguma forma estava de olho nela, ou seria algo da cabeça dela? São dez anos de diferença de idade
Danielle riu sozinha “Danielle Papa Anjo”, foi tomar banho “Eu fazia aquele novinho” falou rindo para si mesma no chuveiro, até se excitou um pouco com a possibilidade, teve uma ereção, se masturbou um pouco, mas parou, não gostava daquele tipo de prazer e não havia trazido nenhum brinquedo.
Saiu do banho, não colocou roupas de baixo, apenas um moletom quente que havia trazido, meias grossas que havia comprado, sentiu fome, pediu comida pelo aplicativo.
Chegou até que rápido, desceu para buscar no Hall pois haviam informado que eles não subiriam.
— Oi — Ouviu a voz conhecida de Enzo
— Ah, oi — Ela respondeu — Voltaram já?
— Não, eu não fui — Ele falou passando o cartão na maquininha do entregador de comida
— Por que não? — Danielle perguntou
— Ah, eu não achei legal eles não te chamarem, preferi ficar — Enzo disse sensato
Danielle sorriu
— Que bobagem, eles me chamaram, que eu não quis ir, você viu — Ela disse
— Chamaram por que a gente chegou junto e ficou feio, fez em não aceitar, ia ser forçado
Danielle olhou para ele de forma diferente, por que ele fez aquilo, por que disse aquilo, por que a protegia. Ele se portava como um verdadeiro cavalheiro, um homem de verdade, Danielle admirava figuras masculinas, sentiu um calor
— Sua jaqueta ta comigo la em cima, você pega amanhã quando formos? — Danielle disse enquanto caminhavam para o elevador
Ele olhou para ela por um instante, silencioso, analítico
— Pego — Ele respondeu parecendo mudar totalmente
Aquela palavra simples foi acompanhada de um olhar que mediu Danielle debaixo em cima, cada centímetro e parece ter aprovado, ela entendeu o teor.
Seu rosto corou
— Pega é? — Ela perguntou sem pensar e se arrependendo do flerte imediatamente
Ele riu
— Oh se pego — Falou coçando a nuca
Entraram no elevador, ele apertou 8 e ela o 5.
O elevador chegou rápido, ela se projetou pra sair e parou segurando a porta com o pé, sem olhar pra trás.
— Se quiser pegar sua jaqueta eu to no 513 — Ela falou em alto e bom tom sem esperar resposta.
Caminhou apressada, esperou o elevador fechar a porta e olhou pra trás
— Caralho Danielle, que porra foi essa? — Falou nervosa — Ta flertado com um garoto? Um cara da empresa? A gente não sabe que isso pode dar merda? — Falava sozinha enquanto caminhava — Mano, a gente namora o diretor, se der merda vai ferrar o garoto também
Entrou no apartamento, colocou a comida na mesa
Ficou no dilema se iria se arrumar, ou não, se iria comer ou esperar.
A Barriga roncou.
— Ah foda-se, ele não vai vir, não é louco — Falou colocando a comida para comer.
Cerca de dez minutos a campainha tocou, ela sentiu um frio na espinha, levantou-se com a garganta seca, olhou pelo olho mágico e era Enzo, ela abriu a porta, ele estava com a comida dele na mão
— Eu vim pegar a jaqueta, mas to sozinho, vim saber se você quer jantar junto, dois sozinhos fazem um… — Pensou no que ia dizer
— Um não sozinho? — Ela falou sorridente
— Isso! — Ele disse envergonhado
— Pode entrar — Ele entrou
Colocou a comida na mesa, olhou para Danielle, era mais alto que ela, isso a atraia.
— Que quentinho aqui — Ele disse
— Ah sim, esses quartos tem aquecedor, eu gosto de calor, por mim ficava pelada nesse aquecedor — Danielle disse sem pensar
— Ficava é? — Enzo perguntou parecendo intimidador
Ela corou
— É, mas eu desci e ta muito frio — Falou sentando-se na mesa e indicando a cadeira para ele — O que você tem aí?
Ele se sentou e abriu
— Pedi umas esfihas — Ele disse — E uma cerveja e você?
— Eu pedi esse lanche que eu não vou aguentar e um refrigerante
— Bonito — Enzo disse — Eu vi esse no App, devia ter pegado ele
Danielle pegou o lanche que estava partido ao meio e colocou no guardanapo dele
— Eu troco meio lanche meu por 3 esfihas de espinafre
— Espinafre, credo — Enzo disse
— Ué, se não gosta por que pegou? — Ela perguntou franzindo o cenho
— Ah, minha mãe sempre me obriga a comer coisa mais saudável possível e era o combo da promoção
Ela olhou para ele sem expressão, em seguida os dois riram.
— Eu trouxe uma coisa pra gente, não sei se você gosta — Ele falou tirando um agarrafa esverdeada
— Vinho? — Danielle franziu o cenho — Eu sou evangélica, não bebo.
— Mas Jesus não bebia vinho? — Enzo perguntou
Ela cerrou os olhos
— É que não tinha coca zero naquela época — Ela mostrou a latinha de refrigerante
— Ah eu não sou acostumado, bebe comigo vai — Ele disse — Só de brincadeira
— Você nunca bebeu? — Ela perguntou curiosa
— Um pouco, de farra, mas nunca… — Ele disse
— Fora de casa? — Ela completou
— Com uma mulher tão bonita — Ele disse
Ela corou e se encolheu, sorrindo intimidada
— Tá bom Enzo Gabriel — Ela disse pegando a garrafa notando que já estava aberta — Vou cair na sua armadilha — Puxou a rolha — Você tem um saca rolha?
— Não, pedi na recepção e me emprestaram — Enzo disse
— Hmmm, gosto assim, programador bom é bom em resolver problemas — Danielle disse — Isso é bom
Ele sorriu animado
— Eu não tenho taças, tem copos aí? — Ele perguntou olhando em volta
Ela pegou a garrafa e deu um gole na boca
— Tem — Ofereceu a garrafa pra ele de novo
Ele pegou e bebeu também, fez uma careta
Danielle riu
— Pensou que era docinho é? Vinho é ruim pra cacete! — Danielle disse risonha
— E por que tomam? — Ele perguntou curioso
— Pelo efeito, é igual cerveja, pouca gente gosta, mas os efeitos são legais — Danielle disse
— Sim, tontura, moleza, leveza — Enzo disse pensativo
— Isso aí não é maconha? — Ela perguntou erguendo uma sobrancelha
Ele percebeu o “enquadro”
— Eu sou um bom moço, nunca usei maconha — Disse de forma inocente forçada
Ela sorriu
— Boa resposta! — Falou animada tomando outro gole do vinho, limpou a boca e olhou pra ele — Você ta tentando me embebedar é?
— Não, só vim aqui pra gente curtir junto, pelo projeto que terminamos — Ele disse — To morrendo de fomes, vamos comer?
Ela começou pelas esfihas.
Começaram a conversar e a comer, falaram de si mesmos, do trabalho, do que Enzo queria para o futuro, das faculdades que haviam feito.
— E sua irmã trans — Danielle perguntou — Seus pais não gostam, o que você pensa dela?
— O cara do Uber foi um bosta né? — Enzo disse pensativo antes de falar da irmã — Ela sempre foi legal comigo, a gente se da bem
— Ele foi, por isso tomou uma estrela — Danielle disse tranquila — Faz tempo que ela se assumiu? — Danielle perguntou curiosa
— Não, foi nesse fim de semana, a família tá enlouquecida, ele saiu de casa no começo do ano, por que estava trabalhando e morando no centro, ali no Arouche, aí já tava meio estranho
— Estranho como? — Danielle perguntava enquanto comia, parecia interessada
— Ele sempre foi meio afeminado sabe, meu pai pegava pesado com isso, e ele tava usando umas roupas cada vez mais femininas, eu desconfiava
— Chegou a falar disso com ele? — Danielle perguntou
— Ele falou comigo uma semana antes, eu falei que se era isso que ele queria, podia ir em frente, para mim não mudava nada — Enzo disse
— Como você é fofo! — Danielle sorriu — Normalmente as pessoas ficam em choque com isso
— Não é a primeira pessoa assim que eu conheço, na faculdade tinha uma, a gente conversava bastante — Enzo pareceu distante
— Vocês ficaram? — Danielle perguntou direta
— Oi? — Ele corou — É, tipo, a gente…
— Não precisa ter vergonha de mim, homem que fica com mulher trans é hetero, então se você sente atração por ela você é hetero
Ele torceu o lábio, não respondeu, Danielle continuou:
— Isso é bobagem, a gente tem que ficar com quem a gente quer sem a sociedade impor, já cagam muita regra na nossa cabeça, quando tiver afim de ficar com alguém, vai lá e fala pra pessoa que achou ela bonita, que achou ela legal e quer ficar com ela, só isso, o resto é resto, não tem muito segredo.
Enzo corou e sorriu
— O que foi? — Danielle perguntou sem entender
— Eu achei você bonita e muito legal — Ele disse parecendo tremer
Danielle sentiu a garganta secar, tomou um gole do vinho, notou que a garrafa estava quase no fim, sentiu as mãos gelarem, parou e olhou pra ele. Sorriu amistosa
— Eu tenho 32 anos, sou doze anos mais velha que você — Ela disse esperando ele falar algo
Ele ficou em silêncio, envergonhado, parecendo quase infantil, ela continuou
— Você tem vinte mesmo? — Perguntou desconfiada
Ele fez que não com a cabeça, parecendo nervoso
Ela ergueu o queixo dele
— Qual sua idade? — O coração dela palpitou, imaginou que ele fosse menor de idade, aquilo seria muito errado
— Tenho dezoito — Ela disse nervoso
— Então eu sou uma tiazona pra você já — Falou sorridente, mas sentindo o peso da idade.
— Pra mim isso não importa — Ele disse — Acho você incrível, você é a pessoa mais inteligente que eu já conheci, ninguém programa como você, ninguém tem as ideias que você tem, ninguém fala como você.
— Eita garoto — Danielle falou corando ainda mais — Eu tenho idade pra ser sua mãe
— Não tem não! — Ele protestou
Ela olhou para cima pensativa
— São 14 anos de diferença, com essa idade eu já tava na ativa, dava pra ter tido filho já — Danielle disse pensativa
— Não engravidou com essa idade por que? — Ele perguntou olhando diretamente pra ela
A pergunta fez ela sentir um frio no estômago e sentiu uma tristeza profunda
— Sei lá — Respondeu evasiva sem jeito, olhando para o chão
— Eu to brincando — Ele disse percebendo o receio de Danielle — Tudo bem não engravidar
Ela sorriu sem jeito, mas estava triste, sabia que aquilo jamais aconteceria, jamais teria um filho.
Ele se levantou
— Tá bem quente aqui né, tava frio antes, mas agora ta muito quente — Ele disse, abriu o zíper da blusa que usava e tirou, por baixo usava uma camiseta
Daniele observou, mordeu o lábio quando notou que estava colada ao corpo esguio dele.
Quando viu ele olhando para ela, desfez a mordida e sorriu sem graça
— É o vinho, ele dá calor mesmo — Falou dando outro gole pequeno na garrafa já sentindo a tontura
— Você não ta com calor? Seu moletom parece quente, se quiser tirar eu não vou ficar intimidado — Ele disse também vermelho.
— Você quer que eu tire o moletom é moleque? — Ela disse desafiadora
— Se você quiser eu quero sim — Ele disse
— E o que você quer ver? — Ela perguntou ainda desafiadora
— Quero ver você — Ele disse se inclinando para ela
Ela não se afastou, sentiu a respiração dele, tocou o rosto dele com a ponta dos dedos
— Você é bonitinho — Sentiu que o vinho a impulsionava, não gostava de perder o controle
Ele avançou contra ela devagar, ela se afastou.
Puxou o zíper do seu moletom até embaixo, não usava nada por baixo.
— Eu não posso tirar meu moletom, olha aqui — Mostrou para ele o corpo nu por baixo, sem mostrar seios, ele viu o pescoço, o peito nu e o umbigo da barriga chapada dela
Enzo esticou a mão colocando por baixo do moletom, tocando a cintura dela e puxando-a para ele dando um beijo imediatamente, as línguas se encontraram e se chuparam misturando o gosto de comida, vinho e desejo proibido, se beijaram e se agarraram por quase um minuto sem parar.
Ela o empurrou quando sentiu o pênis duro dele na coxa dela.
— Tá bom, acho que entendi, você quer ficar comigo — Ela falou fechando o moletom — Mas tem umas coisas que você precisa saber hein — Sentiu a própria voz mole — Vixe eu acho que to alta já
— O que preciso? — Ele perguntou apreensivo, vermelho
— Primeiro que sua mão tá tão gelada que praticamente me queimou! — Ela falou sorridente com a voz arrastada
Ele esfregou as mãos
— Ah desculpa, você tá tão quente que eu queria entrar aí dentro — Ele disse ofegante — Deve estar melhor que aqui fora
Ela sorriu
— Sem vergonha! — Falou colocando a língua pra fora — Tá, eu vou direto ao ponto com você — Pensou um pouco e juntou as mãos como se fizesse uma oração e se levantou — Eu sou diferente
— Diferente como? — Enzo disse
— Olha Enzo — Ela disse pensativa — Se depois que eu falar você quiser sair por aquela porta — Apontou para a janela, em seguida para a porta — Aquela porta — Enzo riu — Você pode sair, eu juro por Jesus Cristo que é o meu senhor que eu não vou falar nada pra ninguém e vai ser como se você não estivesse tido aqui
— Mas eu estou aqui e não vou embora — Enzo disse, não parecia tão bêbado quanto ela — Só se você quiser
— Você não tá bêbado né? — Ela disse amolecida
— Eu bebi menos que você — Ele disse
— Vagabundo! — Ela falou empurrando ele deixando o moletom abrir um pouco mais, ele olhou interessando e ela se cobriu
— E o que mais? — Ele disse
— Tá bom, tá bom, eu sou parecida com seu irmão! — Danielle disse sem rodeios — Com a sua irmã, quer dizer.
Enzo levou alguns segundos para processar, piscou
— Deixa eu ver se eu entendi, seu nome é Erica também? — Ele perguntou
— Não, burro! — Danielle disse irritada — E sou uma mulher transexual!
Enzo riu
— Eu sei! — Ele disse rindo
— Você sabe? Desde quando? — Ela perguntou curiosa
— Lá embaixo eles falaram — Ele disse
— Falaram o que? — Ela perguntou curiosa
— Bobagem, mas eu fiquei sabendo
— Que bobagem Enzo? — Ela perguntou
— Nada, só brincaram para eu não vir aqui senão você me pegava por que você é Mulher Transexual
— E eles falaram “Mulher Transexual”, bonitinho assim? — Danielle perguntou desconfiada
— Não, mas eu não quero falar, por que é ofensivo — Enzo disse sensato — E eu não quero que você ouça esse tipo de coisa
Ela sorriu, achou fofo, ergueu o dedo indicador
— Um minuto — Danielle saiu e entrou no banheiro.
Vomitou e se sentou no chão
— Que papelão cacete! — Falou baixinho
Ouviu batidas na porta
— Tudo bem aí? — Enzo perguntou
— Tá sim, me da uns minutos — Ela gritou lá de dentro.
Ligou o chuveiro e entrou, tomou um banho se preparando para uma festa como sempre fazia.
Escovou os dentes, usou enxaguante bucal, passou um lápis no olho, sombra, blush, batom algo rápido, demorou só vinte minutos, se perguntou se Enzo ainda estaria esperando.
Quando saiu ele estava sentado na cama com as duas pernas cruzadas mexendo no celular, quando a viu se levantou.
— Você tá linda! — Falou ao olhar para Danielle — Está tudo bem?
— Obrigada — Ela disse e aminhou até ele de cabeça baixa e se beijaram novamente, quando o beijo desfez ela disse:
— Só me fala uma coisa, você já avançou tanto assim com uma pessoa assim como eu?
— Não, só fiquei nos amassos — Enzo disse, foi o máximo
— Então eu vou te mostrar umas coisinhas.
Voltaram a se beijar, Danielle tirou a camiseta de Enzo, era forte, não musculoso, mas definido, peito abdome, ela beijou o peito dele e ele puxou o zíper do moletom dela abaixando-o e tirando-o, viu os seios diminutos dela
— São pequenos! — Ele falou num misto de admiração e descoberta
Danielle ficou confusa e insegura, mas ele a agarrou e começou a chupar os seios dela com vontade, isso devolveu a confiança à ela imediatamente.
Danielle abriu o cinto e o zíper da calça dele, usava uma cueca preta por baixo, do estilo tradicional, valorizando o volume do saco e do pênis.
— Cueca bonitinha, todo mundo só usa boxer hoje em dia — Ela falou agarrando a bunda dele com as duas mãos enquanto se beijavam com vontade ajoelhados em cima da cama que fervia.
— Não gosta de boxer? — Enzo perguntou ofegante
— Eu gosto de diferente, padrão não é comigo — Danielle disse
Sem perder tempo enfiou a mão por dentro da cueca e tirou o pau dele para fora, estava duro com a cabeça exposta, molhada, ela admirou, fazia tempo que havia visto um pau desse jeito.
— Você é judeu? — Ela perguntou observando a falta da pele que protegia a cabeça
— Não, eu tive que fazer com dez anos por causa de um problema — Ele mal terminou de falar Danielle abocanhou o pau dele — Aaahhhh — Ele gemeu revirando os olhos
Ela tirou da boca
— Caralho como tá duro, nossa! — Abocanhou de novo acariciando as bolas dele, chupou por alguns segundos ouvindo ele gemer, passou o pau nos lábios — Pintaço da porra! — Mentiu, não era um pênis gigante, nem tão grosso, talvez fosse menor que o dela, mas ela gostava que os homens se sentissem grandes, másculos e excitados.
Ela voltou a chupar, desceu até embaixo, o pau mal encostou na garganta, os lábios dela encostaram nos pelos espessos.
O Pau pulsou
— Sou sua primeira? — Ela perguntou
— O que? — Ele perguntou já alucinado de tesão
Duas
— Sou a primeira que mama aqui? — Ela insistiu
— É! — Ele disse gemendo
Três vezes
Ela sentiu o pau pulsar e instantaneamente encher a boca dela com porra fervente, ela segurou na boca, aumentou a masturbação apertando o saco dele como se isso fosse ajudar ele a gozar mais
Enzo fechou os olhos e urrava de tesão ao gozar tendo espasmos. Quando parou abriu os olhos e viu Danielle olhou para ele com a boca fechada e brilhando com sêmem escorrendo pelo queixo
Ela ergueu o dedo para ele prestar atenção nela, fechou os olhos e engoliu com uma breve careta, tomou ar e sorriu
— Que grosso! — Falou sorridente
Ele a olhava ofegante admirado
— Desculpa — Ele disse nervoso — É que tava muito bom
— Eu sei, é sua primeira vez de tudo? Nunca esteve com alguém?
— Assim não — Ele disse ofegante
— Valoriza isso hein, eu só engulo sêmem de caras que eu amo, mas abri uma exceção por que foi sua primeira vez — Acariciou a barriga — Agora tá aqui comigo e eu vou cuidar bem
Ele sorriu também, deixou o corpo cair na cama
Danielle pegou o pau dele, ainda estava sujo de porra branca, chupou brevemente para limpar, ele gemeu e se contraiu
— Só to limpando, calma — Ela disse se aninhando em seguida ao lado dele
Ficaram em silêncio
— Eu não queria que fosse tão rápido, desculpa — Ele disse
Ela sorriu
— Eu sei, não precisa se desculpar, é assim mesmo, três pedaladas e escapa a corrente — Danielle disse sorridente
Ambos riram da piada
Ele se virou para ela, ficaram rosto com rosto, ele acariciou o rosto dela
— Você é gata, como pode? — Falou quase para si mesmo
— Dinheiro, eu paguei por esse rostinho — Ela disse
— Não foi isso que eu quis dizer — Ele tentou se corrigir
— Foi sim, quando homens gozam — Ela fez uma pausa — Quando a gente ejacula ficamos burros, acho que o sangue falta no cérebro sei lá, meio que é uma maquina da verdade temporária.
Ele olhava para ela com admiração, inclinou em direção à ela
Ela parou
— Vai beijar boca gozada? — Ela perguntou erguendo uma das sobrancelhas
— Não pode? — Enzo perguntou confuso
Ela sorriu
— Depende de você, por mim, eu prefiro que beije
Ele se aproximou
Se beijaram
Línguas em caricias por vários minutos, ele a abraçando
Quando pararam ficaram quietos, ela acariciando o peito dele até que ele cochilou.
Danielle ficou quieta ouvindo a respiração dele e cochilou também, acordou com uma movimentação, era Enzo.
— Aonde você vai? — Ela perguntou sonolenta
— Que horas são? — Ele perguntou sonolento olhando o relógio — Nossa, duas da manhã.
— Você já vai? — Danielle perguntou esfregando os olhos
— Não sei — Ele disse
— Tem alguém te esperando no quarto? — Danielle perguntou
— Acho que não — Enzo respondeu pensativo
— Sua mãe não sabe que você ta aqui, os quartos são individuais, só você sair cedo e voltar que ninguém vai saber que você tava aqui
— Eu não tenho problema que saibam que eu tava aqui! — Ele disse sério
— Pois eu tenho, eu sou noiva do seu diretor, esqueceu? — Ela falou séria — Isso não vai sair daqui entendeu?
Ele se assustou
Ela se ajoelhou na cama, e esticou a mão
— Vem aqui, tem algo pra mim aí? — Ela apontou pro pau dele relaxado
Ele se aproximou se ajoelhando na cama, ela segurou e imediatamente ficou duro
— Idade é foda — Ela falou animada
— O que? — Ele perguntou sem entender
— Novinho, você é novinho, só encostar o pau sobe, aproveita por que quando fica mais velho não fica tão for te assim
— Ah — Ele respondeu distante
Ela empurrou ele na cama
— Deita aí, vamos tirar esse cabacinho, quer? — Ela falou animada
— Quero! — Ele obedeceu deitando
— Só por que é a sua primeira você vai me ter no pelo — Danielle disse
— No pelo? — Enzo não entendeu — Como assim
— No couro, na pele, sem camisinha — Ela disse pegando um frasquinho e lambuzando o próprio anus — Vai ser delícia, você vai ver.
Ele ficou apreensivo, ela tirou a calça, ele ficou olhando assustado
Ela percebeu
— Você não tinha visto ainda né — Ela disse nervosa
— Não — Ele respondeu nervoso
Ela ergueu a perna e sentou nas coxas dele, pegou o próprio pau já meia bomba e esfregou no pau dele
— Oi pintão do Enzo, eu sou o pintinho da Dani, tudo bem com você? — Ela disse com uma voz infantil
Ele riu de nervoso
— Fica tranquilo tá — Ela sorriu para ele — Vai ser muito bom pra nós dois.
Ela se abaixou e chupou o pau dele novamente acariciando as bolas, uma, duas, três vezes.
Tirou da boca para se preparar para sentar e sentiu a explosão na mão e direto no seu rosto, quando percebeu que estava gozando masturbou ele com pressa sendo atingida no rosto, pescoço e peito.
Sentou-se nas coxas dele com o corpo todo sujo de porra
— E acabou de novo — Falou sorridente
Ele gemeu e colocou as mãos no rosto
— Não precisa ficar com vergonha — Ela saiu de cima dele — Na verdade é até um elogio, você me acha tão gostosa que não consegue se conter
— Desculpa — Ele disse de novo
— Eu tô bem, tô falando sério.
Ela se levantou amarrando o cabelo
— Vou tomar um banho, se quiser pode vir também — Falou saindo
Estava frustrada, mas achou engraçado.
Entrou no chuveiro, a água era excelente, a gás, quente. Pegou o celular, respondeu as mensagens de seu noivo.
Ouviu a porta do banheiro se abrir, não se virou, ele entrou no box e a abraçou por trás, beijando o pescoço
— Oi ligeirinho — Ela falou sorridente
— Não foi por querer — Ele disse desanimado
— Nunca é — Ela disse colocando a mão pra trás e segurando o pau dele — Como está aí?
Supreendentemente o pau pulsou e subiu
— Olha só, já temos! — Ela falou animada
— Vamos fazer aqui — Ele disse no ouvido dela forçando o pau na bunda de Danielle — Eu te quero!
— Vamos pra cama, pra sua primeira vez ser bonitinha — Ela disse carinhosa
— Eu quero você agora — Ele mordeu o pescoço dela e chupou
— Ei — Ela o repreendeu — Sem deixar marcas mocinho! — Ela mostrou o anel — Olha aqui!
Ele ficou quieto
— Não seja tão sério — Ela disse
Escorreu a mão pelo próprio ânus e notou que ainda havia gel.
— Vem aqui rapidinho — Colocou a mão na parede e empinou o bumbum — Acha que consegue? — Perguntou pra ele — Tem que estar bem duro pra foder no cu!
Ele se aproximou e colocou o pau entre as Nádegas de Danielle, ela afastou o corpo do chuveiro e abriu as nádegas com as duas mãos ficando sem apoio.
— Coloca essa cabeçona no meu botãozinho — Ela piscou algumas vezes — Ele tá piscando de tesão
Ele obedeceu
— Deixa que eu empurro — Ela falou carinhosa — Só fica quietinho e me obedece, senão me machuca
— Tá — Ele respondeu atencioso
Ela posicionou melhor e empurrou o corpo contra ele, devagar, o pau duro entrando em seu bumbum de maneira maravilhosa, lisinha.
— Aaaiiii caralho, que pintão da porra! — Danielle estava acostumada com o membro monstruoso de Fausto, mas precisava atuar para fazer ele se sentir melhor, precisava que ele se sentisse másculo — Delicia, enfia você vem, devagar, vem que eu falo quando parar.
Ele obedeceu, enfiou até o fundo, até a pélvis ele encostar na bunda dela.
— Caralho, vai me arregaçar! — Ela disse dengosa — Agora fode a tia garotão! — Ela falou dando uma rebolada sensual enquanto se masturbava devagar.
Enzo tirou o pênis ereto e enfiou de novo, mas parou, gemeu e abraçou Danielle, agarrou-a com tanta força que tirou os pés dela do chão ainda com o pau dentro dela, ela entendeu.
— Ah não! — Ela disse aos risos, sentindo o pau pulsar de novo e caindo na gargalhada — Ahahaha.
Enzo gemeu envergonhado
— Não para, não para! — Ela o incentivou aos risos — Vai pintudo, fode gostoso a tia, goza dentro, seu gostoso!
Ele obedeceu, entrou e saiu de Danielle mais umas quatro vezes e saiu cansado, ofegante gemendo baixinho, encostou na parede parecendo exausto.
Ela se virou e beijou ele na boca
— Jesus, você é uma máquina! — Ela falou sorridente
Ele ia falar algo, mas ela colocou a mão na boca dele
— Se você pedir desculpa de novo eu vou comer seu rabo, eu juro! — Ela falou séria
— Tá! — Ele disse nervoso.
Voltaram para a cama, comeram as sobras da comida, se vestiram e conversaram até umas quatro da manhã.
— Acho melhor você ir embora, eu vou me vestir e deitar vestida mesmo para não perder o horário, faça o mesmo
Ele concordou, vestiu a roupa, ela o acompanhou até a porta, estava nua
— Você é gostosa demais Dani, nossa! — Falou animado ao abraça-la enquanto estava nua com a porta aberta.
Ela enfiou a mão dentro da calça dele e segurou o pau dele, ficou duro na hora
— Ah não, será? — Ela perguntou curiosa
— O que? — Ele perguntou sem entender
Ela masturbou ele, beijou na boca e mexeu no pau dele em menos de um minuto ele gemeu e gozou novamente, dessa vez em pouca quantidade, mas melou a cueca e a mão dela, ela continuou beijando ele na boca.
Quando terminou ela sorriu.
— Até mais — Tirou a mão gozada e chupou os dedos
Ele saiu zonzo cambaleando pelo corredor.
Danielle tomou um banho, arrumou a mala, se trocou e dormiu vestida mesmo, acordou na hora certa e encontrou o pessoal no saguão, ninguém falou nada, ninguém havia notado.
O Uber chegou, os outros 3 foram em um carro, Danielle foi com Enzo sozinha. Assim que entraram notaram a escuridão do carro, ele passou o braço por cima dela, abraçando-a num gesto carinhoso, ela achou bonitinho e repousou a cabeça no peito dele
— Eu fiquei pensando — Enzo murmurou
Ela tirou a cabeça do peito dele e ergueu o tronco para encará-lo, mas ele olhou para as próprias mãos
— O que? — Ela perguntou
— Eu gostei que.. que tenha sido com você — Ele disse envergonhado
Ela sorriu contente
— Gostou mesmo? — Perguntou no mesmo sussurro
Ele assentiu, ainda sem coragem de encará-la, mas conseguia falar:
— Eu não queria que tivesse sido diferente, nem com outra pessoa — Engoliu seco — Eu vou lembrar disso para sempre.
Danielle sentiu seu peito apertar. Levou a mão até a dele, tocando apenas com a ponta dos dedos, um carinho quase invisível.
— Enzo — disse num tom quase inaudível — Gatinho, você vai ficar comigo também — Passou a mão na barriga — Aqui — E depois apontou para a própria cabeça — E principalmente aqui, e é de um jeito bem bom — Sorriu no final da frase.
Ele finalmente olhou pra ela, olhos cheios de algo que misturava orgulho, vergonha e melancolia.
— Mesmo sabendo que … — A voz dele falhou — Mesmo sabendo que você é noiva.
— Ela respirou fundo antes de responder.
— Justamente por isso — sussurrou de volta — Isso não pode escapar. Nunca. Não é uma promessa vazia, é um cuidado, coisa de quem se importa.
Ele fez que sim com a cabeça
— Eu sei. Ninguém vai saber. Nem hoje, nem nunca.
Ela sorriu novamente, apertando a mão dele uma última vez antes de soltar.
— Obrigada — Disse — Pelo respeito, e pelo que a gente dividiu, obrigada por confiar em mim para ser sua primeira.
O carro parou, haviam chegado ao aeroporto, os outros membros do time estavam desembarcando a alguns metros de distancia.
— Um último beijo? — Ele falou antes de sair do carro
— Último? Quem sabe? — Ela sorriu e se aproximou
Ele a beijou, ela lambeu os lábios dele e ele sugou a língua dela, durou pouco, mas foi breve, Danielle sentiu seu próprio membro pulsar e umedecer.


