Danielle Transexual 2 — Capítulo 05 — Obrigada

Danielle Transexual 2 — Capítulo 05 — Obrigada

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Danielle não conseguiu dormir direito, ficou mexendo no celular escondido de Miriam, enquanto ignorava as mensagens de Fausto e bloqueava os números que ele tentava ligar, navegando no instagram recebeu uma sequência de Likes, um perfil desconhecido com o nome de Fátima, uma lembrança terrível e traumática, algo que ela queria esquecer voltou a tona, precisava entender se era aquilo que imaginava

“Ok, quem é você?” — Pensou vendo as postagens do perfil, algumas fotos difusas era uma mulher e uma criança, um casal de idosos, mas não tinha foto de rosto da mulher, todos das fotos eram brancos, ela postava muitas frases motivacionais de superação e coisas envolvendo religião, Danielle foi à caixa de mensagens

Danielle abriu a mensagem

“Oi Danielle, tudo bem? Lembra de mim? Aqui é a Fátima”

“Oi Fátima, desculpe, não sei se eu sou a Danielle certa, talvez você tenha se enganado”

Danielle imaginou que a pessoa responderia só depois uns dias, não parecia o perfil que ficava sempre online, mas foi rápido, menos de um minuto

“Oi, obrigada por responder, você é a Danielle certa mesmo, não sei se lembra de mim, mas você não era Danielle ainda quando nos conhecemos”

Danielle sabia do que ela falava, mas precisava ter certeza, resolveu ser simplória

“Certo, em que posso ajudá-la?”

“Quero saber de você, você está bem?” — Fátima respondeu rápido

“Fátima, o que você quer?” — Danielle resolveu ser curta e grossa

“Eu quero saber de você, se você está bem, te acompanho nas redes sociais, te acho tão linda e inteligente, queria reestabelecer nossa conexão”

“Nossa conexão?”

Cerca de 10 anos antes

Danielle estava em seu quarto, sentada em frente ao espelho, era um sábado à tarde, dias antes havia tido uma briga na escola por que haviam chamado ela de “Viado magrelo” e em casa seu pai a ofendeu pois “Filho viado ele não ia ter”

Era cansativo aguentar aqueles insultos, naquele dia ia sair para uma festa, escondida com seus amigos Gays.

O plano era colocar as roupas na mochila, sair como um homenzinho e se montar no banheiro da balada, antes de vir embora se desmontar, já havia feito isso antes, ficava igualzinha a uma menina, ainda mais nas luzes piscantes com a musica alta os homens queriam ficar com ela, era um sonho

— Moisés! — Bateram à porta

Ela não respondeu, a porta não tinha mais tranca, seu pai havia arrancado, sabia que aquilo não era nada bom

— Filho, o pai quer lar com você, vamos entrar — A voz do pai entrou no quarto e não encontrou — Onde você está?

— Estou no banheiro pai — Respondeu desanimada, naquela época ainda usava a identidade de Moisés, não que ela quisesse, mas sua família insistia

— Vem cá, preciso falar com você — O pai insistiu

Moisés revisou se tinha algo feminino, tirou o acessório, amarrou o cabelo de uma forma mais máscula que o fazia parecer um Hippe, não uma garota e saiu do banheiro

Quando chegou no quarto viu seu pai, seu irmão, alguns primos e vizinhos todos olhando sorridentes para ela

— O que foi? — Olhou desconfiada

— Filho — O pai se aproximou e colocou a mão no ombro de Moises — Hoje é seu dia, vamos resolver esses problemas de te chingarem de viado

Olhou em volta com desconfiança, algo estava errado

Um primo segurou no braço de Moisés, mas naquela época era comum a violência física, então deu um empurrão com força e pegou uma régua de metal

— Tira a mão de mim, ninguém vai encostar em mim! — Falou na defensiva

— Filho, calma, ninguém vai te machucar — Francisco, o pai de Moisés fez um gesto com as mãos pedindo calma

— Calma Momô — Tiago, o irmão de Danielle/Moises disse tranquilizando — Preparamos uma festa e você vai com a gente, participar, não se preocupe, você não vai gastar nada vai ser legal!

Ela olhou desconfiada

— Eu tenho compromisso hoje, não vai dar

— Ah, nós gastamos muito dinheiro, é uma surpresa — Tiago disse

— Vamos filho, não faz essa desfeita, todo mundo ajudou — Francisco disse

— Vamos Momo, vai ser legal, você vai gostar! — Um disse animado

Ela olhou em volta, entendeu que não tinha muita opção, pensou em sumir

— Tá, eu preciso me arrumar, que hora vocês vão? — Falou tentando despistar

— Vamos agora, viemos te buscar — Falou um vizinho

— Só falta você — Um primo disse

Quando percebeu estava sendo empurrada quarto à fora pelos homens animados, não parecia algo ruim, sua mãe estava apreensiva mas sorriu para Moises, a irmã estava encostada no batente da porta e parecia um pouco assustada, mas não fez nenhum gesto.

Foi levada até o carro

— Esqueci minha carteira, meus documentos — Falou apressada — Tenho que ir lá pegar.

Os homens riram e o carro arrancou

Foi a primeira vez que Danielle viu seu pai bebendo, ele estava animado rindo e conversando com mais cinco homens espremidos no banco de trás daquele carro e outros carros vinham atrás.

Andaram por uns 20 minutos em um lugar próximo que Danielle não conhecia, era uma rua escura, pararam em frente a uma casa grande.

Antes que Moisés falasse algo eles abriram a porta e saíram, os homens estavam animados e bêbados, entraram no portao da casa praticamente carregando-o no colo

Pararam em uma sala grande, varias mulheres apareceram e se apresentaram.

“Eu to num puteiro” — Moises entendeu ali o que era — “Preciso sai daqui”

Sentiu seu coração pulsar acelerado, olhou em volta, muita gente, homens na porta, mulheres em volta.

Quase todas as mulheres eram bem bonitas, jovens, usavam roupas sensuais, viu seu irmão conversando com uma garota novinha, parecia que já a conhecia

—Tábata! — Uma mulher gritou — Chegaram

— Estou indo — Danielle ouviu a voz de uma garota no andar de cima

Ficou olhando e uma mulher apareceu, era branca, alta, pernas cumpridas, usava um maiô azul escuro com brilhantes, o rosto cumprido e bonito, usava um batom vermelho, os cabelos castanhos escorridos, com luzes, usava salto alto e quando chegou no fim da escada olhou para Moises

— Você que eu vou tirar o queijinho hoje? — Falou animada

Os homens riram

Moises tremeu, teve vontade de desmaiar

— Eu quero ir embora — Falou tentando ir para a saída, mas o seguraram

— Calma Moisés, hoje você vai ser homem — O pai falou, os homens apoiaram e riram

— Não, eu não quero, isso é pecado! — Moisés falou

— Pecado é dar o cu, seu viado! — Alguém que ele não viu falou

Moisés olhou assustado

— Filho — Francisco falou sério — Não mata seu irmão e eu de vergonha, seus primos, nossos vizinhos, estão todos aqui, mostra pra eles que você não é uma bichona

— E se eu for uma bichona? — Moises disse — Qual o problema?

Francisco pegou ele pelo pescoço

— Eu não tenho filho viado — Falou aos berros pressionando Moisés na viga da sala, o bafo de bebida alcoolica estava forte — Vira homem porra

— Ei, ei — Tábata se aproximou empurrando Francisco — Agora isso é comigo tá bom, pode deixar

Francisco se afastou os homens comemoraram, Tábata pegou na mão de Moisés

— Vem comigo querido, vou te mostrar o paraíso — Ela falou piscando pra ele

— Não, eu não quero — Ele travou firmando os pés no chão imaginando que haviam correntes de ferro o prendendo

Ela olhou para ele e reforçou a piscada

— Vem comigo querido — Falou passando a impressão de que tudo ia ficar bem

Moisés olhou em volta, sem apoio, sem ninguém, imaginou que ficar sozinho com uma mulher talvez fosse algo mais controlável doque ali com homens bêbados, resolveu ir com ela

Ao subir as escadas de mãos dadas com Tábata os homens aplaudiram e gritaram em algazarra.

Chegaram ao quarto, um lugar simples, um guarda-roupas, uma cama grande com lenço branco grosso, duas janelas abertas

— Esse é o quarto mais legal — Tábata disse — Eu que limpo e decoro, o que achou?

Era simples, mas parecia limpo

— Parece limpo, gostei dos detalhes — Apontou para as rendas na borda do travesseiro

Tábata riu

— Eu não quero saber sua idade, por que me pagaram muito bem para eu não fazer nenhuma pergunta — Ela disse sentando-se na cama

Em seguida bateu na cama para ele sentar também

Moises se aproximou desconfiado

— Como é seu nome? — Ela perguntou

— Moisés — Respondeu direto — Você é a Tábata né?

— Falaram de mim? — Ela disse contente

— Não, vi gritando seu nome — Respondeu direto

— Olha, normalmente quando vem aqui estão animados, meninos da sua idade nessa hora também estão suando — Ela apontou para a testa de Moises, ele tirou um lenço do bolso e passou na testa, o lenço saiu manchado de maquiagem — Mas nenhum deles usa maquiagem e o suor é quente, não frio

Moisés se calou mexendo nos próprios dedos e olhando para a ponta do Tênis

— Você não quer fazer o que veio fazer, certo? — Tábata perguntou

— Não — Respondeu baixinho

— Por que não? Todos os meninos querem, por que você não? — Ela perguntou, mas imaginava

— Por que não sou assim, isso é pecado, sexo só pode depois do casamento

— Quem disse isso? — Tábata perguntou curiosa

— A Bíblia disse — Moises respondeu

— E você é hetero né? — Tábata perguntou

Moisés não respondeu, ela continuou

— Não ser hetero também não é pecado? — Tábata perguntou curiosa

Moisés não respondeu

— Ah Moisés, qual é — Ela se levantou — Estou sendo paga por isso, olha, pra mim não é fácil

— Então fala que fizemos algo, aí você ganha dinheiro e não faz nada

— Não posso, seu pai falou que você ia falar isso, então eu ganho mais se falar isso, mas eu prometi, eu jurei que iria te fazer

— Me fazer? — Moises perguntou — Eu já estou feito, não preciso disso não

— Eu sei — Ela entregou algo para ele, um papel verde — Tó

Ele pegou, olhou, era uma identidade, a mulher na foto se parecia com ela

— Sou eu, eu de verdade

— Fátima? — Moisés leu — Seu nome?

— Sim — Ela disse se sentando

— De onde veio Tábata? — Ele perguntou curioso

— Sei lá me deram aqui, achei estranho, mas usei, precisava trabalhar, tenho gente para sustentar

Moises leu os nomes na identidade

— Seu pai e sua mãe? — Perguntou

— É, e minha irmã pequena, mora com eles em Goiás — Falou

— Por que você veio pra cá? Tão longe — Moisés perguntou curioso

— Por que eu sou uma inútil e não sei fazer nada, só dar meu rabo e eu faço isso muito bem, vim pra cá para ganhar dinheiro e depois voltar pra lá, eles acham que eu trabalho em casa de família — Fátima riu fazendo aspas com os dedos — No sentido figurado, claro.

Moisés concordou sem dizer nada

— Vamos, quanto mais rápido a gente acabar com isso você tá livre.

— Eu não vou transar com você — Moises disse

— Vai sim Moises, se você não quiser aqueles animais vão entrar aqui e te humilhar

— Você não pode só dizer que eu transei, eu tenho dinheiro guadardado, tenho mil e quintentos reais que economizei para os meus remédios, mas eu te dou

— Remédios de que? — Fátima perguntou

— Remédios, pra mim… — Moisés disse nervoso

— De que? — Fátima disse — Se for um bom motivo eu vou entender, me convença

Moisés revirou os olhos

— Eu não posso te falar — Moisés disse — Você vai contar para meu pai e ele vai me matar e isso não é sentido figurado

— Ele faria isso? — Fátima disse curiosa

Moisés mostrou a mão

— Ele quebrou dois dedos — Apontou para o nariz — Quebrou meu nariz uma vez — Apontou para as costelas — Quebrou duas costelas minhas e me ameaçou de morte algumas vezes

— Meu Deus — Fátima disse — Por que ele fez isso?

Moisés olhou para ela

— Por que ele acha que sou viado — Falou desanimado

— E você é viado? — Fátima perguntou curiosa

— É complicado — Moisés disse nervoso, a perna sacudindo

Fátima colocou a mão na perna dele

— É uma espécie de sigilo de cliente, profissional, eu ouço muitas coisas, coisas que colocariam gente na cadeia, mas simplesmente opto por não contar, me conta o que tá acontecendo com você, talvez eu possa te ajudar

Moisés riu

— Ninguém pode me ajudar — Falou debochado e entristecido

— Tenta — Fátima disse — Você não é viado, você é o que?

Moisés não respondeu

— O que poderia te ajudar? — Ela perguntou de novo

Ele não respondeu

— Remédios — Ela disse pensativa

Ficou uns segundos pesando e então a expressão dela se iluminou

— Qual seu nome? — Ela perguntou

— Moisés ué, eu te disse — Ele disse entristecido

— Não, seu nome de verdade! — Fátima bateu no peito dele, devagar, com carinho — Esse que tá no seu coração, que quer gritar pra todo mundo, quem você é de verdade — Ela o observou — Eu juro por Deus que não vou contar nada para ninguém, nada que você não queira

— Danielle — Moisés falou colocando as mãos na cabeça em desespero

Fátima se abaixou na frente dele e acariciou a cabeça, vendo as lágrimas descerem.

— Ei, ei — Ergueu a cabeça dele — Calma, eu não vou contar pra ninguém isso tá, somos iguais então, somos duas mulheres! — Ela disse.

Moisés olhou para ela curioso, nervoso, mas as palavras dela o faziam mais tranquilo, Fátima deu um abraço apertado.

— Eu to vendo, tem muita dor e mágoa aí né? — Ela falou acariciando ele por alguns minutos e ficaram em silêncio, então ela largou. — Bem, não adianta prolongar mais, vamos então?

Ele olhou para ela assustado

— Para onde? — Moisés respondeu nervoso

— O que você acha? A gente tem que fazer — Ela disse

— Eu não quero, eu não gosto disso — Moises disse nervoso

— Como você sabe que não gosta, você já esteve com uma mulher antes? — Fátima perguntou levantando uma sobrancelha, e esse gesto ficaria marcado em Moisés, tanto que ele imitaria isso quando se tornasse Danielle no futuro

— Eu não preciso tomar um tiro para saber que dó — Moisés disse direto

Ela sorriu

— Nem dói tanto assim — Levantou a saia e mostrou a batata da perna uma cicatriz

Moisés olhou e se assustou

— Você levou um tiro? — Ele perguntou nervoso

— Sim, foi um homem ciumento, onde eu morava ele estava me ameaçando e a arma disparou por acidente, acertou a batata da minha perna

— Doeu? — Moises perguntou

— Não tanto quanto imaginam, senti uma pressão, depois um frio e uma dor aguda, mas durou pouco, ficou só latejando, apertei e fomos ao medico

Moises ficou pensativo

— Viu, nem tudo é teoria, eu prometo que vou te respeitar, aqui vai ser um ambiente seguro e eu juro que vamos bem devagar, mas precisamos fazer isso

— Por que precisamos? — Moises disse — Eu te dou o dinheiro, não é suficiente? Posso conseguir mais, só não faz isso comigo

Ela fechou os olhos

— Dinheiro não é tudo e além do mais, adiar isso só vai ser pior pra você — Ela tentou sentar no colo dele, mas desistiu, pois viu que ele era muito magro e frágil — Olha, eu sou uma boa pessoa, estou nisso aqui só por dinheiro e eu to vendo que você é uma boa pessoa também, e eu acho que foi Deus que me colocou aqui pra você

— Deus? — Moises perguntou sem entender e depois riu — Impossivel

— Impossivel por que Danielle? — Fatima colocou as mãos na cintura — Não foi ele que fez você uma mulher aí dentro? — Apontou pra ele

Moisés ficou em choque, nunca tinham falado com ele daquele jeito, não conseguiu responder

— Então da uma chace pra você, eu duvido que isso vá te converter ou que vá fazer — fez aspas com os dedos — “Virar homem” como seu pai quer, mas vai ser uma experiência para você levar pra vida.

— Eu não gosto de mulher — Moises disse

— Gosta sim, gosta tanto que quer ser uma — Fatima disse — Acertei

— Não gosto do jeito que você ta falando — Moises repetiu

— Para ser mulher você precisa entender a gente, como nos sentimos, como nos tratam, como gostamos, só assim você vai saber como se colocar no nosso lugar

Moisés olhou para ela atento, Fátima sabia que tinha tido a atenção dele.

Fátima foi até a frente dele e tirou a blusa mostrando um sutiã preto rendado, em seguida soltou a saia.

O Corpo era branco, quase do mesmo tom de Moises, cabelos castanhos longos escorridos, tinha uma aparência levemente indígena.

— Me acha bonita? — Fátima perguntou

— Acho — Moisés disse olhando para ela

— O que sente me vendo? Tesão? — Fátima perguntou acariciando a própria pele em um leve rebolado sensual

Moisés entortou a boca desviando o olhar

Ela pegou no queixo dele fazendo ele olhar

— Fica me olhando, ou eu sou tão horrível assim que nem aguentar me olhar você aguenta? — Ela disse demonstrando um pouco de insegurança

— Você é maravilhosa e linda, o problema sou eu — Moisés disse

— Me fala então, qual é o problema? — Fátima disse

Moisés se levantou irritado

— Quer saber o que eu sinto quando te vejo? — Ele perguntou com os punhos fechados — Sinto raiva, dá vontade de te socar

Fátima deu um passo para trás assustada

— Tenho ódio de te ver assim, você é linda, maravilhosa, algo que eu nunca vou ser, tenho inveja de você — As lágrimas caíram dele e ele bateu no próprio peito — Tanta inveja que dói aqui, isso fica o tempo todo no meu peito — E bateu com força na cabeça — E aqui o tempo todo, o dia todo, vinte e quatro horas por ia, cada vez que eu vejo uma mulher eu sinto ódio e inveja pois eu jamais vou ser uma

— Por que jamais, você não vai tomar remédios para ficar como eu? — Ela perguntou

— Eu nunca vou ser como você, magrinha, cintura fina, seios lindos, delicada, olha só para mim, eu sou um pedreiro — Moises disse

Fatima sorriu

— Eu descobri que pedreiros são homens incríveis no trato com as mulheres, alguns que vem aqui são tão grosseiros, tão brutos, mas quando me tem são delicados, dedicados, amorosos, sempre fico apaixonada

Moises piscou ofegante

— O que eu quero dizer Danielle — Fátima pegou na mão dele — Que o que vale é o que tá aqui — Colocou o dedo na testa dele

Moisés ficou pensativo

— Se da uma chance, me dá uma chance — Fatima disse — Eu não quero seu dinheiro, já tenho o suficiente e isso aqui é uma questão de ajudar você, eu não vou deixar você sair daqui sem passar por essa experiência, você talvez ache ruim agora, mas vai agradecer no futuro.

Ela se aproximou e o abraçou

— Eu entendo a sua mágoa, é normal a gente se revoltar com as coisas que não temos controle — Encostou a testa na testa de Moises — Peço seu voto de confiança, eu vejo a mulher que está aí dentro, de mulher pra mulher, deixa eu te mostrar uma coisa.

Moises olhou para ela nos olhos

— Você sonha com nossos corpos, nossas sensações — Fatima disse — Mas já tocou um corpo feminino? — Fátima perguntou curiosa

— Não — Moisés disse nervoso

Fátima puxou o feixe do sutiã mostrando os seios, os bicos escuros apontando para frente levemente caídos.

Moisés olhou admirado

— São naturais? — Moisés perguntou curioso

— Sim, cem por cento originais — Fátima disse — Pode tocar

Moisés levantou um dedo e encostou na lateral cucutando, Fátima pegou a mão dele fez ele encher a mão segurando o seio esquerdo dela, Moisés apertou sentindo a textura, a temperatura

— O que acha? — Fátima perguntou

— É macio, é gostoso — Moisés disse

— Você já toma hormônios? — Ela perguntou curiosa

— Tomo — Moisés disse acariciando os seios dela, as caricias eram mais no sentido de entender e conhecer como são os seios do que no sentido sensual, mas não conseguiu deixar de notar que sentiu uma pontada de tesão naquilo, sentiu um pouco de culpa — Mas só a seis meses

— Posso ver você? — Ela perguntou

— Ver o que? — Moisés olhou sem entender

Ela segurou a camiseta dele e ergueu, embaixo uma regata branca apertada

— Hmm, para que isso? — Fátima perguntou curiosa

— Para ninguém perceber — Moisés respondeu

Fátima pegou a regata apertada e levantou, viu a pele branca de Moisés, os bicos rosados grandes e entumecidos

— Ficou assim por causa dos hormônios? — Fátima perguntou curiosa

— Sim, estão crescendo, acha que eu terei seios também? — Moisés perguntou esperançoso

Fátima sorriu, achou bonitinho aquela esperança

— Acho que sim, talvez não tão grande, mas você pode por silicone no futuro — Fátima disse, fica ótimo, eu já vi, três meninas aqui já tem silicone.

Moisés deu um pequeno sorriso

— Silicone! — Falou pensativo

Mas foi surpreendido por algo quente e molhado, Fátima avançou e começou a chupar seu mamilo

— Não, espera — Ele tentou empurrá-la, mas ela o agarrou

Não era ruim a chupada era gostosa, fez Moisés soltar o ar dos pulmões, ninguém havia feito aquilo desde que os mamilos cresceram, Fátima chupou forte, lambeu e mordiscou. Se afastou um pouco

— São sensíveis né? — Fátima disse

— São — Moisés respondeu ofegante — Ninguém nunca fez isso comigo — Falou pensativo

— Me da uma chance Danizinha, vamos fazer isso ser bom

Ele não respondeu

Fátima se aproximou e pediu um beijo, Moisés não se esforçou, mas não repeliu, sabia beijar, já havia beijado muitos homens.

Mas aquilo foi diferente, foi delicado, quente, sensual, a língua de Fátima era passiva, não agressiva, isso agradou Moisés, eram caricias graciosas, lentas, delicadas, foi a primeira vez que Moisés entendeu o que era ser uma mulher, o toque delicado, a paciência a gentileza dali nasceu toda a base gestual e amorosa de Danielle.

Quando Moisés percebeu estava na cama com Fátima, ela guiava.

— O homem é bruto, ele morde, beija e agarra, ele comanda, nós somos delicadas, você entende? — Fátima disse

— Entendo — Moisés disse nervoso

— Pelo visto você já transa com homens certo? — Fátima disse direta

Moisés corou

— Certo — Falou envergonhado

Fátima tirou a calcinha, mostrando sua buceta sem nenhum pelo

— Vamos, tira a roupa também — Fátima disse

Moisés ficou receoso

— Vai querida, você tá me vendo pelada ó — Mostrou a buceta — Quero ver você

Moisés obedeceu, tirou a calça também, mostrou o pau estava meia bomba, seu púbis completamente depilado

Fátima segurou o saco dele, o pênis pulsou e ele se encolheu um pouco

— Calma, não vou te machucar — Fátima acariciou devagar o saco e o pênis — Caramba, você tem um pintão grandão!

Moisés se entristeceu

— Isso não é legal pra você né? — Fátima perguntou receosa

— Não — Moisés respondeu

— Desculpe, tá — Ela disse beijando-o novamente

Ele aceitou o beijo enquanto ela o masturbava devagar, pararam o beijo

— Só homem te chupou até hoje né? — Fátima perguntou curiosa

Moisés fez que sim com a cabeça

— Então presta atenção, assim que uma mulher faz — Fátima disse se abaixando

Lambeu as bolas de Moisés, beijou o corpo do pênis e lambeu devagar, então só depois puxou a cabeça devagar para fora dando beijinhos e lambidas, para então abocanhar e chupar devagar arrancando gemidos de Moisés enquanto a língua habilidosa envolvia

— Você, sua língua — Moisés disse gemendo e segurando ela pelos ombros

— Dá seu dedo — Ela pegou os dedos de Moisés e mostrou — Quando chupo coloco a língua e faço assim — Mostrou como mexia a língua, devagar e de forma circular — Os homens enlouquecem — Você tem um namorado?

— Algo assim — Moisés disse — Mas faz tempo que não faço nada

— Faça isso da próxima e ele vai se apaixonar por você — Fátima disse sorrindo

Moisés sorriu também

Ela se virou de costas para ele

— A mulher é sensual, gosta de mostrar o corpo, gosta que os homens peguem — Ela encaixou o bumbum no pênis dele e rebolou fazendo os braços dele a segurarem, Moisés a acariciou com carinho

Fátima ensinou muitas outras coisas, trejeitos, caricias, palavras, Moisés estava maravilhado, era uma aula intensiva de como ser uma mulher gostosa, estava vindo de uma profissional do sexo, uma pessoa que sabia o que falava, sabia seduzir homens. Ele tentar memorizar tudo, iria tentar tudo assim que pudesse, seria amada, ficariam apaixonados por ela.

Moisés estava maravilhado, ali, nu com Fátima na cama se beijando e aprendendo, seu corpo tremia de tesão, amor e ansiedade

— Você vai ser uma mulher linda e forte — Fátima disse colocando Moisés deitado enquanto masturbava, o pênis duro — O bom de ser novinho é que seu pau sobe com qualquer coisa né?

Ambos riram

— Os velhos lá debaixo precisa de muuuita paciência — Fátima disse se referindo aos homens que trouxeram Moisés

Eles riram

Ela sentou-se na barriga dele

— Vou te contar um segredo, posso? — Fátima disse

— Pode — Moisés disse

— Eu já transei com muitos homens, antes de vir pra cá só um lá na minha terra, aqui eu já perdi a conta, mas eu nunca — Ela levantou o dedo — E isso é bem importante, eu nunca transei sem camisinha, e eu considero isso uma virgindade

Moisés observou

— Por isso, para tirar a sua virgindade e a minha — Fátima segurou o pau duro de Moisés e posicionou na buceta, sentou devagar

Moisés gemeu se contorcendo enquanto ela sentava

Ela observou ele sorridente

— Obrigada, você é gentil e delicado, essa é a minha primeira vez pele na pele e eu sou grata que seja com você — Fátima disse — Podemos ser amigas, vamos fazer amor!

Moisés nunca tinha se encontrado naquela posição, sua experiencia com sexo sempre era algo violento e bruto, os homens entravam dentro dele de forma grosseira e áspera, mas aquilo era diferente, era quente, molhado, reconfortante

— É gostoso — Moisés disse — Delicioso — Fechou os olhos

— E vai ficar mais — Fátima disse rebolando

Fátima rebolou por poucos segundos, firmou os pés na cama e subiu, Moisés gemeu, ela desceu e repetiu o gesto três vezes até que Moisés gemeu e agarrou a cintura dela. Fátima sentou deixando ele gozar dentro.

— Nossa que forte, que jatos fortes! — Ela falou rebolando devagar enquanto Moisés gozava forte dentro dela.

Ficaram abraçados por um tempo

— Foi bom? — Fátima perguntou

— Foi ótimo — Moisés disse — Obrigado

— Obrigada — Fátima disse — Mulheres dizem “Obrigada”

Moisés sorriu

— Obrigada, mas eu ainda não sou uma mulher, preciso me montar — Moisés disse

— Eu queria ver você montada — Fátima disse animada

— Vamos marcar, você pode me ver! — Moisés disse animado

— Vamos sim! — Fátima disse

Trocaram número de telefone e redes sociais.

Se vestiram e com um certo carinho, deram beijinhos e abraços calorosos, antes de descer Fátima chupou a língua de Moisés de novo e ambos agradeceram pelo carinho, Moisés agradeceu por ser tão delicada e ensinar tanto para ele.

— Tenho uma pergunta — Fátima disse antes de irem — O que você sente quando vê mulheres? Sente-se mal?

— Não o tempo todo, só as vezes, quando me chamam a atenção — Moises disse direto

— E o que você sente exatamente? — Fátima disse

— É como se fosse uma dor, um sentimento de perda, um sentimento de impotência, uma vontade de chorar — Moisés disse — O nome disso é disforia de gênero

— Disforia? — Fátima disse pensativa — Eu disparei isso em você?

— Sim — Moises disse

— Desculpe — Ela falou envergonhada

— Não é sua culpa, tudo bem — Moisés disse sorrindo

— E as meninas lá embaixo, dispararam também? — Fátima disse? — Por que é tipo um alarme?

— Sim é um alarme, mas sinceramente, eu nem vi elas, tava tão tensa quando cheguei que não reparei, mas agora vou reparar, quando descer — Moisés disse

— Tensa! — Fátima disse e arrumou o cabelo dele na orelha — No feminino, que bonitinho

— As vezes escapa — Moisés disse

— Comigo você pode falar como quiser linda — Fátima deu um beijo nos lábios de Moises e eles sorriram um para o outro antes de descerem

— Pronto seu Francisco — Fátima disse ao descerem as escadas e encontrarem os homens agarrados com as prostitutas — Seu filho é bem macho

Os homens riram

— Não broxou não? — Um homem disse rindo

— Com uma jeba desse tamanho aqui, seria um pecado se broxasse, é maior que a de todos vocês — Fátima falou, sabia que aquilo deixaria os homens inseguros e os calou.

** Dias Atuais **

Danielle se levantou, vou à cozinha, pegou o celular, lembrando-se do que havia acontecido, tentou revirar a lembrança para saber se realmente era algo ruim, mas não era, a experiencia foi de certa forma traumática, mas aquele dia foi determinante pra ela entender como era ser mulher, resolveu responder

“Fátima, eu lembro de você, estou bem, espero que você esteja também”

Mandou a mensagem para encerrar a conversa

“Eu uma foto sua esses dias, você está incrível, feminina!”

A resposta tocou Danielle, ela sabia que Fátima não era uma má pessoa, mas fazia muito tempo que não se viam e guardava uma certa mágoa daquele dia fatídico.

“Obrigada Fátima, não vejo foto sua, procurei aqui no seu perfil”

A mensagem foi rápida

“Eu não estou tão bem, a vida me castigou, mas também me deu um presente incrível, só mandei a mensagem para saber de você mesma, obrigada por me responder, desejo tudo de bom e continue sendo linda”

Danielle entendeu o tom de finalização da conversa, não queria entrar em muitos detalhes, parentes quando entravam em contato sempre era para pedir dinheiro, Fátima era um total desconhecida que Danielle vira poucas vezes na vida, apesar da breve conexão

“Obrigada, desejo tudo de bom para você também”

A resposta veio acompanhada de vários corações e o texto

“Obrigada, que bonitinha, você também fala no feminino!”

Danielle corou e se lembrou, mandou outro coração como resposta, largou o celular dormiu na cama agarrando Miriam

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.