Danielle Transexual 2 — Capítulo 21 — Ao nascer do sol

Danielle Transexual 2 — Capítulo 21 — Ao nascer do sol

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Era o dia, Danielle precisava ir ao trabalho, falar com RH e acertar sua demissão, imaginou que seus acessos não a autorizariam a entrada, mas sim, o crachá passou, subiu ao andar desconfiada, trouxe uma mochila vazia para esvaziar sua mesa. As pessoas a cumprimentaram normalmente, ela foi até sua mesa

— Bom dia — Rodrigo disse ao vê-la — Tudo certo?

— Bom dia — Danielle respondeu devagar pegando a mochila e começando a pegar suas coisas, esvaziando as gavetas.

Quando as pessoas perceberam começou o burburinho

— Eles te demitiram?

— O que você fez?

— Demitiram a Daniela?

— Demitiram os líderes

Danielle entendeu que um pequeno pânico se formava

— Calma gente, calma, ninguém me demitiu, podem ficar tranquilos. — Ela falou em voz alta, eu mesma pedi demissão, acontece que eu não estava me sentindo bem aqui e ficou insustentável pra mim e vou respirar novos áres

— Vai trabalhar onde? — Alguém perguntou

— Ah, ainda não sei, pretendo tirar uns dias para pensar e vou procurar em seguida — Danielle respondeu sincera

— Leva nóis — Alguém disse fazendo ela rir

— Não tenho trabalho ainda gente, mas todos vocês tem meu contato, assim que eu me acertar atualizo meu Linkedin

— Danielle? — A voz da Laura, gerente do RH chamou Danielle — Pode vir comigo, por favor?

— Sim posso — Até mais gente — Danielle se despediu e seguiu Laura.

Entraram na sala do RH, Danielle havia pego os documentos para o desligamento, Laura mandou-a se sentar

— O Senhor Fausto emitiu um comunicado urgente a noite para aprovação das suas férias, foi feito, a senhora terá férias de 30 dias a partir de hoje

— Férias? — Danielle perguntou — Que férias? Eu entreguei minha carta de demissão, não de férias.

— Eu não recebi sua carta de demissão, mas suas férias foram lançadas

— Eu faço outra de próprio punho agora — Danielle disse

— Não vai ter efeito, suas férias estão lançadas, seria ilegal demitir a senhora nesse período.

Danielle olhou para ela com descrença

— Cadê ele? — Danielle perguntou — Cadê o Fausto?

— Não o vi hoje, parece que ainda não chegou

— Tá bom, obrigada — Danielle saiu zuncando da sala em direção à diretoria

Chegou na recepção, a mesma recepcionista de sempre

— Cadê ele Cintia? — Perguntou sem dar bom dia

— Ele não vem para cá hoje, parece que está de viagem, na filial do Rio de Janeiro

Danielle olhou para cima

— Filho da puta! — Falou em alto e bom tom

— Ta tudo bem dona Dani? — Cintia perguntou preocupada

— Tá sim Cintia, obrigada — Falou frustrada.

Voltou a sua mesa e pegou suas coisas, limpou tudo e foi embora, deixou o notebook da empre dentro da gaveta, ainda era cedo, parou em uma padaria e pegou seu celular, procurou o nome de Fátima, estava com a ligação na cabeça.

Lembrou-se que se falavam pelo Instagram, procurou e encontrou um perfil, mas não fazia sentido, pareciam postagens aleatórias, flores, folhas, fotos de um bebe, depois fotos de uma criança, não faziam sentido

Ela mandou mensagem para Rodrigo procurar quem era a pessoa pelo numero de celular, Rodrigo demorou quase dez minutos e ligou de volta

— Amiga, uma coisa estranha aí hein — Falou no telefone

— O que? — Danielle perguntou curiosa

— Olha em nome de quem está a linha

Danielle olhou, era seu próprio nome

— Tá no meu nome? — Danielle perguntou — No meu nome morto? Retifiquei ele faz um tempo já

— Você tem documento perdido ou algo do tipo? — Rodrigo perguntou

— Não, não que eu saiba

Falaram brevemente e ela desligou.

Era seu nome, mas não era de São Paulo, era de Goiás, lembrou-se da Fátima, era a única Fátima que conhecia. Resolveu não pensar muito nisso, guardou as informações e foi dar uma volta pela cidade, evitou o shopping onde Ercilio tinha loja, evitou tudo que pudesse leva-la a pessoas conhecidas queria um tempo para si mesma.

Comeu, bebeu, andou e foi ver um filme sozinha, pegou uma pipoca doce e um refrigerante grande.

O Telefone tocou assim que ela saiu da sessão de cinema era Miriam

— Tia, você não vem mais pra casa? Faz tempo que não te vejo

— Oi fia, eu to bem sim, só muito corrido — Danielle respondeu

— Você vai hoje né? — Miriam disse

— Vou hoje onde? — Danielle perguntou sem entender

— Caralho tia, meu noivado lembra, a gente vai no restaurante no Tatuapé, meu noivo, a família dele, você que é madrinha! — Miriam disse nervosa

— Ah sim querida, vou sim, pode deixar que a tia vai sim! — Olhou no relógio — Puta que pariu, to indo! — Estava em cima da hora

Danielle havia se esquecido, não gostava do noivo de Miriam, não o aprovava e parecia que era mútuo.

Pediu um carro de aplicativo e foi direto para o lugar, no caminho ficou procurando, mas sempre batia em seus próprios dados, encontrou seus dados de concursos que prestou, cursos que passou, vestibulares que fez, dividas, processos. Era um beco sem saída

Recebeu uma mensagem

“Fátima Silva”

A mensagem era de Rodrigo

“Esse é o nome da vadia!”

“Obrigada” Danielle respondeu

“Me conta essa historia aí!” Rodrigo pediu

“Outra hora, agora to ocupada”

“☹”

Danielle sorriu, sabia que Rodrigo era curioso, contaria para ele em outra ocasião, procurou na internet, mas não encontrou nada, era um nome muito comum, um sobrenome absurdamente popular, para evitar a frustração ela parou de pensar no assunto, não sem antes tentar ligar e receber a mensagem “O numero chamando está programado para não receber chamadas”

Chegou no evento, um restaurante que não era muito barato, Danielle deu seu nome na entrada

— Não há nenhuma reserva para Danielle Montserrat — A atendente disse

— Ué, a reserva foi feita pela Miriam Montserrat Custodio — Danielle disse confusa

— Olha — A mulher leu a lista — Tem bastante Montserrat, de Mulher tem Léia, Teresa, Priscila, Claudia, Maia, Maria Clara

— E de homem? — Danielle perguntou cética

— Tem Rodrigo, Francisco, Oswaldo, Moisés — A Atendente leu

— Entendi, pode parar — Danielle disse pegando um documento antigo na sua carteira — Deve ter sido um engano, eu sou transexual — Mostrou o documento escrito “Moisés” e outro escrito Danielle

A Atendente ficou confusa, chamou outro homem, eles permitiram que ela entrasse.

Já haviam pessoas no salão, Danielle se aproximou de Miriam

— Que palhaçada foi essa na portaria? — Perguntou nervosa

— Que palhaçada? — Miriam perguntou

— Que porra de Moisés, você deu meu nome morto? — Danielle perguntou — Tá louca?

— Ah tia… — Miriam parecia pensativa — Foi meu noivo que deu os nomes, deve ter se confundido

— Sério que esse filho da puta vai ficar com essa frescura mesmo? —  Danielle falou nervosa

Mas outras pessoas chegaram e Miriam foi encontra-las. Danielle viu a irmã Léia e sentou ao lado dela, viu quando o noivo de Miriam chegou.

Ela manteve-se isolada, falando apenas com a irmã, deixou o protagonismo de Miriam, ela estava contente interagindo, comeram, beberam.

Determinado ponto da noite Miriam chamou a atenção

— Mês que vem vamos escolher as roupas dos padrinhos e das madrinhas, antes que o fim de ano fique cheio de coisas, lembrem-se que o casamento é agora em Março! — Miriam disse animada

Danielle sorriu, havia visto o vestido que Miriam queria, sabia que as madrinhas iriam usar um rosa clarinho com uma fita na cintura, estava ansiosa para usar aquela roupa como madrinha e ser vista por todos da sua família que não a respeitavam como mulher, mas teriam que respeitar, ela estaria ali do lado da noiva uma madrinha, uma mulher de verdade.

A Noite acabou, Danielle trocou apenas uma palavra com o noivo de Miriam e foi muito a contra gosto.

Nos dias seguintes Miriam estava estranhamente distante de Danielle, parecia obcecada e focada no casamento.

Danielle mandou mensagem chamando-a para comer uma pizza, mas ela visualizou e respondeu só horas depois dizendo que não poderia.

Para não passar as férias forçadas em branco Danielle pegou seu carro e resolveu viajar, sem avisar ninguém, sua conta bancária não estava mais no vermelho, o deposito das férias havia compensado, suas contas estavam equilibradas. Ela pegou a estrada, o primeiro lugar que veio à sua mente foi Campos do Jordão, lembrou-se de uma pousada que alguém falou a tempos, colocou no aplicativo de mapas e foi sem nem perguntar.

Horas depois chegou no lugar, fazia um clima agradável, quase frio, era uma quarta feira, haviam mais pessoas do que ela imaginou, nem era período férias nem nada, mas haviam famílias.

Haviam quartos disponíveis, ela pegou um e deixou suas coisas, desceu para comer pois a comida e bebida era inclusa o dia todo. Almoçou tranquila lendo um livro que havia começado a muito tempo e que agora conseguiria terminar.

— Com licença — Uma mulher se aproximou com uma bebida verde com maçãs na borda do copo

— Eu não pedi isso — Danielle disse à garçonete

— Ah, aquele rapaz pediu para entregar aqui — A moça apontou para um homem ao longe

Danielle olhou, não o conhecia, mas sua visão de longe também não era boa, ele levantou um copo e a cumprimentou, mas ela simplesmente o ignorou

— Pode deixar aqui, obrigada — Falou sorridente para a mulher e voltou a ler seu livro.

Não houve mais abordagem, ela resolveu sair e ver as atividades, havia escalada, objetivos de atravessar árvores, cavalgada, piscina aquecida, sauna.

Danielle resolveu cavalgar, foi divertido, andou com um grupo, com uma família, uma garota se aproximou dela, se chamava Shelly, era do Ceará, muito bonita, ela era casada e estava de férias ali com o marido e os filhos.

Ficaram papeando enquanto cavalgavam devagar, voltaram para os quartos, Danielle subiu tomou um banho e desceu para o jantar, se juntou à mesa de Shelly e da família dela, conheceu seu marido e os filhos, a menina ficou encantada com Danielle

— Você é branca igual a minha mãe! — A garota disse admirada — E você é muito bonita

Danielle sorriu, agradeceu e disse que ela também era bonita.

Conversaram por bastante tempo

— Danielle — Shelly disse em determinada hora — Tem um rapaz ali que não para de olhar pra você

— Eu sei, é um de cabelo loiro, de óculos? — Perguntou lembrando-se do rapaz do almoço

— Sim, esse mesmo — Shelly riu — Ta quase caindo em cima da mesa pra vir falar com você

— Eu to fechada pra balanço, muito problema, acho que vou desistir de homem — Danielle riu, havia tomado uns licores e já estava alta.

Resolveu se despedir de Shelly e passear, passou perto da sauna, estava escrito “Sauna coletiva unisex, proibida a entrada de menores”

Achou uma boa ideia, estava usando biquini por baixo da roupa, entrou, havia um trocador e tudo funcionava com base em usa digital, ela guardou suas roupas e se olhou no espelho.

Usava um biquini preto com bojo, os seios falsos pareciam verdadeiros, viu sua cintura fina e seu quadril largo, sorriu para si mesma, a calcinha do biquini era especial para garotas transexuais, ninguém poderia dizer que havia um volume ali pois era perfeita, um modelo fio dental que fazia seu bumbum ficar exposto e arrebitado.

— Gostosa! — Falou para si mesma elevando sua autoestima

Sentiu uma pontada no coração, pois estava sozinha, vários homens estavam atrás dela, mas ela fugiu de todos, estava sempre rodeada, mas sozinha, se perguntou se seria assim para sempre.

O Segurança que ficava na porta avisou que o ambiente era monitorado, que ele ficaria ali olhando nas câmeras e que ela poderia ficar despreocupada por que era seguro e que bebidas eram servidas.

Ela entrou, haviam cinco pessoas, dois casais e um outro homem, o ambiente estava escaldante, abafado

— Boa noite — Danielle disse ouvindo sua própria voz amolecida

Em poucos segundos perguntaram de onde ela é e o que fazia e engajou em uma conversa com as pessoas, foi muito animada, mais uma pessoa chegou, o homem que havia enviado a bebida para ela.

Ele sentou-se ao lado de Danielle, deu boa noite e se incluiu na conversa.

Mais algumas pessoas chegaram e criaram-se conversas paralelas, Shelly veio com o marido e saiu, então o homem estendeu a mão para Danielle

— Sou o Celso, muito prazer — Falou de maneira amistosa

Ela pegou na mão dele, sem sorrir

— Prazer, sou a Danielle — Ela disse

— É solteira Danielle? — Ele perguntou curioso

Ela olhou para ele pensativa, no que iria dizer, claro que era solteira, mas era recente, doía, não queria voltar para a luta de namorar alguém, era cansativo, ruim.

Ele mesmo continuou

— Se está com alguém, me desculpe eu não quero de importunar — Ele disse preocupado

— Não, estou solteira — Ela disse simplória — E você pelo visto também?

Ele sorriu

— Sim — Falou animado

Conversaram sobre varias coisas, ela descobriu que ele era de Ribeirão Preto, ela disse que tinha primos lá, que já esteve lá, não contou das confusões que passou por lá quando foi agredida, mas conversaram.

Todas as pessoas saíram da Sauna, ficaram apenas os dois, bebendo e conversando, quando Danielle percebeu estavam próximos demais e foi inevitável, o beijo veio, quente, molhado, gostoso, quando ela percebeu que estava tonta ela se afastou

— Eu, eu — Ela disse tentando se levantar, mas cambaleando, Celso a segurou

— Calma, você ta bebendo faz tempo e ta na sauna, levante-se devagar — Ele a ajudou

O Segurança entrou imediatamente, pegou Danielle e a conduziu para fora, fez ela sentar e deu água

— Faz tempo que você ta aí dentro dona, não pode ficar tanto tempo assim — Ele disse preocupado

Ela ficou alguns minutos bebendo água e lavando o rosto, até sentir-se melhor.

Celso ficou com ela o tempo todo, a acompanhou até a porta do quarto, no elevador Danielle viu ele olhando a bunda dela pelo reflexo, deu um sorriso, ambos estavam ainda de de roupas de banho, Danielle abriu a porta do quarto e virou-se para ele.

Passou a mão no rosto dele

— Obrigada por me acompanhar — Ela disse — Mas você não vai entrar comigo — Falou sorridente, viu a cara de decepção de Celso.

— Eu só quero saber se você está bem — Celso disse desconsertado

— Eu estou sim, obrigada, você é um doce — Falou sorrindo — Só preciso dormir um pouco, amanhã quero acordar cedo para as atividades, vou com o grupo da sauna.

— Bem, se mudar de ideia é só me ligar, eu estou no 3134 — Celso disse

Ela sorriu

— Eu te ligo se precisar — Entrou de costas no quarto — Tchau — Fechou a porta e sorriu

Gostou de ser cortejada, admirada, tomou um banho e se sentiu bem, deitou-se na cama pelada, se surpreendeu por ter uma ereção, sentiu uma pontada de desespero quando lembrou que era uma mulher transexual e que Celso poderia rejeitá-la, sentiu seu coração entristecer.

Desceu, comeu, voltou e ficou revirando na cama até de madrugada. Se levantou, colocou o biquini, se perfumou, pegou sua necessaire e bateu na porta do quarto 3134.

Demorou um pouco para atender, mas ela foi insistente, Celso abriu a porta sonolento

— Dani? — Ele perguntou sem entender — Você está bem? — Olhou o corpo escultural dela no biquini pequeno coberto por um hobby de seda

Ela colocou a mão no peito dele

— Calado — Empurrou-o para dentro do quarto

Ele riu e entendeu, mesmo sonolento ele aceitou o beijo quente de Danielle, ela tirou a parte de cima do biquini, ele acariciou os seios dela e os beijou, a luz estava apagada, ela o colocou sentado na cama e chupou o pau dele, não era gigante, mas era duro, gostoso, cheiroso e depilado.

Lambeu o saco dele e babou as bolas por alguns minutos, ele estava ofegante e de boca aberta, aparentemente impressionado com a performance dela.

Danielle se levantou à meia luz, puxou a fivela do biquini e colocou o dedo no Nariz dele.

— Eu vou te mostrar uma coisa, um segredo e preciso da sua compreensão — Ela disse séria — Está prestando atenção?

— Sim sim, eu estou prestando atenção — Ele disse eufórico

Ela tirou o biquini ficando nua, enfiou a mão no meio das pernas e mostrou seu pênis meia bomba, colocou as mãos na cintura e espero ele olhar

Celso estava ofegante, atônito, parecia assustado

— E aí? Bora fuder? — Ela perguntou

O olhar dele era de pânico, parecia em crise

Ela esperou mais alguns segundos, entendeu.

Pegou o Hobby do chão e depois a parte de cima do biquini

— Não tem problema — Ela disse vendo o olhar assustado dele — Fechou o Hobby e saiu do quarto.

Caminhou pelo corredor com o orgulho ferido, parou no elevador esperando que ele viesse, mas ele não veio.

Voltou para o quarto e pegou suas coisas, colocou um vestido, foi a recepção e pagou a conta, pegou seu carro e dirigiu de madrugada sem rumo.

Parou em um restaurante na beira da estrada, viu vários caminhões parados no pátio, pegou o celular, outra chamada não atendida do número que tinha seu mesmo nome, seu nome morto.

— Você é uma imbecil Danielle — Falou ao dar um gole no café — Uma idiota retardada que acredita que as pessoas mudam, que vão te aceitar, que um dia vai ser uma princesa de alguém, trouxa! — Falava em voz alta

— Ta tudo bem moça? — Uma voz masculina disse

— Não, não tá! — Falou nervosa sem olhar para o dono da voz

— Boa noite, posso me sentar aqui? — A voz era carregada pela idade avançada, mas estranhamente jovial.

Danielle olhou, era um homem mais velho, por volta de cinquenta a cinquenta e cinco anos, negro, cabelo espesso, barba branca cheia e bem-feita, usava uma camiseta regata com braços musculosos, uma bermuda longa cinza e sapatos.

— Poder pode, está livre — Falou desanimada e grosseira

Ele se sentou

— Por que tão grossa e desanimada assim? — Ele perguntou interessado

Ela olhou para ele e ergueu uma sobrancelha

— Quer mesmo saber ou tá perguntando por que quer se aproximar?

— Eu te vi falando sozinha, você ta com cara e choro, to meio preocupado na verdade, tenho uma filha da sua idade — Ele disse — Acho que você não tá legal.

— Minha idade? — Danielle limpou as lagrimas com cuidado para não borrar a maquiagem — Que idade?

— Assim, uns 30, 31 — Ele disse

Isso desarmou Danielle

— É, é isso mesmo — Ela disse

O homem pediu um café

— Pode falar, você não me conhece mesmo — Ele disse sério

Ela respirou fundo

— Eu conheci um cara legal hoje, a gente ficou, foi incrível, ele era bonito, sensível, inteligente e aí fomos foder e ele deu pra trás por que eu tenho pau — Danielle disse direta tomando um gole de café — Doideira né?

O homem torceu o rosto

— Você é um traveco? — Ele perguntou grosseiro

— Sou sim — Ela respondeu ignorando a grosseria, ele era um caminhoneiro, conhecia bem, não queria ofender ela, mas provavelmente tinha contato com trans de prostituição — Algum problema com isso? — Ela disse já irritada pela intromissão

Ele riu

— Duvido que seja — Ele disse debochado — Mas é uma boa desculpa para não querer conversar — Falou divertido se levantando — Não tava te chavecando não, tava só procurando companhia pra fumar uma boa erva, passar bem — Fez aspas com as mãos — Traveco.

— Eu to falando sério — Danielle seguiu ele rotacionando o corpo — Eu sou um traveco! — Danielle disse num tom de voz mais alto chamando a atenção das poucas pessoas que estavam por ali.

Ele parou novamente, parecia indeciso, coçou a barba

— Quer conhecer meu caminhão? — Ele perguntou direto — Tenho uma erva da boa lá, primeiríssima qualidade

— Qual é? — Ela perguntou olhando para fora

— É uma variedade colombiana… — Ele ia dizer, mas ela interrompeu

— O Caminhão! — Ela disse irritada

O homem apontou

— Aquela carreta branca com a carga laranja e verde — Ele disse

Ela olhou, era idêntica à carreta que ela havia perdido a virgindade anos atrás, um clássico, gigantesco, com muito espaço interno, linda, lembrou dos seus primeiros dias como Danielle  quando foi na viagem com Antônio.

Apesar da mente ferver demonstrou nenhum sentimento, voltou a atenção ao café

— Vou pensar no seu caso, vou terminar de comer e talvez vá — Ela disse dando de ombros

Ele riu, fez um sinal positivo com a cabeça e saiu em direção ao caminhão

Ela tomou seu café, com calma. Levantou-se pagou e foi até seu carro, entrou e andou com ele, a carreta estava próxima, respirou fundo e virou o carro em direção à carreta, parou na frente dela, no vão entre dois caminhões.

Desceu e parou na lateral, olhando pra cima decidindo, a porta se abriu, lá dentro o homem com as mesmas roupas acendia um cigarro pequeno amarelado, esticou a mão para ela subir

Ela subiu sem dificuldades.

— Você veio mesmo — Ele disse parecendo surpreso enquanto pegava outro enroladinho acendendo.

Ela fechou a porta e se encaminhou para a boléia, na parte de trás, sentou-se na cama, olhou em volta, era familiar, parecia com o caminhão de Antônio, sentiu saudades e um pouco de raiva e muita nostalgia

O homem se sentou ao lado dela

— Posso saber seu nome? — Ele perguntou interessado

Ela o mediu, viu os pelos brancos vazando pela camiseta, os braços fortes torneados, os olhos com marcas do tempo e o bigode amarelado

— Miriam — Danielle respondeu o primeiro nome que lhe veio à mente, se arrependeu no mesmo instante

— Miriam, que nome bonitinho, não é muito normal pro seu tipo — Ele disse enrolando o papelzinho

— E o que é normal pro meu tipo? — Perguntou agressiva notando que estava na boleia escura de um caminhão a mais de 300 quilômetros de casa, com um homem desconhecido e ninguém sabia que ela estava ali.

— Stephany, Afrodite, Samatha, Summer — O homem disse — É o mais comum

Danielle concordou brevemente com a cabeça, esses eram nomes já conhecido das suas semelhantes que se aventuravam em programas perigosos

— Eu sou diferenciada — Ele disse

— To vendo, não acredito até agora que você é um traveco — Ele disse — Tá bonitinha demais, feminina demais, mulher demais

Ela ergueu uma sobrancelha

— Vai ficar na duvida — Danielle falou ousada

Ele se aproximou dela, a mão tocou sua coxa, ela se afastou por medo, ele tirou a mão, pegou o isqueiro e acendeu o cigarro, deu uma puxada, a brasa aumentou e a fumaça saiu, ele puxou o ar, tragando e perdendo a respiração, entregou o cigarro a ela e soltou o ar.

A fumaça branca procurou imediatamente a janela, como ambas estavam abertas o ar frio da madrugada entrava por uma e saia pela outra

Ela pegou o cigarro, colocou nos lábio e puxou, era forte, doce, segurou o ar e ergueu o cigarro, ele pegou da mão dela sorridente.

Quando ela soltou o ar parecia que seus pulmões eram maiores, demorou mais tempo para respirar, sentiu imediatamente a ponta do nariz formigar

Tocou o próprio nariz

— Nossa — Ela falou admirada

— Tá dormente né? — Ele disse satisfeito — Bate rápido mesmo

— Eu não vou desmaiar né? — Ela perguntou preocupada

— Não — Ele disse olhando pro cigarro — Acho que não, nunca vi ninguém desmaiar com maconha, no máximo dormir — Ele parecia pensativo, deu outra tragada e entregou a ela

Danielle puxou de novo, segurou, era quente, quando soltou sentiu a sensação gostosa, seu corpo estava maior, parecia ter se expandido, estava quase do tamanho da cabine do caminhão.

O Homem sorria e movia-se devagar

Ele se virou e abriu uma pequena geladeira

— Cerveja? — Ele perguntou a ela mostrando uma latinha dourada

Danielle piscou devagar

— Dou um gole na sua — Falou com a voz molenga e riu em seguida — Eu to falando mole já

— Tá, você ta com cara de bêbada — O homem disse divertido

Ambos riram muito, Danielle percebeu que era uma bobagem, mas não conseguia parar de rir, era divertido, libertador, seu peito doía, ela lembrou da rejeição, lembrou de Fausto, Fabio, Antonio e Até do Dr Marcelo, deu um soluço, um engasgo

Olhou par ao homem e não conseguiu se segurar, abriu a boca num choro dolorido

Ele franziu a testa preocupado

— Eita Miriam, calma! — Ele disse — Ta tudo bem, ninguém vai te fazer mal não, a gente tá só curtindo — Ele passou a mão na cabeça dela — Tá de boa, de boa!

Ela colocou as mãos no rosto e puxou os joelhos para perto do corpo

— Por que ninguém gosta de mim? — Ela perguntou para ele, naquele momento o homem se parecia com sua psicóloga, por mais que ela soubesse que não era — Por que todo mundo só quer que eu me ferre?

— Eu não sei — Ele respondeu pensativo — Você deve estar fazendo algo errado

Ela olhou pra ele, tentou lembrar do nome dele

— Qual é seu nome? — A voz chorosa ainda predominava

— Meu nome é Alfredo — Ele disse sorridente — Me chamam de Fredo

— Fredo, eu sou a pessoa mais infeliz do mundo — Ela disse sentindo o peito doer e voltando a chorar

Ele esperou um pouco, deixou ela chorar

— Fala menina, por que você acha que é a pessoa mais infeliz do mundo? — Fredo perguntou curioso

— Eu não tenho ninguém! — Ela falou sentindo pena de si mesma

Alfredo viu os olhos dela brilharem e refletirem a si mesmo

— Não tem pais, irmãos, namorado? — Ele perguntou tentando ajudar ela

— Tenho todo mundo, mas eu to sempre sozinha na multidão, eu sou odiada por existir — Ela disse enfiando a cara nos joelhos

— Ah vai — Ele cutucou a cabeça dela, quando Danielle levantou a cabeça ele mostrou o cigarro — Traga outra

— Não, to bem já — Ela disse

— Não, é sério, traga outra que você vai se sentir melhor, você ta no meio do processo, continua que você vai entender

Ela obedeceu, tragou novamente, segurou o máximo que pode, quando soltou  fumaça toda a dor o seu peito saiu junto, sentiu um alivio, sentiu como se o peso do mundo saísse das suas costas.

Esqueceu suas dívidas, esqueceu Fausto, todas as dores pareciam distantes, pareciam ter acontecido a dez milhões de anos

Diante do olhar distante dela Fredo interviu

— Melhor? — Ele perguntou curioso

Ela fez apenas um sinal positivo com a cabeça, abraçou os joelhos, mas colocou a bochecha no joelho olhando pra ele

— Você tem alguém? — Ela perguntou curiosa

— Tenho — Ele disse

— Tem esposa, filhos? — Ela perguntou curiosa

— Não tenho mais esposa, ela faleceu num acidente de carro, mas tenho dois filhos

— Qual a idade deles? — Danielle perguntou curiosa vendo a cabine se mexer em volta de Fredo

— A Fernanda tem 30 anos, da sua idade, o Fernando tem 38, é um pouco mais velho — Fredo disse pensativo — Ele tem uma transportadora, eu trabalho pra ele, só por que eu gosto mesmo, estou aposentado, ela é advogada.

— Você se da bem com eles? — Ela perguntou curiosa

— Com meu filho sempre me dei bem, mas com minha filha demorou, foi complicado — Ele disse se apoiando na cama, a ponta dos dedos dele tocou o pé de Danielle, ela esticou a mão e pegou no dedo dele, era grosso, escuro contrastando com a aparência delicada dela

— Me conta — Ela disse carinhosa afagando o dedo dele

— Desde que a mãe dela morreu, a uns quinze anos atrás a Fernanda me culpou, achou que eu tava bêbado, mesmo eu tendo sido absolvido, ela foi morar com a tia dela

— Você tava bêbado e sua esposa foi vitima de uma batida?

— Sim, eu tava dirigindo, mas não, eu não estava bêbado, eu estava com sono, e ela também a gente tinha passado a noite em claro, era uma época bem difícil, ela estava doente, enfim, aconteceu a fatalidade

— Mas você se acertou com a Fernanda? — A voz de Danielle era quase um sussurro

— Sim, recentemente a gente se acertou, muito bem, e é uma das coisas que mais me animam na vida, que mais me incentiva à viver

Ela sorriu

— Que bonitinho — Falou séria — Tem contato sempre?

— Sim, me mudei para perto dela e do meu filho para conhecer meus netos e daqui a alguns meses meu bisneto

— Bisneto, nossa! — Danielle falou admirada e pensativa — Qual a sua idade?

Ele sorriu

— Chuta — Falou acarinhando a mão dela de volta

Ela apertou os olhos, viu o cabelo branco espesso, a barba branca, olhos marcados, braços fortes, pelos brancos no braço e no peito

— Cinqueta — Falou balançando a mão — No máximo cinquenta e cinco vai

Ele sorriu

— Não — Falou triunfante

— Sessenta? — Ela perguntou

— Não! — Respondeu sorridente

— Você não tem mais de sessenta e cinco anos Fredo, impossível! — Falou em desdém

— Eu tenho setenta de quatro anos — Ele disse

Danielle ficou séria

— Você tem a idade do meu pai — Ela disse — Meu Deus — Mas você está, está

— Estou em forma? — Ele perguntou sabendo da resposta

— É — Danielle perdeu o controle das palavras — Você tá gostoso

Assim que falou se envergonhou

Fredo deu uma risada triunfante

— Como você sabe que eu sou gostoso, não me provou ainda — Ele falou sorridente dando outra tragada no cigarro e entregando a ela

Danielle aceitou e tragou, quando soltou o ar sentiu algo diferente, sabia o que era aquilo, seu corpo se arrepiou, sentiu tesão.

— Você gosta de homem maduro assim Miriam? — Ele perguntou

Ela respirou fundo

— E se eu gostar? — Perguntou curiosa

— Se gostar, melhor ainda — Ele disse — Posso ser um papai pra você

Ela sorriu

— Se for igual meu pai vai socar minha cara e me quebrar na porrada

Ele franziu a testa

— Seu pai não faz isso, faz? — Perguntou curioso

— Oh se faz, ele quebrou meu nariz duas vezes, fraturou duas costelas minhas e quebrou meu dedo indicador — Danielle disse

— Por que? — Ele perguntou — Por que ele fez isso

— Eu te disse, por eu ser quem sou — Danielle disse séria

— Você é transexual mesmo? — Ele perguntou sério

— Sou sim, eu juro — Ela disse — Não acredita?

— Acho que acredito, mas não faz diferença eu acreditar né

Ela não respondeu

— Mas a relação de vocês não é boa então? — Ele perguntou tragando a pontinha do cigarro

— Ele é um babaca comigo, é um doce com minha irmã e irmão, minha mãe e até com a Miriam, mas comigo é um babaca, por que somos crentes

— Ah, tem outra Miriam? — Ele perguntou sorrindo maliciosamente

Ela olhou pra ele e revirou os olhos, esticou a mão

— Prazer, Danielle — Falou ao balançar a mão dele

— Ah, Danielle, bonito também, e quem é Miriam? — Perguntou curioso

— Minha sobrinha, foi o primeiro nome que me veio a mente, por que ela era a única pessoa que eu falava, mas ela vai ser casar e o noivo dela é um escroto e ela está sendo bem babaca comigo e eu to com medo do que vai vir.

— Por isso você tava depressiva? — Ele perguntou

— Também — Ela respondeu pensativa — Minha vida tem sido um caos, eu tive um treco meses atrás, quando voltei fiquei meio sem memoria, descobri que meu noivo estava me traindo com modelos caras, por que ele é ricão, aí fui trair também, mas achei uma merda e entrei em parafuso por que essa não sou eu

— Entendo — Ele disse — Fez muito sexo com outros homens

— Bastante, mas sei lá, não foi legal — Falou pensativa — Ai terminei tudo, dei uma fugida, para esquecer, conheci um cara legal, bonito, tesudo, a gente se pegou, eu fiz cu doce sabe, igual mulher de verdade, mas eu fiquei no tesão máximo

— Aí procurou o cara? — Fredo disse enrolando outro cigarro

— É, fui lá no quarto dele, a gente se pegou, maior tesão, eu tirei a roupa e ele me viu nua e quase chorou! — Falou irritada — Babaca, nem conseguiu falar — Ela respirou fundo sentindo-se mal por isso — Aí eu peguei minhas coisas e fui embora e encontrei você

— Entendi — Ele tragou o outro cigarro e deu para ela

Danielle tragou também, olhou pra ele

— Fredo — Tocou a mão dele de novo — Não vou mentir pra você, to com um tesão da porra!

— Eu também — Ele pegou a mão dela e beijou — Vou te falar algo que pode parecer loucura, mas por favor não fique com nojo de mim, é só o que estou sentindo — Ele tragou outra vez

Ela ficou apreensiva ouvindo

— Você parece muito com a minha filha — Ele disse sério

Danielle ouviu, tragou também, sua mente parecia mais afiada, mais forte, mais compreensiva, entregou para ele o cigarro

— Tem tesão na Fernandinha? — Ela perguntou direta

— Tenho, ela é linda, incrível, eu a amo — Ele disse

— Ela sabe disso? — Danielle perguntou curiosa

— Sabe, duas noites atrás a gente fez amor — Ele disse sincero — Tem sido assim nos últimos anos, eu vou lá na casa dela, o marido sai pra trabalhar a noite, ela coloca meus netos pra dormir e durmo na cama dela, sou o macho dela durante a noite

Danielle ficou surpresa, mas sua mente apenas registrou, sem julgamento, sem preconceitos

— Interessante — Ela disse pensativa dando outra tragada

— Você acha ruim? — Ele perguntou pensativo

— Olha, na verdade, vocês dois são adultos, maiores, vacinados — Pensou um pouco — Não vejo nada de errado — Parou para pensar — A não ser que ela ta metendo chifre no cara né, isso é errado

— Sim, está, mas nosso amor é diferente, amor de pai e filha é algo transcendental, não é só sexo, é conexão, é paixão, é mente, é conexão de alma — Ele disse animado

— Parece bacana — Danielle disse sentindo-se melancólica

— Tenta com seu pai — Ele disse

Ela deu uma risada

— Não existe a possibilidade disso acontecer — Ela falou desanimada

— Todo pai quer uma filha, uma menina para chamar de sua, para cuidar, para amar, para ensinar e proteger — Fredo disse — O seu também deve querer

— Ele acha que eu sou um homem viado vestido de mulher — Danielle disse — Ele é crente, eu sou também, mas ele é irredutível com isso

— Senta no colo dele um dia — Fredo disse

Ela riu

— Pra que? — Falou nervosa — Não acho que ele vai ficar de pau duro

— Não, senta, abraça ele, se aninha, o reflexo dele vai ser te segurar, te proteger, você vai ser a menina dele — Fredo disse

Danielle sentiu seu estomago revirar, ela queria isso, queria o carinho que nunca teve, queria que seu pai a amasse pelo que era, não a odiasse

Ela abaixou a cabeça

— Não precisa responder, só pensa nisso, quebra o ciclo de ódio e violência — Fredo disse

Ela olhou pra ele, se encararam por alguns segundos

As mãos dele percorreram as coxas dela, o vestido comportado já estava alto, ela deixou, ele dedilhou pela cintura e depois no busto dela, a alça estava caída, ele puxou levemente mais para baixo.

Danielle tirou a outra alça e abaixou o vestido mostrando os seios.

Ele os encarou

— Cor de rosa, que coisa linda — Ele disse vendo os peitos bicudos e pequenos de Danielle — São perfeitos

Se inclinou para beijá-los, Danielle deixou, gemeu, acariciou a cabeça dele

— Fredo, tira a camisa, quero ver uma coisa — Ela disse nervosa

Ele tirou, ela viu seu peito cabeludo, pelos densos, grossos, grisalhos, mal dava para ver os mamilos, ela se aproximou e encostou a bochecha, esfregou o rosto levemente, passou a mão, talvez tenha sido o efeito da maconha, mas aquilo era macio, quente, agradável

— Eu posso dormir aqui — Ela disse pensativa

— Tem coisa melhor do que dormir aí — Ele disse animando-se, mas com ar galanteador

— Tem — Ela disse dando beijinhos e esfregando-se como uma gatinha no peito dele

— Se esfrega no peito do papai meu anjo — Ele disse

Danielle sentiu tesão, era diferente, proibido, gostoso.

Ele a pressionou contra as costas do banco do motorista e a beijou na boca

O gosto era de limpeza, pasta de dentes recém escovados, tinha também um cheiro de cigarro de maconha, sentiu o perfume simples quando cheirou o pescoço dele

Ela tocou os braços dele

— Você é forte hein — Ela disse

Abocanhou os seios de Danielle novamente, ela segurou cabeça dele, era feroz, bruto

— Cuidado são sensíveis — Ela disse sentindo tesão pela chupada, por aquele homem bruto, seu coração bateu rápido, não sabia se aquilo era perigoso ou se terminaria bem, resolveu jogar a prudência para o alto, em seguida murmurou — Gostoso!

Ele riu

— Toda branquinha rosinha adora um negão — Ele disse animado

Ela sorriu

— Sério? Me mostra por que? — Falou sorridente deixando-se levar.

Se abraçaram e se beijaram novamente, Danielle esfregou o rosto no peito dele, era macio, quente, cheiroso

— Que delicia esse peito cabeludo, acho que nunca tinha conhecido alguém assim — Ela abraçou ele e arranhou as costas que também eram cabeludas, era agradável, gostoso, tentou se lembrar de alguém tão peludo assim, com o corpo macio e lembrou-se imediatamente de seu pai.

Parou e encarou Fredo envergonhada

— Você não é puta mesmo né? — Ele perguntou curioso

— Não, não sou — Ela disse — eu te disse

— E o que ta fazendo por aqui? — Ele disse — Numa parada de caminhão?

— Parecia um bom lugar para uma travequinha parar — Disse bem humorada

— Ainda quero conferir isso — Ele disse mordiscando o pescoço dela

Ela gemeu e respondeu se inclinando ao se entregar

— E agora to com um tesão da porra e confusa pra caralho, se eu fosse você eu partia pra cima de mim antes que eu mude de ideia e vá embora.

— Eu não vou mudar de ideia — Ele disse acariciando os seios dela, a mão percorreu o braço de Danielle e entrelaçou os dedos, mãos dadas

Ela olhou o gesto, era carinhoso, um misto de brutalidade e bons modos.

— Sabe — Ela disse — A minha primeira vez foi num caminhão, um modelo como esse, idêntico.

— Sério? — Ele disse beijando a mão dela

— Sim, eu estava assustada, era bem novinha, não sabia muito de nada

Fredo olhou sério pra ela

— Novinha quanto? — Perguntou erguendo uma das sobrancelhas

— Eu tinha doze anos e ele trinta e dois — Danielle sorriu, mas parecia triste.

Fredo a puxou para um abraço, ela colocou a cabeça no pescoço dele sentindo o calor do corpo e o perfume.

— Sinto muito por isso, alguns homens não representam o melhor que podemos ser, o papel do homem é proteger as mulheres e as crianças, não fazer isso.

Ela aceitou o abraço, era gostoso, ela respirou fundo

— Se fosse com você acho que teria sido melhor — Ela disse pensativa acariciando o ombro dele com o dedo

— Não, teria sido impossível — Ele disse se afastando — Eu jamais transaria com uma criança, eu não sou esse tipo de gente.

Ela piscou admirada, ele continuou

— Aqui na estrada, principalmente nessas paradas o que impera é a prostituição, e eu já vi de tudo e fiz de tudo, exceto macular a inocência de uma criança

Danielle parecia admirada

— Você fez de tudo? Encotrou outras como eu? — Ela perguntou curiosa

— Sim, um bom numero de garotas igual você, transei com elas, transei com mulheres e com homens também, eu sou um espirito livre, eu gosto do amor. — Fredo respondeu sincero.

Danielle parecia surpresa com as palavras dele

— Não é pra isso que criança é feita, não pra sexo, criança tem que ver desenho, rir, brincar — Ele disse sério

Ela encostou a cabeça no peito nu dele, a maconha fazia ficar macio e incrivelmente gostoso.

— Ele te machucou? — Fredo perguntou

— Não sei direito — Danielle respondeu brincando com os pelos do peito dele. Fisicamente um pouquinho por que eu era muito novinha, mas me aprisionou mentalmente e demorei anos até entender o abuso.

— Entendo — Ele disse — Talvez por ele ser mais velho, isso foi fácil pra ele — Fredo disse

— Sim foi — Ela disse — Muito fácil

— Eu sou bem mais velho que você, uma diferença ainda maior que da dele para a sua — Fredo disse — Estamos aqui no clima, está gostoso, mas se você quiser apenas parar, saiba que eu não vou ficar chateado

Danielle se afastou dele e sorriu, deu um beijo nos lábios

— Coloca uma musica pra gente — Ela disse apontando para o radio

Ele colocou, um rock’n roll baixinho romântico que estava passando na radio.

Quando se virou, Danielle estava sentada apenas de calcinha, olhando para ele sorridente. Ela chamou-o com o dedo.

Ele a agarrou beijando-a com vontade, tirou a calcinha antes que e ela pudesse pedir algum cuidado, o pênis amolecido de Danielle bateu na perna dele.

— Caralho! — Ele disse olhando para o pau dela

— O que foi? — Ela perguntou receosa

— Você tem um pau mesmo! — Ele disse e ficou paralisado

— Eu disse — Ela respondeu nervosa esperando a rejeição, relembrando de horas antes

Ele sorriu, desceu a mão pelo abdome dela

— Você é linda demais! — Ele disse segurando o pau dela e se abaixando para um boquete.

— Não, espera — Ela não conseguiu falar

A chupada foi forte, sugou como um macarrão no almoço de domingo, ela gemeu, doeu, mas não foi ruim, ele insistiu até ficar duro, ele chupou as bolas dela e acariciou o cuzinho de Danielle, ela estava entregue, pegou sua bolsa e foi pegar a camisinha, mas ele pegou uma dele antes e encapou o pau dela.

— Vai sentar? — Ela perguntou visivelmente decepcionada

— Não, vocês travas quando levam rola gozam forte pra caralho, aí suja tudo — Ele disse puxando a bermuda par abaixo

— Ah! — Ela disse admirada — Entendi

Ele tirou a bermuda, revelando o pau, não era gigante, não era anormal, era menor que o de Danielle, mas era veiúdo, cabeça roxa larga e estava pingando de tanto tesão

Ela esticou a mão e acariciou

— Gostosinho hein — Ela disse — Esse é o pau mais velho que eu já peguei

— Quer dar um beijinho? — Ele perguntou

Ela se inclinou e abocanhou, tinha um gosto forte, salgado, ela saboreou, fazia tempo que não experimentava um pau desconhecido, era gostoso, sentiu seu cuzinho piscar, seu próprio pau dobrou de tamanho, chupou as bolas e deixou bem babadas, beijou as coxas fortes, deitou-se para trás na cama da boleia.

Apoiou-se nos cotovelos e olhou pra ele

— Vem fuder vem — Falou animada abrindo as pernas e tocando o próprio cuzinho com o lubrificante que pegou na bolsinha.

Ele encapou o próprio pau com camisinha e foi para cima dela.

Entrou sem cerimonias, fazendo ela o abraçar e gemer

— Devagar caralhoooo — Falou puxando-o para si — Não tem buceta aqui não, cuidado!

— Tá! — Ele disse segurando as coxas dela e metendo devagar — Nem acredito que uma gostosa como você tá aqui — Falou sorridente — Perfeita assim é muito difícil aparecer, quando aparece cobra caro

— Pois é, aproveita que não é sempre que uma traveca de família aparece — Ela disse também sorridente e se entregando aos beijos molhados

Ela pensou que seria rápido, mas não foi, ele comeu ela em papai mamãe por vários minutos, sem gozar, entrando e saindo enquanto ela sentia prazer e acariciar o peito dele e sentia o pau entrando, virou ela de lado, depois de bruços, por fim de quatro, quase quarenta minutos metendo rola sem parar em Danielle

— Isso tá gostoso demais — Danielle disse entorpecida

Ele riu

— Você nunca deu chapada né? — Ele perguntou

— Nunca, será que é por isso que tá tão foda? — Ela perguntou curiosa enquanto ele a penetrava e puxava o cabelo dela e ela enchia a camisinha pela terceira vez seguida

— Dani, você é muito gostosa, puta que pariu! — Ele disse animado no momento que ia gozar — Agarrou o corpo dela, passando a  mão em seu abdomem e seus seios — Acho que meu pau nunca ficou tão duro

— To vendo, tá parecendo uma barra de aço, ta me arrebentando — Ela disse

— Tá ruim pra você? — Ele perguntou preocupado

Ela riu

— Não, tá foda demais, gosto que arrebente mesmo — Falou rebolando

A Camisinha de Danielle estava cheia de sêmem, tanto que ela teve que segurar para não vazar enquanto ele gozava e urrava de tesão, ela sentiu seu pau pulsar enquanto gozava e ele mordia o ombro de Danielle

Ele a puxou e a fez sentar em cima dele, cavalgando virada para o painel do caminhão.

— Ali, ali — Ela apontou para o painel — Me come no banco do motorista

Ela levantou e encostou-se no volante,

Fredo apressou e sentou-se no banco do motorista, tirou a camisinha e trocou por outra, ela esperou e encaixou o pau dele no seu cuzinho e sentou devagar, ele gemeu alto mordiscando as costas dela.

Danielle apoiou os dois pé no painel do caminhão, o pênis duro dele dentro dela

— Cuidado que a minha camisinha tacheia — ela disse

Fredo deslizou a mão e puxou a camisinha dela com habilidade, deu um no e jogou de lado, pegou outra camisinha e enfiou no pau de Danielle, ela achou engraçado

— Ta manjando de encapar rola alheia hein — Falou divertida

Ele ignorou

— Rebola vem — falou beijando as costas dela — Mostra essa habilidade

Ela sorriu e começou a subir e descer devagar, apoiando-se na porta, painel e teto, então ela sentiu um brilho cegar seus olhos, era o sol nascendo, iluminando seu corpo branco e queimando sua pele devagar, ela sorriu, o homem entrava e saia dela com muito tesão, ela se masturbou como fazia raramente e gozou novamente adicionando sêmem à camisinha nova.

Quando ele terminou, ela se deitou na boleia, cansada, tirou a própria camisinha e amarrou, em seguida tirou a dele e fez o mesmo.

— Deixa aí que eu jogo — Ele disse se deitando com ela — Fica comigo, dorme aqui

— Não, preciso ir — Ela disse — Tem gente me esperando

— Vai pra onde? — Ele perguntou curioso

— Vou pra Minas Gerais, casa da minha vó, visitar uns primos

— Você tem cara de quem dá muito essa bunda branquinha — Ele disse sorridente e ofegante — Seu pai vai adorar

Ela riu e deu um tapinha nele

— Para de falar isso — Disse ofegante e continuou — Não dou tanto quanto eu gostaria — Ela disse — Preciso dar mais — Ela disse pensativa olhando par ao teto — Bastante

— Gostou? — Ele perguntou curioso — O Velho atendeu suas expectavas?

Ela sorriu

— Foi da hora, você foi a melhor foda de todas até agora, puta folego, você mete bem pra caramba, gozei duas vezes acho — Ela disse — Encheu tudinho na camisinha!

— Eu vi — Ele falou — Ver você gozando me deu o maior tesão

— Ai, ai, você me arrebentou — Ela falou rindo, mas ergueu o corpo

— Me dá seu telefone, deixa eu te ligar quando voltar — Fredo disse — Gostei muito de você

— Dou sim querido — Me da seu aparelho que eu digito — Ele deu, ela digitou o número e escreveu Danielle

Ele olhou

— Danielle, então não é Miriam mesmo? — Ele perguntou sorridente

— Danielle é o de verdade mesmo, você mereceu — Ela riu — Eu sou de verdade, pode acreditar

Ele também riu

— Me manda mensagem, quem sabe um dia a gente marca uma foda com paciência, num motel, caminha, banho gostosinho, beijinhos, namorico gotoso

— Não vai ter vergonha de que te vejam com um velho? — Ele perguntou curioso

— Meu filho, quem me come desse jeito merece o céu

Ele riu satisfeito

— Banho tem aqui, quer? — Ele perguntou — Os caras iriam adorar tomar banho com você

Ela riu debochada

— Talvez outra hora, aí dou para uns cinco de vocês juntos

— Promessa é dívida hein — Ele disse

Ela pegou o vestido  passou por cima da cabeça se vestindo

— Eu costumo pagar minhas dívidas — Ela falou sorridente se vestindo e procurando a calcinha

— Tem coragem mesmo de dar pra todo mundo no chuveiro? — Ele perguntou

— Não sei, nunca pensei nisso, acho que sim — Falou enquanto terminava de se vestir — To afim de experimentar coisas novas

Se inclinou e deu um beijinho nos lábios dele

— Obrigada por ser carinhoso tá! — Passou a mão no rosto marcado dele — Papai — Falou sorridente

Ele sorriu e beijou o pulso dela

— Tchau princesa encantada — O sol iluminava o rosto delicado de Danielle quando ele disse isso

Ela sorriu e saiu do caminhão.

Entrou em seu carro, estava eufórica, ligou uma música alta e saiu em busca do nascer do sol.

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Rafaela Khalil é Brasileira, maior de idade, Casada. Escritora de romances eróticos ferventes, é autora de mais de vinte obras e mais de cem mil leitores ao longo do tempo. São dez livros publicados na Amazon e grupos de apoio. Nesse blog você tem acesso a maioria do conteúdo exclusivo.