Danielle Transexual 2 — Capítulo 19 — Anel de compromisso da momolada

Danielle Transexual 2 — Capítulo 19 — Anel de compromisso da momolada

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— Então Dani — Priscilla perguntou — Falou com o Fausto? Você saiu daqui tão determinada

Danielle respirou fundo, com o olhar atravessando Priscilla

— Falei, mas não saiu como eu planejei — Danielle disse pensativa — Não consegui terminar com ele.

— Entendo — Priscilla disse — Fique a vontade, se quiser pode me contar o que houve

— Ainda está fervendo na minha mente, podemos voltar à historia da minha adolescência? Tenho pensado bastante nisso

— Claro — Priscilla disse servindo água gelada à Danielle

*** Anos antes ***

— Oi amor! — Felipe falou dando um beijo nos lábios de Momo

Momo olhou em volta para ver se não tinha ninguém

— Seu louco! — Após se certificar que não havia ninguém ela o abraçou — Bom dia meu amor! — Mas em seguida soltou.

— Como foi o trabalho ontem? Você nem me mandou mensagem — Felipe perguntou

— Mandei — Momo pegou o celular do bolso, a tela apagada — Morreu essa merda!

— O que houve? — Perguntou preocupado

— Não sei, tava funcionando até uns cinco minutos antes de sair, aí quando peguei ele apagou, coloquei pra carregar de noite e nada, morreu — Momo falou preocupada

Felipe pegou, olhou

— Quer que eu leve no meu primo pra arrumar — Perguntou curioso

— Não, to sem grana agora, só mês que vem — Danielle disse com ar cansado — Tenho que trocar a tela também, não ta dando pra ver nada — Mostrou a tela trincada do aparelho

— Ah, deixa, eu levo lá e vejo se é fácil, talvez ele nem cobre — Felipe disse — Só faz ele funcionar e já era.

Danielle sorriu

— Sério? Eu quero então! — Falou animada — Você é bonzinho comigo né amor?

— Eu sou, você é minha princesa — Felipe disse animado enquanto caminhavam, a voz controlada pois pessoas já passavam em volta

Momo sorriu animada e disse:

— Hoje vou entrar um pouco mais tarde, tava indo te ver pra gente tentar dar uns beijinhos, to morrendo de saudade

— É, faz tempo que a gente não fica sozinho — Felipe disse — Mas meus pais estão em casa hoje e os seus?

— Tá cheio de gente lá também — Momo disse frustrada — Acho que vamos ter que esperar.

— Você tomou café? — Felipe perguntou

— Não, saí e vim direto pra falar com você, por que achei que você estivesse preocupado

— Eu tava — Felipe disse — Fui na sua casa tarde da noite, perguntou de você pra sua mãe, ela disse que você não tinha chegado ainda, aí fiquei aqui no meu portão, não vi você descer do ônibus, mas vi você entrar em casa, nem fui te encher o saco

— Por que não me chamou, eu vim de ônibus sim! — Momo disse, mas ele parou mais na frente

— Tudo bem, mas obrigado por vir falar comigo, eu tava preocupado mesmo, cismado sei lá — Felipe disse nervoso

— Cismado com o que? — Ela perguntou enquanto o acompanhava — Vamos pra onde?

— Pra padaria, vou pegar pão, quer tomar café com a gente? — Felipe perguntou — Te dou leite quentinho

Ela riu da graça do namorado

— Eu tomo sim, mas não posso me demorar muito — Momo disse

— Você tá bonita — Felipe disse — Seus peitinhos estão marcando

Momo se encolheu

— Eita, não coloquei nada por baixo, saí igual uma doida preocupada — Momo disse pensativa — Mas vem cá, você ta cismado com o que? Você não disse

— Ah, sei lá, você trabalhando fora, um monte de cara lá, você cada dia mais linda — Felipe disse inseguro

Momo revirou os olhos

— Ai amor, eu não fico com ninguém eu sou fiel à você, sabe disso — Momo disse

— Eu sei — Ele disse inseguro — Mas é que fico com medo de homens darem em cima de você

— Não precisa ter medo, eles dão, o tempo todo, funcionários do shopping, clientes, seguranças, motoristas de aplicativo, todos dão e cima por que acham que eu sou sexo fácil.

— E você fala o que? — Felipe perguntou

— Normalmente eu faço uma saída com classe dizendo que namoro, quando é mais agressivo eu sou agressiva de volta e nego — Momo falou simples

— Você nunca me falou disso — Felipe disse preocupado

— Ai amor, eu não falo um monte de coisa, a vida da femboy não é fácil, se eu te falar tudo você fica paranóico, mas não se preocupa eu sou só sua — Ela piscou pra ele

— Femboy? — Felipe perguntou

— É, um garoto que lembra uma garota, que com poucos acessórios fica parecendo uma garota, eu quando coloco peruca fico bem parecida não fico? — Momo perguntou ansiosa

— Mesmo sem peruca você parece uma garota, olha seu jeito de andar, seu rebolado, seu jeitinho, tudo em você é uma garota, mas de cabelo curto — Felipe disse

Momo tocou o cabelo e suspirou. Felipe passou a mão na cabeça dela, de forma carinhosa

— Vai crescer, relaxa — Falou carinhoso

Ouviram um trovão

Momo olhou para cima

— Vixe, lá vem água — Falou preocupada — Melhor apertamos o passo

E assim fizeram, a fila na padaria estava grande, foi demorado, quando resolveram sair, poucas gotas caíam

— Vamos correr amor! — Momo disse em voz alta, chamando a atenção de varias pessoas que estavam na padaria, muitos conhecidos, todos olharam para eles, mas ninguém falou nada.

Felipe pegou Momo pela mão acelerou pela rua

— Desculpa, eu falei muito alto! — Momo falou preocupada

— Que se foda, não tem problema — Felipe disse apertando o passo

— A gente não pode se expor, senão vai ferrar tudo! — Ela disse preocupada

— Eles vão fazer o que? Bater na gente? — Felipe disse parecendo bem humorado, relaxa

Momo parou e soltou a mão de Felipe

— É, eu tenho medo por que eu sou o viado, você não, eu vou apanhar, eles vão me pegar, agora vai ter mais gente, eu tenho que tomar cuidado por que além das pessoas da minha família que já me odeiam vai ter as pessoas da sua família me odiando por que eu fiz você virar um viado também — Ela disse preocupada

— Não é assim! — Felipe disse pegando a mão dela

— Tira a mão de mim! — Momo disse — Temos que tomar cuidado

— Momo, calma — Felipe disse sentindo as gotas de água aumentarem

— Eu tenho medo, eu te amo, eu não quero morrer agora, eu queria morrer antes, mas agora não agora vale a pena estar com você e ver onde tudo isso vai dar, que quero viver! — Ela falou com lágrimas saindo dos olhos

— Danielle! — Felipe chamou num tom mais alto fazendo ela prestar atenção — A gente vai se molhar, precisamos correr

Ela correu desajeitada, mas ele pegou na mão dela e avançou guiando-a

— Devagar, você é muito alto! — Momo reclamou

A chuva os pegou, grossos pingos, um temporal de chuva gelada naquela manhã quente

— Aaaaaaiiiiiiii Lipeeee — Ela gritou protegendo o rosto

Felipe ria enquanto corriam completamente ensopados, então ele parou na frente de casa passando a mão no bolso procurando a chave, até que encontrou, abriu o portão e entraram na garagem.

O telhado de metal, zinco, multiplicava o barulho das gotas por cem, tornando impossível alguém ouvir nada

Felipe disse algo, mas ela não escutou, não conseguiam se comunicar, ambos abrigados na garagem.


Momo sentiu o empurrão e Felipe a pressionou na parede, avançando num beijo quente, ela aceitou, laçou o pescoço dele com os braços e abençoou a chuva que lhes deram aquela oportunidade.

Se beijaram por quase um minuto sem parar, as mãos de Felipe apertaram o corpo dela, e ela mordiscou o pescoço dele então se abraçaram apaixonados ouvindo a chuva forte diminuir e parar rapidamente, imediatamente sentiram uma forte sensação de calor.

— Nossa — Ela falou sorridente — Esse calor é o sol ou foi você que eu senti! — Ela disse animada sabendo que era tesão pois o sol não havia surgido e o vento era frio.

Ele acariciou o rosto dela dando beijinhos no queixo e nos lábios

— Tá bom amor, pode aparecera alguém, vamos entrar, estamos enxarcados! — Ela disse

Ele se afastou dela indo pro quintal, mas ela ficou parada se olhando no reflexo do carro

— Caraca, minha camiseta ta transparente, ta aparecendo meus peitos! —- Ela falou

Ele olhou estavam mesmo, os bicos rosa protuberantes

— Vocês estão aí? — O pastor, pai de Felipe apareceu vendo os dois na garagem — Estão enxarcados

— A chuva pegou a gente no meio do caminho e ficamos presos aqui na garagem esperando

— Corram pro banheiro de fora, eu vou pegar uma toalha, se lavem — O pastou falou voltando pelo corredor e pegando a sacola de pães e frios que Felipe havia trazido.

Momo cruzava os braços na frente dos seios, mesmo com o calor do dia o vento frio soprou fazendo ela arrepiar e os seios ficaram mais marcados, andou rapidamente até o banheiro externo no quintal de Felipe e entrou fechando a porta, segundos depois Felipe

— Moisés — Ele disse num tom alto e audível — Deixa eu entrar tá o maior vento aqui

— Não, deixa eu trocar de roupa primeiro — Ela falou ligando o chuveiro e entrando embaixo, era quente e agradável

— Tá frio aqui fora! — Ele disse com a voz trêmula

Ela esticou o braço e abriu a porta

— Deixa a porta encostada! — Ela falou com a água morna batendo na sua cabeça

Felipe entrou, olhou para ela, cruzou os braços no abdomem e tremeu de frio

— Oi amor, que frio é esse? — Puxou ele e colocou debaixo do chuveiro — Não sabia que você tava com tanto frio assim, desculpa

Felipe parou de tremer, pegou o chuveirinho e jogou em Momo, ficaram ambos sorrindo jogando agua morna um no outro

Momo se aproximou e deu um selinho nele, ouviram passos, se afastaram e ficaram encolhidos.

— Aqui — A mãe de Felipe entrou vendo os dois na água morna — Se sequem, trouxe roupas do Felipe pra você Moisés.

— Obrigada! — Momo respondeu gerando uma confusão e constrangimento imediato — Obrigado — Ela se corrigiu

A mãe de Felipe olhou para ela desconfiada

Se sequem e venham logo, o café ta na mesa.

Momo olhou para Felipe em pânico

— Que merda! — Falou nervosa

Felipe tirou a camiseta e sem a bermuda, ficando só de cueca

— Que isso amor? — Momo olhou em volta preocupada — Sua mãe deve estar perto

— Precisamos nos lavar e nos secar — Ele falou tirando a cueca, o pau apontando pra cima

Momo riu nervosa

— Que isso menino, vira isso pra lá! — Falou risonha — Esconde isso

— Vai amor, tira também — Ele falou enxaguando o corpo nu e se preparando para pegar a toalha

— Eu podia ficar aqui o dia todo vendo você peladinho assim se banhar — Momo falou animada

Ele riu

— Vamos! — Apressou ela

— Ah, ta bom, seu estraga prazeres

Felipe saiu do chuveiro e começou a se secar, o banheiro era pequeno

— Vou esperar você terminar senão vai me molhar

Momo tirou a roupa, estava nua, ambos nus olhando um pro outro, o pênis dela endureceu, apontou para cima, o dele também, ficaram se olhando sérios

— Cara, eu gosto muito de você — Felipe disse — Quero muito foder seu cuzinho, é muito gostoso

Momo riu

— Eu deixo — Virou de costas — Olha como meu bumbum é branquinho e bonitinho — Empinou a bunda

— Tá tudo bem aí? — Ouviram a voz do pastor e ele abriu a porta

De um lado Felipe nu se enxugando, do outro Momo se enxaguando

— Tá sim pai — Felipe disse — To esperando Moisés terminar pra me vestir se não molha a roupa

— Ah — Ele disse ao ver os dois nus — Deu as costas — Estamos esperando na cozinha

Momo ficou de olhos arregalados

— Ele viu a gente pelados! — Momo disse vermelha

— Viu, não deu nada — Felipe disse — Agora vamos.

Momo se enxaguou e recebeu a toalha de Felipe, se secou, ambos com os pênis eretos, se vestiram com pequenos toques de corpos um no outro, Momo vestiu uma calça cumprida e uma camiseta preta, Felipe uma bermuda jeans e uma camiseta vermelha.

Felipe enfiou a mão dentro da calça de momo e tocou seu pênis, masturbando a namorada transexual por alguns segundos

— Que isso? — Ela falou sem resistência

— Pro seu pau ficar mais duro — Piscou pra ela e saiu do banheiro

— Filho da puta! — Ela falou baixinho aos risos

Saiu em seguida atrás dele e entraram na casa. Sentaram em lados opostos da mesa, opais de Felipe, a mãe, o irmão e tia tomavam café.

— Tavam tomando banho juntinhos é? — A prima debochou

Momo enfiou um pão na boca fingindo não ouvir

— Cala a boca trouxa — Felipe disse para a prima

— Lipe e aí, vai mesmo prestar vestibular lá em Recife? Se passar por ficar em casa! — Falou animada

Momo franziu o cenho, ainda mastigando o pão

— Acho que sim, lá parece ser menos concorrido que aqui — Ele disse passando mantega no pão, pegou um pão doce e deu para Momo — Momo… Moisés, já comeu esse? É muito bom.

Momo pegou e mordeu, o olhar fuzilante

— é bom — Disse com simplicidade, em seguida completou — Você vai viajar?

Felipe olhou para ela com receio

— É mais pro fim do ano, pra prestar o vestibular — Falou cético — Preciso testar mais e mais lugares

— Hmm — Momo respondeu — Se você passar vai ter que ir morar lá né? — Falou pensativa

— Vou sim — Felipe respondeu — Mas to pensando ainda

— Oxe, não pensa não, se passar é melhor ir, por que faculdade Federal você não pode esperar, tem que ir onde passar

— Você não quer ir prestar lá também? — Felipe perguntou animado — Aí a gente podia morar juntos lá — Disse animado, mas corrigiu — Já que a gente é amigo de infância.

Momo se sentia ofendida por não ser avisada daquele plano importante

— Não, prefiro ficar por São Paulo mesmo, eu não quero prestar para medicina como você, vou prestar para Ciência da Computação, aqui em São Paulo o mercado é mais forte

— Mas você pode visitar ele — Fernanda, a prima, disse — Se der certo e ele morar lá em casa, você pode ir quando quiser

— Ah, se eu passar aqui vai ser bem corrido, aí corrido aqui, corrido lá, é bem provável que a gente perca o contato — Momo falou tomando um gole de café

Felipe sentiu uma pontada no peito

— La é mais difícil, acho que nem vou prestar lá — Felipe disse entristecido

— Vai sim — O Pai de Felipe disse — Você tem que prestar em varias, passar em varias e se for lá, talvez a gente até mude pra lá, vai saber

Momo sentiu vontade de chorar, se levantou

— Bem, obrigada… obrigado — Se confundiu — Pelo café, mas saí sem avisar onde eu tava, minha mãe deve estar preocupada — Levantou-se na mesa — Prazer revê-la Fê — Se despediu da prima e acenou para todos ignorando Felipe.

Saiu magoada para casa, no caminho do quintal sentiu alguém tocar seu braço, virou-se era Fernanda

— Eu não sabia que ele não tinha te falado disso, desculpa — Falou sincera

— Ele devia ter me falado, é algo muito importante, se deixou eu descobrir assim é por que não tem tanta consideração assim quando eu devia — Momo falou visivelmente magoada com as mãos nos bolsos.

— Calma, não é assim — Fernanda pegou os pulsos de Momo e olhou as mãos — Vocês vão falar mais tarde e se acertar, só fica tranquila com isso, ele gosta de você, bastante

— Não sei se é o suficiente, se vale a pena — Momo disse preocupada

— Você trabalha hoje? — Fernanda perguntou

— Trabalho — Respondeu

— Que horas é seu almoço — Fernanda perguntou curiosa

— Consigo parar umas 15:00, por que?

— Vou dar um pulo lá pra gente bater um papo tá, pode ser? — Perguntou curiosa

Momo deu de Ombros

— Pode — Falou indo em direção ao portão.

Em casa, explicou para mãe onde estava.

Sem celular Momo não tinha comunicação com Felipe, ficou preocupada que ele poderia aparecer a qualquer momento, mas ela não queria conversar com ele, distraída no caixa do restaurante ela viu Fernanda gesticulando para ela, fez um sinal para esperar e tirou sua folga

— Oi Danielle — Fernanda a cumprimentou com um beijo — Podemos falar?

— Podemos — Ouvir o nome “Danielle” da boca de outra pessoa era de certa forma assustamos, mas também gratificante — Mas não posso ficar muito tá — disse já se sentando em um mesa

— Ele gosta muito de você — Fernanda disse — Falo com ele sobre isso, está encantado contigo

— Encantado — Momo disse pensativa — Acho que isso não vai durar, talvez seja a novidade, sei lá, me preocupa quando ele desencantar.

— Por que tem que desencantar, você não gosta dele? — Fernanda perguntou curiosa

Momo deu uma risada dolorida, soltou o ar.

— Eu sou apaixonada por ele desde a primeira vez que o vi, desde que éramos crianças, mas só entendi depois

— Então — Fernanda disse — É o mesmo que ele sente por você

Momo ficou olhando pra ela, pensativa, Fernanda continuou

— Meu tio, o pai dele, tá fazendo uma pressão absurda pra ele estudar, ele tá estudando agora

— Tá no cursinho — Momo disse assertiva

— Isso, ta tentando, ele vai tentar de tudo, você sabe que o sonho dele é fazer medicina

— Eu sei — Momo respondeu entristecida — Sabe o que eu sinto sobre isso?

— O que? — Fernanda perguntou curiosa

— Que eu sou uma trava pra ele, que sou um obstáculo, você viu lá ele falando que não vai mais, só por que eu disse que vou ficar aqui — Momo disse ansiosa

— Claro né, você é a namorada dele, queria que ele falasse “foda-se”? — Fernanda disse — Claro que não!

— Mas ele, eu…. — Momo estava confusa — Eu não acho que eu faça bem pra ele

Fernanda revirou os olhos

— Ai, fala sério — Desdenhou — Que papo mais besta

Momo entortou a cabeça sem entender aquele tom

— De mulher pra mulher, sem essas frescuras, sem sentimentalismo, sem porra nenhuma — Fernanda disse — Vou ser direta com você, ele te ama sim, você sabe, se você falar para ele não ir, ele não vai, eu não duvido que ele vá mal na prova de lá de proposito só pra ficar com você — Fernanda disse direta — Esse papo de “Eu não faço bem pra ele” nem vem, por que você sabe que faz, a relação de você é bem perigosa, admito, fiquei bem assustada quando descobri, mas é uma questão de tempo pra vocês ficarem bem, acho que lá tem até mais chance de dar certo

— Descobriu? — Momo franziu o cenho — Descobriu como?

Fernanda riu

— Fui no quarto dele pegar um papel para anotar, e vi escrito “Danielle ❤️”, repetido varias vezes e vi uma coisa que… — Ela se conteve — Enfim

— Que coisa? — Momo perguntou curiosa

— Hmmm, eu não posso falar, mas é algo que ele pensa em te dar, pressionei ele para saber quem era Danielle e ele abriu o jogo comigo

— Facil assim? — Momo perguntou nervosa

— Foi facinho sim — Fernanda disse

— Que idiota! — Momo disse — Eu falo pra ele que a gente vacila e ele sai falando assim, puta que me pariu

— Você não contou pra ninguém? — Fernanda perguntou

— Não! — Momo respondeu

— Cuidado, um segredo desse vai te implodir, precisa contar aos poucos, confidenciar — Fernanda disse — Eu sou psicóloga, sei bem do que to falando

Momo ficou séria

— O que ele vai me dar? — Perguntou curiosa

— Não posso falar de verdade, na real, eu nem sei bem se eu devia ter falado isso, não quero te criar nenhuma expectativa — Fernanda pesou — Só piora, vou ficar quieta

Momo ficou pensativa

— É presente de mulher? — Momo perguntou curiosa

— Ai meu Deus — Fernanda disse — Vou ficar de bico calado

— Por favor, eu vou ficar pensando nisso, mesmo que ele não me dê nada, eu preciso saber — Momo disse — Eu sou muito ansiosa, nem vou conseguir dormir mais.

Fernanda coçou a cabeça

— Faz assim — Fernanda falou — Eu prometi que não ia falar nada, então fica atenta.

— Atenta? — Momo perguntou

Fernanda bateu com a mão aberta na mesa, o anel no dedo de Fernanda chamou a atenção, Fernanda tirou o Anel e mostrou para Momo, em seguida colocou no dedo de volta.

— Mudando de assunto — Fernanda disse — Gosta de chocolate?

— Gosto — Momo respondeu pensativa — Perae — Falou pensando no gesto de Fernanda — Ele vai me dar um anel de compromisso?

— Ao leite ou mais amargo? — Fernanda mostrou duas barrinhas pequenas para Momo

Momo pegou a mais amarga

— Como vai ser isso, como eu vou usar um anel de compromisso, como ele vai usar o mesmo anel, isso é loucura

— Não to te ouvindo — Fernanda disse — Só confia e fica na sua

Momo se calou, ficou preocupada, aquilo poderia expor eles,

— Bem eu preciso ir, só mais uma coisa — Fernanda disse — Eu só vim aqui por que ele se importa muito com você e eu me importo muito com ele.

— Obrigada por vir — Momo disse — É bom conversar com alguém sobre isso

— Eu disse — Fernanda sorriu — Você vai explodir, garota, precisa de terapia, ele me contou da sua família, da violência e tudo mais — Fernanda disse

— Ele contou tudo? — Momo perguntou preocupada

— Me disse por cima que seu pai é difícil e que ele fica preocupado quando não está com você, por que ele quer te defender.

Momo sorriu esperançosa

— Ele é um bobo — Falou animada e envergonhada

— Ele é, você também é — Fernanda disse se levantando — Dois bobos, perfeitos um pro outro

Momo sorriu, cumprimentando Fernanda

— Ah, só uma coisa, vou ser dedo duro — Fernanda disse

— O que? — Momo perguntou preocupada

— Ele mentiu, não está na aula hoje — Fernanda disse arrumando a bolsa

— Onde ele está então? — Momo perguntou preocupada

— Não sei, pegou a mochila e disse que precisava resolver umas coisas pra te encontrar mais tarde.

— Ah — Momo disse pensativa — Ta bom, vou esperar ele aqui então.

Voltou a trabalhar, o dia foi monótono, naquele dia ela iria participar da limpeza e sairia bem tarde, próximo do turno acabar Felipe apareceu, sorriu pra ela.

Momo não sorriu, só gesticulou para ele dar a volta e a encontrar do outro lado.

Ela saiu, pediu para o colega fechar a loja, quando ele a viu foi para cima dela a braçar, mas ela empurrou ele

— Senta aí, eu falei que você vacila demais, alguém pode ver a gente, vamos tomar mais cuidado daqui pra frente — Falou sentando-se na cadeira e cruzando os braços

— Eu tava com saudades — Felipe disse

Ela respirou fundo, descruzou os braços e colocou as palmas da mão na mesa

— Eu também tava, mas eu to muito brava com você — Ela disse nervosa

— Eu sei, me desculpa, não era pra você saber disso desse jeito — Felipe disse preocupado — Eu não quero ir

— Lá vai ser melhor pra você, menos concorrência, é provável que você passe lá — Momo disse

— Mas lá não tem você! — Ele disse nervoso

— Mas é pro seu futuro

— Não tem futuro sem você! — Ele disse nervoso com os olhos vermelhos

— Não chora, por favor — Momo disse — Eu não to terminando tá, só fiquei chateada, eu não gosto de ser a ultima a saber de algo importante na sua vida.

— Você ia ser a primeira, mas não deu — Felipe disse nervoso pegando a mochila e pegando uma sacola preta — tirou uma caixa de dentro, embrulhada em um papel vermelho e verde natalino

— O que é isso? — Perguntou nervosa

— Seu presente de natal, ano novo e um pouco mais eu acho — Felipe disse parecendo fazer contas mentalmente

Ela sorriu, pegou na mão, era pesado, ficou pensando que não tinha cara de aliança

Felipe segurou a mão dela

— Mas tem outra coisa, que eu quero te dar, e eu pensei muito muito nisso, eu acho que você não vai querer, mas você precisa me ouvir.

— Estou ouvindo — Ela disse concentrada

— Sabe o movimento “Eu resolvi esperar”? — Felipe disse

— Sei, eu pai deu uma palestra dele na igreja, você vai aderir? — Momo perguntou confusa

— Vou sim — Ele falou animado

Momo se entristeceu

— Ah, entendi, sou a última a saber disso também? — Falou sentindo uma pontada de dor no peito por ter que parar com o amor carnal com o namorado

— Que eu conto é a primeira, que sabe é a segunda — Felipe disse

— Como assim? — Momo fechou os olhos levemente

— Minha prima acabou descobrindo isso, e eu tive que contar pra ela, ela é boa de arrancar informação — Ele falou

— Ela veio aqui hoje — Momo falou — Você é vacilão Lipe, pelo amor de Deus, pode expor a gente assim.

— Eu estou tomando cuidado, mais cuidado ainda, mas o que quero te mostrar é isso — Colocou dois anéis na mesa

— É pra eu usar esse de castidade também? — Momo perguntou em desdém

— Olha eles — Momo pegou, pareciam normais com a isignia do programa, um menor que era o dela e um maior que era o dele, olhou por dentro estava escrito “Amor eterno à minha momolada Danielle” e a data, no outro “Amor eterno ao meu momolado Felipe”

Ela riu, abrindo um sorriso,

— É um anel de compromisso escondido? — Momo perguntou curiosa

— É, a gente usa no dedo de compromisso, todo mudo vai achar que é do movimento e na verdade a gente tá namorando — Felipe falou contente colocando o anel do dedo anelar da mão direita dela.

Momo ficou olhando ele por cima da mesa, séria, em seguida olhou para o Anel em seu dedo. Aquilo era novamente algo que ela não imaginava, ela queria, mas não sabia que iria acontecer com ela, um homem que ela amava estava dando um anel de compromisso, mesmo que escondido do mundo, aquilo servia para ela, era mais do que ela sonhava

— Amor? — Felipe chamou vendo os olhos desfocados dela — Dani?

Imediatamente o olhar dela focou nele, sustentaram o olhar por alguns segundos.

— Tudo bem? — Ele perguntou preocupado

Ela ergueu o corpo subiu na cadeira com os calcanhares, e se ajoelhou na mesa, se esticou pegando o pescoço do namorado e deslizando até ele num abraço.

Agarrou ele forte, ele a colocou sentada no seu colo, ela apertou por mais de cinco minutos em silêncio.

— Não vai ver a outra caixinha? — Felipe perguntou sentindo o peso e o calor de Danielle em seu colo, cheirou seu pescoço e sentiu o perfume misturado com suor e óleo do restaurante

— Eu não quero sair daqui nunca mais — Ela falou carinhosa

— Acho que você vai gostar! — Ele falou animado

Ela o soltou, deu três beijinhos nos lábios dele, acariciou o rosto dele e sorriu, olhou para o anel, contente, animada.

Se posicionou no colo do namorado de maneira mais confortável, olhou em volta, vou o segurança olhando de longe e vindo em sua direção, se levantou e sentou-se na cadeira

— Esse seguraça aí é meu paga pau, não se preocupa, está tudo sob controle — Danielle disse

— Tenho que avisar para vocês maneirarem nas demonstrações publicas de afeto, aqui é um lugar de família — O Segurança disse, era grande, moreno, usava um terno preto com uma gravata azul

— E sei Roberto, foi só um abraço, por que ele me deu um presente — Danielle disse — Tá tudo bem.

— Eu estou na área — Ele disse se afastando

Quando estava longe o suficiente

— Ele queria ficar comigo, me chamou umas três vezes, eu não quis, por que a gente já tava namorando — Ela disse — Viu só, sei me controlar e afastar os caras indesejáveis.

Felipe sorriu

— Fico contente.

Danielle pegou o pacote, uma caixinha retangular, pesada, abriu e viu escrito “iPhone”

Olhou para ele assustada

— Não — Danielle abriu a caixa, estava no plástico, era novinha — Você não fez isso — Mostrou pra ele — Lipe do céu, isso é muito caro, não faz isso! — Falou assustada

— Tudo bem, o seu tava muito fudido, não tinha concerto, eu levei lá — Felipe disse animado

Ela coçou a cabeça preocupada, não queria abrir, queria devolver, achava demais, não se achava merecedora

— Eu, eu — Danielle colocou na mesa, estava confusa

— Você não gostou? — Ele perguntou preocupado

— Eu amei, mas tô preocupada, isso é muito caro, você não pode me dar um presente caro assim

— Por que não? — Ele perguntou — Se eu não puder dar um celular pra minha namorada falar comigo o que eu vou fazer com dinheiro

— Ai amor — Ela disse pensativa — Sei nem o que dizer — Ela pensou por um segundo e pegou a caixa de novo — Obrigada

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.